Género: a lternativo, pop-indie, indie, electrónico Álbum: Wallace Data de lançamento: 4 de Outubro, 2019 Editora: A bismmo https://open.s...

Género: alternativo, pop-indie, indie, electrónico
Álbum: Wallace
Data de lançamento: 4 de Outubro, 2019
Editora: Abismmo

https://open.spotify.com/album/11Z6CwwIZfBziNoPOHuivt?replay=1


                Imagem por Isabela Yu

Persiste uma ligação indelével entre músico e ouvinte quando se cria arte que é intimista e introspectiva. As reflexões, memórias e experiências passadas do músico criam um campo fértil de simbologia e significados onde o ouvinte pode também avivar as suas memórias. São experiências e emoções diferentes, mas que encontram vários traços em comum. A música encontra a sua significação no e através do ouvinte. 

São várias as memórias, dolorosas ou felizes que nos incentivam a criar e a expressar as emoções que outrora poderiam estar recalcadas. A música como linguagem alternativa da alma apresenta-se na sua imaterialidade, numa estrutura mais coesa e maciça que qualquer objecto visível. 

Buscamos arte que, apesar da sua genuinidade, consiga traduzir o que sentimos e/ou pensamos. E é assim que o músico, na sua sensibilidade e olhar diferente sobre o mundo, cria essa ligação inabalável que une continentes distantes. 

Do Brasil para Portugal chega-nos Paes, um músico originário do Recife, no Brasil. Vive actualmente em São Paulo e lançou o seu mais recente EP – Wallace – através da editora Abismmo. O EP foi gravado durante uma residência artística que o músico realizou com Benke Ferraz (Boogarins) no Glândula Lab em Gravatá (Pernambuco). Paes colaborou também com outros músicos como Mombojó e José Duarte

O EP é composto por 7 temas que gravitam tematicamente sobre a capacidade de reconstrução emocional e as metamorfoses pelas quais todos passamos durante a nossa existência. Essa capacidade que nos garante que nada é totalmente linear ou estacionário, que não vivemos na estagnação e que tudo sofre uma transformação, mesmo que essa não nos seja visível imediatamente. 

Wallace, nome adoptado por ser o alter-ego do músico, é “uma viagem lisérgica e melancólica, mas rosa, azul, mergulhada em lembranças de infância, questionamentos sem fim, e um coração, por vezes, apaixonado.”, como resume o texto de apresentação do álbum. 

O álbum é o seu sexto lançamento em doze anos de carreira e apresenta-se como um trabalho melódico, experimental e exploratório. É também delicado porque aborda temas como as ansiedades do mundo contemporâneo e a solidão que advém ironicamente do excesso de informação e comunicação dos nossos tempos, no entanto, não se deixa ficar pela desesperança ou morbidez existencial porque através dos seus sons cristalinos e psicadélicos, existe uma forma de resistência audaz e optimista. 

Paes metamorfoseia-se em Wallace e mostra-nos que há tempo para criar, respirar e viver, apesar do ritmo frenético que a sociedade constantemente nos impõe. Neste cenário fértil de ligação com o ouvinte, Wallace é música feita por e para os nossos tempos modernos. 

O álbum conta também com um mini-documentário de 10 minutos realizado por Victor Giovanni, filmado durante a gravação do disco na residência artística. 

- TRANSLATION - 

Genre: alternative, pop-indie, indie, electronic
Record: Wallace
Release: 4 de Outubro, 2019
Label: Abismmo

https://open.spotify.com/album/11Z6CwwIZfBziNoPOHuivt?replay=1


                                                 Wallace, drawing by Wallace, Art by Marcela Dias, graphic design by Diana Lins 

An indelible connection persists between musician and listener when there is the creation of art that is intimate and introspective. The reflexions, memories and past experiences of the musician can create a fertile ground of symbols and meanings where the listener can recall their own personal memories. The memories and emotions are different but they have some things in common. Music finds its meaning on and through the listener. 

There are several memories, painful or cheerful that make us create and express our emotions that might otherwise be locked away. Music as an alternative language for the soul that presents itself in its immateriality but more cohesive and massive than any other visible object. 

We seek art that despite its genuine qualities can translate what we think and/or feel. And that is how the musician in its sensitivity and different outlook on the world, creates that strong bond that unites different continents. 

From Brazil to Portugal comes Paes, a musician from Recife, in Brazil, that lives in São Paulo and has released his most recent EP – Wallace – through the record label Abismmo. The EP was recorded during an artistic residency that the musician made with Benke Ferraz (Boogarins) at Glândula Lab in Gravatá (Pernambuco). Paes also played with other musicians like Mombojó and José Duarte

The EP has 7 themes that gravitate towards the capacity of personal reconstruction and the metamorphoses that we suffer along our existence. That capacity that ensures us that nothing is one hundred percent linear or stationary, that we don’t live in stagnation and everything changes, even if those changes are not immediately visible. 

Wallace, name adopted as an alter-ego for the musician is described on the text of the record’s release as “a lysergic and melancholic trip, that is pink, blue, dipped in childhood memories, unending questions and a heart, that is in love, sometimes”. 

The album is the musician’s sixth release in twelve years of career and presents itself as a melodic work but also experimental and exploratory. It is also delicate because it approaches themes like the anxieties of our contemporary world and the solitude and isolation that ironically comes from the excess of information and communication in our day. However, it does not stick to hopelessness or existential morbidity because through its crystalline and psychedelic sounds there is an audacious and optimistic form of resistance. 

Paes metamorphoses in Wallace and shows us there are times to create, breathe and live despite the frenetic rhythms that our society imposes upon us. In this fertile ground of connection with the listener, Wallace is music made by and for our modern times. 

The album is accompanied by a 10 minutes short-documentary directed by Victor Giovanni, filmed during the recording of the album on the artistic residency. 

Texto: Cláudia Zafre 

Explorar e quebrar barreiras de género parece um desafio imenso, mas há bandas e projectos que o fazem com uma facilidade natural. ...


Explorar e quebrar barreiras de género parece um desafio imenso, mas há bandas e projectos que o fazem com uma facilidade natural.

Housewives é um quinteto londrino que começou a editar em 2013 e que já lançou 3 LP’S, sendo o mais recente, Twilight Splendour, uma reunião de 8 temas que compõe cenários de distopia sónica com a deconstrução constante de um post-punk fortemente sustentado por electrónicas dilacerantes. 

A banda composta por amigos de infância originários de Gloucestershire foca-se no presente e pisca o olho ao futuro, fazem música para e dos nossos tempos numa tentativa de criar uma arte imediata e cerebral que reflecte as ansiedades, angústias, mas também as esperanças e euforias de uma vida na contemporaneidade. 

Numa entrevista ao site The Quietus, Joseph Rafferty elabora sobre a dualidade que existe entre a nossa persona online nas redes sociais ou outros locais na internet e a nossa persona real, aquela que personifica e lida com o nosso quotidiano. Essa dualidade é algo que acha bastante interessante e que permeia ideias e emoções.

"Bem, é apenas uma relação, não é? Representas-te de uma determinada maneira na vida real e de outra maneira diferente através do teu Eu online. Não estou a dizer necessariamente que uma maneira é pior do que a outra, apenas a dizer que as pessoas agem de maneiras diferentes. Estamos perante uma espécie de dualidade - dualidade em nós, nos outros, nas ideias e emoções. Há uma justaposição constante" - afirma Rafferty 

É essa justaposição constante que faz a estética sonora de Housewives uma banda-sonora para os nossos tempos modernos, uma relação simbiótica entre o mundo digital e o orgânico que se revela também nas suas estéticas visuais, seja através dos telediscos ou das fotos que os colocam em situações do quotidiano, camuflados e discretos num mundo em constante metamorfose. 

Perguntámos a Joseph Rafferty (voz, guitarra, saxofone), David Moran (guitarra, teclas), Sasha Evans (baixo, bateria), Lawrence Dodd (bateria, voz) e Ben Vince (saxofone) as suas escolhas para 5 livros, 5 discos, 5 filmes/séries e aqui ficam:

Livros:
- 100 Years of Solitude, Gabriel Garcia Marquez
- The Brothers Karamazov, Fyodor Dostoevsky
- Amerika, Franz Kafka
- The Three Stigmata of Palmer Eldritch, Philip K Dick
- Capitalist Realism, Mark Fisher

Discos:
- &&&&&, Arca
- Public Strain, Women
- The Life of Pablo, Kanye West
- The Getty Address, Dirty Projectors
- Oil of Every Pearls Un-Insides, SOPHIE

Filmes / Séries:
- The Square, Ruben Östlund
- The Armando Ianucci Shows, Armando Ianucci
- Stalker, Andrei Tarkovsky
- Enter The Void, Gasper Noé
- Synecdoche New York, Charlie Kaufman

- TRANSLATION - 

Twilight Splendour, capa por Joseph Rafferty

Exploring and breaking genre barriers seems to be a giant task, but there are bands and projects that do it with a seemingly natural ease. 

Housewives is a quintet from London that started to release records in 2013 and have 3 LP’S so far, being that the most recent one, Twilight Splendour, gathers 8 themes that construct scenarios of sonic dystopia with the deconstruction of a kind of post-punk that is strongly supported by lacerating electronics. 

The band composed by childhood friends from Gloucestershire focuses on the present and flirts with the future, making music for and from our times to create an immediate and cerebral kind of art that reflects the anxieties, anguishes but also the hopes and euphoria of a modern life. 

In an interview with the website The Quietus, Joseph Rafferty talks about the duality that exists in our online persona on social media or other places on the internet and our real persona, the one that deals with everyday life. That duality is something that he finds interesting and that permeates ideas and emotions. 

“Well, it’s just a relationship isn’t it? You represent yourself in a certain way in real life, and you did it another way through your online ‘self’. I’m not necessarily saying one is worse than another, it’s just that people act differently on both. We’re kind of looking at a duality - duality in ourselves, other people, ideas, emotions. There’s constantly a juxtaposition.” says Rafferty.

It is this constant juxtaposition that makes the sound aesthetics of Housewives an adequate soundtrack for our modern times, a symbiotic relationship between the digital and the organic worlds that also reveals itself on the visual aesthetics, through the videoclips or the photos of the band that put them in daily life situations, in camouflage and discreet in a world in constant metamorphose. 

We asked Joseph Rafferty (voice, guitar, saxophone), David Moran (guitar, keyboards), Sasha Evans (bass, drums), Lawrence Dodd (drums, voice) and Ben Vince (saxophone) their preferences for 5 books, 5 records, 5 films/TV shows and here they are:

Books:
- 100 Years of Solitude, Gabriel Garcia Marquez
- The Brothers Karamazov, Fyodor Dostoevsky
- Amerika, Franz Kafka
- The Three Stigmata of Palmer Eldritch, Philip K Dick
- Capitalist Realism, Mark Fisher

Records:
- &&&&&, Arca
- Public Strain, Women
- The Life of Pablo, Kanye West
- The Getty Address, Dirty Projectors
- Oil of Every Pearls Un-Insides, SOPHIE

Films / TV Shows:
- The Square, Ruben Östlund
- The Armando Ianucci Shows, Armando Ianucci
- Stalker, Andrei Tarkovsky
- Enter The Void, Gasper Noé
- Synecdoche New York, Charlie Kaufman

São os dois actores norte-americanos e uma das coisas que mais gostam de fazer é meter o público a rir. Edward Paul "Ed" Helms ...

São os dois actores norte-americanos e uma das coisas que mais gostam de fazer é meter o público a rir. Edward Paul "Ed" Helms é correspondente no The Daily Show de John Stewart e, além da sua participação noutros filmes, é Andrew Bernard na série The Office, versão norte-americana. Nathaniel Faxon é actor, humorista e argumentista. Em 2012 venceu o óscar na categoria de melhor guião adaptado para o filme The Descendants. O guião foi escrito em co-colaboração com Alexander Payne e Jim RashEd Helms e Nat Faxon poderiam ser irmãos mas não são, no entanto, partilham algo em comum, tirar gargalhadas a quem lhes acha graça.

PUZZLE: ED HELMS e NAT FAXON

Ideia, texto e montagem: Priscilla Fontoura
Puzzle: Cláudia Zafre

Género:   lo-fi, alternative, psychedelic, garage, pop  Álbum: Is it an Easy life? Data de lançamento:  27 de Setembro, 2019 Editora:  L...

Género: lo-fi, alternative, psychedelic, garage, pop 
Álbum: Is it an Easy life?
Data de lançamento: 27 de Setembro, 2019
Editora: LP lançado por  Montagne Sacrée Records, We Don't Make It Records e Pop Club; Cassette lançada por Tortellini Records, Fart Food Records
https://leopardoshallo.bandcamp.com/album/is-it-an-easy-life

Imagem por: Juliette Henrioud 

Leopardo chega-nos da Suíça e com membros de duas cidades, Fribourg e Lugano. Lugano é talvez mais conhecida por ser a cidade onde Herman Hesse viveu bastantes anos. 

Leopardo começou como um projecto a solo de Romain Savary com um registo extremamente lo-fi e introspectivo e que deu origem ao disco de estreia, Di Caprio, cuja temática lírica e composicional consistia em canções de amor dedicadas a uma rapariga. 

Sonoramente, Di Caprio percorre os caminhos de um indie extremamente lo-fi que se torna identitário por basear-se muito em nuances psicadélicas dos anos 60. São compósitos sonoros e vinhetas de um amor adolescente ou jovem adulto, as memórias de um certo passeio, as primeiras palavras, gestos ou olhares que foram trocados. 

Di Caprio expandiu a consciência musical de Leopardo e o projecto de um só-homem tornou-se uma banda com a junção de mais três músicos, Giuliano Iannarella, Noah Sartori e Blaise Yerly. A banda já fez digressões pela Suíça com as bandas Thee Oh Sees, Tess Parks e Acid Baby Jesus, assim como já pisou palcos em França, Bélgica, Itália e Alemanha. 

Is it an easy life?, o Segundo disco de Leopardo foi misturado e gravado directamente para cassete, o que lhe dá um som retro e genuíno, ajudando a criar uma certa aura pop de anos 60. A banda reúne influências várias que vão de Syd Barrett a Velvet Underground

As líricas estendem-se sobre acordes de inspiração punk num registo lo-fi e garage, expressando sentimentos vários, desde os mais soalheiros e amorosos como em Holiday of Love, até aos mais melancólicos como Alone on Earth e Fear

O disco encerra com o misterioso e imprevisível, Chinese Army que se espraia em solos despojados de guitarra, uma qualidade que acompanha também alguns dos outros temas. 

Neste segundo disco, persiste uma qualidade de introspecção e intimismo que Leopardo alcançar já com o disco de estreia e que se estende em 9 temas de lo-fi punk que se aproximam emocionalmente do ouvinte.

- TRANSLATION - 

Is it an easy life? Capa por Virginie Jemmely 

Leopardo comes from Switzerland with musicians from two cities, Fribourg and Lugano. Lugano is perhaps most known for being the city in which Herman Hesse lived for several years.

The band started as a solo project by Romain Savary with an extremely lo-fi and introspective kind of sound that generated its debut album, Di Caprio, whose main theme were love songs dedicated to a girl.

Di Caprio manages to create a sound of lo-fi indie that becomes unique by its psychedelic nuances that reminds us of the sixties. The record has little vignettes of an adolescent or young adult love, the memories of a certain walk, the first words, gestures or looks that were exchanged.

Di Caprio expanded the musical consciousness of Leopardo, a one-man project became a band with three more musicians joining in, Giuliano Iannarella, Noah Sartori and Blaise Yerly. The band toured Switzerland with bands such as Thee Oh Sees, Tess Parks and Acid Baby Jesus, and has also played through France, Belgium, Italy and Germany.

Is it an easy life?, Leopardo’s second album was mixed and recorded directly into tape, which gives a genuine and retro sound, helping to create a certain atmosphere reminiscent from the 60’s. The band gathers influences that range from Syd Barrett to Velvet Underground.

The lyrics spread over punk inspired chords in a lo-fi and garage kind of sound, expressing several emotions, from the sunnier and loving in Holiday of Love, to the more melancholic as in Alone on Earth and Fear.

The album closes with the theme, Chinese Army, that is mysterious and unpredictable, spreading itself on loose guitar solos, a quality that is present on other themes as well.

In this album, there persist a quality of introspection and intimacy that Leopardo had already reached in the debut album, and it endures through 9 songs of lo-fi punk that stay close to the listener on an emotional level.


O universo musical está em constante expansão. Novas ideias, abordagens e técnicas fazem com que a música nunca seja uma arte estacionária...

O universo musical está em constante expansão. Novas ideias, abordagens e técnicas fazem com que a música nunca seja uma arte estacionária ou linear. 

Handwrist é o projecto musical do compositor Rui Botelho Rodrigues, um multi-instrumentista com uma capacidade para composições eclécticas com bastante conteúdo temático.
Este ano de 2019 já lançou quatro discos de originais com uma forte componente jazz, mas que também aflora outros caminhos, como o psicadélico, o progressivo, alternativo e até música clássica. 
O compositor multi-facetado une a sua espiritualidade à música que faz, tornando-a complexa, abrangente e aventureira. 

(imagem cedida pelo músico)

- Além de seres um músico produtivo, tens uma discografia imensa que se destaca primordialmente por conter temas que achas interessante e te causam fascínio. O teu mais recente disco, THE GOLDEN SWAN - editado este ano -, reflecte o teu interesse por civilizações e povos ancestrais, podes falar um pouco mais desse tema e o que mais te fascina nesse passado?
RBR: Desde pequeno que tenho interesse em civilizações e culturas ancestrais e todas as disciplinas que as estudam. O que me fascina é poder compreender o presente e o futuro, e penso ser impossível fazê-lo sem compreender e conhecer o passado. Sem sabermos de onde viemos, não sabemos quem somos, nem para onde vamos.

"Um dos 'temas' ou melodias principais do álbum, que vai aparecendo aqui e ali transfigurado de uma forma ou outra, foi composto quando tinha 17 anos, e já teve várias versões, originalmente chamava-se 'At the Gloomy Carnival' e não tinha nada a ver com o país Basco, mas antes com uma sensação que sempre tive desde miúdo de que feiras populares têm algo de filme de terror, no sentido sobrenatural."


- Seguindo a lógica da tua visão, a de querer ter tido a vontade de trabalhar com vozes cantadas em basco, que tipo de intenção gostarias de ter passado se tivesses tido a oportunidade, a de recuperar uma memória que nos aviva um passado capaz de nos levar às origens das línguas europeias? 
RBR: Recentemente li algumas coisas sobre os Bascos e descobri que são o único povo moderno na Eurásia cuja língua e cultura resistiram à influência indo-europeia (da qual todas as outras línguas europeias, do Médio Oriente e da Índia descendem). Achei isso bastante interessante e que poderia ser uma janela para um mundo extinto, e por isso decidi que a história do álbum seria passada no país Basco, em quatro fases de civilização. Penso que cada língua tem a sua própria música, mesmo entre línguas com a mesma origem, por exemplo, o Português e o Espanhol apesar de muito próximos, expressam formas de ser e sentir diferentes. Obviamente sabia que não conseguiria concretizá-lo, mas achei que seria útil que se compreendesse a intenção pelo menos, dado que a história que escrevi se passava lá (mas acabei por não publicar com o álbum, ao contrário do que fiz com álbuns passados). A história começa no período da invasão Romana, e acaba com o domínio final dos mesmos sobre a região.

- Em THE GOLDEN SWAN há quatro movimentos do que idealizaste como uma só peça. O que daí resulta é homogéneo e harmonioso por ser bastante fluído. Como decorreu o processo de composição? E como se quebram e unem essas partes, como se distinguem e unificam?
RBR: É difícil descrever o processo porque é muito intuitivo, muitas vezes nem eu sei racionalizar que sons saem de onde ou vão para onde. Um dos "temas" ou melodias principais do álbum, que vai aparecendo aqui e ali transfigurado de uma forma ou outra, foi composto quando tinha 17 anos, e já teve várias versões, originalmente chamava-se "At the Gloomy Carnival" e não tinha nada a ver com o país Basco, mas antes com uma sensação que sempre tive desde miúdo de que feiras populares têm algo de filme de terror, no sentido sobrenatural. Outros temas fui compondo durante os três anos em que não lancei nada. A parte mais trabalhosa é mesmo misturar estas ideias todas num todo coerente, mas é difícil descrever como se faz a não ser que dê muito trabalho e que se passe muitas horas a tentar coisas e a deitá-las para o lixo antes de ter algo digno de lançar.

"A primeira banda que me influenciou a sério e me levou a pegar na guitarra e aprender as músicas foram os Alice in Chains, aos 12. Depois disso, aos 17, quando comecei a expandir as minhas audições para além do rock, descobri Frank Zappa, que me abriu os horizontes em todas as direcções musicais possíveis e mudou para sempre a minha vida, embora hoje já não o ouça muitas vezes."


(imagem cedida pelo músico)

- O teu eclectismo musical e capacidade para fundir vários géneros musicais resultam numa obra interessante e diversa, quais as tuas principais influências no inicio do teu percurso enquanto compositor?
RBR: A primeira música que me lembro de me tocar de forma profunda foi uma versão editada da Tocatta e Fuga em Ré Menor do Bach, que dava no genérico de uns desenhos animados de uma série educativa chamada "Era uma vez o Homem" que tinha em cassetes e que falava sobre a história humana. Adorava a série e a música, em especial os primeiros episódios sobre história antiga, e adorava o genérico e a música do Bach. Tinha uma colecção de Cds de música clássica que o meu pai me deu que rodava algumas vezes, mas particularmente estas duas faixas do Bach. Devia ter uns 6 ou 7 anos. Depois disso, a primeira banda que me influenciou a sério e me levou a pegar na guitarra e aprender as músicas foram os Alice in Chains, aos 12. Depois disso, aos 17, quando comecei a expandir as minhas audições para além do rock, descobri Frank Zappa, que me abriu os horizontes em todas as direcções musicais possíveis e mudou para sempre a minha vida, embora hoje já não o ouça muitas vezes.

"Uma das coisas que gosto na música é que é necessariamente abstracta."


- Este ano já compuseste e editaste 4 discos. Tribulation, Pilgrimage, Paranoia Hotel e mais recentemente, The Golden Swan. Todos os discos reflectem temas independentes, mas existe algum fio condutor indelével entre os discos que consigas apontar?
RBR: Uma influência que o Zappa teve em mim foi aquilo que ele chamava de "conceptual continuity" e tento espelhar isso na minha música, reinventado temas, transfigurando-os, etc. Em termos de temas no sentido não-musical, Tribulation e Paranoia Hotel estão mais em linha numa espécie de crítica do mundo moderno (uma linha que já tinha começado com Metropolis). Pilgrimage é mais uma meditação bucólica. O único fio condutor realmente é a minha disposição pessoal, que tende a ser negativa quanto ao mundo ultra-tecnológico, as grandes cidades, a alienação resultante e por aí fora – sendo que mais ou menos metade dos álbuns criticam esse mundo e a outra metade celebra o mundo alternativo da ligação à natureza e ao Divino.



"Eu tive contas no facebook e twitter, mas o contacto extra que tinha com os fãs não justificava os negativos. Acho que toda a gente faria bem em sair das redes anti-sociais. São um feedback loop de narcisismo, histeria e ódio em que ninguém se entende e só servem para grandes corporações venderem coisas de forma mais eficiente. Escolho não participar e encorajo sempre que posso outros a não participar também. Se perdi alguns ouvintes por isso, acho que é um preço pequeno a pagar."


- Paranoia Hotel tem como tema o vazio existencial que advém da obsessão pelo materialismo que predomina na sociedade actual. Achas que é o dever de alguma arte, em particular a música, alertar para os riscos e perigos de uma sociedade excessivamente narcisista e materialista? 
RBR: Acho pelo menos que é o meu dever não perder a oportunidade de encaminhar o ouvinte para as ideias que me animam o espírito e que me guiam na vida. Não sei se a arte tem esse dever ou não. Eu sinto que tenho esse dever. Mas sei que a arte pode e deve ser muitas vezes um escape, não um confronto, com o mal que há no mundo. Por isso, 50/50 talvez. Por outro lado, não tenho qualquer problema se os ouvintes preferirem simplesmente ouvir os sons sem tirar nenhuma conclusão. Uma das coisas que gosto na música é que é necessariamente abstracta.

- A tua relação com as redes sociais não é muito "directa", não achas que hoje em dia, para um músico poder divulgar o seu trabalho, é necessário estar ligado às mesmas?
RBR: Eu tive contas no facebook e twitter, mas o contacto extra que tinha com os fãs não justificava os negativos. Acho que toda a gente faria bem em sair das redes anti-sociais. São um feedback loop de narcisismo, histeria e ódio em que ninguém se entende e só servem para grandes corporações venderem coisas de forma mais eficiente. Escolho não participar e encorajo sempre que posso outros a não participar também. Se perdi alguns ouvintes por isso, acho que é um preço pequeno a pagar. Mas acho que nem isso. Se olhar para as estatísticas do bandcamp vejo que tenho mais ouvintes agora do que quando tinha contas em redes sociais. Mas percebo no entanto que para uma banda que dê concertos regulares, por exemplo, seja uma ferramenta difícil de rejeitar. Para mim, não faz grande diferença.

"A espiritualidade é a coisa mais importante na minha vida e desde o primeiro álbum que incorporo isso na minha música. Sei que não é comum neste meio e percebo que cause alguma estranheza, mas por outro lado é-me completamente natural e espero que possa causar alguma curiosidade sobre o assunto em quem nunca pensou sobre isso e tem ideias preconcebidas sobre a combinação entre espiritualidade e música."



- No teu trabalho sente-se uma miscelânea de influências e estados de espírito; humor, sentido de detalhe, de liberdade, de várias ideias num só tema, de profundidade e complexidade. Achas que o jazz é o género mais apropriado para exprimir todos esses estados?
RBR: Embora a minha música tenha influências de jazz, e explore harmonia que é muitas vezes associada ao jazz, eu não diria que o que faço é jazz. Tento encontrar um equilíbrio entre rock, jazz e música clássica. Penso que o jazz, entendido em moldes mais estritos do século XX, não consegue exprimir tudo. Mas também muitas coisas hoje categorizadas como jazz eu nunca diria que eram jazz. Fusão talvez. Mas o jazz verdadeiro, acústico, para mim morreu com Charles Mingus. O Zappa tinha uma piada com a qual concordo que diz: Jazz is not dead, it just smells funny. É esta sensação que tenho quando oiço a maioria do jazz moderno.

- Por um lado, os baixos orçamentos permitem trabalhar as ideias de uma forma menos rebuscada, por outro lado poder trabalhar com orçamentos mais altos permite uma liberdade passível de materializar toda a estética idealizada; o que mudarias no disco, caso tivesses a oportunidade de trabalhar com um apoio financeiro maior?
RBR: Contrataria músicos, salas de ensaios e de gravação. E provavelmente tirava uma licença no trabalho para ter tempo de os dirigir. A grande mudança seria nos sons, que seriam orgânicos, e com muitos instrumentos acústicos, uma espécie de grupo metade jazz metade clássico. Como nunca pude experimentar, não sei bem o que ia sair dali. Se calhar saía pior a emenda que o soneto. Talvez um dia possa vir a saber.


- Agradeces a todos os que apoiaram a construção do álbum, nomeadamente à tua esposa, e dedicas o álbum a vários monstros/mestres da música. São eles que te movem a fazer mais e melhor? Uma curiosidade pouco comum, pelo menos no nosso país, é observar um músico, com referências tão eclécticas que pertence ao espectro do jazz, agradecer a Deus. A espiritualidade é importante na tua vida?
RBR: Obviamente a minha mulher tem uma grande influência e dá-me todo o apoio necessário, sendo a moldura indispensável fazer o que faço. Este álbum em específico dediquei a músicos de língua francesa que me influenciaram muito ao longo dos anos, e que ouvi bastante enquanto fazia este álbum em particular. Mas não diria que eles me movem. Nunca tive problemas em me motivar. A única razão porque não lancei nada durante três anos foi porque tive outros projectos não-musicais em que estive envolvido, mas continuei a compor – daí a avalanche de álbuns este ano. O próximo álbum, que espero lançar ainda este ano também, será precisamente relacionado com a minha espiritualidade – e será sobre 40 mártires Cristãos na Arménia, em 320AD. A espiritualidade é a coisa mais importante na minha vida e desde o primeiro álbum que incorporo isso na minha música. Sei que não é comum neste meio e percebo que cause alguma estranheza, mas por outro lado é-me completamente natural e espero que possa causar alguma curiosidade sobre o assunto em quem nunca pensou sobre isso e tem ideias preconcebidas sobre a combinação entre espiritualidade e música.

Texto: Cláudia Zafre
Entrevista: Cláudia Zafre e Priscilla Fontoura
Entrevistado: Rui Botelho Rodrigues
Imagens: cedidas pelo músico
Links:

voz e bonecos | voice and hand-made cartoons: Emanuel R. Marques material: papel | paper vídeo | video: Priscilla Fontoura tradução | t...



voz e bonecos | voice and hand-made cartoons: Emanuel R. Marques
material: papel | paper
vídeo | video: Priscilla Fontoura
tradução | translation: Cláudia Zafre
som genérico | opening title soundtrack: Emanuel R. Marques, Priscilla Fontoura
música | music: Serge Gainsbourg, "La Javanaise" (1968)

© Acordes de Quinta


Género: r ock 'n' roll, glam rock, power pop, punk rock Álbum: Heartbreaker Data de lançamento: 4 de Maio, 2019 Editora: Brain Slas...

Género: rock 'n' roll, glam rock, power pop, punk rock
Álbum: Heartbreaker
Data de lançamento: 4 de Maio, 2019
Editora: Brain Slash Records
https://mysterygirl518.bandcamp.com/album/heartbreaker-ep


O rock ‘n’ roll, estilo que ajudou a revolucionar mentes e costumes, continua vivo e de excelente saúde, como nos prova a banda de Albany em Nova Iorque, Mystery Girl

Mystery Girl é formada por Gus Spataro (Guitarra e voz), Tom Race (Guitarra e voz), Dan Crampton (Bateria) e Eric Pressman (baixo). A banda começou em 2017 e o que os uniu foi um anúncio na Craigslist, quando Eric Pressman postou um anúncio a pedir músicos para começar uma banda com influências de The Zeros e The Spits. Foi nessa altura que Tom e Gus responderam e pouco depois começaram a tocar juntos, com Dan Crampton a juntar-se ao trio mais tarde. 

Além de Mystery Girl, os membros da banda estão envolvidos em mais bandas, tais como Wet Specimens e Möribund

Eric e Dan tocam baixo e bateria respectivamente em Wet Specimens. Uma banda que se reveste de uma energia punk muito pura e expansiva. O seu álbum de estreia, Haunted Flesh, conta com 5 temas de metragem curta, mas retumbantes. 

Möribund é uma banda de oi! Punk também com origem em Albany. Um punk directo e confrontacional ao jeito setentista britânico. 

A confluência das várias influências musicais dos seus elementos, fazem com que Mystery Girl soe retro mas adaptável aos tempos modernos, sem soar datada. Há influências de algum glam rock, power pop, punk que se suportam numa base de rock ‘n’ roll directo e despretensioso. 

A banda já lançou duas cassetes, I love Kissing e Bad vibrations, um split com a banda finlandesa Karkki and the Kar Keys e dois discos vinil, The Wild & Mean lançado pela Feral Kid Records e Heartbreaker pela Brain Slash Records.

Wild & Mean, capa por Colin Betor

Mystery Girl já tocou com The Dead Boys, Rotten UK, Radiation Risks, Patsy's Rats, Cinderblock, The Abyssmals, Sick Bags, The Missed, Big Huge e Southside Stranglers. Neste momento, estão em trabalho para gravar um LP que está previsto para 2020. 

                                                                   - TRANSLATION - 

Wild & Mean, artwork Colin Betor

Rock 'n' roll, the genre that helped to change minds and customs, is still alive and in excellent health and one proof is the band from Albany, NYC, Mystery Girl. 

Mystery Girl is formed by Gus Spataro (Guitar and vocals), Tom Race (Guitar and vocals), Dan Crampton (Drums) and Eric Pressman (Bass). The band started in 2017 and what started it was an ad on Craigslist, when Eric Pressman posted an ad seeking musicians to start a band with influences like The Zeros and The Spits. Tom and Gus answered the ad and the trio began playing together, being joined later by Dan Crampton

Besides Mystery Girl, the musicians are also involved in other bands, such as Wet Specimens and Möribund

Eric and Dan play drums and bass in Wet Specimens. A band that plays a very energetic and pure kind of punk. Their debut album, Haunted Flesh has 5 songs short in duration but pretty powerful. 

Möribund is a band of oi! punk that is also from Albany. It's a direct and confrontational kind of punk reminiscent of british punk from the 70's. 

The mix of several influences from the musicians, make Mystery Girl sound retro but in sync with the current times and does not sound dated. There are influences of some glam rock, power pop and punk that are supported by a base of straightforward rock 'n' roll. 

The band has released two cassettes, I love Kissing and Bad Vibrations, a slipt with the finnish band Karkki and the kar keys and two records on vynil, The Wild & Mean released by Feral Kid Records and Heartbreaker by Brain Slash Records

Mystery Girl has played in shows with The Dead Boys, Rotten UK, Radiation Risks, Patsy's Rats, Cinderblock, The Abyssmals, Sick Bags, The Missed, Big Huge and Southside Stranglers. At this present time, they are working on an LP that is set to be released in 2020. 

Texto: Cláudia Zafre

TOP BOY foi uma série criada por Ronan Bennett , produzida em UK pelo Channel 4 e que teve duas temporadas. A série focava-se num ...


TOP BOY foi uma série criada por Ronan Bennett, produzida em UK pelo Channel 4 e que teve duas temporadas. A série focava-se num grupo de traficantes de droga que actuava em Londres, na zona conhecida por Summerhouse. Os dois protagonistas, Dushane e Sully lideravam o seu gangue, tentando controlar os territórios de venda e os conflitos com gangues rivais. 

A Netflix decidiu recuperar a série TOP BOY, dando-lhe o nome TOP BOY: SUMMERHOUSE, para a diferenciar da série que produziu recentemente. 

A nova série é passada alguns anos depois de Dushane ter fugido para a Jamaica para acabar por regressar a Londres e voltar a liderar o gangue de Summerhouse. 


É muito intensa em termos de acção e enredo, havendo reviravoltas na narrativa que prendem o espectador, assim como a introdução de novas personagens, como Jaq, Jamie, Lizzie, entre outras. 

É um olhar bastante cru sobre a vida de rua em Londres, que ganha profundidade devido ao realismo e tridimensionalidade das personagens com os seus próprios conflitos e dramas interiores. 

A banda-sonora e a score são um dos elementos principais desta série britânica que pode agradar a fãs do THE WIRE

Playlist de músicas que constam da banda-sonora de Top Boy: https://open.spotify.com/playlist/0C3Yr2TLEQavn3gZ5DrO6M


Texto: Cláudia Zafre
Série: Top Boy
Imagens: Frames da série Top Boy (2011- )

                 Imagem de Kim Costa Nunes  Ao olharmos através de um caleidoscópio, somos agraciados por vários padrões de cores ex...

                Imagem de Kim Costa Nunes 

Ao olharmos através de um caleidoscópio, somos agraciados por vários padrões de cores exóticas e ao rodarmos o objecto obtemos uma multiplicidade de pontos de vistas perpetuamente mutáveis. São as cores e os reflexos coloridos de uma outra realidade que nos impelem para este objecto óptico. 

Há cores, formas e padrões que nos afastam do quotidiano que, por vezes, pode ser de tons cinza. Essas experiências sensitivas visuais são muitas vezes acompanhadas de memórias ou sons. A música pode, assim, como os caleidoscópios, ligar-nos a outras realidades, abrir a mentalidade a diferentes sonoridades e ambiências. A música pode ter cor, cheiro e sabor. Esses sentidos podem chegar-nos subconscientemente e “por baixo da pele”, mas impelem-nos a dançar, interiormente ou exteriormente. Supervão é uma banda cheia de multiplicidades, tanto a nível de sonoridade como de estéticas visuais. 

Supervão formou-se no ano de 2016 em São Leopoldo (Rio Grande do Sul) no Brasil. Editou dois Ep’s, Lua-Degradê e TMJNT, através de uma parceria entre Honey Bomb Records e Lezma Records (editora formada pelos membros da banda). 

Lua-Degradê, o primeiro EP da banda apresenta Supervão como uma banda ecléctica e com bastante identidade que não tem pejo em misturar indie psicadélico com ritmos brasileiros, beats e um som mais alternativo de post-punk. O lançamento e recepção ao EP fez com que a banda fosse convidada a pisar vários palcos no Rio de Janeiro e São Paulo. 

O EP que se lhe seguiu, TMNJT, apresenta ritmos mais dançáveis, sem perder a veia exploratória e aventureira que caracterizara Lua-Degradê. O EP foi recebido calorosamente, obtendo destaques na imprensa brasileira e eleito como o melhor disco de 2017 pela Popload

O seu último trabalho é o LP, Faz Party, que entrou nas plataformas de streaming a 26 de Julho. O disco foi financiado pela Natura Musical, através da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande Do Sul e lançado pela Honey Bomb Records

A Natura Musical é uma plataforma de iniciativa cultural que disponibiliza e apoia a produção musical, literária, arquivos digitais, entre outras formas de património cultural. A casa Natura Musical em São Paulo tornou-se um dos locais mais importantes para a difusão da cena musical moderna no Brasil.

Faz Party, Capa do disco por Clava 

Faz Party segue a sonoridade distinta de Supervão com a inclusão de alguns elementos e influências bastante variadas, desde o post-punk, música de influência árabe, reggae, ritmos de inspiração samba, aliados a beats e a um indie rock melódico cheio de texturas.

Cada tema conta uma história e transmite uma mensagem muito própria, o sentimento de insatisfação que permeia a vivência no mundo moderno, a festa e a dança, como actividades que geram positividade e o desemprego no Brasil contemporâneo, são alguns dos temas que se encontram no disco.

Pedimos os 5 livros, 5 discos, 5 filmes/séries a esta banda colorida e conscienciosa e aqui ficam as suas preferências:

Leonardo Serafini (guitarras e sintetizadores):
5 Livros:

- Macunaíma, Mário de Andrade
- A Queda do Céu, David Kopenawa
- A História do Jesus And Mary Chain, Zoe Howe
- Os Funerais do Coelho Branco, Nenê Altro
- O Idiota, Dostoievski

5 Discos:
- Sun, Cat Power
- The Stone Roses, The Stone Roses
- Jóia, Caetano Veloso
- Certa manha acordei de Sonhos Intranquilos, Otto
- Turn on the Bright Lights, Interpol


5 Filmes/Séries:
- Atlanta, Donald Glover
- Naruto, Masashi Kishimoto
- Stranger Things, Matt Duffer, Ross Duffer
- The Umbrella Academy, Jeremy Slater
- Mr Robot, Sam Esmail

Mário Arruda (voz, guitarra percussão, sintetizadores, beats e contrabaixo):
5 Livros:

- Há Mundo por vir?, Déborah de Danowski e Eduardo Viveiros de Castro
- Ficções, Jorge Luis Borges
- Existências Mínimas, David Lapoujade
- O Som e o Sentido, José Miguel Wisnik
- Poemas de Alberto Caeiro, Fernando Pessoa

5 Discos:
- Refavela, Gilberto Gil
- Ava Patrya Yndia Yracema, Ava Rocha
- O futuro não demora, Baiana System
- Whatever People Say I Am, That's What I'm Not, Arctic Monkeys
- MM3, Metá Metá

5 Filmes/Séries:
- Terra em Transe, Glauber Rocha
- Os Catadores e Eu, Agnès Varda
- Como era gostoso meu Francês, Nelson Pereira dos Santos
- Flores, Jorge Jácome
- Pirosmani, Giorgi Shengelaya

Ricardo Giacomoni (contrabaixo, guitarra e sintetizadores):
5 Livros:

- Crónica de uma Morte Anunciada, Gabriel Garcia Marquez
- Infância Berlinense, Walter Benjamin
- Ficções, Jorge Luis Borges
- A Paixão Segundo GH, Clarice Lispector
- Psicopatologia da Vida Quotidiana, Freud

5 Discos:
- Screamdelica, Primal Scream
- O Futuro Não Demora, BaianaSystem
- Força Bruta, Jorge Ben
- Survival, Bob marley
- Taurina, Anelis Assumpção

2 Filmes:
- Blade Runner, Riddley Scott
- The Holy Mountain, Alejandro Jodorowsk


- TRANSLATION -

Picture by Kim Costa Nunes 

When we look through a kaleidoscope we are graced by several patterns of exotic colors and when we twist that object, we get a multiplicity of points of view that are in permanent change. It’s the colors and reflections of another reality that impels us to this optical object.

There are colors, shapes and patterns that take us away from the daily life, that may be too gray sometimes. These visual sensitive experiences are accompanied most of the time by memories or sounds. Music can like kaleidoscopes, connect us to other realities and open our minds to different sounds and ambiances. Music can have color, smell and flavor. These senses can reach us through our subconscious and can get “under our skin” and they make us dance, sometimes even without moving. Supervão is a band filled with diversity, both in sound and image.

Supervão formed in 2016 in São Leopoldo (Rio Grande Do Sul) in Brazil. The band released two EP’s, Lua-Degradê and TMJNT, through a partnership between Honey Bomb Records and Lezma Records (a label created by the band).

Lua-Degradê, the first EP presents Supervão as an eclectic band with a strong identity that is not afraid to mix psychedelic tinged indie with Brazilian rhythms, beats and a more alternative sound reminiscent of post-punk.
Lua-Degradê, cover by Ana Paula Peroni 

The EP that followed, TMNJT, has more danceable rhythms without losing the exploratory and adventurous roots that had characterized Lua-Degradê. The EP was received very warmly, getting highlights in the Brazilian press and elected as the best record of 2017 by Popload.

Their latest record is the LP, Faz Party that became streamable since 26th of July. The record was financed by Natura Musical throught the Secretary of state of culture from Rio Grande do Sul and released through Honey Bomb Records.

Natura Musical is a cultural platform that supports music production, literature, digital archives and other forms of cultural patrimony. The house Natura Musical in São Paulo has become in recent years an important epicentre for the diffusion of modern music in Brazil.

Faz Party follows the distinct sound of Supervão with the inclusion of varied elements and influences. Post-punk, music with Arabic influences, reggae, rhythms inspired by samba allied to beats and an extremely melodic indie rock filled with textures.

Each theme tells us a story and transmits a message, from the feeling of dissatisfaction that permeates life in the modern world, to party and dance as activities that bring positive feelings as well as the situation of unemployment in modern Brazil. There are some of the themes that are in the record.

We asked this colorful and conscientious band about their preferences for 5 books, 5 records, 5 films/TV shows and here they are:

Leonardo Serafini (guitars and syths):
5 Books:

- Macunaíma, Mário de Andrade
- A Queda do Céu, David Kopenawa
- The Jesus and Mary Chain Story, Zoe Howe
- Os Funerais do Coelho Branco, Nenê Altro
- The Idiot, Dostoievski


5 Records:
- Sun, Cat Power
- The Stone Roses, The Stone Roses
- Jóia, Caetano Veloso
- Certa Manha Acordei de Sonhos Intranquilos, Otto
- Turn on the Bright Lights, Interpol

5 Films/TV shows:

- Atlanta, Donald Glover
- Naruto, Masashi Kishimoto
- Stranger Things, Matt Duffer, Ross Duffer
- The Umbrella Academy, Jeremy Slater
- Mr Robot, Sam Esmail

Mário Arruda (vocals, guitar, percussion, synths, beats and double-bass):
5 Books:

- Há Mundo por vir?, Déborah de Danowski e Eduardo Viveiros de Castro
- Fictions, Jorge Luis Borges
- Existências Mínimas, David Lapoujade
- O Som e o Sentido, José Miguel Wisnik
- Poemas de Alberto Caeiro, Fernando Pessoa

5 Records:
- Refavela, Gilberto Gil
- Ava Patrya Yndia Yracema, Ava Rocha
- O Futuro não demora, Baiana System
- Whatever People Say I Am, That's What I'm Not, Arctic Monkeys
- MM3, Metá Metá

5 Films/TV shows:
- Terra em Transe, Glauber Rocha
- The Gleaners & I, Agnès Varda
- Como era gostoso meu francês, Nelson Pereira dos Santos
- Flores, Jorge Jácome
- Pirosmani, Giorgi Shengelaya

Ricardo Giacomoni (double-bass, guitars and synths):
5 Books:

- Chronicle of a death foretold, Gabriel Garcia Marquez
- Berlin Childhood, Walter Benjamin
- Fictions, Jorge Luis Borges
- The Passion according to G.H, Clarice Lispector
- Psychopathology of Daily Life, Freud

5 Records:
- Screamdelica, Primal Scream
- O Futuro Não Demora, BaianaSystem
- Força Bruta, Jorge Ben
- Survival, Bob marley
- Taurina, Anelis Assumpção

2 Films:
- Blade Runner, Riddley Scott
- The Holy Mountain, Alejandro Jodorowsky

https://superva0.bandcamp.com/

Texto | Text: Cláudia Zafre
Escolhas | Choices: Supervão (Leonardo Serafini, Mário Arruda, Ricardo Giacomoni)