MONTAGEM e IDEIA:  PRISCILLA FONTOURA FRASE:  CLÁUDIA ZAFRE e PRISCILLA FONTOURA


MONTAGEM e IDEIA: PRISCILLA FONTOURA
FRASE: CLÁUDIA ZAFRE e PRISCILLA FONTOURA

Fórmula Sonora ... Comecei a mudar o meu set, O Julius também começou a definir as electrónicas que ia usar e depois devagarinho co...



Fórmula Sonora
...Comecei a mudar o meu set, O Julius também começou a definir as electrónicas que ia usar e depois devagarinho começámos a chegar ao som. 
- João Pais Filipe de Paisiel -

Sonic Formula
...I started changing my set, Julius started defining the electronics he wanted to use and then slowly we arrived at the sound we have now.
João Pais Filipe from Paisiel -

CREDITS | CRÉDITOS:
video maker | video editor: Priscilla Fontoura
sound capture | interview: André Vieira
translation | tradução: Cláudia Zafre
song | tema: "Cause yourself to rise, Gong", PAISIEL

CHURCH OF MISERY today ...In 2014 three members left the band, so I spent three years reforming this band, I am really happy to tou...



CHURCH OF MISERY today
...In 2014 three members left the band, so I spent three years reforming this band, I am really happy to tour again...
- Tatsu Mikami from Church of Misery -

CREDITS:
video maker | video editor: Priscilla Fontoura
sound capture | interview: André Vieira
song | tema: "El Padrino", Church of Misery

A primeira parte deste concerto coube a Alek Rein (Alexandre Rendeiro). Ao contrário do concerto anterior a que assisti, também aqui na...


A primeira parte deste concerto coube a Alek Rein (Alexandre Rendeiro). Ao contrário do concerto anterior a que assisti, também aqui na ZDB por altura do lançamento do seu disco “Mirror lane”, apresentou-se desta vez a solo numa versão unplugged. Apenas com a sua guitarra acústica, que toca de forma aprimorada, as canções perdem o seu tom mais psicadélico, mas ganham uma outra vida numa vertente mais folk e intimista onde, liberto da eletricidade instrumental, o universo imaginário das letras de Alek ganha um maior destaque. Durante cerca de 30 minutos foi essa transmissão duma sua visão muito pessoal do mundo que recebemos. Uma atuação sem falhas e onde me pareceu que se sente cada vez mais à vontade em palco. Para mim o destaque, a haver um, vai para The Magic Fiddle. Alek Rein é um musico que gostarei de ver sempre que tiver oportunidade.


Foi também sobre a intimidade que Katie Von Schleicher cantou durante um pouco menos de uma hora, tendo-se sempre mostrado muito simpática e comunicativa. Aqui e ao invés de Alek, nas suas reflexões pessoais o imaginário dá lugar à frustração, ao sentimento de desalento, à vontade de romper com o sombrio e sublimar as tristezas. Pela primeira vez em Portugal, Katie Von Schleicher (voz, guitarra e teclados) fez-se acompanhar por Adam Brisbin (guitarra) e Justin (bateria).


Ao vivo, a quietude das canções de tom sombrio, ganham um som mais “heavy”, mais elétrico, mais rock do que em disco. Alternando canções mais calmas com outras em que a explosão elétrica dominou, foi um concerto interessante, mas que não me causou o impacto que esperava em função do que tinha ouvido em registo discográfico. Ficou, no entanto, a vontade de voltar a assistir a um novo concerto. Com alguns momentos altos, o meu destaque vai para “Life’s a lie”.



TEXTO: JOSÉ MARQUES
IMAGEM e VÍDEOS: JOSÉ MARQUES
LOCAL: ZDB, Lisboa
DATA: 19 de Maio, 2018

FOTOGRAFIAS:   RUI MOTA PINTO LOCAL: Hardclub, Porto DATA: 19 de Maio, 2018


FOTOGRAFIAS: RUI MOTA PINTO
LOCAL: Hardclub, Porto
DATA: 19 de Maio, 2018

What kind of band is SUMA? ...We always allowed each member to do the things in life that has to be done, like raising a family for ...



What kind of band is SUMA?
...We always allowed each member to do the things in life that has to be done, like raising a family for example. I've been traveling a little bit, all these things slows down the speed of the process... We are still playing and we are still very much a band and that's the most important thing for us, that we always keep it and things will take the time that has to take basically...
- Erik from Suma -

CREDITS:
video maker | video editor: Priscilla Fontoura
sound capture | interview: André Vieira
song | tema: "Bait for Maggots", SUMA

O motivo das rendas estarem tão altas... CRIAÇÃO E AUTORIA:   EMANUEL R. MARQUES

O motivo das rendas estarem tão altas...

CRIAÇÃO E AUTORIA: EMANUEL R. MARQUES

7 - Experimental e Confessional Scout Niblett   nasceu em 1973 em Inglaterra e lançou seis discos de longa duração. O primeiro int...

7 - Experimental e Confessional


Scout Niblett nasceu em 1973 em Inglaterra e lançou seis discos de longa duração. O primeiro intitulado SWEET HEART FEVER saiu em 2001 e é composto por quatorze temas que têm em comum um certo cariz confessional. Os temas são essencialmente acústicos à excepção de alguns como Big Bad Man. É o disco que marca a estreia desta cantautora e que se reveste de temas algo melancólicos e por vezes soturnos, mas que contam com a voz peculiar de Scout Niblett. 

Passado sensivelmente dois anos, editou I AM em 2003. Existe uma maior participação da bateria que acompanha na perfeição a voz e a guitarra. É um disco bastante diferente do de estreia e que contou com a participação de Steve Albini. Os treze temas que compõe o disco revestem-se de um indie rock bastante puro e duro. Gravado de forma crua, mas que tira partido da voz e dos instrumentos. Há alguns pontos altos como em Fire Flies, Texas e Drummer Boy. É um disco de indie rock com alguns laivos experimentais que traça algumas diferenças de sonoridade em relação ao seu antecessor mas que continua a trilhar o caminho de originalidade de Scout Niblett. 

Em 2005 foi a vez de KIDNAPPED BY NEPTUNE que conta novamente com a participação de Steve Albini. A guitarra acústica é substituída pela eléctrica e os quinze temas do disco, essencialmente indie rock desdobram-se em instrumentais quase perto do grunge e algum garage rock. Não é um disco fácil de ouvir nem coroado de riffs catchy mas é um conjunto de músicas que reflectem um sentido musical mais apurado e de certa forma angsty. 


Foi outra vez num espaço de dois anos que lançou THIS FOOL CAN DIE NOW. Conta com dois duetos com Will Oldham e foi novamente produzido por Steve Albini. Em comparação com o seu antecessor, é um disco bastante mais acessível e que contém melodias folk delicadas e suaves que sublinham a voz de Scout Nibblet. Mas há momentos em que o rock volta a extravasar como no tema Let thine heart be warned. É de registar a letra divertida de Dinosaur Egg. 

THE CALCINATION OF SCOUT NIBBLET foi lançado em 2010 e perpetua o espírito melancólico e confessional dos discos anteriores. Acompanhada muitas vezes pela guitarra eléctrica, Scout Nibblet consegue transmitir uma certa dureza através de acordes reminiscentes de um grunge reduzido ao essencial, voz e guitarra eléctrica. 

O seu mais recente disco foi editado em 2013 intitulado IT’S UP TO EMMA. As letras são fortes e ultrapassam o cariz confessional, ofertando uma certa dose de angústia. O disco conta também com uma cover do hit single No Scrubs da banda TLC, recriando por completo a atmosfera da música. 

É uma cantautora que com guitarra acústica, eléctrica e o uso adequado da bateria conseguiu imprimir o seu selo próprio em géneros como indie rock, garage rock e grunge. 

8 – Elegância Folk


Sibylle Baier nasceu na Alemanha e foi nos anos 70 que gravou um punhado de canções que apenas foram editadas em 2006 depois do seu filho encontrar o registo e mostrar a um dos músicos dos Dinosaur Jr. que ajudou no processo de editar finalmente as canções. São quatorze temas de um folk bastante delicado e introspectivo que consegue recriar uma atmosfera quase onírica. A voz de Sibylle Baier está num registo perfeito, não sendo demasiado feminina ou masculina. É certamente única e bastante agradável. Sibylle Baier foi uma mulher apaixonada pela arte e suas diversas expressões, tendo-se dedicado à representação, literatura e pintura. Foram certamente as formas que escolheu para transmitir os seus pensamentos e emoções mais profundos. 

É pena, efectivamente que apenas haja este registo de longa-duração, pelo menos que tenha sido divulgado, não se sabe se gravou mais de si para si. São temas que registam o quotidiano, mas que transmutam certos acontecimentos aparentemente banais em autênticas jóias tanto a nível de composição como vocalização. 

É um disco que reage bastante bem ao tempo cronológico e que continua actual, tal é a sua magia confessional, delicada e extremamente autêntica. 

9 – Voz activa

Foto: Patti Perret

Ani Difranco nasceu em 1970 nos EUA e foi bastante cedo que se iniciou na música, gravando o seu primeiro disco homónimo e de estreia quando tinha apenas 19 anos. Criou também a editora RIGHTEOUS BABE RECORDS, mantendo-se afastada das editoras mainstream, editou os seus próprios discos e ajudou novos músicos e bandas a lançarem-se. 

O seu primeiro disco foi editado em 1990. É composto por doze temas essencialmente acústicos mas a guitarra providencia todo o ritmo e batida que é necessário. É um disco de estreia sólido e que demonstra o poder poético e de consciência social que viria a acentuar-se ainda mais ao longo da sua carreira. Essa vertente é audível em Lost Woman Song

Em 1992 editou IMPERFECTLY. A sua maneira característica de guitarra torna-se ainda mais o centro das treze composições que compõe o disco. Os temas voltam a ser maioritariamente acústico, mas realçam a voz e a personalidade de Ani Di Franco. 

Imediatamente no ano seguinte editou PUDDLE DIVE. Há mais arranjos e instrumentos na formação dos temas. O disco é coerente e bastante homogéneo mas há temas que podem destacar-se um pouco mais como Used to You e Pick Yer Nose


No ano seguinte, editou OUT OF RANGE em 1994 que já oferecia um vislumbre para a vertente mais rock que iria a ser explorada e que se tornou o foco no disco de 1995, NOT A PRETTY GIRL. É composto por quatorze temas de um folk rock bastante enérgico e embalado pela maneira peculiar e característica de tocar guitarra de Ani Di Franco. É talvez um bom disco para alguém se iniciar na extensa e rica discografia desta cantautora. 

Mas foi com DILATE, editado em 1996 que foi ouvida por mais pessoas e o seu trabalho passou a ser mais reconhecido. O disco arranca forte com a melancólica e poderosa Untouchable Face. É um disco fundamental e que ilustra todo um percurso desde o acústico confessional até este folk rock com algumas fusões de género interessantes mas que mantém acesa chama da voz e guitarra. 

Continuou a produzir e a lançar discos, sendo o mais recente de 2017 intitulado BINARY que composto de onze temas tornam o espírito confessional e introspectivo que sempre a caracterizou. 

10 - Contadora de Histórias


Suzanne Vega nasceu em 1959 nos EUA. Foi em 1985 que se estreou com o disco homónimo. É um disco delicado, diria até essencial que revela uma cantautora cuja mestria para lidar com a guitarra acústica se equipara à capacidade de escrever letras maduras, sensíveis e extremamente poéticas. É com suavidade, mas uma ferocidade sincera e intimista que Suzanne Vega convida o ouvinte a participar numa viagem de várias atmosferas e sensações que mudam consoante os temas. É um disco variado e cujo cariz profundamente intimista nunca entedia ou desilude. A sua voz é tranquilizante, mas abriga uma capacidade e dinâmica vocal que se demonstra subtilmente ao longo das várias canções. 

Dois anos volvidos, edita o lendário SOLITUDE STANDING em 1987 que fez mais sucesso devido a dois temas, Luka e Tom’s Diner. Ambos temas que marcaram a década de 80 e que lhe conferiram reconhecimento como uma das cantautoras mais interessantes dessa época. Luka continua a ser uma das músicas pop ou pop-rock mais bem conseguidas na história da música. No entanto, o disco é bem mais que Luka. É um arranjo coerente de onze temas que mais uma vez primam pela sua identidade própria. As letras mantêm a veia poética do disco de estreia. Extremamente visuais e até tocantes, convidam o ouvinte a participar nas narrativas cantadas por Suzanne Vega. Em Wooden Horse (Caspar Hauser’s song) narra um dos mistérios mais conhecidos da história mundial e que foi filmado por Werner Herzog no magistral, THE ENIGMA OF KASPAR HAUSER de 1974. É a história de um homem no século XIX que apareceu certo dia numa aldeia na Alemanha com um conceito muito rudimentar de linguagem e desconhecendo o seu nome ou origem. Acabou por ser assassinado, misteriosamente, do mesmo modo como se mantiveram as suas origens ou identidade. É um mistério que nunca chegou a ser resolvido. 

Há uma grande riqueza narrativa que permeia todo o disco. E melodias que merecem ser descobertas ou redescobertas. 

Em 1990 editou DAYS OF OPEN HAND. Apesar de se inclinar para uma sonoridade um pouco mais pop, o carácter misterioso e poético das letras manteve-se. Há também um cuidado especial em relação aos arranjos e à inclusão de vários instrumentos nas composições. 


Foi em 1992 com 99.9 Fº que quebrou barreiras e incluiu alguns elementos de electrónica nas suas canções. São treze canções recheadas de atitude e carisma. Há uma veia de rock alternativo bastante presente e que pulsa forte ao longo do disco. Certas raízes folk deram lugar a um disco profundamente criativo, moderno e possuidor de um grande carisma. 

O seu mais recente disco de originais foi editado em 2014 e intitula-se TALES FROM THE REALM OF THE QUEEN OF PENTACLES e assim como os discos anteriores é carregado de temas fortes e dotados de identidade própria. O foco recai novamente nas narrativas e na capacidade sublime de Suzanne Vega de contar histórias com a sua voz. É uma das compositoras e intérpretes mais interessantes dos anos 80 e que conseguiu transpor o seu talento para as décadas seguintes. 

11 - Planeta Psicadélico


Lida Husik nasceu em 1963 nos EUA. Fez parte da banda punk Mourning Glories mas cedo optou por uma carreira a solo, sendo bastante activa na década de 90 e editando oito discos de longa-duração. O seu primeiro disco de estreia intitulado BOZO foi lançado em 1991. Composto por doze temas que realçam o carácter lo-fi e reminiscente de space rock. Lida Husick é uma multi-instrumentalista versátil que faz bom uso da sua voz, um pouco rouca, um pouco spaced out mas essencialmente única. Há também laivos psicadélicos que ressoam ao longo dos doze temas. 

O disco que se seguiu, YOUR BAG, foi editado em 1992. As texturas de guitarra eléctrica dão lugar a sintetizadores e outros efeitos que dão uma característica bastante vanguardista e onírica, traçando o caminho para a voz de Lida Husik. Neste disco continua presente uma aura psicadélica que talvez seja reminiscente de uns The Doors. As composições são imprevisíveis e bastante mais soturnas do que disco anterior. Evocando a imagem de se estar a vaguear à noite por uma feira popular abandonada. 

Passado apenas um ano edita THE RETURN OF RED EMMA. As texturas de guitarra eléctrica assinalam o seu regresso imiscuído de sonoridade de rock alternativo e algum grunge transgressivo. As letras assumem uma carga mais consciente a nível social e político, havendo aqui e ali uma condenação das ideologias de extrema direita. 


Em 1995 foi a vez de JOYRIDE ser editado. É composto por doze temas em que uma sonoridade indie lo-fi com laivos psicadélicos volta a reforçar-se. É um disco que evoca a força do movimento de rock independente dos anos 90. 

Lida Husik continuou a editar discos durante a década de 90 demonstrando todo o seu potencial para composições cheias de atmosfera e de carácter imprevisível. 

12 - Guitarra Ritmo 

Foto: Cláudia Baúto

Rita Cardoso nasce em Lisboa no ano de 1978. Começou a tocar guitarra desde cedo e desenvolveu ao longo dos anos uma forma peculiar de lidar com a guitarra. Tocando-a de forma rítmica e por vezes, dissonante, mas construindo sempre linhas melódicas que primam pela imprevisibilidade. 

De 1997 a 1999 fez parte da banda VideoSnuff mas optou por seguir o seu caminho a solo, apesar de ter feito várias colaborações musicais. Ganhou vários prémios em festivais de música, entre eles o Termómetro Unplugged. Foi em 2003 que gravou o EP ACATISIA, cuja capa é uma imagem TAC do seu cérebro. São três temas originais e uma versão da banda Lamb que definem o som de Acatisia. A guitarra é um instrumento polivalente nas suas mãos. São criados acordes e também ritmos que acentuam a qualidade e as variações da voz. O inglês e o português são conjugados perfeitamente nas letras. 

Desde então tem actuado em diversos palcos pela cidade e a ideia de um disco de longa-duração está em germinação. É uma cantautora com uma voz forte mas flexível que cria várias texturas e tons. Usa a guitarra como um veículo para transmitir a sua intimidade. 


CONTINUA...

TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE

JOSÉ FERREIRA Em quase duas décadas e meia de existência, os  Colour Haze só no ano passado é que se atreveram a percorrer a dist...

JOSÉ FERREIRA

Em quase duas décadas e meia de existência, os  Colour Haze só no ano passado é que se atreveram a percorrer a distância cada vez mais curta de pouco mais de 2000 quilómetros que separa a capital alemã, de onde são, de Portugal. Neste caso, foi até ao norte do país, no Moledo, Viana do Castelo, que em Agosto do ano passado rumaram para se estrearem em solo nacional. Em boa hora o fizeram, com o novo In Her Garden acabado de sair na bagagem para um concerto arrebatador num Sonicblast a rebentar pelas costuras.

Ainda não passou um ano desde esta primeira passagem e a mesma promotora que organiza o festival centrado nas sonoridades mais próximas do universo do rock psicadélico/stoner volta a apostar no trio germânico, desta vez para um concerto em nome próprio e com data única.

É já este sábado que tocam no Hard Club, no Porto, com os portugueses Jesus the Snake e os berlinenses TAU a abrir.

Os bilhetes em venda antecipada custam 16 euros. No dia do concerto passam a 20 euros. As portas abrem às 21h e a primeira banda toca às 21h15.

As bandas são como as células do nosso corpo. São muitas. Por isso, é humanamente impossível sabermos quantas existem neste planeta. J...


As bandas são como as células do nosso corpo. São muitas. Por isso, é humanamente impossível sabermos quantas existem neste planeta. Já ouviram falar nos The Ramblers

Para todos nós há sempre uma primeira vez. O que não é novidade para os lisboetas é fazerem-se à estrada. Há 11 anos que viajam de norte a sul do país e já partilharam palcos com o lendário B.B. King, Ian Siegal, Carvin Jones e Blasted Mechanism. É verdade que o blues não é género tradicional do nosso país, mas para qualquer um que se sente abalado por ele poderá deixar-se convencer pelo blues alimentado por riffs poderosos que, segundo a descrição dos lisboetas, é "povoado por um imaginário de queimas a Bruxas e artimanhas Piratas, riffs poderosos e baladas sujas, temperados com os mais diversos estilos de world e folk music.". Da sua discografia fazem parte dois EP's e um LP, The Rambler, 2010, Yer Vinyl 2012 e Wet Floor 2015, respectivamente. Como aconteceu com tantas bandas sucedeu igualmente com os Ramblers. Conheceram-se na escola secundária e foi assim que tudo começou. Após várias conversas de café e partilhas de gostos musicais, a irmandade Rosie (voz), Richards (guitarra) e Lou (baixo) começou a fechar-se em salas de ensaio para compor temas e dar largas à criatividade. Nesta próxima sexta-feira começam a mini-digressão que arranca no Algarve, passa por Espanha e termina em Viana do Castelo. Pelo meio vão gravar e lançar o quarto trabalho que será distribuído digitalmente pela EMU bands
Pedimos aos membros integrais dos Ramblers (Rosie, Richards e Lou) que nos dissessem quais os 5 livros, 5 discos, 5 filmes/séries que recomendam. 



Rosie (Mafalda Raposo)
5 livros:
- "O Amante", Marguerite Duras 
- "Uma espia na casa do amor", Anaïs Nin 
- "A insustentável leveza do ser", Milan Kundera 
- "Tarantula", Bob Dylan 
- "Um negro que quis viver", Richard Wright 

5 discos: 
- "American Recordings", Johnny Cash 
- "Presence", Led Zeppelin 
- "Ultraviolence", Lana del Rey 
- "Olympia", Minta and the Brook Trout 
- "Revolver", The Beatles 

5 filmes/séries: 
- "Valerie A Tyden Divu", Jaromil Jireš & Ester Krumbachová 
- "O tempo dos Ciganos", Emir Kusturica 
- "Everything is Illuminated", Liev Schreiber 
- "Ko to tamo Peva", Slobodan Šijan 
- "Underground", Emir Kusturica 

Richards (Ricardo Lopes)
5 livros:

- "A insustentável leveza do ser", Milan Kundera 

- "Terra sonâmbula", Mia Couto 
- "O ano da morte de Ricardo Reis", José Saramago 
- "Observações sobre o sentimento do belo e do sublime", Emmanuel Kant 
- "O retrato de Dorian Gray", Oscar Wilde 

5 discos: 
- "Blues Breakers with Eric Clapton", John Mayall & the Bluesbreakers 
- "Live at the Regal", B.B. King 
- "Couldn't Stand the Weather", Stevie Ray Vaughan and Double Trouble 
- "Almoraima", Paco de Lucía 
- "Dire Straits", Dire Straits 

5 filmes/séries: 
- "Inglourious Basterds", Quentin Tarantino 
- "The Godfather", Francis Ford Coppola 
- "Star Wars" (Saga), George Lucas 
- "Shutter Island", Martin Scorsese 
- "O Rei Leão", Roger Allers (Disney) 

Lou (Luís Nunes)

5 livros:
- "Rendez-Vous com Rama", Arthur C. Clarke 

- "As Primeiras Quinze Vidas de Harry August", Claire North 
- "Os Despojados", Ursula K. Le Guin 
- "Mundos Paralelos", Philip Pullman 
- "O Pacto Da Meia-Noite", David Whitley 

5 discos: 
- "Exile on Main St.", The Rolling Stones 
- "Honkin’ on Bobo", Aerosmith 
- "Muddy & The Wolf", Muddy Waters & Howlin’ Wolf 
- "Lazaretto", Jack White 
- "The Bomb Shelter Sessions", Vintage Trouble 

5 filmes/séries: 
- "Goodfellas", Martin Scorsese 
- "Scarface", Brian De Palma 
- "Blade Runner", Ridley Scott 
- "The X-Files", Chris Carter 
- "Star Wars" (Saga), George Lucas 

TEXTO: PRISCILLA FONTOURA

Sion Sono é um dos realizadores japoneses da actualidade mais produtivos, criativos e imprevisíveis. Os seus filmes centram-se em várias t...

Sion Sono é um dos realizadores japoneses da actualidade mais produtivos, criativos e imprevisíveis. Os seus filmes centram-se em várias temáticas. Relações familiares, alienação típica dos adolescentes, religião, suicídio e o poder destrutivo da violência. Apesar de abordar temas negros e pesados, há sempre uma corrente de sátira e alguma comicidade over-the-top que se torna presente. Há o uso inteligente da violência que apesar de extrema, é filmada com bom gosto e completamente justificada pela narrativa, nunca roçando a vertente da violência gráfica e gratuita.


Apesar de ter realizado muitos mais trabalhos, foi com SUICIDE CLUB (2001) que começou a atrair mais atenções. É um filme que aborda uma bizarra epidemia de suicídios colectivos e organizados entre a população mais jovem no Japão. Mas não se prende unicamente à questão do suicídio enquanto fenómeno social e explora as causas e motivações. A alienação entre os adolescentes, a sua apatia e escapismo da realidade através de uma cultura pop um pouco frívola e inconsistente na maneira como é ditada por modas efémeras e facilmente substituíveis. 

Mais tarde, realizará o que foi apelidado da sua trilogia sobre o “ódio”. Esta trilogia é composta por LOVE EXPOSURE (Ai no mukidashi) de 2008, COLD FISH (Tsumetai nettaigyo) de 2010 e GUILTY OF ROMANCE (Koi no tsumi) de 2011. 


LOVE EXPOSURE é um filme que tem a titânica duração de quatro horas e que à superfície poderia ser apenas mais um coming-of-age. No entanto, aborda temas como religião, amor, sexualidade, desejo e fenómenos cultistas religiosos. É um retrato de uma história de amor que com laivos cómicos, nonsense, profundos e por vezes melodramáticos, conferem ao filme a sua originalidade e potencial para que nos deixe tristes, contentes e perturbados durante a sua narrativa. 


É um filme que exala imprevisibilidade e que mistura géneros de forma coerente e dando até a impressão que é coisa fácil de fazer. Comédia, acção e melodrama são misturados de forma eximia. Esse ecletismo é também transmitido pela banda sonora que é constituída por temas de música clássica e algum J-rock moderno. 


COLD FISH explora a tirania da violência e os efeitos que pode ter num homem aparentemente estável, com família e um negócio próprio. À medida que a narrativa progride, vemos esse mesmo homem transformar-se lentamente e a reagir finalmente a toda a violência que lhe é imposta. 


O filme explora os géneros de thriller e terror psicológico, assente numa boa caracterização de personagens. A violência que é mostrada nunca chega a ser gratuita, apesar de extremamente chocante em algumas cenas. 


GUILTY OF ROMANCE apresenta uma cinematografia mais colorida que COLD FISH. Mas esta característica estética não é sinal de que a narrativa é leve ou fácil de digerir, muito pelo contrário. Neste filme, temos mulheres como personagens principais e assistimos a uma subversão inteligente e visceral do papel da sexualidade e intimidade. Actos que naturalmente nascem de amor e sentimentos profundos de afecto, são transformados em actos de vingança, despeito e rebeldia. 


O filme retrata a mente e quotidiano de uma mulher japonesa, Izumi. Que nos é apresentada como esposa devota e algo submissa ao seu marido. Este retrato é meramente uma das faces da moeda pois é cedo na narrativa que Izumi começa a levar uma vida dupla. Um pouco reminiscente do filme Belle de Jour mas muito mais gráfico e violento. 


Apesar de toda a agressividade que existe durante o filme e a abordagem da sexualidade como arma e instrumento de vingança, perpassa um clima melancólico e de desolação ao longo de toda a narrativa. 

É mais uma vez um filme que desafia o espectador e que o faz experienciar uma miríade de emoções. Esta trilogia é devastadora no seu poder de conseguir confrontar o espectador e fazê-lo meditar nas questões mais profundas e desejos mais negros que por vezes, reprimimos bem dentro de nós. 


Continuando na sua onda de produtividade admirável que consegue equilibrar quantidade com qualidade, realizou em 2013 WHY DON’T YOU PLAY IN HELL? (Jigoku de naze warui) que mais uma vez mistura comédia negra com acção, sem nunca descurar a construção 3D das personagens. 


É um filme que expressa uma devoção e é uma autêntica ode em tela ao espírito do cinema e ao amor que se tem ao fazer filmes. Sem revelar muito do plot que é frenético, imaginativo e imprevisível, há a junção explosiva entre um grupo de cineastas amadores completamente apaixonados e obcecados pela ideia de fazer um grande filme e dois clãs rivais de yakuza. 

Sion Sono continua a surpreender e a produzir com bastante qualidade e espera-se um novo filme falado em inglês e com a possível participação de Nicholas Cage. 


TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE
IMAGENS: Frames tirados dos filmes

CONAN E OMAR – O BARBARISMO DA HYPE Sabia que ia assistir a duas actuações que não iam envolver guitarras ou grandes dotes poético...

CONAN E OMAR – O BARBARISMO DA HYPE


Sabia que ia assistir a duas actuações que não iam envolver guitarras ou grandes dotes poéticos, no entanto, estava de mente aberta para a tal festa que se avizinhava. Estava na segunda fila à espera da entrada do tão mencionado pelos media musicais, Conan Osíris. Admito que a minha decisão de me pirar para o fundo da sala, ocorreu de forma brusca mas extremamente racional. Foi nessa altura que por cima de batidas pouco inspiradas, uma salganhada de sons que pareciam ter sido feitos por uma pessoa que experimenta pela primeira vez o garage band, Conan Osíris cantou ou entoou que era um borrego ou que foi um borrego. Nada a refutar.


Já no fundo da sala, consegui admirar todo o enlevo e devoção que a audiência parecia prestar a esse novo génio musical elegido pelos especialistas de música. As letras (quando se percebia alguma coisa delas) discorriam sobre o facto de se estar sem paciência (coisa com que de facto me identifiquei), ter celulite ou celulitite e algo sobre saltar do Titanic (mais uma vez não refutaria). Letras extremamente pobres, sem qualquer tipo de humor e cujo único sentido que lhes posso legitimar é a exaltação da mediocridade.

A actuação durou perto de uma hora e foram “tocados” cerca de nove temas. Entretanto, dei por mim envolvida num flow de consciência. Por que é que os cães ladram sempre aos carteiros. A dificuldade de comprar ovos brancos, são sempre de cor creme. A data da invenção do pão branco fatiado para consumo das massas. E a sexualidade de Rock Hudson. Todas essas questões me assaltaram a mente e protegeram de certa forma a minha consciência da torrente de banalidade que jorrava do palco. Acho que foi a primeira vez que fiquei contente por não haver encore num concerto.


Passado um bocado, foi a vez de Omar Souleyman subir ao palco com mais um amigo que se encarregou da música propriamente dita por trás de um órgão enorme.

A actuação até começou bem, batidas um pouco firmes mas acompanhadas de ritmos de inspiração árabe. No entanto, cedo deu lugar para uma panóplia de temas que pareciam todos iguais.

Batidas techno desinspiradas aliadas a apontamentos reminiscentes de disco sound americano dos anos 70 mais passagens que fazem lembrar aquelas músicas comerciais que tocam à beira da piscina. As letras, não posso falar muito sobre elas porque não sei árabe. No entanto, Omar Souleyman podia estar a debitar a receita para fazer um pudim de arroz perfeito que ia arrastar a audiência num perfeito delírio. Não eram certamente poemas de origem sufista.

Voltei a ficar contente por não ter havido encore. Foram duas actuações de sonoridades entediantes e sem qualquer espécie de alma. A próxima vez que se quiser festa, aconselho ir a um baile de aldeia ou ter a sorte de apanhar algum concerto do Quim Barreiros.

É mais uma vez a vitória do hype que catapulta nomes sem qualquer rigor ou critério, criando fenómenos supostamente musicais que primam pela mediocridade e falta de qualidade a todos os níveis.

Esta é apenas a minha análise e tomando de empréstimo mais uma letra brilhante de Conan Osíris, “'tou-me a cagar”. Mas sei que no fundo, ele deve estar contente por fazer tanto sucesso com tão pouca qualidade.

TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE


CONAN OSIRIS + OMAR SOULEYMAN

Não foi um concerto, foi uma festa...mais ou menos.


Passava já das 00h30m quando Conan Osiris entrou em cena. Um one man show com playback instrumental, aonde foi desfiando a sua música mesclada de hip-hop, eletrónica, sons ciganos e árabes, com letras carregadas de um humor muito particular. Foram 9 os temas que interpretou, sempre com o apoio de um considerável número de fiéis conhecedores das suas canções. Foram momentos especiais de animação os temas “Borrego”, “Titanique”, “Adoro bolos” e o inevitável “Celulitite”. Foi a primeira vez que o vi ao vivo e confesso que não me causou uma impressão por aí além. Foi divertido, mas apenas q.b. Uma “boa imprensa” e ser a novidade do momento por enquanto ajuda, mas poderá não ser suficiente para se fazer uma carreira musical para lá da animação de eventos e festas.


Foi também animando festas na sua terra natal que o sírio Omar Souleyman iniciou a sua carreira. Aqui o efeito novidade não pesou, pois já o tinha visto ao vivo. Foi mais do mesmo e aquilo que eu esperava, numa actuação que não terá durado uma hora e sem direito a encore. Acompanhado por um teclista, foi com a sonoridade árabe que Omar inundou a sala e provocou a animação geral. Sem grande exuberância em palco, foi sempre interagindo com o público de forma simpática e comunicativa. O público, esse, respondeu sempre de forma exuberante, especialmente quando do Korg saíram os primeiros acordes de Ya Bnayya. Tinha chegado o tempo do mosh e do agitar mais violento. Uns minutos depois, tão tranquilamente como entrou em palco, Omar saiu de cena, deixando uma sensação de ter sabido a pouco para quem lá estava para uma noite de diversão pura. 

Resumindo este concerto: foi dançar, abanar o corpo, bater palmas, enfim, festa pura sem qualquer critério quanto à qualidade musical. Por vezes sabe bem, mas não é para repetir muitas vezes. Há muito tempo já com lotação esgotada, causa-me algum desconsolo lembrar que há uma semana atrás, nesta mesma sala e por menos de metade do preço deste bilhete, se ouviu música de qualidade, com instrumentos de verdade tocados por verdadeiros músicos, mas com muito menos público. Sinais dos tempos, talvez a maioria já não vá a concertos com o objectivo que deveria ser o principal: ouvir música.

TEXTO: JOSÉ MARQUES
VÍDEOS: JOSÉ MARQUES
LOCAL: Musicbox, Lisboa
DATA: 5 de Maio, 2018