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Capa do livro Querosene O volume Querosene da colecção LowCCCost , editado pela Associação  Chili com Carne   ( organização de artistas sem...

Capa do livro Querosene

O volume Querosene da colecção LowCCCost, editado pela Associação Chili com Carne  (organização de artistas sem fins lucrativos), vem trazer consciência aos humanos, pois é nesta estação que somos assombrados pelos incêndios florestais e pelas péssimas acções dos pirómanos — infelizmente. A partir do tema dos Big Black, a Chili com Carne lançou o desafio a autores de BD que vivem nas pequenas cidades, vilas e aldeias de Portugal para darem a conhecer o seu olhar sobre as possibilidades da piromania. O ponto de partida dá-se com a seguinte premissa "Na terrinha, o aborrecimento combate-se com fogo e só há uma forma eficaz de matar o tempo: de uma vez por todas.", assim diz a publicação no blogue Chili com Carne, e acrescenta-se: "Seja sobre a arquitectura pavorosa ou as gentes beatas que nela habitam, as histórias aqui reunidas documentam as frustrações e ansiedades de quem não cresceu no bulício do Porto ou de Lisboa e, sentindo a falta da animação das metrópoles, viu na fogueira a única cura para a letargia." O livro é uma espécie de "guia para lidar com os sítios em que nada acontece". Nesse sentido, fui ao encontro dos autores André Pereira e Marcela aka Dois Vês (vencedora do prémio “Toma Lá 500 Paus e Faz uma BD”) com trabalhos publicados neste volume. Neste podcast falou-se de muita coisa, desde Querosene, que foi o motivo principal para realizar esta conversa, ilustradores, religião, vilas e cidades pequenas, colectivos criativos tal como o Quarto Escuro, etc. 

Lista dos autores de Querosene:
Ana Margarida Matos, André Pereira, Cláudia Sofia, Dois Vês, Eva Filipe, Gonçalo Duarte, Joana Tomé, João Carola, Rodolfo Mariano, Rui Moura e Sofia Neto.

"Querosene, tal como os volumes no passado — Zona de Desconforto (Melhor Livro de BD de 2014) e Lisboa é very very Typical —, junta autores, ora amadores, ora consagrados, que se abrem na intimidade sempre desconfortável da autobiografia. Na soma desta transmissão de estados de espírito individuais, fica a saber-se mais sobre o país do que através dos dados do INE: os resultados, talvez sem supresa, deixam dúvidas sobre a laicidade das gentes ou sobre o futuro da população jovem." - Chili com Carne

Para ouvir, quem tiver tempo e gosto pela BD, é só clicar no player que se segue:


Nota:
A rede wifi nem sempre estava boa, por isso pedimos desculpa pela instabilidade da conexão desta conversa via zoom. 


Tema: Big Black, Kerosene
Conversa conduzida por: Priscilla Fontoura

Ouve-m e, © Helena Almeida Música para os meus Ouvidos repete o podcast " Mulheres ", uma vez que hoje assinala-se o Dia Internac...

Ouve-me, © Helena Almeida

Música para os meus Ouvidos repete o podcast "Mulheres", uma vez que hoje assinala-se o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres 2020. A muitas que continuam caladas a sofrer abusos de várias ordens e agressões, com mentiras, manipulações e gaslighting, protejam-se. Não permitam, em circunstância alguma, que exerçam sobre vós qualquer tipo de violência mascarada de boas intenções. Não se deixem enredar em teias que poderão vir a ser sentenças a prisão perpétua. Procurem ajuda nos braços de quem realmente vos quer bem, algum familiar, alguém que já deu provas sinceras de confiança para vos ajudar na altura da libertação. Muito cuidado, pois podem ter ao vosso lado um lobo vestido em pele de cordeiro.

(PLAYER NO FINAL DA PÁGINA)

Recoil, Want
PoemaO Mar dos meus Olhosde Sophia de Mello Breyner Andresen 
Patti SmithOh Joe
PoemaMãede Cora Coralina
Cat Power, Good Woman
Sonic Youth, Little Trouble Girl
Poema, A Mulher, de Florbela Espanca 
Meredith Monk, Walking Song
Joan Baez, Don't Think Twice, It's All right 
Scout Niblett, Can't fool me Now
Mulherde Virginia Woolf
Meredith Monk, Walking Song
Sussan DeyhimTurbulent
Osso Vaidoso, Bem Mal
Sobre Malala Yousafzai
Jayanthi Kumaresh, Raga Shanmukhapriya
Elizabeth Cotten, Freight Train
Sobre Rosa Parks
Negro Prison Blues and SongsBlack Woman
Pj Harvey, Taut
The Gits, Second Skin
John Stuart Mill, sobre as Mulheres
Meredith Monk, Walking Song
KylesaRunning Red
Ain't I a Woman?de Sojourner Truth
Negro Prison Blues and SongsBlack Woman
OdettaSometimes I feel like a Motherless Child
Nina Simone, Feeling Good
Poema Alerta Laranja, de Cláudia Zafre
Meredith Monk, Walking Song
Maryanne Amacher, Sound Characters
Cocteau TwinsLorelei
Recoil, Strange Hours
Fever RayWhen I grow up
Melt-Banana, Free the Bee

Locução, edição e autoria: Priscilla Fontoura 

- KAMASI WASHINGTON:  Heaven and Earth (USA - Spiritual Jazz) - FRONTIERER :  Unloved (Escócia – Mathcore) - ENDLESS HEIGHTS:   Vici...

- KAMASI WASHINGTON: Heaven and Earth (USA - Spiritual Jazz)
- FRONTIERER: Unloved (Escócia – Mathcore)
- ENDLESS HEIGHTS: Vicious Pleasure (Austrália – Post-Hardcore)
- WEEDPECKER: III (Polónia – Rock psicadélico, stoner rock)
- V. A: A View from Mount Seldom (USA – Lo-fi indie)
- CONJURER: Mire (UK – Sludge metal)
- BAPTISTS: Beacon of Faith (Canadá – Punk hardcore)
- CONVERGE: Beautiful Ruin (USA – metalcore)
- TANGLED HAIR: We do what we can (UK – math rock)
- CAR SEAT HEADREST: Twin Fantasy (USA – Indie rock)
- THE ARMED: Only love (USA – Noise rock)
- TINY MOVING PARTS: Swell (USA – midwest emo)
- TROPICAL FUCK STORM: A Laughing Death in Meatspace (Austrália – Art punk)
- MGMT: Little Dark Age (USA – Synthpop)
- ELZA (Soares): Deus é Mulher (Brasil – Vanguarda paulista)




Quando trincamos algo que nunca provámos antes, alguma ansiedade se instala até as nossas papilas gustativas transmitirem esses estímulo...

Quando trincamos algo que nunca provámos antes, alguma ansiedade se instala até as nossas papilas gustativas transmitirem esses estímulos ao tronco cerebral. Esse processo químico faz-nos aproximar da experiência ou afastar-nos dela.

Se calhar, poderíamos colocar no mesmo patamar o processo de audição. O que nos faz aproximar de certo som e querer repetir a experiência e o que nos faz rejeitá-la se porventura essa experiência se voltar a repetir?

Na mesma medida, poderíamos colocar a grande quantidade de pessoas que se deixam interessar por certo tipo de som, quando esse som não parece estimular nada, a não ser os sentidos primários, e outro tipo de som, que não parece estimular grande parte das pessoas, mas que, em última análise, é em qualidade criativamente incomparável.


Recebemos Salgueirinha na nossa caixa de correio electrónico e podemos dizer que a degustação fez-nos querer viver a experiência.

Um som que nos chega com contenção e equilíbrio. Que não se mostra de uma só vez. Salgueirinha, um projecto de Filipa Santos, revisita um lugar distante que inspira e junta dois pesos pesados da música tradicional portuguesa, da música improvisada e do jazz. 

Filipa Santos e Miguel Moreira são dois músicos experientes: Filipa Santos é mentora dos Mandrágora e Salgueirinha e Miguel Moreira é guitarrista e compositor, um dos mais requisitados músicos da comunidade musical do Porto, são vários os projectos dos quais já fez parte: (Orquestra de Jazz de Matosinhos, José Pedro Coelho Quinteto (Clepsidra), Mário Santos (Nuvem), Remix Ensemble (sob direcção de Peter Rundel), Drumming, Gileno Santana (Metamorfose), Sérgio Carolino (Funky Bonés Factory), João Mortágua (Janela), António Augusto Aguiar (FMI - Formação de Música Improvisada), Companhia Paulo Ribeiro (Festa da Insignificância), Maria Rita, Sérgio Godinho, Manuela Azevedo, entre outros.). 

O duo "leva-nos numa viagem exploratória à volta do nosso património imaterial musical e através da improvisação, surpreende-nos com a sua abordagem contemporânea onde o conteúdo musical formal e informal se esbate criando ambientes inesperados." 

Filipa no saxofone, flauta e voz; Miguel Moreira na guitarra eléctrica de 6 e 12 cordas apresentam o novo tema "Vento" onde todas as suas características são adjectivadas. Gradualmente juntam-se camadas aos elementos sonoros, o que faz da interpretação inteligente e madura. Neste momento, encontram-se a preparar o álbum que se encontra em fase de pós-produção. 

Salgueirinha aproximou-nos da experiência. Uma experiência que se abre às suas propriedades terapêuticas. 
Uma experiência que, sem dúvida, deixa-nos a vontade de a repetir. 




Texto: Priscilla Fontoura

Porque achamos que fazer uma escala de melhores álbuns do ano é um pouco injusto e um quanto pueril, não podemos deixar de parte o q...



Porque achamos que fazer uma escala de melhores álbuns do ano é um pouco injusto e um quanto pueril, não podemos deixar de parte o que pede a tradição e, por isso, apresentamos os álbuns de 2017 que mais prenderam a nossa atenção e que tocaram vezes sem conta.

ALL THEM WITCHES: Sleeping Through the War
FLEET FLOXES: Crack-Up
O GAJO: Longe do Chão
OXBOW: Thin Black Duke
SIX ORGANS OF ADMITTANCE: Burning the Treshold
TATRAN: No Sides
THE INSTRUMENTALS | CHARLES BRADLEY: Changes

Escreveram-no ainda na estrada aquando da digressão do Dying Surfer Makes His Maker . Qualquer um que o procedesse seria uma afront...


Escreveram-no ainda na estrada aquando da digressão do Dying Surfer Makes His Maker. Qualquer um que o procedesse seria uma afronta ao que considero ser o Cálice Sagrado dos ALL THEM WITCHES. O antecessor de Sleeping Through the War é um álbum que marca qualquer um. Músicas como Call me Star, This Is Where It Falls Apart, Open Passageways, Talisman enchem a alma de qualquer um que no isolamento precisa de alguma consolação:

 I'll stay awake 'cause after all, everyone deserves a crown of light. 

Sleeping Through the War não agrada numa primeira instância a quem tanto se envolveu com o anterior. Talvez por haver uma transição entre uma criação isolada e uma criação em grupo. Nem todas as bandas conseguem entender-se reciprocamente na linguagem criativa. Não é o caso da banda de Nashville que exprimindo-se consegue não perder a identidade individual quanto se funde no colectivo. Sleeping Through the War vai agradando, vai entrando e eis que se entranha. 

Os ALL THEM WITCHES são uma banda que não espera muito para lançar o resultado da criação. Demorou semanas até terem o Sleeping Through the War fechado. Ainda assim, existe cada vez mais, de álbum para álbum, uma preocupação latente na voz de Parks. Uma agitação audível que nem sempre é cantada. Há elementos que separam bem os álbuns e elementos que indicam um amadurecimento que faz dos ATW uma das melhores bandas rock que actualmente temos por aí. 

Este mais recente álbum tem ritmos mais acelerados, em comparação com o anterior, e um registo que às vezes se confunde não somente com os elementos costumeiros dos ATW, mas com novos elementos como um registo mais grunge. Exemplo disso é a Don't Bring me Coffee, na qual Parks parece confrontar-se com a realidade fechada de uma cidade pequena. Interpretada por uma voz que nos remete a um Cobain, acompanhada pela guitarra de Ben McLeod, destemido na experimentação, cheia de riffs tiradas de um In Utero e uns solos que se confundem às vezes com Candlebox. A sua produção parece que foi manejada por Steve Albini, mas não. Todas as vénias são dadas a Dave Cobb e são bem merecidas.

Enquanto percorremos o álbum ouvimos Bruce Lee. Bruce Lee marca ambientes que parecem mais vulgares no Norte dos EUA e não no Sul. E é nesta criação surpresa que vamos absorvendo o álbum até ficarmos inebriados e completamente viciados. 3-5-7 começa compassadamente com ambientes sedutores e hipnóticos:

 Tell me how much can I convince you to stomach 

e vai brincado com a palavra focus. Como que se estivesse numa viagem nublada que precisa, conforme vai perdendo a concentração, focar a retina para não perder o caminho. Ao longo do álbum vivemos experiências mais descomprometidas como outras mais sérias. Am I Going Up? empurra os conscienciosos para além da realidade. Para onde vamos afinal? A pergunta existencialista leva-nos à reflexão e o ritmo é coerente e pouco disperso. Introspectivo. Há ambientes, tal como o efeito utilizado na guitarra de Ben e a introdução de vozes femininas, que remetem ao espectro Tool e A Perfect Circle. Allan Van Cleave e o seu Hammond cheio de efeitos influenciados em Carpenter e bandas sonoras que revivem os anos 80 ao estilo Stranger Things vai entrando lentamente e criando uma atmosfera cada vez mais intensa.

Em Alabaster, Parks diz conhecer a cara de todos e a percussão parece ouvir-se da montanha numa espécie de ritual xamânico. A introdução de Ben em Alabaster é tão icónica que desencadeou na venda de um pedal com esse efeito. É uma música que não só o leva às memórias de infância como que grosso modo abre-se à improvisação. Até que se mete um contratempo que nos faz sorrir por ter sido uma aposta inteligente. Ninguém contava com ele. Em Cowboy Kirk, Parks entra com deambulações vocais estilo country quase em tom de gozo. Em todo o álbum as guitarras de Ben distinguem-se, com solos que nos introduzem a vários mundos. Não podia terminar sem referir Robby Staebler, que em todo o álbum é contido e é ele quem nos guia nesta viagem tão cósmica.


Texto: Priscilla Fontoura

Faltam poucos dias para o Reverence e fecha-se mais um ciclo de festivais de Verão. No entanto, não nos esquecemos e preparámos uma c...


Faltam poucos dias para o Reverence e fecha-se mais um ciclo de festivais de Verão. No entanto, não nos esquecemos e preparámos uma compilação sonora com algumas das bandas que vão estar presentes no festival de Santarém. 
(PLAYER NO FINAL DA PÁGINA)

Hills, Death

Oathbreaker, Immortals
Conjunto!Evite, A 12 Degraus do Purgatório
10000 Russos, Radio1
Bo Ningen, DaDaDa
Esben and the Witch, No Dog
Löbo, Na noite sem fim
Mono, The battle to heaven
Pás de Problème - XXX
Sienna Root, Root Rock Pioneers
Sinistro, Partida
Throw Down Bones, Our Home, The Holy Mountain
Trad Gras och Stenar – Svarta Parla

As estações em Portugal contrastam bem entre si. Inverno é Inverno, Primavera é Primavera, Verão é Verão, Outono é Outono. Claro qu...


As estações em Portugal contrastam bem entre si. Inverno é Inverno, Primavera é Primavera, Verão é Verão, Outono é Outono. Claro que às vezes esses padrões climáticos são contraditórios, uma vez que nem sempre chove no Inverno e nem sempre o céu está limpo no Verão. Há flores que desabrocham no Inverno e tempestades que arrastam campos no Verão. Mas, ainda assim, sentem-se as mudanças nessas quatro partes do ano.

Tal como os álbuns. Alguns calham melhor numa estação do que noutra. Tal como a nossa disposição, que também se molda à natureza.

No entanto, não me parece que Burning the Treshold fique estacionado em certo período do ano. É apetecível em qualquer fase. É um álbum que se abre à imaginação. Dirige-nos, sem expectarmos, a lugar desabitado pleno de introspecção. Reflection, que encerra o álbum, leva-nos a esse lugar.

As guitarras são fluidas, correm como rios de água viva. Dos diários íntimos de Chasney estão as palavras e as composições, transformadas em melodias poéticas e abstractas que não apontam para dimensões fechadas. A antítese de Things as they are evoca o equilíbrio necessário para que o ciclo corra como tem que correr. 

Burning the Treshold é bipolar: simples e profundo. Acima de tudo, abundante em espiritualidade: as composições, as letras, os arranjos, a colagem que configura a capa do álbum caminham para a simplicidade esteticamente bela de um trabalho que ficará na intemporalidade do universo musical. Não são só os dedilhados que circunscrevem este álbum, são também as palavras que saem da meditação. Quando a voz não canta há outra guitarra que toma esse lugar, como Around the Axis. Neste álbum preponderam os dedilhados folk que nos remetem a Fahey e às paisagens naturais. O clímax, tal como a tempestade no Verão, surpreende a naturalidade acústica. O tema homónimo ao álbum é preenchido por várias camadas e efeitos psicadélicos. São eles que nos lembram e devolvem a identidade de Chasney.

Ben Chasney exalta a mãe natureza porque é ela que nos faz reflectir nos maiores mistérios do universo. Ainda assim, não se esquece de mártires como St. Eustace, como se buscasse uma revelação do espírito.



Texto: Priscilla Fontoura

A segunda estrofe de I AM ALL THAT I NEED começa: So it's true, I've gone too far to find you And the thumbprint scar I ...


A segunda estrofe de I AM ALL THAT I NEED começa:

So it's true, I've gone too far to find you
And the thumbprint scar I let define you
Was a myth I made you measure up to
It was all just water, winding by you

I AM ALL THAT I NEED refere-se a alguém. E nós que também a ouvimos somos peças abstractas que não existíamos para Robin Pecknold. Pelo menos enquanto a escreveu. Mas nós, que nos metemos dentro deste lago de emoções, confirmamos que é para nós que ele canta. Também. 

Numa correria de instrumentos segue-se uma quebra, uma voz íntima que narra sentimentos, dos mais profundos que podemos ter. E em todo o álbum existe esta voz que narra.

Crack-Up consome-se com tempo. Ele próprio está cheio de espaços. Precisamos de tempo para o absorvermos nas mais diferentes camadas. Neste terceiro álbum Robin Pecknold amadureceu. Não se ficou pelas canções ortodoxas. Experimentou outros sons que chegam aos ouvidos dos que precisam de outras emoções.


Texto: Priscilla Fontoura

Tantos são os autores que falam sobre a importância da música. A verdade é que pouco ou nada se compara ao efeito que a música exerce ...


Tantos são os autores que falam sobre a importância da música. A verdade é que pouco ou nada se compara ao efeito que a música exerce sobre nós. 

Esta semana o álbum que me tem prendido a atenção é o No Sides dos israelitas TATRAN. Uma banda instrumental, experimental, jazz fusão que se aventura na viagem da improvisação. Este álbum foi gravado ao vivo e a forma como foi preparado foi diferente dos outros. Enquanto os outros foram esboçados ao detalhe até ao dia da gravação, No Sides foi apresentado em palco sem forma e sem conteúdo planeados. Foi no palco que os músicos o compuseram sem terem nada na manga. A única inspiração foi apenas esperar pelo incerto e pelo desconhecido. A inspiração que os levou a este patamar permitiu que a música fosse apresentada a tempo real sem artifícios ou outros elementos que poderiam ofuscar o poder honesto da expressão imediata.


Texto: Priscilla Fontoura