11 -  Creature from the black lagoon, Hans Salter (1954) Creature from the Black Lagoon é um filme realizado por Jack Arnold e um...

BANDAS SONORAS EM FILMES DE TERROR: o som do medo (segunda parte)

11 - Creature from the black lagoon, Hans Salter (1954)



Creature from the Black Lagoon é um filme realizado por Jack Arnold e um dos melhores exemplos de monster movies dos anos 50. Neste filme, o monstro, apesar de fisicamente não ser muito atraente (se bem que aquelas guelras são interessantes), consegue criar alguma empatia com o espectador e quase entendemos a sua angústia, porque na realidade ele só quer ser amado e bem amado pela personagem feminina do filme interpretada por Julia Adams. É fácil empatizar com a criatura da lagoa negra porque o suposto herói do filme é um humano com uma caracterização psicológica um pouco precária. Apesar do crédito principal da banda sonora pertencer a Hans Salter, outros compositores participaram na banda sonora deste filme de série-B elevado a estatuto de culto, como Henry Mancini e Herman Stein.
A banda sonora principalmente orquestral e com a assinatura da época providencia um bom retrato emocional da criatura da lagoa, assim como a ameaça que representa para os humanos que o tentam matar depois da criatura se ter enamorado de uma humana que, aparentemente, quer só para ele. É uma banda sonora recheada de instrumentos de corda, sopro, muito tensa e dramática. Especialmente adequada para um monster movie que elevou um pouco a fasquia do género.

12 - The Texas Chainsaw Massacre, Tobe Hooper & Wayne Bell (1974)



Um dos filmes mais populares e reconhecidos mundialmente pela figura icónica do seu vilão de serviço, Leatherhead, é também alvo de um franchise bem-sucedido e bastante extenso. No entanto, a banda sonora para este clássico de terror nunca teve um lançamento oficial e há apenas bootlegs e material não oficial disponível.
Este filme realizado por Tobe Hooper é um dos slashers mais influentes feitos na década de 70 e que prova que por vezes um baixo orçamento não implica que o filme seja fraco ou de pouca influência para o futuro. Leatherhead é um dos vilões mais enigmáticos e assustadores da história do cinema mundial fazendo com que a motosserra ganhasse um significado para lá de perturbante.
A banda sonora para o filme é composta por sons com alguma distorção, músicas country que passam na rádio, os invariáveis sons da motosserra em acção imiscuídos com os essenciais gritos femininos e numerosos efeitos e distorções sonoras que podiam figurar num disco de noise japonês. Uma banda sonora ideal para um jantar em família.

13 - A Nightmare on Elm Street, Charles Bernstein (1984)



Há quem beba café para ter mais rendimento no trabalho, por puro prazer, por questões de convívio ou para escapar do Freddy Krueger. Este filme realizado por Wes Craven em 1984 introduz um vilão bem-conhecido pelo público com a sua cara arrasada por queimaduras, a sua camisola às riscas vermelhas e pretas, o chapéu preto e as suas unhas que fariam o próprio Wolverine encolher as garras de adamatium por puro respeito. Wes Craven, responsável por outros filmes de terror igualmente icónicos, conseguiu criar um slasher com elementos sobrenaturais que apelou aos teenagers da altura e que hoje em dia continua a manter o seu encanto. Freddy Krueger interpretado por Robert Englund é um produto dos nossos piores pesadelos, emoções reprimidas e traumas. Ataca-nos no único local onde nos podemos sentir seguros, nos sonhos que facilmente se tornam pesadelos com a sua presença.
A banda sonora composta por Charles Bernstein soube aproveitar-se do carácter aterrador de Freddy e com o uso de sintetizadores, batidas misteriosas e outros efeitos sonoros consegue criar um retrato do vilão que ataca nos sonhos quando as suas vítimas mais estão desprotegidas. É uma banda sonora que consegue recriar a ameaça que Freddy representa, ao mesmo tempo que traça linhas subtis entre o sonho e a realidade.

14 - Invasion of the Body Snatchers, Denny Zeitlin (1978)



Invasion of the Body Snatchers realizado por Philip Kaufman é um dos melhores filmes da sua época a fundir ficção-cientifica, terror psicológico e body horror. Este filme é bastante diferente do filme original dos anos 50, na medida em que a componente alegórica social é mais forte e o final do filme nos deixa num estado de alguma fragilidade e ansiedade. O filme retrata uma invasão alienígena sem recorrer a ovni’s, pequenos homens verdes ou cinzentos e efeitos especiais exagerados. O terror é essencialmente interior e psicológico.
A banda sonora composta por Denny Zeitlin transmite na perfeição esse estado de ansiedade e de terror ao nos vermos invadidos por forças exteriores e mais fortes que a nossa consciência humana.
Há um carácter de ameaça iminente que se sente na banda sonora e que é análoga ao que se passa no filme porque a invasão alienígena é bastante rápida. Mas também há espaço para momentos mais relaxados como em Love Theme que é reminiscente de soft jazz e que contrasta com o resto da banda sonora.
Denny Zeitlin era um músico de jazz e é normal que haja influência de jazz no meio da score aterrorizante e ansiosa. Infelizmente, esta foi a única banda sonora composta por Denny Zeitlin, mas é uma que entra para a lista das mais influentes e que mais complementam e preenchem um filme.

15 -  Ring, Kenji Kawai (1998)



Ring realizado por Hideo Nakata em 1998 é um dos filmes mais influentes de terror japonês que teve direito a sequela e remake. A ideia por trás da narrativa é bastante original e foi uma das razões pelas quais o filme obteve tanta popularidade e aceitação por parte do público. O filme é baseado no romance de Koji Suzuki e a transposição para tela foi bastante bem conseguida. Assim como outros filmes de terror japonês há um grande cuidado na criação de atmosfera perturbante que causa alguma ansiedade e não tanto no uso desmesurado de gore.
A banda sonora reflecte a ameaça que Sadako representa para todos os que assistem à cassete amaldiçoada. A sua sede de vingança mistura-se com a melancolia em que foi educada e a angústia que sofreu ao ter sido aprisionada no poço. Há o uso de sintetizadores, batidas melódicas, mas claustrofóbicas e instrumentos de cordas que embelezam e enriquecem a atmosfera musical. É um disco que pode ser ouvido independentemente do filme porque é um trabalho rico, criativo, cheio de mistério e beleza.

16 - A Tale of Two Sisters, Lee Byung-Woo (2003)



A Tale of Two Sisters é um filme escrito e realizado por Kim Jee-Woon e um dos melhores exemplos de terror coreano atmosférico com uma grande vertente de thriller psicológico. É uma história melancólica e com o seu quê de trágico que retrata duas irmãs que saem de um hospital psiquiátrico depois de sofrerem o trauma da perda da mãe e que ao voltar a casa se deparam com uma madrasta que não é a melhor das pessoas. É um filme enigmático, de ritmo lento, com uma atmosfera perturbante e esteticamente bonito.
A banda sonora é também repleta de beleza com secções de piano, instrumentos de sopro, flautas e cordas. Frozen in Time é capaz de ser uma das mais belas composições alguma vez feitas para filme. É um disco que se ouve do princípio ao fim e que evoca as imagens belas, mas melancólicas do filme. Uma das mais belas bandas sonoras da contemporaneidade.

17 - The Omen, Jerry Goldsmith (1976)



The Omen realizado por Richard Donner é um dos filmes de terror mais influentes da época e que continua a aterrorizar na contemporaneidade. Foi um dos primeiros filmes a utilizar uma criança como vilão e a utilizar motivos religiosos de forma ponderada e inteligente. A representação do elenco é fantástica, especialmente a de Gregory Peck. Com o patamar de qualidade tão elevada é natural que a banda sonora também estivesse ao nível e foi com ela que Jerry Goldsmith ganhou um óscar francamente merecido. A banda sonora ilustra o suspense, tensão e ameaça que se sente no filme. Assim como no filme, a banda sonora também usa coros e temas religiosos que acentuam o carácter perturbante da obra fílmica. A única excepção e tema que destoa um pouco é o tema mais romântico intitulado “The New Ambassador”. É uma banda sonora essencial para um filme igualmente essencial e que representa bastante bem a época da golden age das bandas sonoras. Jerry Goldsmith foi também compositor de outras obras da sétima arte igualmente influentes como Chinatown (1974), Papillon (1973), Patton (1970), Planet of the Apes (1968) e a Patch of Blue (1965) entre muitas outras, sendo um dos compositores de bandas sonoras mais prolíficos.

18 - Nosferatu the Vampyre, Popol Vuh (1979)



Nosferatu the Vampyre é um filme realizado pelo multifacetado Werner Herzog que tem elementos de algum surrealismo, mistério e terror gótico. Nosferatu é magistralmente interpretado por Klaus Kinski numa caracterização memorável e que oferece ao filme um carácter de ainda mais encanto. Faz-nos sentir como se estivéssemos num pesadelo que apesar de aterrador tem o seu quê de beleza e melancolia, tanto através das imagens com uma cinematografia impecável como através da banda sonora composta pela banda germânica Popol Vuh. As composições conseguem criar uma atmosfera pacífica e etérea, mas na qual se pode sentir e vislumbrar uma ameaça. Há a utilização de vários instrumentos de cordas como guitarra e cítara, assim como instrumentos de sopro como oboé. Consegue criar uma atmosfera hipnotizante que complementa a magia do filme.

(CONTINUA...)

TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE
IMAGENS: Frames dos Filmes