Álbum: Misinterpretations Músico: KAADA Lançamento: 5 de Março, 2021 Género: Clássico e Minimalista Misinterpretations , KAADA O isolamento ...

Álbum: Misinterpretations
Músico: KAADA
Lançamento: 5 de Março, 2021
Género: Clássico e Minimalista

Misinterpretations, KAADA

O isolamento intimista de KAADA é também o nosso. O músico anuncia o primeiro álbum tocado apenas a piano. Uma reciprocidade emocional (que se faz sentir) atinge-nos quando ouvimos Misinterpretations: o novo disco de KAADA. O músico apresenta, muito criativamente, reinterpretações e adaptações de composições de Edvard Grieg, Mendelssohn, Schubert, Gounod, Chopin, Satie, Debussy e Beethoven.

Sente-se toda a respiração de KAADA enquanto Misinterpretations é registado. O respirar do músico norueguês é tão vivo quanto os silêncios transitórios entre notas que correm qual curso de um rio, distribuído em 13 temas dos virtuosos da música clássica. KAADA não só os reinterpreta como também os desconstrói, alterando a estética sonora do piano de cauda e cujas cordas foram preparadas com Putty Kit, uma espécie de pastilha elástica com cola. A imersão que se atinge apenas a um piano mergulha numa intencionalidade cinematográfica, em que se poderia imaginar um homem fantasma retido numa casa deixada ao abandono, com móveis tapados com pano branco e que faz ressuscitar as efígies da música clássica. Nestas reinterpretações sente-se o pó, a tristeza, o isolamento e a sensibilidade. KAADA é o fantasma que habita a casa, no lugar do legado exploratório da perda e do amor que ficou, em que se engloba a grandiosidade da existência dos grandes músicos e compositores, musicado por uma estética sonora diferente que consiste num som menos sustentando e preenchido, mas mais peculiar e refinado com um carácter distinto. Como um invólucro sónico estranhamente silenciado, em comparação, quase como um belo pizzicato de violoncelo.

Se estas composições de séculos passados estivessem perdidas na passagem do tempo, os humanos, os que vivem hoje, não teriam a oportunidade de encontrar a beleza que estes músicos sensíveis deixaram como legado, carimbadas como as maiores obras da música transversais e intemporais da história da arte. Nesse sentido, KAADA ao reinterpretar, por exemplo, Prelude - Raindrop Op.28 n.15 de Chopin fá-lo com toda a sacralidade e nobreza, no seu tempo e na condição de intérprete e criativo. 

"Há uma longa história de tocar piano a solo, e estas peças foram gravadas na perfeição antes de mim.", afirma KAADA, "Os álbuns a solo são difíceis porque são despidos e transparentes. Mas feito através de uma lente confiante e concisa, acredito que pode ser feito.".

        

KAADA avança no comunicado de imprensa, "Sinto que este som de piano com cola adapta-se à minha maneira de tocar. Quando o descobri, foi como se eu tivesse encontrado uma conexão directa entre os meus dedos e o som. Com o Putty-kit (Heftemasse, skoletyggis, Sticky tack) em todas as cordas, eu não estava apenas a tocar piano, mas o piano também me tocava. Fui muito inspirado, comecei então a vasculhar a minha biblioteca de partituras clássicas. Lentamente, construí um repertório de canções que se adequaram ao meu estilo de tocar e ao Putty sound.".

É facto que as adaptações contemporâneas de composições clássicas para piano não são novidade, como se reflecte na constante abundância de gravações com arranjos de composições clássicas famosas. No entanto, é exactamente isso que Misinterpretations deixa para trás, dedica-se à rearmonização, preparação de instrumentos e novas interpretações de famosas melodias clássicas de piano. O que distingue este álbum dos outros é a maneira característica de tocar de KAADA, os seus re-arranjos e um som de piano muito incomum, semelhante a um violoncelo pizzicato.

imagem: Observatoriet

"A maior parte da música que fiz foi acompanhado com bandas, e produzido em computadores - o que é algo que eu gosto. Mas cheguei ao ponto em que queria experimentar novas coisas, talvez para me manter inspirado enquanto compositor.", sublinha KAADA. 

Misinterpretations foi gravado durante os quatro meses de Outono de 2020 no estúdio Wrongroom. Para a gravação, KAADA preparou-se devidamente com música escrita e ensaios ao piano que duraram intensos longos sete meses. Os arranjos não foram anotados e cumpridos ao rigor, KAADA permitiu-se à liberdade sem regras pré-determinadas, transpondo motivos dessas composições clássicas para uma linguagem pessoal de textura e tom.

O músico explica que "a maior parte do álbum foi gravado durante a noite, e acabei por tocá-lo num tempo mais lento do que tinha planeado. Foquei-me nas partes que mais gostava das composições originais, e reconstrui-as. Às vezes, o alongamento continuou por 4 minutos, às vezes eram apenas algumas barras. Então tentei fazer os melhores momentos durarem. Extraindo as falas que me ligaram, emocionalmente. Construindo uma nova forma e composições baseadas nisso.". 

O desempenho de KAADA é distribuído com equilíbrio entre o pessoal e o tradicional com uma facilidade impressionante. KAADA acrescenta que "cada tema foi gravado provavelmente umas 100 vezes. Eu estava à procura daquele lugar onde o núcleo da composição ressoasse com perfeição com o som da cola e da minha performance."

KAADA toca delicadamente dedo a dedo no seu Bechstein, adicionando uma textura muito intimista e contemporânea a composições clássicas europeias conhecidas, transpondo motivos e traduzindo-os numa linguagem e estilo de jogo pessoais improvisados. E com um som de piano especial como um conceito persuasivo que dá uma nova vivacidade às velhas obras-primas. KAADA é o fantasma que traz vida aos mestres da história da música clássica. E nada desse encanto soçobra. Pelo contrário, vive do silêncio, da lentidão, da leveza e da respiração. 

Texto: Priscilla Fontoura

Genre: minimalist and classical music Album: Misinterpretations Artist: KAADA Misinterpretations , KAADA The intimate isolation of KAADA is...

Genre: minimalist and classical music
Album: Misinterpretations
Artist: KAADA

Misinterpretations, KAADA

The intimate isolation of KAADA is also our own. The musician announces his first album played uniquely on piano. An emotional reciprocity engulfs us as we listen to Misinterpretations: the new record by KAADA presents, in a creative way, reeinterpretations and adaptations of compositions by Edvard Grieg, Mendelssohn, Schubert, Gounod, Chopin, Satie, Debussy and Beethoven.

We feel KAADA'S breathing while Misinterpretations is recorded. The norwegian musician's breathing is as alive as the transitional silences between notes that flow like a river through de 13 themes of the virtuosos of classical music. KAADA not only reinterprets the themes as well as deconstructs them, altering the sound aesthetics of the grand pano, whose strings where embedded with putty kit, a kind of pasting mould like chewing gum with glue. The immersion that we dwell on with cinematic intent, makes us imagine different scenarios, we can picture a ghost shaped man stuck within an abandoned house with old furniture covered in white sheets, like the resurrection of the effigies of classical music. 

In these reinterpretations one can feel the dust, sadness, isolation and sensibility. KAADA is the ghost that inhabits the house, in the place of the exploratory legacy of grief and the love that remained, in which we can place the grandeur of existence of the great musicians and composers, played here in a sound aesthetic quite different, consisting on a sound that is not fully supported or filled, but more peculiar and refined with a distinct character. Like a sonic involucre strangely silenced, in comparison, like a beautiful cello pizzicato. 

If these compositions of bygone centuries were somewhat forgotten by the passage of time, humans, those who live today, wouldn't have had the chance to find the beauty that these sensitive musicians left as their legacy and stamped as great musical pieces and intemporal in the history of art. In that sense, KAADA, by reinterpreting Prelude - Raindrop Op.28 n 15 by Chopin does so in a sacred way, while being in his time and in the condition of an interpreter and creative being.

 

"There is a long history of playing solo piano, and these pieces were recorded perfectly before me", KAADA says, "The solo records are hard because they are transparent. But making it through a confident and concise lens, I believe it can be done.".

KAADA also states, "I believe that this glued piano sound is adapted to my way of playing. When I found it, it was like I had found a direct connection between my fingers and the sound. With Putty-Kit (Heftemasse, Skoletyggis, Sticky tack) in all the strings, I wasn't just playing the piano but the piano was also playing me. I was very much inspired, I started looking into my library of classical sheet music. Slowly, I built a repertoire of songs that adapted themselves to my style of playing and the Putty sound.".

It's a known fact that contemporary adaptions of classical compositions are not new, and that is reflected in the huge amount of recordings with arrangements in classical and famous compositions. However, it's exactly in that arena, that Misinterpretations is different, dedicating itself to a new harmony, preparation of instruments and unique interpretations of famous classic piano melodies. What sets this record apart is the distinct way KAADA plays the piano, his re-arrangements and a peculiar piano sounds, similar to a pizzicato cello. 

image: Observatoriet

"Most music I made was accompanied by bands and produced in computers - which is something I like. But I've reached the point in which I wanted to explore new things, maybe to keep me inspired as a composer.", highlights KAADA . 

Misinterpretations was recorded during the four months of the autumn of 2020 in Wrongroom Studio. For the recording, KAADA prepared himself with sheet music and piano essays that lasted through seven intense months. The arrangements were not written and followed with heavy rigor, and instead, KAADA allowed himself the freedom without pre-determined rules, transposing the motifs of those classical compositions to a more personal language of texture and tone. 

The musician explains that "most of the album was recorded during the night, playing in a slower tempo than the one he had planned. Focusing on the passages he liked the most of the original compositions and reconstructing them. Sometimes, it was 4 minutes and other times just a few bars. So I tried to make the best moments last. Extracting the passages that ressonated with me on an emotional level. Building new form and compositions. 

KAADA'S performance is neatly balanced between the personal and the traditional with an impressive ease. KAADA adds that "each theme was recorded probably a 100 times. I was looking for that place where the composition core perfectly resonated with the glue sound and my performance.".

KAADA plays delicately in his Bechstein, adding an intimate and contemporary texture to classical european compositions, transposing motifs and translating them into a personal language with improvisational games. And with a special piano sound like a persuasive concept, breathes new life to the old masterpieces. KAADA is the ghost that brings life to the great masters of classical music. And none of that charm goes amiss. Living of silence, slowness and breathing.

Texto: Priscilla Fontoura
Translation: Cláudia Zafre

Um dia, ainda o Jorge vivia no Porto – tinha um apartamento em frente à Cooperativa Árvore –, quando pela noite, estava ele a escutar música...


Um dia, ainda o Jorge vivia no Porto – tinha um apartamento em frente à Cooperativa Árvore –, quando pela noite, estava ele a escutar música com o António Pinho Vargas e tocaram à campainha, eram umas 21 horas; ele foi espreitar quem era e viu um músico português a quem não queria mesmo abrir a porta; então deixou tocar; a pessoa voltou a tocar pelas 22 horas, e às 23 horas, voltou a tocar insistentemente; o Jorge volta a não abrir; depois voltou a tocar pelas 24h e até o António se ir embora e o Jorge se ir deitar às 02h da manhã...; pelas 08h da manhã, a campainha voltou a tocar com insistência e o Jorge pensou "Eu ainda fodo este gajo!"; pelas 13 horas, o Jorge foi ao Piolho tomar café e encontrou o nosso amigo performer Silvestre Pestana, que lhe perguntou: "Então, Jorge, não estavas em casa hoje de manhã?... Fui lá com o John Cage, que te queria conhecer, e tu não abriste a porta"...

Texto e Imagem: Vítor Rua

Dando continuidade ao artigo sobre as séries memoráveis com genéricos à altura, é dado seguimento com esta segunda parte em que são apresent...

Dando continuidade ao artigo sobre as séries memoráveis com genéricos à altura, é dado seguimento com esta segunda parte em que são apresentados mais exemplos.

Cartaz Seinfeld

Seinfeld - tema de Jonathan Wolffsérie co-criada Jerry Seinfeld e Larry David
Quem se lembra do baixo slap do genérico de uma das séries mais inolvidáveis de sempre? Pois, se calhar muitos ainda não sabem, e talvez venha quebrar um pouco a magia à volta do tema do genérico de Seinfeld, mas quem julgaria que em vez de um baixo seria um órgão a dar aquele vigor groovy ao genérico tão simples e pensado na mouche? O tema da sitcom foi criado por Jonathan Wolff, o mesmo autor já referido e que também criou o tema do genérico de Saved By the Bell. Ao estilo Frank Zappa, Jonathan afirma que usou o baixo slap como uma espécie de melodia primária para a série co-criada e co-escrita por Jerry Seinfeld e Larry David. Há que ressaltar que os episódios contam também com a colaboração de outros argumentistas convidados. Segundo o compositor, a faixa de áudio não interfere com as intervenções de stand-up de Jerry e permite-lhe utilizá-la modularmente para incluir antes ou depois das mesmas, se fosse algo mais preenchido e encorpado iria, muito provavelmente, distrair o espectador do propósito principal que passa por estar atento à narrativa do protagonista. 

 

Seinfeld trouxe ao mundo da comédia e das séries um revigorante mundo novo, cujo enredo lida bem com as estranhezas surreais que podem acontecer na rotina de qualquer um. A série passa-se em Manhattan, no Upper West Side (na realidade foi filmada em LA), onde habitam quatro amigos, Jerry Seinfeld, George Constanza, Elaine Benes e Cosmo Kramer - cada um com uma identidade muito singular, uns a dominar o humor intelectual e outros o físico. Ao longo das nove temporadas, vão sendo introduzidos os parentes dos protagonistas. Seinfeld bebe muito do humor judaico entrelaçado com o humor convencional. Tornou-se um sucesso comercial e um fenómeno até cultural. A série foi exibida em Portugal na TVI em 1998.

       

A revista Time estimou em 1978 que 80% dos humoristas americanos profissionais seriam judeus. Anteriormente, já Sigmund Freud considerara o humor judaico peculiar, uma vez que, segundo plasmado no seu livro Chistes e a sua Relação com o Inconsciente, entendeu o humor judaico como um estilo derivado da troça que se faz de dentro para dentro e de dentro para fora, ou seja, as piadas são feitas dentro do grupo e não acerca do "outro" ou do "goyim"; em vez de se confinar ao sentido autodepreciativo, contém também um elemento dialético de auto-elogio em contraposição à simplória autodepreciação que torna o humor medíocre e suportado em preconceitos. Um dos expoentes máximos que servem de exemplo do que pode ser entendido como humor judaico é a Enciclopédia do Humor Judaico, de Henry D. Spalding.

Cartaz Simpsons

Simpsons - tema de Danny Elfman, série Simpsons criada Matt Groening
Lisa e o seu saxofone é o que nos fica no ouvido quando pensamos no genérico de Simpsons e todos os detalhes preenchidos por uma Big Band. Metais, metais e mais metais. Numa altura em que as séries andavam muito à volta do "real", as animações para adultos começaram cada vez mais a fazer parte da programação televisiva norte-americana. O tema do genérico sincroniza-se com a cortina da nuvem baixa (estrato) que se abre para introduzir aos espectadores a família Simpson. Musicalmente o genérico é acompanhado por um sintetizador com efeito chorus que só começa a tocar segundos antes do fade in no momento em que a nuvem começa a separar-se, seguido do texto a amarelo The Simpsons - o mesmo texto utilizado na segunda temporada. 

Simpsons é cantado de uma maneira angelical (NOTA: A versão do tema na Primeira Temporada, arranjada por Danny Elfman, era um pouco mais grosseira e mais staccato, por falta de um termo mais descritivo, do que a versão usada posteriormente). A nuvem desaparece de ambos os lados, à medida que o texto se aproxima mais, e a câmara move-se através da letra "P" para uma visão panorâmica de Springfield. Sobrevoa-se a Central Nuclear da cidade, o Depósito de Pneus, desce-se lentamente a rua, enquanto passa-se pelo dentista em direcção à escola primária de Springfield. O som que se inicia angélico passa a dinâmico — assim é introduzido cada membro da família Simpson e os lugares identitários onde acontece a série, transita-se para a aula de música onde aparecem os colegas de Lisa a tocar vários instrumentos e a protagonista com o seu saxofone reflectindo a sua imersão musical. O tema jazzy remete para uma big band dinâmica que retrata uma família muitas vezes metida em apuros por causa do progenitor Homer Simpson.
A Big Band da Nazaré tem uma versão muito interessante sob a batuta de Adelino Mota


No que respeita ao enredo, a sitcom animada criada por Matt Groening desenha de um modo satírico o estilo de vida de uma família de classe média protagonizada por Homer, MargeBart, Lisa e Maggie na cidade de Springfield — a família serve de analogia para a cultura e sociedade norte-americanas, o auge dos programas de TV e o consequente vício, como também os vários aspectos da condição humana. A série foi criada a pedido do produtor James L. Brooks e que originalmente seria uma encomenda para uma série de curtas de animação. Groening concebeu uma família disfuncional e partiu da sua própria experiência pessoal para criar personagens que são reflexo da sua família, sendo que Bart é o seu alter ego. Como a estreia da primeira temporada foi um especial de Natal, a primeira versão do genérico foi transmitido no segundo episódio, "Bart the Genius", mais rudemente animada (parecido com a animação usada nos episódios da primeira temporada) do que a segunda temporada em diante que foi inteiramente elaborada por Kevin Petrilak

Consta que a série teve a sua estreia a 17 de Dezembro de 1989 e está entre as mais populares da televisão. Mais de 10.000 episódios foram exibidos e é uma das séries dos EUA transmitida em horário nobre há mais tempo, superando em Fevereiro de 2012 Gunsmoke.

Cartaz Esquadrão Classe A

Esquadrão Classe A / The A-Team, composto por Mike Post e Pete Carpenter, série co-criada Frank Lupo e Stephen J. Cannell
Nos anos 80 e 90 muitos filmes foram inspirados pelo acontecimento da guerra do Vietname para explorarem temáticas como espionagem, operações especiais e missões que reflectem os traumas causados durante a guerra. A sinopse de A-Team esboça quatro veteranos da guerra do Vietname acusados por um crime que não cometeram e encontram-se numa fase em que não conseguem mais provar a sua inocência, uma vez que os verdadeiros culpados estão mortos. Motivados pela condenação injusta e pelo encarceramento, resolvem escapar da prisão de segurança máxima e fugir para Los Angeles para viverem como justiceiros e ajudar pessoas que precisam de protecção. À imagem de Macgyver, o tema do genérico de Esquadrão Classe A composto por Mike Post e Pete Carpenter inspira à resolução do problema que é solucionado pelo esquadrão.


Alf, tema composto por Alf Clausen, série co-criada por Paul Fusco, Tom Patchett
O ambiente familiar e envolvente do tema do genérico de Alf, esse ser extraterrestre, não poderia ser mais nostálgico. Enquanto vários temas apresentados nos genéricos das séries da década de 80 eram vocalizados, o tema escolhido para Alf não caiu nos padrões anteriores e foi composto apenas para ser instrumental, soando jazzy tal como Seinfeld. Curiosamente o tema foi composto também por alguém chamado Alf, mas com outro apelido, Alf Clausen. O músico iniciou a sua carreia com um pé em Hollywood com The Partridge Family. Com formação em arranjo e composição na tão conhecida Berklee, Clausen trabalhou como copista de partituras. Nos idos anos 70, o compositor trabalhou em vários programas televisivos. 

 

Não é aleatório o facto do tema de Alf ser tão jazzy, se soubermos que Clausen aprendeu a tocar baixo durante a sua adolescência. Assim que Alf encerrou a sua produção, Clausen passou meses sem trabalho e, nessa fase, foi surpreendido com um telefonema de um produtor de Simpsons que estaria à procura de um compositor para a série. Matt Groening expôs a ideia de Simpsons descrevendo-a da seguinte maneira: "Não consideramos um desenho animado, mas um drama onde os personagens são desenhados, e gostaríamos que fosse marcado dessa maneira. Podes fazer isso?". O seu primeiro episódio foi "The Simpsons Treehouse of Horror I", da segunda temporada. Clausen teria sido aprovado e tornou-se compositor de Simpsons. Alf, o próprio alienígena, apareceu algumas vezes n'Os Simpsons também. Seriam apenas e provavelmente referências engraçadas da cultura pop, mas é igualmente engraçado pensar que seriam referências internas ao compositor também.

Cartaz Adultos à Força

Adultos à Força - The Party of Five, tema BoDeans, série co-criada por Christopher Keyser e Amy Lippman
Nem todas as séries faziam-se de explosões, libertação de reféns com final feliz, os anos 80 e 90 também retratavam temáticas mais dramáticas que reflectiam os problemas vulgares da sociedade. Nesse sentido, Adultos à Força - Party of Five - tinha como enredo cinco irmãos órfãos que tinham de se ajudar mutuamente para resistirem aos problemas da vida sem suporte parental, perda que resultou de um acidente de viação. A série acontece em São Francisco e tem como elenco Charlie (Matthew Fox), o irmão mais velho, mulherengo e imaturo que é obrigado a assumir a responsabilidade por se ter tornado o novo chefe da família, Bailey (Scott Wolf), o adolescente rebelde forçado a assumir o papel responsável e levado pela frustração é consumidor de álcool; Julia (Neve Campbell), uma adolescente sensível que mais tarde lida com uma relação de violência doméstica, a prodigiosa e talentosa músico Claudia (Lacey Chabert), e o bebé Owen que fica ao cuidado dos irmãos.


O tema dos BoDeans do álbum Go Slown Down, lançado em 1993, foi escolhido para o genérico da série, e cuja lírica inspira ao sentido de ajuda colectiva e recíproca. Nem sempre os temas dos genéricos seriam uma encomenda para trazer uma identidade própria aos mesmos, adaptações ou inclusões seriam outra estratégia. 

Cartaz X-Files

X Files - tema criado por Mark Snow, série criada por Chris Carter
Nos anos 90 fomos surpreendidos por esta série de ficção científica criada por Chris Carter e tinha como protagonista o casal Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Leigh Anderson) para desvendar os mistérios e fenómenos mais surreais alguma vez imaginados. Uma mistura da estranheza de Twin Peaks, d'O Bom, O Mau e O Vilão de Enio Morricone com o lado mais plástico de Carpenter, é quase a fórmula do tema deste genérico composto por Mark Snow que incluiu o "echo effect" por acidente e sem saber tinha criado a identidade certa para o tema do genérico. O compositor sentiu que faltava algo para o tema e por casualidade Snow, motivado pela frustração, tocou no órgão e foi assim que surgiu o efeito que trouxe a estranheza necessária para o tema de X Files. A melodia do assobio surge de uma amostra antiga da linha Proteus de produtos de sintetizadores chamada "Whistling Joe" e foi gravado com o assobio da esposa de Snow, Glynn.

 

Conclusão:
Mais séries ficaram por referir: The Young Riders, Dinosaurs, Highlander, Tartarugas Ninja, e tantas outras. Nos anos 80 e 90 fomos introduzidos a muitas séries com genéricos tão importantes quanto os conteúdos que dali viriam. Hoje, de olhos fechados, sabemos de cor e salteado as séries só de ouvir o tema do genérico. O que a nostalgia tem de interessante é que o que é bom perdura no tempo, pois leva a revisitar lugares e imaginários que não serão esquecidos. Hoje, sente-se esse revivalismo no ar, com bandas, séries e filmes que se inspiram nessas décadas. Assim se molda o tempo e enaltece-se este sentido de pertença.

Texto: Priscilla Fontoura 

Criação e Autoria: EMANUEL R. MARQUES

Criação e Autoria: EMANUEL R. MARQUES

Quem se lembra da Ana dos Cabelos Ruivos ? Aquela menina que cresce devagarinho.  Assim começa o voice over da animação, dirigida por Isao T...



Quem se lembra da Ana dos Cabelos Ruivos? Aquela menina que cresce devagarinho. 

Assim começa o voice over da animação, dirigida por Isao Takahata:
"Era o ano de 1870, no mês de Junho, um Junho invulgarmente quente e bonito, pois nesta altura do ano costumava estar ainda muito frio aqui na ilha do Principe Eduardo, no Canadá. A menina que atravessava de barco do continente para a ilha deliciava-se com o sol quente, o seu nome era Ana." 

Ana com A, ou Anne with an E em inglês, tem toda a magia necessária para fazer qualquer pessoa de qualquer idade sonhar. Filmada de uma maneira que parecem canções folk, todo o enredo torna esta série um tempo bem passado quer sozinho, quer acompanhado. Saltam à vista as personagens, os décors, a banda-sonora, todo o imaginário presente na adaptação de Anne of Green Gables, escrita pela canadiana Lucy Maud Montgomery. Nos finais dos anos 70 foi também realizada uma animação exibida no canal japonês Fuji Television. 


Anne é uma menina orfã adoptada por um dois irmãos que vivem num meio rural. Anne tem toda a tenacidade, drama, vigor, paixão pela vida, loucura saudável de uma criança que não pára de dar vida às suas histórias com alma e cor, uma menina de longos cabelos ruivos que contagia toda a comunidade onde vive. 

A série distribuída pela Netflix, escrita por Moira Walley-Becket, serve para dias mais intimistas passados com a família em casa. Uma série que convida à ligação intergeracional mediada pelo ecrã, principalmente durante esta época de confinamento. 

Texto: Priscilla Fontoura
Numa relação série com a Netflix: Anne with an E

Um dia, o Nuno Rebelo , convidou-me para ir assistir a um concerto dos MLER IFE DADA , a Coimbra; eu já me tinha afastado do rock, e portant...


Um dia, o Nuno Rebelo, convidou-me para ir assistir a um concerto dos MLER IFE DADA, a Coimbra; eu já me tinha afastado do rock, e portanto, já não estava habituado àquelas andanças: viagens de carrinha ou comboio; soundcheck chato; o jantar em grupo antes do concerto, etc. O concerto terminou muito tarde; depois seguiu-se o habitual convívio com os fãs; e, finalmente, lá pelas 4 a.m., resolvemos ir dormir; a pensão era horrorosa, víamos pulgas a saltar e resolvemos sair dali; fizemos as malas e fomos tomar o pequeno-almoço antes de regressarmos a Lisboa. Estávamos de rastos e ressacados; então veio o empregado e começamos todos a dizer o que queríamos; eu pedi um galão e uma torrada; e os outros variaram entre sumo de laranja, galão, croissant, torradas, copo de leite e queques; até que chegou a vez de perguntar à Anabela Duarte (a única mulher presente), o que queria; ela diz: "Queria um café duplo, um bagaço e um maço de SG filtro"...

Crónica e Imagem: Vítor Rua

Palavras-chave:  genéricos, séries, bandas-sonoras, anos 80 e 90, televisão Introdução O toque do bolo da avó, a maneira como o pai cozinha ...

Palavras-chave: genéricos, séries, bandas-sonoras, anos 80 e 90, televisão

Introdução
O toque do bolo da avó, a maneira como o pai cozinha a sopa, ou a mãe a tarte faz com que aquele sabor não se iguale a mais nenhum. E o cheiro? Sim, é característico e reaviva as memórias. É esse conforto familiar que nos alimenta o espírito e mata a saudade. O mesmo acontece com as séries que se tornaram clássicas pelos temas dos genéricos. Quem nunca escolheu o tema do genérico dos Simpsons para o toque do telemóvel, com aquele saxofone tão singular de Lisa? Ou o toque pontilhado das teclas do tema Ob-La Di, Ob-La-Da do genérico de Life Goes On? Para reavivar um pouco a programação das TV's portuguesas, partilho alguns genéricos de séries dos idos anos 80 e 90, com temas musicais que nos fariam recordar os momentos áureos e, às vezes, tão ambientalmente soalheiros e/ou crepusculares. Nesta altura, os genéricos eram tão ou mais importantes que a série, e o primor que se dava tanto para escolher as imagens e os temas, faziam o genérico de cada série uma combinação perfeita. Quem é geek suficiente para, de olhos fechados, alinhar num quizz e tentar adivinhar os temas dos genéricos das séries? E não é que há um jogo por aí

Life Goes On

Ob-La Di, Ob-La-Da, Life Goes On - tema de Beatles, Série Life Goes On criada por Michael Braverman (1989)

Na era em que a TV era realmente um mundo mágico para as crianças e adolescentes, depois do almoço (julgo eu), era emitida a série Life Goes On, na RTP1. A série agarrava já desde o genérico que começava com o tema Ob-La Di, Ob-La-Da. Apesar da excelente melodia ter sido composta por Paul McCartney e creditada pelo duo Lennon-McCartney, o tema tornou-se viral em muitos países, curiosamente foi sucesso nomeadamente na Austrália, Japão, Nova Zelândia, Suíça e na Alemanha Ocidental e um quanto ignorada nos EUA e Reino Unido. O tema foi, também, reproduzido por outros nomes tais como: a cubana Celia Cruz, Ken Lazarus e os escoceses Marmalade - esta versão foi número um nas tabelas do Reino Unido.

Ob-La Di, Ob-La-Da converte os corações mais soturnos num momento que se deixa inflamar pela dança e leveza. O tema teve como influência o ska jamaicano e o nome é uma apropriação de uma frase popularizada do músico nigeriano residente em Londres Jimmy Scott.

 

Pensa-se que a versão da canção foi gravada pelos personagens da série, no entanto o actor Chris Burke, que figura Corky, teria um disco com a canção gravada por crianças. As teclas mais graves da melodia, e as agudas a preencher o ritmo, reforçam o ambiente daquele genérico de uma família americana, que podia contar com o seu jornal à entrada da porta de casa atirado pelo estafeta. Podemos ver esboçado o acordar de uma rotina de uma família vulgar e uma montagem que ilustra as características de cada membro. 

Life Goes On encheu muitas casas de felicidade. A série americana, emitida pela ABC, centrava-se na família Thatcher que vivia no subúrbio de Chicago: Drew, a sua mulher Elizabeth e os filhos Rebecca e Charles, conhecido como Corky. Life Goes On foi a primeira série televisiva a ter como personagem principal um actor com síndrome de Down. Se quiserem saber o percurso de vida de cada uma das personagens, podem clicar aqui e saciar a curiosidade.

Twin Peaks

O tema de Laura Palmer de Angelo Badalamenti; Twin Peaks - Série criada por Mark Frost e David Lynch (1990)

Quando os temas dos genéricos são tão bons ou melhores do que a imagem, pode-se dizer que quem a compôs é como o orador que abre a peça de teatro e profetiza um bom augúrio do que ali vai acontecer. Angelo Badalamenti soube interpretar bem a "balada" da série Twin Peaks, a prequela da série de televisão Twin Peaks, e o retorno lançado em 2017. O tema do genérico é registado por camadas sonoras de um órgão que toma tanto a melodia de uma voz, quanto do ambiente sinistro que perfaz o contexto desta série.

Segundo "conta a lenda", David Lynch estava a contar a história de Twin Peaks. Era 1989 e o realizador estava sentado ao lado do compositor Angelo Badalamenti ao teclado de um Fender Rhodes no escritório deste último em Manhattan. Lynch e o argumentista Mark Frost estavam prestes a rodar Twin Peaks, uma soap opera que expõe o assassinato ocorrido numa pequena cidade no noroeste do Pacífico dos Estados Unidos. A dupla precisava de um ambiente sonoro. Na cabeça do realizador, a música, o imaginário e a narrativa teriam que estar totalmente interligados de modo a que nem se percebesse a separação de cada um dos mediums, então David Lynch, qual psicanalista a tentar hipnotizar o paciente, convida o músico a entrar no mundo da série e imaginar que estava sozinho na floresta à noite. O vento soprava, uma coruja piava. Badalamenti escolheu um motivo baixo e sinistro. "Mais devagar", disse Lynch; “Apenas desacelera e fica mais bonito. Agora, imagina uma adolescente angustiada emergindo da escuridão, aproximando-se". Badalamenti subiu continuamente no teclado, resolvendo a melodia num alto êxtase antes de cair de volta na noite. Demorou apenas 20 minutos e Badalamenti sugeriu desenvolvê-lo ainda mais, mas Lynch respondeu: “Não mude uma única nota. Eu vejo Twin Peaks.” Eles tinham acabado de escrever o tema de Laura Palmer.


As composições de Badalamenti têm sido utilizadas como banda-sonora para os álbuns: Soundtrack from Twin Peaks (1990), Twin Peaks: Fire Walk with Me (1992), Twin Peaks Music: Season Two Music and More (2007) and Twin Peaks: Limited Event Series Original Soundtrack (2017). O tema de Badalamenti e a banda-sonora de Twin Peaks têm recebido aclamação da crítica e é referido como modelo de música de filme idealmente combinado com as imagens e as acções que destaca. Este tema principal da série recebeu um Grammy para a categoria de Melhor Performance Instrumental do género Pop em 1991. A partir de Março de 2011, David Lynch começou a distribuir The Twin Peaks Archive, uma colecção de canções inéditas e não utilizadas, disponibilizadas no seu site oficial para download digital. No total, foram disponibilizadas 215 faixas para download. Assim como a série de David Lynch inspirou uma nova forma de TV, a trilha sonora de Angelo Badalamenti ecoou ao longo das décadas, adquirindo vida própria.

Baywatch

I am Always Here aka I'll be Ready co-escrito por Jimi Jamison, Joe Henry, Cory Lerios e John D'Andrea; Série Baywatch - criada por Michael Berk, Gregory J. Bonann, Douglas Schwartz (1989)

Quem nunca brincou, enquanto corria na areia a imitar um dos nadadores-salvadores de Baywatch? O tema desta série, emitida ao final da tarde nas nossas televisões, deixava qualquer um/a bem disposto/a. Todo o imaginário de Baywatch - série que utilizava product placement sem qualquer contenção - acontecia na baía Emerald, na Florida, frequentada por uma multidão que se expunha ao sol.


Mulheres bonitas e em forma, a correr na margem do mar com os seus maillots vermelhos, bem anos 80/90, serviam de pano de fundo ao lado de Mitch Buchannon (David Hasselhoff), um nadador-salvador veterano, dono de um sorriso icónico que zelava pelos mais jovens salva-vidas, incluindo Casey Jean Parker (Pamela Anderson), essa mulher que fez parte do imaginário platónico de tantos rapazes e raparigas, enquanto mantinham as praias seguras para os turistas. A série fez nascer o filme Baywatch, lançado em 2017, realizado por Seth Gordon.

O tema motivacional serve como mote para Baywatch, I'm Always Here co-escrito por Jimi Jamison, Joe Henry, Cory Lerios e John D'Andrea, mistura a batida sintética com teclas e guitarra eléctrica - todo este conjunto subentende um enredo primário - começa com um ambiente bem-humorado para acabar a solucionar um problema ocorrido muitas vezes em alto mar. Com a frase "Não vou perder-te de vista", esta é uma canção apropriada para uma série de TV sobre salva-vidas. Uma versão instrumental foi usada como tema de encerramento das temporadas 6 a 9 e uma versão instrumental diferente foi usada como tema para a temporada 10 (a primeira temporada de Baywatch: Hawaii). Existem mais versões do tema, serve de exemplo a da banda electrónica Sunblock que lançou um remix em 2006, atingindo o 12º lugar das tabelas. Na minha opinião uma versão muito parola que apela à fuga a sete pés, na possibilidade de se estar numa emissão festa de praia The Grind (MTV)

Saved by the Bell

Tema de Saved by the Bell (Já Tocou) criado por Scott Gale e interpretado por Michael Damien; série criada por Sam Bobrick (1989)

Fomos há pouco tempo notificados que faleceu Dustin Diamond (Samuel 'Screech' Powers), actor da série Saved by the Bell, e que tinha como um dos últimos desejos conhecer Justin Chancellor, baixista de Tool, pois andaria, na última fase da sua vida, aprender a tocar temas da banda. Saved by the Bell era emitida no final da tarde e como eu gostava desta série que conta com 4 temporadas. Transmitida na TVI, entre 1993 e 1996, a série acontece na escola secundária Bayside e reúne um grupo de adolescentes a cometer peripécias próprias da idade.


O tema do genérico de Saved by the Bell foi composto por Scott Gale e interpretado por Michael Damien, a versão para a série é mais curta que a versão original, devido a restrições de tempo - um belo rock com swing catchy

O elenco apresenta estereótipos comuns familiares das séries norte-americanas da altura. Este spin-off de Good Morning, Miss Bliss foi tão bem sucedido, que acabou por gerar mais dois Saved by the Bell: The College Years e Saved by the Bell: The New Class, como também dois telefilmes Saved by the Bell: Hawaiian Style e Saved by the Bell: Wedding in Las Vegas. Zachary 'Zack' Morris (Mark-Paul Gosselaar) era o miúdo com sorriso traquina com que todas as meninas da altura imaginavam para namorado do liceu e as covinhas de Albert Clifford 'A.C.' Slater (Mario Lopez)? Bons velhos tempos... Quem curtir reimagining's aqui tem, não é um reboot, é baseada na série original.


MacGyver

Tema para a série MacGyver composto por Randy Edelman, série criada por Lee David Zlotoff (1985)

Chamem o MacGyver que ele resolve qualquer problema que parece não ter solução. MacGyver era uma espécie de caixa de socorros para quebrar o galho nos momentos de (sério) enrasque. Fios, navalhas, isqueiros, you name it!, MacGyver com quase nada era o milagreiro. Ao Domingo à tarde, mal ouvíssemos aquele tema tão clássico, era como um despertador para anunciar que começava a série de acção e cujo enredo terminaria sempre com final feliz resolvido pelo protagonista. Randy Edelman é o cérebro por detrás do tema que se suporta em sintetizadores (remete um pouco para Carpenter o efeito inicial, e, sem dúvida, para a Final Countdown dos Europe) e teclas, um lugar comum (composicional) daquela década que inspira ao sentimento de que tudo no final resolve-se. Segundo as pesquisas, o tema foi composto com um teclado Yamaha MOXF8, um canivete suíço, fita adesiva e pastilha elástica.

Foi feito um reboot de MacGyver, mas, como se seria de esperar, o tema tornou-se intocável para os produtores pelo valor datado que tem. Junto com as sequências dos títulos de abertura, os programas de TV podem formar uma memória na mente das pessoas que sempre associarão a esse programa específico, mesmo que não o assistam regularmente.

 

O nome Randy Edelman é sonante na indústria do cinema, o músico, produtor e compositor iniciou a sua carreira como membro das orquestras da Broadway, mas não tardou a compor os seus próprios álbuns. O seu trabalho também inclui-se em filmes de comédia e acção. O músico já foi premiado muitas vezes.

Angus Macgyver (Richard Dean Anderson) protagoniza a série de acção/aventura criada por Lee David Zlotoff. A série segue as aventuras de MacGyver, um agente secreto armado, com notável desenvoltura científica para resolver quase todos os problemas usando materiais vulgares à mão. Esta série teve uma legião de seguidores, sendo que, muito provavelmente, alguns tentaram imitar o talento deste senhor com um corte de cabelo muito peculiar, mas como já diz o alerta: Don't try this at home!

Beverly Hills 20210

Tema para Beverly Hills 90210 criado por John Davis e John E., série criada por Darren Starr (1990)

Há quem diga que quem viveu a adolescência nesta época, nunca recuperou muito bem da síndrome Peter Pan; talvez aconteça com todas as gerações sentir nostalgia, no entanto, a cultura popular e tudo o que a mesma engloba: as cores garridas, acessórios, TV, música tão marcada por efeitos; toda a magia dos 80 e 90 representa uma época nunca antes vista. São oito os que aparecem no genérico de Beverly Hills 20210 e representam os padrões presentes na sociedade adolescente. Esta série foi acompanhada por todos os que na fase da puberdade começavam a questionar-se sobre as questões sociais: sexo, violação, homofobia, alcoolismo, abuso de drogas, violência doméstica, HIV, distúrbios alimentares, anti-semitismo, direitos dos animais, racismo, suicídio, gravidez na adolescência, além de se debruçar também nas relações românticas e de amizade. O programa é creditado com a criação ou popularização do género drama adolescente, fórmula de sucesso e que inspirou outras séries posteriores.

Criada por Darren Starr, a febre Beverly Hills 90210 tornou-se um fenómeno da cultura pop, influenciou tanto a moda como os protagonistas tornaram-se ídolos para alguns adolescentes, e recordam os Bollycao que vinham com autocolantes? A premissa inicial partiu da história dos irmãos gémeos Brandon (Jason Priestley) e Brenda (Shannen Doherty) que mudaram-se de Minneapolis para Beverly Hills, o lugar do sol, das palmeiras e mansões luxuosas.


O tema do genérico foi composto por John Davis e John E. e interpretado por John Davis. Tal como os jovens rebeldes, a canção tem como estrutura guitarras eléctricas com feedbacks género rock 'n roll. Consta que os produtores executivos da Fox odiaram o primeiro tema apresentado para o genérico, por isso telefonaram para John Davis a ver se o mesmo podia compor algum tema. Sem dormir, Davis começou a produzir uma melodia que reflectia a combinação marcante da série que seria contemporânea e saudável. Segundo Davis, “O tema precisava ser contemporâneo, mas também ter alguma aparência de coração, então tentei usar os dois elementos. Há duas sensações - primeiro o rock and roll e, no final, fica um pouco mais doce, foi a minha homenagem aos valores familiares da série”. O tema no fundo é um mix de guitarra, saxofone, sintetizador e piano. O compositor apresentou a faixa aos executivos na manhã seguinte, que “adoraram”. Foi feito um revival Beverly Hills, mas foi cancelado pela Fox.

(Continua...)

Texto Priscilla Fontoura