De certeza que se lembram de  Kenny G  e  Michael Bolton nos idos e saudosos  anos 80 e 90 , cujos videoclips emitidos nos canais de música ...

De certeza que se lembram de Kenny G e Michael Bolton nos idos e saudosos anos 80 e 90, cujos videoclips emitidos nos canais de música ou as canções que ecoavam das colunas dos centros comerciais carregavam toda uma aura própria da época.

Kenneth Bruce Gorelick, nasceu a 5 de Junho de 1956, na terra que viu nascer o grunge. Mais conhecido pelo nome artístico Kenny G, o saxofonista norte-americano é proveniente de família judaica. Foi de tenra idade que começou a envolver-se com a música e nos anos 70 começou a tocar com Barry White. Mais tarde, iniciou a sua carreira a solo com o álbum Duotones lançado em 1986, que atingiu o top 100 nos Estados Unidos, já Miracles: The Holiday Album (1994) atingiu o primeiro lugar na tabela de álbuns americanos. Kenny G é admirado mundialmente e o compositor de temas instrumentais mais vendido do mundo. Por sua vez, o músico e carismático Michael Bolton remete para ambientes musicais presentes em filmes como Danças dos Lobos, enquanto Kevin Costner nadava nas lagoas mais remotas. O músico vendeu milhões de álbuns e acalentou os corações mais quebrantados com as suas baladas. Curiosamente, Michael Bolton também é proveniente de família de origem judaica, de origem russa, sendo que é o mais novo de três irmãos. Tal como Kenny G, Michael Bolton foi, também, mostrando ouvido musical e talento muito cedo. Lançou o seu primeiro álbum em 1975 com o nome Michael Bolotin, mas, devido a problemas comerciais, alterou o apelido para Bolton. Michael Bolton escreveu para muitos músicos, incluíndo-se Bob Dylan, KISS, e, imagine-se... para Kenny G. Michael Bolton co-escreveu o tema How Am I Supposed To Live Without You, para Laura Branigan — e que tantas vezes embalou várias pessoas nos lugares mais inesperados de sempre . O tema ficou no top 10 das rádios americanas.


Kenny G e Michael Bolton

Texto e Puzzle: Priscilla Fontoura

por Emanuel R. Marque s

por Emanuel R. Marques

"A mediocridade global do pós-modernismo, com a utilização industrial e fragmentária das emoções, sentimentos, crenças ou conhecimento,...

"A mediocridade global do pós-modernismo, com a utilização industrial e fragmentária das emoções, sentimentos, crenças ou conhecimento, reduzida ao ato do consumo, sem qualquer perspetiva de passado nem futuro, transforma a visão mágica do mundo num simples ópio para o povo."

Angel Heralds the Dawn, © John Alan Warford


Ópio para o povo - O som do eterno
Por Rudesindo Soutelo(*)

Acaso a música religiosa de Mozart não é, como a religião em si, ópio para o povo? Quem faz esta pergunta é um teólogo católico, Professor Emérito na Universidade alemã de Tubinga, Hans Küng, num ensaio intitulado ‘Mozart: Spuren der Transzendenz’ (Mozart: Vestígios da Transcendência) que escreveu com motivo do bicentenário do compositor salzburguês e que está incluído no seu livro Música e Religião[1].

“A música e a religião”, diz Hans Küng, “são fenómenos universais da humanidade, no sentido tanto diacrónico – ao longo da história – como sincrónico – através dos continentes”. E, como tais fenómenos universais, são altamente complexos e com patrões humanos ambivalentes. A religião pode difundir humanidade mas também justificar a inumanidade, assim como a música é utilizada tanto para o bem como para o mal. Hans Küng refere como a música deu expressão a sentimentos nobilíssimos, a belezas indescritíveis e de felicidade sublime. Mas com a música também se encaminharam os passos de milhões de pessoas face à guerra e à morte. Não admira, pois, que desde sempre os humanos diferenciem entre músicas que falam com a voz dos deuses e aquelas outras que falam com a dos demónios; ou também, que algumas pessoas religiosas a considerem uma forma de puríssima espiritualidade enquanto outras, pela mesma razão, tenham a música como a mais detestável forma de sensualidade[2].

Essa ambivalência referida por Küng remete-nos para a parte mais profunda da psique humana, a que rege as emoções primárias do ‘eros’ e o ‘thanatos’ (o amor e o horror).

Refletindo sobre as emoções no processo criativo, num artigo publicado em 2007, sustento que os compositores somos ‘Manipuladores de emoções’ e concluo que “A componente emocional não deve ser um elemento construtivo, mas antes o resultado duma construção tecnicamente perfeita onde a imprevisível luta intrínseca da obra desencadeie vida emocional própria e diferenciada em cada um dos indivíduos que se relacionam com ela”. Essa ‘imprevisível luta intrínseca’ é o que diferencia a obra de arte da obra medíocre. No citado artigo defino a originalidade como “o fator de imprevisibilidade ou grau de acontecimentos inesperados que estão presentes na lógica da comunicação, o qual desencadeia as emoções profundas”. Também defino o conceito de mediocridade como “a reiteração banal do discurso previsível na procura de suscitar a mesma sensação quando se dá o mesmo estímulo”. A originalidade é criativa e diversa. A mediocridade é global, alienadora e destrutiva[3].

Martin Heideger, em A origem da obra de arte, afirma: “O artista é a origem da obra. A obra é a origem do artista. Nenhum é sem o outro. E, todavia, nenhum dos dois se sustenta isoladamente”[4].

“Será o amor uma arte?” – pergunta o psicanalista Erich Fromm no início de A arte de amar – “Se o for, então exige conhecimento e esforço. Ou será o amor uma sensação agradável, que por acaso experimentamos, algo que ‘nos acontece’ se tivermos sorte?”[5]. 

Nós, os compositores, fazemos a mesma pergunta com as emoções e quando assumimos a primeira premissa o resultado pode ser uma obra de arte, embora não há dúvida de que a maioria das pessoas acredita na segunda, uma questão de sorte. A teoria dos afetos musicais, ou da caracterização psicológica das personagens, inicia-se no Renascimento e acompanha toda a música erudita da era moderna. Esta expressão ‘onírica’ da música não acontece por acaso e aí reside o que Hans Küng descreve como o “imenso poder transformador da música, apto para sublimar e metamorfosear quase qualquer experiência”[6].

Duas obras minhas com títulos que envolvem emoções do mundo onírico vêm esclarecer isto. Feitiço é um trio para violino, violeta e violoncelo construído sobre quatro notas, as quatro notas mais emblemáticas da história da música ocidental, as notas que conformam o nome de BACH (Si bemol, Lá, Dó, Si). Essas quatro notas elaboradas rigorosamente numa textura contrapontística de tensão crescente suscitam uma emoção que nos abre a uma perceção diferente. O feitiço pode ser Bach, mas o ouvinte não tem porque saber qual o material sonoro utilizado. O feitiço é um estado emocional abstrato que cada ouvinte vivencia de um modo diferenciado. A segunda obra, para violeta, violoncelo e contrabaixo, intitula-se Arela, que no português da Galiza quer dizer ‘anseio’. Está organizada a partir de uma escala para-tonal – além, acima ou à volta da tonalidade – que gera uma inquietação, ânsia ou anelo que só se acalma no final em forma de Coral. Aí é que podemos aplicar as palavras de Hans Küng, “onde a música combina a sua energia com a da religião num mesmo sentido e face à uma mesma meta”[7].

Estas obras foram escritas nos anos 70 mas só em 2009 é que puderam ser estreadas[8]. Não foi a criatividade emocional o que as manteve vivas, antes bem o conceito de transcendência, o rigor construtivo e a “imprevisível luta intrínseca” como treino do ‘formal’. Convém esclarecer que foram das primeiras obras que escrevi após o período pós-modernista militante à frente do grupo Letrinae Musica e o movimento Quadrado de Pi – a expressão galega de Fluxus. Na altura, a trans-modernidade[9] ainda não fora batizada e a maior parte daquelas obras teve de acomodar-se nas gavetas.

A mediocridade global do pós-modernismo, com a utilização industrial e fragmentária das emoções, sentimentos, crenças ou conhecimento, reduzida ao ato do consumo, sem qualquer perspetiva de passado nem futuro, transforma a visão mágica do mundo –que Jean-Paul Sartre desenvolve no Esboço para uma teoria das emoções[10] – num simples ópio para o povo.

Mozart, como Bach, Beethoven, Schoenberg, Stockhausen ou Boulez, transcenderam as categorias musicais e inocularam um hálito divino na música. Hans Küng conclui que “em determinados momentos é dado ao ser humano abrir-se, e abrir-se tanto que chegue a perceber no som infinitamente belo o som do eterno”[11].

(*) da Academia Galega da Língua Portuguesa.
Compositor e Mestre em Educação Artística e em Ensino de Música

© 2014 by Rudesindo Soutelo
(Vila Praia de Âncora: 25-2-2014)

Publicado em As Artes entre as Letras (Porto)
Nº 123 p. 17, 28-V-2014.
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[1] Küng, H. (2008). Música y Religión. Mozart - Wagner - Bruckner. (J. D. Robles, Trad.) Madrid: Editorial Trotta, p. 22.
[2] Ibid., 15.
[3] Soutelo, R. (14 de Junho de 2007). Manipuladores de Emoções. A nossa terra, nº 1274 .
[3] Heideger, M. (2008). A origem da obra de arte (2ª ed.). (M. C. Costa, Trad.) Lisboa: Edições 70, p.11.
[4] Fromm, E. (2007). A arte de amar (2ª ed.). (J. M. Neves, Trad.) Cascais: Pergaminho, p.11.
[5] Küng, H. op. cit., p. 19.
[6] Ibid.
[7] Estreadas o dia 24 de Abril de 2009 no Centro Galego da Arte Contemporânea (CGAC) de Santiago de Compostela pelo Grupo Dhamar.
[8] Rodríguez Magda, R. M. (2004). Transmodernidad. Rubí (Barcelona): Anthropos.
[9] Sartre, J.-P. (2006). Esboço para uma teoria das emoções. Porto Alegre, Brasil: L&PM.
[10] Küng, H. op. cit., p. 19.

Eu, o Jorge Lima Barreto, e o trompetista Jac Berrocal, íamos gravar um cd para a editora Numérica, do nosso amigo Fernando Rocha; chegámos ...


Eu, o Jorge Lima Barreto, e o trompetista Jac Berrocal, íamos gravar um cd para a editora Numérica, do nosso amigo Fernando Rocha; chegámos pela manhã, montámos os instrumentos; o Jorge no piano de cauda; eu, em duas guitarras acústicas (uma de 6 e outra de 12 cordas); também guitarra eléctrica processada e electrónica; e o Jac Berrocal tocava trompete; depois de tudo montado, o Fernando Rocha decidiu isolar o som do trompete do Jac, metendo uma espécie de biombo a separar-nos – a mim e ao Jorge –, dele; começou-se a gravar, depois de um opíparo almoço regado, no final, por uma erva de excelente gabarito; as gravações decorriam maravilhosamente; pausa para jantar, e o Jorge, que tinha visto uma bateria no estúdio, resolve dizer que ainda se vai fazer mais um tema em que ele tocaria bateria; o Jac ouve aquilo e diz: "Então faz um swing", e explica com a boca o tempo; o Jorge nem lhe dá atenção; chegamos ao estúdio já estourados; eu e o Jorge de um lado, e o Jac do outro lado, do tal biombo (e portanto, não nos via); mal o técnico diz: "Está a gravar", o Jorge dá uma pancada tal num prato, que este tomba com o tripé; eu começo a bater com uma guitarra acústica na outra, com a distorção ligada no máximo; e o Jac – que não via nada do que estávamos a fazer –, também fazia frases típicas do free jazz; a determinada altura, o Jorge e eu já estávamos numa loucura total, eu tinha o cabelo todo electrizado no ar, e o Jorge a tocar e a ir deitando partes da bateria ao chão e tripés a cairem; de repente, eu bato de costas no biombo que nos separava do Jac, e este, que costuma tocar de olhos fechados, de repente sente algo, e quando abre os olhos, vê o biombo a cair sobre ele, e eu com o cabelo tipo Dona Summer, a bater com as guitarras, bem à frente dos olhos dele; aí, ele manda um grito enorme de susto; depois vê o que se estava a passar, e tenta disfarçar, dando outros gritos de seguida, para que parecesse na gravação, que aqueles gritos eram de propósito; esta faixa deste cd que se chama "À Lagardère", ficou com o nome de : "Berro & Cal"...

Texto e Imagem: Vítor Rua

Palavras-chave: som, plantas, botânica, música Introdução Somos estimulados pelos sentidos. A procura de relaxamento através do som tem sido...

Palavras-chave: som, plantas, botânica, música

Introdução
Somos estimulados pelos sentidos. A procura de relaxamento através do som tem sido elemento chave para busca de vídeos ASMR "Resposta Sensorial Autônoma do Meridiano" no YouTube. Oliver Sacks explicou como funciona o nosso cérebro quando estimulado pela música. Tarefas como escovar o cabelo, servir chá, acariciar diferentes objectos produzem uma espécie de massagem cerebral ou arrepio que são como terapias de relaxamento para uma noite de sono tranquilo, enquanto se combate a ansiedade e a insónia quando conduzidos pelos vídeos ASMR. Embora existam estudos científicos que comprovam os benefícios que a música provoca no bom crescimento das plantas, a sua proliferação ainda é escassa e um assunto controverso dentro da comunidade académica e científica. 

Plantasia e a sua descendência
Quem diria que um álbum lançado em 1976, distribuído juntamente com colchões, tornar-se-ia, hoje, um disco de culto? Graças ao algoritmo do YouTube, Plantasia, composto pelo pioneiro da electrónica, a sintetizador Moog, por Mort Garson, tornou-se um sucesso para os melómanos da electrónica. A capa ilustra um casal a abraçar uma planta de casa e com ela vem um livreto de horticultura gratuito. O público-alvo deste disco são as plantas que com esta musicoterapia cresceriam com felicidade e saúde.

Arte e botânica
A arte (e quem com ela se relacionou) sempre teve uma relação próxima com as plantas. Os artistas plásticos extraíam das folhas de plantas maceradas, da seiva pegajosa das árvores, da urina, do barro, minerais e até das fezes e sangue humanos e de animais, as texturas para a criação de tintas para pintarem murais e templos, como as civilizações egípcia e chinesa tidas como pioneiras na arte. No presente, existem revivalistas que pretendem desenvolver pigmentos recorrendo ao "alimento" que a natureza dá. Do mesmo modo, a alquimia botânica procura através dos benefícios da extração das plantas o elixir para a cura de várias mazelas. 

A reconexão que a Humanidade tem sentido em relação à natureza tem sido mais urgente do que nunca, pensar e construir cidades mais verdes é a luta feita por novas gerações, uma vez que a partir da Revolução Industrial os espaços verdes e selvagens escassearam por causa das grandes indústrias que causaram o êxodo rural entre as populações, ignorando - ou colocando o materialismo e a sobrevivência à frente - o que acabaria por ser prejudicial para a saúde ambiental e física das pessoas. 


As plantas crescem com música
O efeito da música no crescimento das plantas tem mostrado, pelos estudos já realizados, que é benéfico para o crescimento vegetal, ainda que alguma parte científica resista em relação a um tema que ainda carece de mais investigação. Segundo o artigo científico que foi realizado para procurar saber se a música pode influenciar as plantas, é referido que as mesmas são influenciadas por diversos factores ambientais, mostrando-se sensíveis a estímulos intensos e até a distúrbios muito subtis. "Perturbações mecânicas como o som, um tipo de onda mecânica longitudinal, podem afectar a vida das plantas, incluindo o seu crescimento e desenvolvimento." (YI et al., 2003; CHELAB et al., 2009). No sentido de procurar saber a resposta e reacção das plantas ao som, foi realizado, no âmbito do estudo já citado, uma experiência científica em que dez plantas de Solanum lycopersicum foram germinadas em vasos de três litros e mantidas em casa de vegetação. Foram divididas em dois grupos, com cinco plantas cada: tratamento controle (sem música) e tratamento som (exposto à música).

A música aplicada ao tratamento do som foi “Son of Mr.Green Genes” de Frank Zappa. Durante a experiência, as plantas dos dois tratamentos permaneceram sob condições semi-controladas de casa de vegetação durante todo o dia, excepto numa parte da manhã, quando as plantas eram submetidas aos respectivos tratamentos, em duas salas da UCP afastadas entre si. Foram também realizadas medições: altura, número de folhas, nós, botões florais, área foliar, volume da raiz, matéria seca e conteúdo de pigmentos fotossintéticos. Concluiu-se que o estímulo sonoro promoveu alterações nas variáveis de crescimento avaliadas, indicando que a música pode afectar o desenvolvimento desses organismos. 

O som pode influenciar as plantas, contudo sabe-se muito pouco sobre essa interacção dentro do meio científico. A falta de pesquisas pode ser decorrente do conservadorismo científico perante este tema. Os estudos sobre os efeitos de vibrações sonoras em plantas têm vindo a crescer nos últimos anos, especialmente na China, e apresenta uma ampla aplicabilidade tanto na agronomia quanto em pesquisas ecológicas.

Plantas e Música
O livro de 1973, The Secret Life of Plants, de Peter Tompkins e Christopher Bird, compartilha muitas anedotas (algumas mais verossímeis do que outras) sobre a fascinante relação entre a música e as plantas. Aparentemente, os sons certos podem produzir melhorias substanciais no crescimento, e os sons "errados" podem fazer exactamente o oposto. Certamente, as plantas estão mais cientes do meio envolvente do que pensamos, possivelmente muito mais do que nós.

Dorothy Retallack fez muitas experiências numa estufa com diferentes géneros musicais e vegetais. A residente no Colorado descobriu que, depois de 2 semanas, as plantas inclinavam-se fisicamente de 15 a 20 graus em direcção a um rádio que tocava música clássica e jazz, enquanto lutavam para se afastar do rock porque adoeciam - contrariando o efeito positivo descrito ao som de Son Of Mr. Green Genes de Frank Zappa. Os malmequeres que “ouviam” música rock morreram em 2 semanas, enquanto aqueles na sala de música clássica a 2 metros de distância floresciam. Mas, de longe, as reacções positivas mais perceptíveis foram à música clássica indiana para plantas.

Há quem também tente "materializar" o som das plantas ligando-as a sensores e cujo sinal é convertido por um aparelho que produz o som das plantasJoe Patitucci e Jon Shapiro tentam estudar e desenvolver técnicas para a conversão desse som, a dupla afirma que quando um humano está perto de uma planta essa energia influencia o som da planta.

Som feito com plantas
Artistas sónicos, tal como Mileece, começou a extrair o som das plantas. Essa extracção é feita a partir da instalação de electrodos nas folhas, uma vez que são condutores para conectarem o som da planta para o amplificador, esse som é convertido para o código binário e  transferido para um software que interpreta essa informação transformando-a em som. Mileece, como embaixadora das energias renováveis, tem como objectivo, por trás da sua música vegetal, aprimorar o nosso relacionamento com a natureza. E se a música das plantas pode ter uma articulação estética agradável, então podemos importar-nos mais com o nosso meio ambiente.

Conclusão
Ainda que existam cientistas e biólogos renitentes em relação aos benefícios que o som possa ter no crescimento das plantas, há estudos que indicam que certos géneros musicais são positivos para o seu crescimento. Convém termos consciência e respeitarmos todo o ambiente que nos circunda porque a natureza, tal como nós, precisa de estar de boa saúde para resistir e sobreviver.

Estamos na Primavera, na época do renascimento, de novas culturas e de um novo ciclo. Saibamos contemplar a beleza que nos rodeia e entender que em toda a natureza existe musicalidade e som. Se a devemos explorar para método de criação, essa já é outra questão... Observem os dípticos de imagens de plantas registadas pelo Rui. 



Texto: Priscilla Fontoura
Imagens: Rui Mota Pinto

Fontes: 

O rock começou a ficar caso sério com marcos como Iggy Pop ( James Newell Osterberg ), icónico pela pose de tronco meio curvado nos concer...

O rock começou a ficar caso sério com marcos como Iggy Pop (James Newell Osterberg), icónico pela pose de tronco meio curvado nos concertos. A sua voz grave também é atributo e característica do músico e actor. Iggy começou a tocar bateria aos 16 anos na banda The Iguanas. Em 1969, surgiram os The Stooges que acabaram por mudar o trajecto do rock que se fazia na época. Assim que se deu o término da banda, Iggy deu início à sua carreira a solo. Em 1977, com a ajuda de David Bowie, produziu dois álbuns The Idiot e Lust for Life. O primeiro disco incluiu "China Girl" que mais tarde seria sucesso na voz de Bowie no álbum Let's Dance de 1983. 

Um pouco mais tarde, nas décadas de 80 e 90, os VHS com filmes de acção em que Jean-Claude Van Damme ou "El Loco", como é chamado na América Latina, contracenava ficavam quase sempre esgotados nas lojas de aluguer. Jean-Claude Camille François Van Varenberg nasceu na Bélgica, em 1960, e domina o Karaté Shotokan, Muay Thai, Taekwondo WTF, Full Contact, KickBoxing. O rei dos rotativos a 360º começou desde muito cedo a treinar Karaté e tornou-se também, um pouco mais tarde, bailarino. Quando atingiu a maioridade, teve que preferir uma das duas artes, e foi no Karaté que se tornou vencedor do prémio European Pro Karate Association na categoria meio pesado que lhe valeu o estatuto de campeão europeu na arte marcial. Após ter alcançado o sucesso nacional na Bélgica como artista marcial e fisiculturista, ganhou o título de Mr. Bélgica. Emigrou para os EUA em 1982 com o objectivo de iniciar uma carreira no Cinema, nessa mesma década, alcançou o sucesso com filmes como Bloodsport (1987) e Kickboxer (1989). Nos anos 90, com os filmes Duplo Impacto (1991), Soldado Universal (1992) e O Alvo (1993).

Estes dois actores poderiam ser irmãos uma vez que partilham traços em comum, sendo que Iggy Pop seria o primogénito.

Puzzle: Iggy Pop e Jean-Claude Van Damme

Texto e Puzzle: Priscilla Fontoura

Criação e Autoria: Emanuel R. Marque s


Criação e Autoria: Emanuel R. Marques

Um dia, o Teatro Carlos Alberto, no Porto, ia reabrir as suas portas e o espectáculo da estreia chamava-se "Rua!", e eram músicas ...


Um dia, o Teatro Carlos Alberto, no Porto, ia reabrir as suas portas e o espectáculo da estreia chamava-se "Rua!", e eram músicas minhas para cena (músicas que eu fiz para o Ricardo Pais ao longo de anos); criei uma banda para o efeito, constituída pelo Nuno Rebelo, Luis San Payo, Manuel Guimarães e Alexandre Soares; logo nos primeiros ensaios, o Luís tinha de ir tocar ao Algarve e tivemos, à pressa, de mandar vir o Marco Franco, de Lisboa, para nos safar no ensaio; estávamos todos a falar do sucedido, e de como iríamos ter de resolver à tangente aquele sarilho do baterista, quando diz o Alexandre: "É pá, já parecemos mesmo uma banda rock... Ainda nem três dias o grupo tem, e já temos problemas com o baterista!". 

Mais tarde, no ensaio, surge o costureiro que nos ia fazer as roupas de cena e eram umas camisas azuis bebés, e parecíamos empregados de hotel; ficámos todos com uma cachola dos diabos; ainda por cima, o Ricardo pedia-nos para metermos a camisa por dentro das calças, para se ver o cinto; diz o Nuno Rebelo: "Eu não meto a camisa dentro das calças"; e logo o Alexandre concorda com ele; e todos me dizem: "Rua, vai lá dentro e diz aos gajos que não tocamos com as camisas dentro das calças"; e eu fui. 

No palco estavam a experimentar luzes; eu não via ninguém sentado nas cadeiras do público mas eles viam-me a mim; e ouço a voz do Ricardo: "Vítor, pode meter as bainhas da camisa para dentro das calças?"; e eu, contrariado lá meti; e diz o Ricardo: "Fica muito melhor assim, obrigado Vítor”; e lá regressei eu ao camarim; chegado lá, todos me perguntam: "Então, conseguiste?"; e eu disse que não; e eles todos: "Mas porquê?"; e eu respondo: "Porque sou um hipócrita cobarde!"... todos se riram e acabámos por tocar com as bainhas por fora. No dia do evento, havia dois concertos: um para convidados vip´s, presidentes de câmaras de várias cidades; estava o Rui Rio, etc., e outro, para o público em geral; o Ricardo antes do concerto começar vem dizer-nos: "Vocês podem fazer o que quiserem mas, no final do primeiro tema, eu vou fazer um pequeno discurso, nessa altura, toquem mais baixo”; e eu digo: "Sem problemas Ricardo, nós fazemos música ambiental”; chega o momento do Ricardo falar e este começa a agradecer a presença de todos: "Em especial ao Presidente Rui..." e, quando ia a dizer "Rio", o Alexandre deixa cair a guitarra, produzindo um estrondo gigantesco, que não deixou que se ouvisse o nome do Rui Rio completo; terminado o concerto, estamos todos a ir para o camarim para nos prepararmos para o concerto seguinte, diz o Ricardo ao Alexandre: "A ver se desta vez consigo dizer o nome do homem"; e todos nos rimos; chega o outro concerto e a altura do Ricardo fazer o seu discurso, e eu olho para o Alexandre, que está nervoso, a segurar com as duas mãos na guitarra, para que desta vez ela não caia; e lá começa o Ricardo o seu discurso; e eu, sempre a olhar para o Alexandre, e vejo que este, está a recuar, para trás, para um sítio onde estava um tripé com um microfone; e quando o Ricardo vai de novo dizer "Rui...", o Alexandre bate com as costas no tripé, vê que este vai cair, solta as mãos da guitarra para agarrar no microfone, e a guitarra volta a cair com alto estrondo, e mais uma vez não se ouviu o nome do gajo...

Texto e Imagem: Vítor Rua

Cartaz de Shtisel Tentar perceber uma realidade diferente da nossa pode ser, para alguns, um exercício difícil, caso contrário o mundo seria...

Cartaz de Shtisel

Tentar perceber uma realidade diferente da nossa pode ser, para alguns, um exercício difícil, caso contrário o mundo seria um lugar mais empático. Quanto mais fechados em nós mesmos, acomodados à simples rotina e sujeitos a uma educação redutora, mais difícil fica sair dos limites de uma realidade limítrofe. É necessário respeitar a diferença. Não saber entrar ou não saber colocar-se nos sapatos do outro gera preconceitos e pontos de vista muitas vezes injustos que em vez de aproximar povos, só os afasta e distancia.

O judaísmo, enquanto cultura e religião, no decorrer das épocas, dos sincretismos e influências que foi adquirindo - por força das perseguições de outros impérios e conquistas - tem na sua génese a pretensão da conservação dos valores e conceitos que definem a sua essência. O judaísmo tem, semelhantemente, como base, manter a raiz original da sua origem ainda que, no que à religião diz respeito, esteja em crescimento um remanescente com vontade de renovar-se e aceitar o que se considera como pensamento pós-moderno, sem conduzir as comunidades à segregação em pequenos bairros ou manter as realidades fechadas; pelo contrário, aumenta a vontade de ter como perspectiva fazer das sinagogas templos para o encontro entre judeus e não judeus com aspirações reformadoras e progressistas.

Essa ramificação defende a introdução de novos conceitos das práticas judaicas, convergindo a sua realidade ao mundo secular - uma vez que o judaísmo reformista não separa judeu de "goy | goyim" (se é que essa palavra é permitida na visão reformista), o objectivo premente tem como ponto principal a espiritualização de toda a Humanidade, independente de crenças, nações ou etnias - o respeito, a autonomia individual, a liberdade no uso das vestimentas e a igualdade de género são alíneas sujeitas à visão mais progressista.


A série Shtisel, que já acompanhava há mais tempo que Unorthodox, tem como eixo uma família haredi que vive num bairro ultra-ortodoxo de Jerusalém. Em 2021, a terceira temporada veio acalentar os seguidores da série que mostra, pelo menos, três gerações diferentes que lidam com a vida fechada de um grupo segregado à sua própria instituição e conserva o legado dos seus ancestrais patriarcas como conduta para as suas realidades. Os rapazes sujeitam-se aos estudos nas yeshivas da Torá e do Talmude, e as jovens mulheres têm como objectivo casar-se segundo a lei e tradição judaicas. No entanto, o protagonista Akiva “Kive” Shtisel, apesar de ter crescido nesta tradição, mostra-se como peça fora do baralho, é um artista sonhador cheio de bondade e inocência. Ao contrário do enredo de "Unorthodox", em que Haas 'Esty está determinada a escapar do que é retratado como uma comunidade opressora, este não é o foco de "Shtisel". Em vez disso, as personagens estão profundamente enraizadas e comprometidas em ser e pertencer à comunidade que amam - mantendo inclusivamente o Iídiche* como vernáculo principal. Além do mais, a série está carregada de doses de humor, tão característico da comunidade judaica. Nunca pararam, por exemplo, para pensar porque é que os judeus têm Cinofobia? Aqui têm a resposta

O drama Shitsel, tal como Unorthodox, permite criar empatia por aquelas personagens que lidam, tal como qualquer pessoa, seja na vida secular ou religiosa, com problemas da vida real, personagens essas que vivenciam o peso que a tradição passada carrega, são problemas sérios que podem criar constrangimentos e frustrações, tal como a infertilidade que desde os primórdios da cultura judaica é encarada como maldição - veja-se o patriarca Abraão cuja obediência foi quebrada seguindo a vontade da sua mulher, até então infértil, Sarai tendo fecundado com Agar. No judaísmo religioso esta questão é um problema que causa vergonha, uma vez que a descendência é muito importante para a cultura judaica.

A série criada por Ori Elon e Yenonatan Indursky, ambos educados em famílias de origens religiosas, o primeiro ortodoxo moderno e o segundo ultraortodoxo respectivamente. Os criadores nunca pensaram conseguir continuar a primeira temporada que foi conquistando vários fãs. A série tem como elenco Doval'e Glickman, Michael Aloni, Neta Riskin e a talentosa Shira Haas, também presente em Unorthodox.


As comunidades judaicas de várias origens e cujas divisões se dão na época moderna (asquenazes, sefarditas, mihzarim, etc) continuam a ser um factor de estudo para quem tem interesse e curiosidade em perceber a miríade de influências tão ampla nestas culturas pertencentes ao grupo mãe que é o judaísmo, conquanto tão particular nas subdivisões que fez muito motivadas pelas diásporas. 

No contexto desta série são os Haredi o subgrupo exposto da comunidade judaica, a etimologia de origem hebraica diz respeito a temente ou temeroso e refere-se ao judeu praticante do judaísmo mais convencional, o ultraortodoxo - que é resistente à mudança das leis judaicas. Entre os demais conflitos, um que se mantém entre as comunidades judaicas e os seculares que trabalham para sustentar estes pequenos grupos religiosos cujo tempo é passado maioritariamente nas yeshivas, reside precisamente nessa dinâmica laboral e no pagamento de impostos, em detrimento dos seculares contribuintes. No entanto, encontram-se também correntes contra a existência do Estado de Israel e contra o sionismo, ainda que muito pequena, os Neturei Karta, que confiam nas promessas das escrituras sagradas e só vislumbram o estado de Israel com a vinda do Messias.

Contudo, Shitsel não trata de conflitos políticos e sociais. A série lida muito com as próprias personagens e os mundos em que vivem, acima de tudo, as histórias são histórias muito humanas. Um dado muito relevante é que a série tenta ser o mais específica possível a representar a língua e a comida dos traços da comunidade, mas não aborda os conflitos usuais de que se ouve falar; talvez seja por isso que as pessoas revêem-se naquelas personagens, incluindo as que não são judias. 

Texto: Priscilla Fontoura


* O Iídiche é a língua dos judeus asquenazes desde há nove ou dez séculos, nascido de uma combinação única de dialectos falados nas cidades da Alemanha medieval, integrou, modificando-os, vários elementos linguísticos importados (hebraico, aramaico, romance, eslavo) dando provas de um notável génio inventivo que sempre lhe permitiu renovar-se do interior. Inicialmente chamado loshn Ashkenaz («língua da Alemanha») ou taitsh (Deutsch), seguiu os movimentos migratórios das populações judaicas muito para além das terras germanófobas que o viram nascer. No contacto com línguas e culturas, multiplicou os dialectos, os vocabulários, as formas gramaticais; mas apesar da sua infinita diversidade, ele será o traço de união e o principal distintivo de todas as comunidades asquenazes em todo o mundo, e ao mesmo tempo um instrumento cultural eficaz. - em a História Universal dos Judeus, sob a direcção de Élie Barnavi, 1992.

Palavras-chave: música, mulheres, violência Introdução Sabemos bem que as mulheres continuam a ser vítimas de salários mais baixos que os ho...

Palavras-chave: música, mulheres, violência


Introdução

Sabemos bem que as mulheres continuam a ser vítimas de salários mais baixos que os homens, os dados assim o indicam, como os mesmos também provam que as mulheres ainda lutam por postos superiores e pela igualdade de género. Um dos exemplos máximos dos cursos que tem prolongado uma cultura masculina é a Engenharia — para se cursar nas especialidades mais práticas e técnicas, as mulheres vêem a dificuldade à porta motivada pelo arrastamento da evolução da dialética-histórica construída sobre a raiz masculina. Segundo o artigo científico Estudantes de Engenharia: entre o empoderamento e o binarismo de género: "No que concerne às engenharias, a segregação espacial e diferenças salariais na sociedade são visíveis para as estudantes da área. O caminho advindo do feminismo, na busca das mulheres por reconhecimento e autonomia, parece ainda ganhar nuances frágeis, enquanto possibilidade vislumbrada por essas estudantes."; para colmatar o desequilíbrio projectos como Engenheiras por um dia têm sido desenvolvidos para combater esta predominância.

Sabe-se que, na sua maioria, são as mulheres as principais vítimas de violência doméstica, quando são tidas como agressoras, os tribunais tendem a vitimizar os homens, porque parece que a permissividade suportada numa espécie de "selecção natural" continua a vigorar, tal como a sociedade ocidental tem mantido uma conduta paternalista e tendenciosa. Bem como as associações que tratam os assuntos relativos à violência doméstica preocupam-se apenas por elevar o índice de casos sem perscrutar nem ouvir as versões contraditórias, despacham dossiers carentes de investigação sem ser dada a devida análise, não há acompanhamento nem avaliação; pode acontecer que a alegada vítima declare falsas verdades que não são averiguadas, dessa feita vários processos são facilmente criados premeditadamente com intenções maquiavélicas e vingativas, pesando, posteriormente, na avaliação supérflua feita pelos magistrados.


Do mesmo modo, quem julga casos de violência doméstica tende a preferir um homem violento a uma mulher, na maior parte dos casos quando esta tenta ecoar o seu auto-respeito, depois de ter tolerado tanta agressão e mentiras da parte do seu par. Dá-se como exemplo, entre tantos outros, uma das possíveis leituras patente no subtexto do livro The Knockout Queen: "é natural para um homem simplesmente 'perder a paciência', mas se uma mulher fizer a mesma coisa, então é um sinal de que algo está mais errado, psicológica ou quase metafisicamente. (...) 'Bunny', eu disse, 'os juízes não gostam de mulheres violentas. Eu não sei como dizer isto. A minha mãe cortou o meu pai superficialmente com uma faca de frutas e ficou três anos na prisão. Se um homem tivesse feito isso, se fosse apenas uma disputa regular de violência doméstica e a mulher a ser esfaqueada, ele provavelmente nem teria visto o interior de uma cela de prisão.'." 

Este é somente um ínfimo exemplo de como a sociedade paternalista continua a tratar a mulher que, paulatinamente, tenta fazer-se ouvir em canções, filmes, livros, murais, como um que li algures: "não somos histéricas, somos HISTÓRICAS". Muitas mulheres vítimas de grandes abusos, mentiras compulsivas, agressões físicas e manipulação psicológica e que se mantêm ocultas, uma vez que o abusador conhece os trâmites da "lei", vêem-se desarmadas por não terem crescido em solo podre, doente e sem nutrientes saudáveis — simplesmente não foram criadas com anti-corpos para a maldade e foram durante anos enredadas nas teias de agressores mascarados de falsos amantes. Afinal de contas quantas mulheres estão presas, injustamente, por se terem defendido dos agressores que por anos as manipularam e tentaram sujeitá-las a actos tóxicos, vícios e condutas impróprias?!? Quantos usaram o empoderamento dos seus pares para singrarem na vida? Quantas foram vítimas de queixas-crime de predadores amorais que já controlaram os passos das mulheres, acederam à sua informação pessoal e as agrediram?

São incontáveis as vezes que se ouviram louvores disfarçados de machismo: para mulher toca bem, ou elogios que teçam destaque aos atributos físicos, apenas e meramente.

Elza Soares © Ana Branco

Elza Soares, a amazona resiliente
Elza Soares viveu tempos de pura violência doméstica, essa mulher para quem olhamos hoje e que nos confunde com uma atitude forte, jamais poderia levar-nos a uma representação de uma vítima da violência porque para os olhos de muitos, uma mulher empoderada jamais pode ser vítima do que quer que seja. Verdade seja dita, talvez essas sejam as que toleram mais o que qualquer outra pessoa poderia aguentar; viveu sob o mesmo tecto com um homem alcoólatra que a manipulava de forma abusiva. Os abusadores dizem que o álcool no limite só os afecta e que jamais afecta o seu cônjuge - uma leitura meramente egocêntrica, uma vez que o egocentrismo acarreta uma longa lista de defeitos de carácter que tornam a pessoa doente: autopiedade, satisfação de interesses egoístas, glorificação de si mesmo, comodismo, etc.

A cantora do milénio, e dona de uma das vozes mais marcantes da música brasileira, sofreu em determinadas fases da sua vida tragédias sem precedentes. Com o lançamento de A Mulher do Fim do Mundo, Elza renasce qual fénix, lançado em 2015 o disco mistura samba, rap e música electrónica; debruça-se sobre temáticas feministas, violência doméstica e negritude - assuntos que fazem parte da sua experiência e que só ela pode entender como acontecimento máximo carregado com tudo o que o contempla. A segurança e determinação de Elza Soares não são apenas traços de personalidade, mas atributos que foi conquistando pelo o que a vida lhe foi ensinando. Segundo as biografias espalhadas sobre a sua vida e os relatos contados, "Elza casou-se obrigada pelo pai, aos 13 anos de idade. Pobre, perdeu dois filhos; um deles recém-nascido, o outro para a fome. Sofreu com violência doméstica; enviuvou aos 21 anos. Trabalhou como empregada doméstica, como lavadeira. Viveu um grande - e conturbado - amor com o jogador de futebol Mané Garrincha, que ainda era casado com outra mulher quando os dois se tornaram amantes. Teve um filho com ele, morto aos 9 anos num acidente de carro. Publicou a autobiografia Minha Vida Com Mané, editada em 1969 e hoje raríssima, fora de catálogo há mais de 40 anos.", poderá ser encontrada na seguinte fonte. Ouçamos "Cadê meu celular? Eu vou ligar pro 180".


Victor Hugo disse que quem poupa o lobo sacrifica a ovelha, e costuma ser assim numa sociedade paternalista em que para julgar ou culpar um homem é preciso ter mais factores evidenciais do que para acusar as mulheres, principalmente quando a mesma não se vitimiza, e que graças à sua resiliência muito lutou para afirmar-se e responder pelos seus actos, fazendo valer-se com integridade e verdade dos seus direitos e valores. 

Nina Simone © Getty Images

O que aconteceu a Nina Simone?
Activista, corajosa, muito talentosa, sincera, frágil e forte ao mesmo tempo, raivosa e angustiada foi Nina Simone que viveu, a tempo real, a segregação racial norte-americana. Quem acompanha os discos, tendo em conta as fases de vida dos músicos, sabe e entende bem que nenhuma vida é fácil, especialmente a dos que carregam uma força emocional e espiritual que se faz ouvir através do ruído presente nas canções. O documentário What Happened, Miss Simone?, realizado por Liz Garbus, contém gravações inéditas, imagens raras de arquivo e temas populares icónicos que ajudam a contar a história da lendária cantora, pianista e activista Nina Simone que, perante a sua plateia no concerto no festival de Jazz de Montreaux, Suíça, declara: "Acho que a única maneira de contar quem eu sou hoje em dia, é cantar uma canção." I Put a Spell on You detalha os abusos que sofreu de Andrew Stroud. 

Al Shackman conta, fazendo ponte com a voice-over de Nina, que uma noite, depois de Andrew Stroud ver Nina a colocar um bilhete de um fã seu no bolso do casaco, Stroud bateu-lhe em todo o caminho até chegar a casa, escada acima, no elevador, no seu quarto, antes de colocar uma arma na sua cabeça e violá-la. Quando Simone separou-se de Stroud e mudou-se para a Libéria, acabou por abandonar a sua filha Kelly por anos em Mount Vernon sem dizer onde ia estar a viver. Quando adolescente, Kelly começou a estar com a sua mãe Nina na África Ocidental e o relacionamento entre as duas tornou-se violento. Kelly afirma “Nina deixou de ser o meu conforto para se tornar o monstro da minha vida, foi vítima e agora transferia os seus abusos contra mim, batendo-me.". Nina foi vítima de abusos e não teve quem a curasse dos traumas perpetrados pelo agressor com quem se casou.

 

Tina Turner © Divulgação

Tina Turner, o palco a reconcilia com o passado
Muitas vezes pensamos que certas vidas só cabem nas biografias populares ou nas histórias de vida de celebridades. Mas nem sempre é assim. Mulheres anónimas sofrem abusos e muitas vezes não têm quem possam confiar os processos devido a uma autêntica ineficácia profissional de quem se julga douto da lei e que, de facto, está-se a marimbar para as vidas sujeitas a abuso de poder. Nascida Anna Mae Bullock em 1939, a mulher que se tornaria conhecida como Tina Turner tinha uma vida familiar difícil. Os seus pais tinham necessidades económicas e separaram-se deixando Tina e a sua irmã aos cuidados da avó. Quando adolescente, Tina mergulhou na cena musical R&B de St. Louis. Tina Turner, cujas célebres performances em palco recordavam umas pernas tonificadas que se tornaram marca da vocalista e asseguradas em 2,87 milhões de euros - das mais caras em toda a História, escreve uma história que viveu vários abusos físicos, psicológicos, emocionais e espirituais.

Embora tenha havido uma certa quantidade de sucesso, músicos e a própria Tina lamentaram que a banda não foi capaz de alcançar marcos ainda maiores devido ao comportamento violento e auto-sabotador de Ike, marido de Tina obcecado pela mesma. Ike, que segundo consta, sobreviveu a traumas profundos durante a sua infância, Tina passou anos a ser vítima de abusos físicos e emocionais regulares do seu marido, forçando-a às vezes a cantar e dançar após ter sido espancada pelo mesmo. A situação doméstica era implacavelmente permeada de medo e dor, enquanto Ike abusava de drogas e desfilava para as suas amantes. Tina contou nas suas memórias explanadas em My Love Story (2018), que os encontros sexuais com o seu marido eram "uma expressão de hostilidade - uma espécie de violação - especialmente quando começava ou terminava com uma surra". Tina tentou pôr termo à vida em 1968. Depois de se recuperar, tornou-se cada vez mais consciente da sua força, com vista à sobrevivência escapando assim ao casamento que era mais uma vida de inferno. Tina, you are simple the best!

 

Fionna Apple

Fiona Apple, Ladies, Ladies, Ladies
Outras relações que são mediatizadas pelas inescrupulosas línguas "jornalísticas" que mantêm, por vezes, laços estreitos com as ramificações do poder e influenciam o presente e o futuro do poder constitucional. Já Pasolini apresentou o “anti-inferno” com Salò: 120 dias de Sodoma – em que um grupo de nazi-fascistas, para cometer as mais diversas atrocidades, forma uma companhia composta pelos 4 poderes: o clero, o magistrado, o presidente de um banco (que representa o poder económico) e um duque (que representa a nobreza). Juntando-se a estes temos os poderosos das fake news - os mentirosos profissionais que levam o povo a acreditar nos disparates mais desinformativos, cujo objectivo tem como real intenção a manipulação. Nem todas as relações tempestuosas podem ser apontadas para um caso de violência doméstica, no entanto, o poder já referido tornou o assunto tão mediático que tudo passou a ser encarado como tal.

Numa entrevista à The New Yorker, Fiona Apple refere a relação tumultuosa que teve com Anderson, o mesmo era friamente crítico, desdenhoso durante o relacionamento com Apple. Apple e Anderson começaram a namorar em 1997, trabalharam juntos, consumiam drogas como cocaína e ecstasy e Apple bebia muito. Ao longo do relacionamento de três anos, Apple lembra-se de Anderson que usava palavras duras, humilhando-a dizendo que era uma péssima parceira, fazendo-a parecer instável e, uma vez, empurrou-a para fora de um carro. Na entrevista Apple ainda se lembra que Anderson atirou uma cadeira pela sala depois do Oscar de 1998, quando Boogie Nights perdeu o melhor roteiro original. “Isto não é um bom relacionamento”, Apple lembra-se de ter pensado na época. Namoraram por mais dois anos tumultuosos, durante os quais Apple esclarece que Anderson nunca a agrediu fisicamente. Muitos, para simplificar e não carregarem qualquer responsabilidade, passam uma espécie de diagnóstico de loucura para não assumirem com consciência e justiça o mal que causaram ao outro par.


Conclusão:
As mulheres são apanhadas de assalto no decorrer da relação e levam com os malefícios da História que não as protegeu nem as dignificou enquanto seres independentes, criativos e individuais. Muitas vezes numa relação "amorosa" não é detectável o engodo, já num estado avançado, cheio de abuso e manipulação, mais difícil fica sair das artimanhas montadas pelo abusador. A violência pode ser silenciosa,  e todas as formas de abuso são gratificantes para o abusador, porque constituem formas de controlar os acontecimentos. Essa teia preparada de forma muitas vezes quase passiva e gradual, deixa a vítima sem saída porque muitas vezes a mesma encontra-se numa mascarada verdade cheia de mentiras, manipulações e revitimizações do abusador para a manter na mão. O tratamento do silêncio é também um tratamento recorrente que se serve de castigos para a vítima pensar que errou, tentando deitar por terra os seus valores que outrora considerou preponderantes para a sua saúde mental. 

Normalmente, os abusadores crescem num seio tóxico, em que os vícios de álcool e drogas são manifestamente o prato do dia, nesse mesmo seio a democracia é inexistente e o direito à palavra da parte da mulher é muita vezes castrado, o "alfa" quer ser dominante e trata a sua cônjuge como sua escrava doméstica ou propriedade sua, não permitindo que a mesma viva uma liberdade relacional com amigos e família. O abusador quer que a vítima deixe de pensar por si própria pois é mais vantajoso que ela passe a sentir e a pensar como ele lhe diz, dessa maneira as suas necessidades são garantidas. 

Todas as mulheres podem ser vítimas, falar sobre o tema pode alertá-las para os mecanismos perversos por trás da violência doméstica. Normalmente, essas relações convivem com um grande grau de machismo e normalmente os agressores viveram dentro de um padrão muito descompensado. Na maior parte das relações abusivas há um membro do casal que só está preocupado com as suas necessidades afectivas, quando assim o é, saibam ler os comportamentos tóxicos e façam a ruptura, pois um doente não tratado é um perigo maquiavélico e cujo intento existe apenas para destruir para que o mesmo possa dominar, e isso só acontece quando vai ludibriando a vítima com uma maçã bem vermelha para a sujeitar ao seu falso e deturpado encanto. 

Texto: SP
Fontes:

Criação e Autoria: Emanuel R. Marque s

Criação e Autoria: Emanuel R. Marques

Clarice Lispector “Quem sabe escrevo por não saber pintar?”  - Clarice Lispector - Auto-denominava-se detentora de uma timidez ousada assim ...

Clarice Lispector

“Quem sabe escrevo por não saber pintar?” 
- Clarice Lispector -


Auto-denominava-se detentora de uma timidez ousada assim que quis enfrentar um mundo desconhecido para publicar os seus contos. Vemos Clarice Lispector no Documentário Clarice Lispector | 100 anos a comentar sobre quando se dirigiu a Raimundo Magalhães para publicar um dos seus contos, e este pedindo à pequena e ousada Clarice para o ler, perguntou-lhe, assim que o ouviu, de quem a jovem tinha copiado tal proeza, e espantado com tal talento, quando a mesma negou "que de ninguém", Raimundo publicou-o. Em 2020, Clarice completou um século de existência, e hoje os seus livros continuam a ser vendidos. 


"Perto do Coração Selvagem", o seu livro de estreia lançado em 1943, conta a história de Joana que fica retida no centro de um turbilhão de traições e emoções, na altura foi considerada a novela mais interessante escrita por uma mulher. Clarice andou entre vários géneros durante a sua carreira, "A Hora da Estrela", o seu último livro, aborda a história de Macabéa, uma nordestina que na sua juventude, vai morar para a cidade grande: o Rio de Janeiro com a sua tia religiosa, supersticiosa e cheia de tabus, a trama reflecte o retrato do Brasil daquela época; um retrato observador e meticuloso escrito por uma mulher que não era natural daquele país.


Natural da Ucrânia, República Popular da Ucrânia na altura, foi muito novinha para o Brasil devido à perseguição do regime nazi a tantos europeus. No Rio de Janeiro começou a fazer-se notar assim que começou a publicar os seus livros,  as palavras encaixadas entre frases e intervalos de tempo agarravam a quem os lia. Clarice não era muito adepta de entrevistas e apenas lhe interessava o que tanto queria e tinha para dizer. Quando descobriu que a literatura seria o campo magnético para onde seriam atraídas as suas produções literárias, lançou livros que levaram o seu nome além fronteiras. Em vários livros destaca as expectativas que as pessoas têm em relação à vida e a dureza que a mesma traz.


Clarice no documentário já referido, faz uma auto-análise dizendo que na adolescência era caótica, intensa, inteiramente fora da realidade e da vida. Antes de publicar os seus primeiros livros, já escrevia contos, artigos para revistas e jornais, foi experimentando entre o erro e o treino, as texturas e os significados dúbios e certeiros das palavras, nesse universo onde se sentia segura e protegida. 


© Clarice Lispector, a obra foi adquirida pela escritora Nélida Piñon


Interior de Gruta, Óleo sobre madeira. 1960. © Clarice Lispector 

Mas Clarice não compenetrou apenas o seu talento na arte da escrita, deu também luz e cor a pinturas. O designer Victor Burton, um dos mais reconhecidos da contemporaneidade brasileira, teve como ideia, assim que o convidaram para ser parte da equipa para o relançamento da obra da escritora, adaptar as várias pinturas da escritora para capas dos livros relançados, tanto para as capas como para os miolos cunhados pelo tom intimista e introspectivo, cujas personagens expunham as suas ideias por meio de um fluxo de consciência, através de uma linguagem não linear pontuada por uma quebra de enredos, numa abordagem livre e desornada. 


Pássaro da Liberdade. 1975. © Clarice Lispector
Cérebro Adormecido. 1975. © Clarice Lispector

Luta Sangrenta pela Paz. 1975. © Clarice Lispector

Caos Metamorfose sem Sentido. 1975. © Clarice Lispector

Estátua da escritora na Praça Maciel Pinheiro, no bairro de Boa Vista, área central de Recife, Pernambuco.

Clarice considerava a pintura como uma forma de relaxamento, essencial para auxiliá-la na escrita. Pintou 22 quadros: 19 sobre madeira e três sobre tela. 16 obras de Clarice foram expostas no Instituto Moreira Salles, na cidade do corcovado. Observando-se as pinturas de Clarice, consegue-se destacar uma estética do feio, onde salta à vista o aspecto rudimentar e o desinteresse pelas formas perfeitas de um universo hostil e impactante, longe do mundo real, cujas imagens parecem inacabadas e reguladas pela técnica que recorreu a vários tipos de materiais: cola e vela derretida, canetas esferográfica e hidrográfica, óleo e, até, verniz de unha. Existe pelo menos um momento em que a escrita e a pintura de Clarice convergem, como um jogo mental de transferências e projecções onde são expostos os seus mais íntimos e pessoais pensamentos. Não se trata de ser melhor numa arte do que noutra, mas o que cada um sente quando confrontado por elas.

Texto: Priscilla Fontoura

Um dia, eu e o Jorge Lima Barreto, fomos ter uma reunião com o Secretário de Estado da Cultura; quando chegámos, disseram-nos que esperássem...


Um dia, eu e o Jorge Lima Barreto, fomos ter uma reunião com o Secretário de Estado da Cultura; quando chegámos, disseram-nos que esperássemos um pouco; passados uns minutos, mandam-nos entrar para o escritório e lá dentro, estava um gajo com os seus 20 anos; e diz o puto: "Então que vos trás por cá?"; e diz o Jorge: "O que nos trás por aqui, é uma reunião com o Secretário de Estado da Cultura"; e diz o puto: "Pois, infelizmente o Secretário não vos pode receber hoje"; e diz o Jorge: "É pena, pois vínhamos aqui fazer uma doação de 100 mil contos para a cultura portuguesa, a mando do representante da cultura de São Tomé e Príncipe, mas sendo assim vamos embora"; claro que não era verdade, o Jorge estava furioso por estar a ser recebido por um puto; e diz o gajo: "Então, nesse caso, esperem aqui um minuto que vou ver se o Secretário vos pode receber"; mal ele saiu, o Jorge levanta-se, pega num bloco de papel de carta que estava em cima da secretária e nuns envelopes, e saímos do escritório. Por essa altura, um nosso amigo performer, o Manoel Barbosa, tinha enviado uma proposta de um Festival de Performance, para ser avaliado, e esperava uma resposta; era um enorme projecto que envolvia os maiores nomes da performance mundial; então, o Jorge lembra-se do papel e do envelope que tinha trazido a dizer "SEC-Secretaria de Estado da Cultura", e resolve escrever uma carta, em nome da SEC, para o Manoel Barbosa; a carta era mais ou menos isto: "Senhor performer Barbosa: a SEC não pode, neste momento, aceder ao seu projecto apresentado, mas gostaria de lhe propor, ao senhor e aos seus colegas, actuarem na Rua Augusta, juntamente com palhaços e alunos do Chapitô, numa acção de circo de rua, e o vosso cachet, seria uma comissão sobre as esmolas que o público vos der"; o Barbosa nem queria acreditar no que estava a ler; ficou revoltado e ligou-nos a contar; e o Jorge dizia-lhe: "Eu, se fosse a ti, ia lá à SEC e fazia um estrilho do caraças"; e nunca mais se falou no caso; ora, o Barbosa resolveu seguir o conselho do Jorge e dirigiu-se à SEC, e chegado lá, começou a insultar toda a gente, e a dizer que era uma pouca vergonha a falta de respeito demonstrada aos artistas; o funcionário, estranhando tudo aquilo, pediu-lhe para ver a dita carta e repara que a carta está assinada por um nome de uma pessoa que não trabalha lá; e diz ao Barbosa: "Esta carta é uma falsificação e isto é um crime, e o senhor vai ter de nos dar o seu bilhete de identidade, e esperar aqui, pois isto é caso de polícia”; o Barbosa fica espantadíssimo, mas imediatamente lhe vem à cabeça que isto poderia ser uma piada do Jorge; resolve ligar-nos a dizer: "Olhem, estou aqui na SEC: foram vocês que escreveram aquela carta? É que estou aqui retido e querem apurar quem é o autor da carta, e foram chamar a polícia"; e diz-lhe o Jorge: "És mesmo um camelo! Então não vias logo que aquilo era falso? Agora, não podes dizer que fui eu! Diz-lhes que foi o teu filho, na brincadeira"; e o Barbosa lá esteve, quase três horas retido, a ser ouvido por várias pessoas, até que, finalmente, o deixaram vir embora, alertando-o que nunca mais iria receber apoio do Estado Português...

Texto e Imagem: Vítor Rua