voz e bonecos | voice and hand-made cartoons: Emanuel R. Marques material: papel | paper vídeo | video: Priscilla Fontoura tradução |...



voz e bonecos | voice and hand-made cartoons: Emanuel R. Marques

material: papel | paper
vídeo | video: Priscilla Fontoura
tradução | translation: Cláudia Zafre
som genérico | opening title soundtrack: Emanuel R. Marques, Priscilla Fontoura
tema | song: Keith Moon: "Won't get fooled again"

© Acordes de Quinta

Steven Tyler é conhecido pela sua excentricidade. O vocalista de Aerosmith é um animal de palco, um acrobata que usa o corpo e a voz para...

Steven Tyler é conhecido pela sua excentricidade. O vocalista de Aerosmith é um animal de palco, um acrobata que usa o corpo e a voz para se fazer ouvir. Conhecido como Demon of Screamin, em qualquer concerto utiliza o microfone adornado com lenços coloridos. Se fosse um cartoon, a sua boca seria o destaque da estrutura facial. Não é a sua filha Liv Tyler que poderia ser sua irmã, mas Lou Doillon. A cantautora francesa além de músico é também actriz e modelo. Filha do realizador e produtor Jacques Doillon e da actriz e vocalista Jane Birkin, a meia-irmã de Charlotte Gainsbourg estabeleceu a sua carreira com o seu álbum de estreia Places, em 2012. O seu último trabalho Soliloquy é uma colecção descontraída de canções pop delicadas, quebradas com outras faixas mais rock, exemplo disso é o tema Burn. Outro tema interessante It's You conta com a participação da cantautora norte-americana Cat Power

PUZZLE: STEVEN TYLER e LOU DOILLON

Ideia e Montagem: Priscilla Fontoura
Puzzle: Priscilla Fontoura

Alguém batia suavemente à minha porta, e eu, ouvindo o doce toque e terminando de lavar os dentes, bochechava com água a pasta que me ...


Alguém batia suavemente à minha porta, e eu, ouvindo o doce toque e terminando de lavar os dentes, bochechava com água a pasta que me restava na boca. Apressava-me.

Nos segundos que me permitiram finalizar a higiene dentária e vestir uma fugaz camisa, o ruído deixou de se ouvir e desesperei-me até à porta. Olhei à volta. Não vi ninguém. Vi alguém. Uma velha mulher a quem perguntei se tinha visto quem batera à minha porta e se conseguia descrever a pessoa. Ela respondeu que era a sorte quem batia à minha porta, mas como tinha demorado demasiado tempo a vir atendê-la, ela fora bater à porta de outro.

Texto: Emanuel R. Marques
Capa/Colagem: Emanuel R. Marques

CRIAÇÃO E AUTORIA:   EMANUEL R. MARQUES

CRIAÇÃO E AUTORIA: EMANUEL R. MARQUES

O rock progressivo dos anos 70 tanto da escola italiana como da americana ou britânica assumiu-se como um dos géneros mais prolíficos...




O rock progressivo dos anos 70 tanto da escola italiana como da americana ou britânica assumiu-se como um dos géneros mais prolíficos da época e parece que foi inteiramente esquecido até há pouco com o surgimento de várias bandas que pretendem revitalizar essa mesma sonoridade. 

Conjunto!Evite é uma banda portuguesa de Rio Maior (Santarém) que já conta com dois LP’S e vários singles no seu reportório. O som é assumidamente alternativo mas com influências fortes de progressivo e algumas cadências de math-rock. 

Há também uma preocupação de elevado nível de estética nos seus videoclips. Criativos e singulares são mais um dos cartões de visita da banda. 

É com energia, criatividade e desembaraço que fazem do rock progressivo um dos géneros mais interessantes da música alternativa e que já há muito merecia uma nova abordagem. 

Perguntámos a esta jovem banda as suas preferências para 5 livros, 5 discos, 5 filmes/Séries e aqui ficam as suas escolhas:


Livros:
Zen e a Arte do Tiro com Arco, Eugen Herrigel
Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago
Livro do Desassossego, Fernando Pessoa
Maus, Art Spiegelman
As Portas da Percepção, Aldous Huxley

Discos:
Pictures at an Exhibition, Emerson Lake and Palmer
Unknown Pleasures, Joy Division
Cross, Justice
Absent Lovers, King Crimson
Electric Ladyland, Jimi Hendrix

Filmes/séries:
Seven, David Fincher
Black Mirror, Charlie Brooker
Blade Runner, Ridley Scott
The Office (UK), Ricky Gervais, Stephen Merchant
Breaking Bad, Vince Gilligan

                                                         - TRANSLATION -




Progressive rock from the 70’s by the italian, american or british schools was one of the most prolific music genres of that epoch and it seems it was entirely forgotten until recently with the appearance of several bands that try to revitalize the genre.

Conjunto!Evite is a portuguese band from Rio Maior (Santarém) that has 2 LP’S and several singles in their repertoire. Their sound is alternative with strong progressive influencies and some math-rock leanings. 

There is also a preocuppation of aesthetics in their videoclips. Creative and singular videoclips that are one of the trademarks of the band. 

It’s with energy, creativity and ease that they make progressive rock one of the more interesting genres of alternative music and that deserved a new approach for quite some time. 

We asked this young band their preferences for 5 books, 5 records, 5 films/tv shows and here are their choices:

Books:
- Zen e a Arte do Tiro com Arco, Eugen Herrigel
- Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago
- Livro do Desassossego, Fernando Pessoa
- Maus, Art Spiegelman
- As Portas da Percepção, Aldous Huxley

Records:
- Pictures at an Exhibition, Emerson Lake and Palmer
- Unknown Pleasures, Joy Division
- Cross, Justice
- Absent Lovers, King Crimson
- Electric Ladyland, Jimi Hendrix

Films/TV shows:
- Seven, David Fincher
- Black Mirror, Charlie Brooker
- Blade Runner, Ridley Scott
- The Office (UK), Ricky Gervais, Stephen Merchant
- Breaking Bad, Vince Gilligan


Texto | Text: CLÁUDIA ZAFRE
Tradução | Translation: CLÁUDIA ZAFRE
Escolhas | Choices: CONJUNTO!EVITE

O humor, por vezes, quebra barreiras e limites do suposto “bom gosto”. É o que acontece nesta série de animação criada por Roger Blac...


O humor, por vezes, quebra barreiras e limites do suposto “bom gosto”. É o que acontece nesta série de animação criada por Roger Black e Waco O’Guin. Seguindo uma linha muito semelhante à série Brickleberry, desta vez acompanhamos as desventuras de um grupo de polícias na cidade de Paradise.

Podem não comer muitos donuts, mas o nível de competência não é muito mais elevado do que a do sargento Wiggum dos Simpsons. As personagens estão muito bem construídas, desde um cão que é adepto de todo o género de estupefacientes possíveis e imaginários, até uma polícia muito valente, mas com uma obsessão bastante creepy por um dos colegas de trabalho, vale tudo nesta série.  


A série não se poupa a tecer alguns comentários sociais e deixa espaço para a reflexão, um pouco como South Park. Para quem gosta de humor cru, sem barreiras e, por vezes, grotesco é uma série que acaba por resultar em binge watching.

Os fãs de Brickleberry, South Park e até Rick & Morty são capazes de apreciar esta série de animação para adultos.

Aguarda-se de forma expectante uma segunda temporada.

Texto: Cláudia Zafre
Série: Paradise PD
Imagens: Frames da série Paradise PD (2018)

Istambul é uma cidade de contornos exóticos, mas que, ao ser visitada, apresenta-se estranhamente familiar. Os prédios antigos, a conf...


Istambul é uma cidade de contornos exóticos, mas que, ao ser visitada, apresenta-se estranhamente familiar. Os prédios antigos, a confusão do tráfego, os homens sentados a jogar damas e a beber chá de rosa são imagens que tão cedo não abandonam o nosso imaginário. A cidade também é rica em sons, especialmente quando soam as vozes dos muezims da almádenas das mesquitas, que, levadas pela brisa, inundam a cidade e transformam-na numa miragem mística quando o sol se põe.


Istambul é metade Europa e metade Ásia. O Bósforo é o estreito que faz essa separação. Metade tradição e metade modernidade. Estando do lado oriental, somos confrontados com o lado mais tradicional. A religião, os costumes tradicionalistas e modestos, como um casal de namorados no jardim sentados num banco, sem se tocarem ou exprimirem o seu afecto, mas ele delicadamente beija-lhe a mão a certa altura. Por companhia, têm um pequeno rádio.

Na parte ocidental, as lojas abundam, assim como os bares que vendem bebidas alcoólicas. A música que se ouve já é mais ocidental, pode parecer-nos mais familiar, mas Istambul é ecléctica.

Fatih Akin, realizador de filmes de ficção como Head-On, o magnifico Soul Kitchen e mais recentemente In the fade, aventura-se no género documental com este documentário vibrante, informativo e dinâmico sobre a cultura musical na cidade turca.

Na primeira parte do documentário vemos algumas bandas turcas de rock (uma delas com clara inspiração grunge), e alguns artistas de hip-hop e breakdance que tentam mostrar a uma sociedade por vezes demasiado tradicionalista, o valor da sua arte.

A segunda parte do documentário leva-nos às raízes da música tradicional turca, assim como música curda. Num país inflamado por questões sociais e políticas bastante delicadas, o documentário não se constrange em abordar a censura que foi imposta à cultura curda na década de 80.


Nesta viagem a Istambul contamos com um anfitrião, Alexandre Hacke (dos Einstürzende Neubaten) que se sentiu fascinado pela cidade desde que a visitou durante a rodagem de Head-On, filme em que colaborou na banda-sonora.

Alexandre Hacke visita vários músicos, desde o rock ao rap, à música de artistas de rua e figuras marcantes da cultura musical turca.

Um documentário essencial para fãs de world music e todos os que também se sentem fascinados por uma cidade tão misteriosa e apelativa como Istambul. 

Texto: Cláudia Zafre 
Imagens: Frames do doc. Crossing the bridge: The sound of Istanbul 

voz, bonecos | voice, hand-made cartoons: Emanuel R. Marques material: açúcar | sugar vídeo | video: Priscilla Fontoura tradução | tr...




voz, bonecos | voice, hand-made cartoons: Emanuel R. Marques
material: açúcar | sugar
vídeo | video: Priscilla Fontoura
tradução | translation: Cláudia Zafre
som genérico | opening title soundtrack: Emanuel R. Marques, Priscilla Fontoura
tema | song: Frank Zappa (Metal Light: The Uncle Meat Project/Object), "Poo Yeahrg"

© Acordes de Quinta


Um conjunto de guitarras possantes com riffs doom, sludge e solos com influências de blues que acompanham vocalizações limpas e melódic...


Um conjunto de guitarras possantes com riffs doom, sludge e solos com influências de blues que acompanham vocalizações limpas e melódicas (por vezes, reminiscentes de bandas como Kyuss), fazem parte da receita de Bright Curse para a criação de um doom metal com influências blues e de desert rock.

O seu segundo disco de originais intitulado Time of The healer foi lançado este ano e é composto por 5 temas. A inclusão de flauta e trompete nas composições demarcam o seu som de muitas outras bandas que se movem pelos mesmos géneros musicais.

Perguntámos a Romain Daut, o guitarrista e vocalista de Bright Curse as suas recomendações para 5 livros, 5 discos, 5 filmes. Aqui ficam as suas escolhas:

Livros:
- Elephant whisperer, Lawrence Anthony 
- Factotum, Charles Bukowski 
- The Tao of pooh, Benjamin Hoff
- Jesus son, Denis Johnson 
- After Dark, Haruki Murakami 

Menção honrosa:
- Petit Pays, Gael Faye 

Discos:
- Kind of Blue, Miles Davis 
- The Alchemist, Witchcraft
- As I am, Bill Withers 
- Good kid m.a.a.d City, Kendrick Lamar 
- Strange Days, The Doors 

Bónus:
- Meddle, Pink Floyd 
- Graveyard, Graveyard
- Mélodie Nelson, Serge Gainsbourg

Filmes:
- Le péril Jeune, Cédric Klapish 
- Fear and Loathing in Las Vegas, Terry Gilliam 
- Natural Born Killers, Oliver Stone 
- Mononoke Hime, Hayao Miyazaki 
- The Life Aquatic with Steve Zissou and overall Wes Anderson 

                                                     - TRANSLATION -


A set of powerful guitars that play doom and sludge inspired riffs with blues influences that accompanies  clean and melodic vocals (reminiscent of bands like Kyuss) are part of the recipe of Bright Curse to create a doom metal with blues and desert rock leanings. 

Their second LP titled Time of The healer was released this year and is composed of 5 songs. The inclusion of flute and trumpet on the songs make their sound a stand out among the rest of the bands that play and dabble on the same music genres. 

We asked Romain Daut, the vocalist and guitarist of Bright Curse, his recommendations for 5 books, 5 records, 5 films. Here are his answers:

Books:
- Elephant whisperer, Lawrence Anthony 
- Factotum, Charles Bukowski 
- The Tao of pooh, Benjamin Hoff
- Jesus son, Denis Johnson 
- After Dark, Haruki Murakami 

Honorable mention:
- Petit Pays, Gael Faye 

Records:
- Kind of Blue, Miles Davis 
- The Alchemist, Witchcraft
- As I am, Bill Withers 
- Good kid m.a.a.d City, Kendrick Lamar 
- Strange Days, The Doors 

Bonus:
- Meddle, Pink Floyd 
- Graveyard, Graveyard
- Mélodie Nelson, Serge Gainsbourg

Films:
- Le péril Jeune, Cédric Klapish 
- Fear and Loathing in Las Vegas, Terry Gilliam 
- Natural Born Killers, Oliver Stone 
- Mononoke Hime, Hayao Miyazaki 
The Life Aquatic with Steve Zissou and overall Wes Anderson 


Texto | Text: CLÁUDIA ZAFRE
Tradução | Translation: CLÁUDIA ZAFRE
Escolhas | Choices: ROMAIN DAUT 

Tanto John Davies Cale quanto Leonard Cohen são nomes incontornáveis do cenário musical. John Cale , conhecido por fundar a banda vangua...

Tanto John Davies Cale quanto Leonard Cohen são nomes incontornáveis do cenário musical. John Cale, conhecido por fundar a banda vanguardista The Velvet Underground, e Leonard Cohen, cantautor e poeta. A sua obra continuará a ser uma das mais influentes no mundo inteiro.

PUZZLE: JOHN CALE e LEONARD COHEN

Ideia e Montagem: Priscilla Fontoura
Puzzle: Priscilla Fontoura

© Rita Carmo TOOL , aparentemente um nome singelo que apenas significa “ferramenta”, mas para os conhecedores e amantes da banda, T...

© Rita Carmo

TOOL, aparentemente um nome singelo que apenas significa “ferramenta”, mas para os conhecedores e amantes da banda, TOOL é um nome que semioticamente nos remete para um outro mundo. Aquele onde a bateria é tocada por um titã dos mares que parece ter mais do que 2 braços, talvez 4 ou 8, falamos de Danny Carey que deixa qualquer drum machine mais avançada a ofegar para tentar acompanhar a sua velocidade. Onde existem várias vozes, mas apenas a de Maynard Keenan nos segreda coisas interessantes ao ouvido com o seu timbre único e característico. TOOL é uma ferramenta que nos é oferecida para nos destrinçarmos do mundo aparente e embarcarmos num outro que é rico em subtextos líricos de cerne metafísico e místico. 

MAYDAY, MAYDAY, MAYDAY remete-nos para uma música que para muitos foi porta de entrada para esta banda mítica e mística. Aenima, tema e também nome do disco lançado em 1996 foi a escolhida para abrir o concerto da banda para uma arena que estava cheia e expectante. O público ansioso e cheio de saudades, vibrou automaticamente com os primeiros segundos de Aenima, eclodindo numa maré de vozes que acompanhava Maynard, conhecendo a lírica da música de trás para a frente.

O heptagrama (símbolo místico da Kabbalah) que segurava os holofotes de luz que tinha permanecido tímida e discreta antes da entrada em palco dos TOOL, fez-se uma estrela das grandes, sendo projectada na tela e vibrando também ela em cada acorde, cada batida e em cada mudança de ritmo.

Maynard de seguida fez a pergunta a que muitos já sabiam a resposta e que se cantou em coro. Who are you to wave your finger? O público respondeu de imediato, era The Pot do disco 10, 000 Days, último trabalho de estúdio lançado pela banda em 2006. O título foi interpretado pelos seguidores de Tool como uma referência ao período aproximado entre a mãe de Maynard se tornar incapacitada decorrente de um AVC, quando Maynard tinha 11 anos, e o falecimento dela em Junho de 2003.

As projecções de luz englobaram-nos numa onda laranja, apesar do calor físico e real que se estava a sentir, havia também um “calor humano” que desvirtuando-se do seu significado de cariz popular, criou um significado de calor humanitário, de humanidade que uniu toda a audiência numa só forma. Uma metamorfose adequada para: 

So familiar and overwhelmingly warm
This one, this form I hold now.
Embracing you, this reality here,
This one, this form I hold now, so
Wide eyed and hopeful.
Wide eyed and hopefully wild.

Os primeiros versos de Parabol que antecederam a sua gémea Parabola formam o dístico demolidor de coração místico de Lateralus lançado em 2001. Dois temas que funcionam em simbiose e que não conseguem subsistir uma sem a outra. 

Depois das gémeas de Lateralus, viajámos para o tempo presente com Descending, um dos temas recentes da banda que foram apresentadas este ano para o disco que vai sair no final de Agosto. As projecções vídeo ajudaram a criar o clima de recepção para esse tema longo, progressivo e com o som característico da banda. TOOL continua a ser TOOL sem se mostrar agastado ou com esgotamento do seu som. Existe uma fórmula, talvez, mas esta nunca será genérica e permanece inimitável. 

Para gáudio da audiência, seguiu-se Schism com uma projecção de vídeo que enfatizou o carácter romântico-místico-metafisico da lírica. A audiência sabe e saberá para sempre que as peças encaixam. 

Invincible, foi o segundo tema novo que a banda tocou, mais um que foi lançado durante este ano e para a qual muito do público já sabia a letra, os espaços e os intervalos da composição. 

O contraste do futuro com o passado, sucedeu com o tema seguinte, Intolerance, a primeiríssima do debut de Tool lançado em 1993. Fala-se do poderoso Undertow. O público sabia verso por verso da música e eclodia em danças espasmódicas com o ritmo e a toada da letra. Cantando-se em coro You lie, cheat and steal.

Aos primeiros acordes de Jambi, a audiência parecia prestes a explodir, e houve até momentos em que se se fechasse os olhos, o som era tão imenso e as letras tão intimistas que parecia que estávamos sós naquele anfiteatro enorme. Sem auxiliares de percepções como álcool ou outras drogas, Tool serve-nos perfeitamente para expandir a consciência. 

Para delírio da audiência, seguiu-se Forty Six & Two, onde se cantou sobre o nosso lado sombra, as possibilidades de metamorfose por vezes dolorosas ou soturnas, mas sempre necessárias. Algumas das ideias na letra desta música referem-se aos ensinamentos de Drunvalo Melchizadez com alguma psicologia jungiana à mistura. É-nos dito que há dois cromossomas extra que nos permitem atingir o nosso estado messiânico, a nossa mente talhada à imagem de Cristo e daí:

See my shadow changing. 

Como o público bem o sabe, há anos o cantou em uníssono pela primeira vez no Ozzfest.

As luzes apagaram-se, os músicos saíram de palco mas a audiência fincou os pés firmes porque sabiam que iram voltar. E voltaram, primeiro, Danny Carey que fez quase uma masterclass na bateria com a ajuda de efeitos sonoros que programara. Depois entraram os outros membros da banda e foi com Vicarious, o primeiro tema de 10,000 Days que a audiência voltou a mover-se como uma membrana totalmente dependente do som que provinha do palco. 

Para acalmar, ouviu-se um trecho pequeno de (-) IONS de Aenima para depois explodir com Stinkfist com a sua entrada carismática e memorável que levou a audiência ao seu auge. A banda despediu-se calorosamente do público, tocando no peito, esse que ainda bate e sempre baterá sempre que os fãs da banda ouvem a palavra Tool, para eles nunca será um mero vocábulo inglês, mas algo muito mais profundo. 

A primeira parte do concerto, foi garantida pela banda francesa Fiend que pratica um doom bastante progressivo e com piscares de olho ao sludge. Músicas longas, com progressões de ritmo e mudanças imprevisíveis que coabitam com as vocalizações ora furiosas ora limpas do vocalista, Heitham Al-Sayed. Uma banda que se deve seguir com atenção.



Texto: Cláudia Zafre
Imagem: © Rita Carmo
Concertos: Tool, Fiend
Data: 2 de Julho de 2019
Locais: Altice Arena, Lisboa

CRIAÇÃO E AUTORIA:   EMANUEL R. MARQUES

CRIAÇÃO E AUTORIA: EMANUEL R. MARQUES

Sick Note é uma série de comédia ao bom estilo de humor negro britânico. Um dos seus trunfos é o duo de personagens principais, in...


Sick Note é uma série de comédia ao bom estilo de humor negro britânico. Um dos seus trunfos é o duo de personagens principais, interpretadas por Rupert Grint e Nick Frost que funcionam numa simbiose hilariante ao mesmo tempo que navegam por mini-catástrofes que assumem características ora constrangedoras, ora politicamente incorrectas.

A série acompanha Daniel Glass (Rupert Grint) um jovem adulto que leva uma existência algo rotineira até ser erroneamente diagnosticado com cancro, a partir daí, vê-se envolvido numa série de mentiras que assumem proporções gigantescas. Determinado a manter segredo que afinal não vai morrer, Daniel e o seu médico (Nick Frost) envolvem-se numa série de peripécias que fazem desta série um exemplo de humor negro, mas não tão arrojado quanto o humor da série "Liga de Cavalheiros".


Uma outra inclusão é a personagem interpretada por Don Johnson (o eterno Sonny de Miami Vice) como um americano arrogante, narcisista e profundamente materialista. Há quem diga que a personagem é uma mera caricatura sem substância, mas a verdade é que a representação over-the-top do actor, juntamente com algumas linhas de diálogo agressivamente hilariantes, fazem dessa junção um tipo de comédia que pode agradar a algumas pessoas.


A série tem duas temporadas e a terceira ainda não está confirmada. 

Texto: Cláudia Zafre
Série: Sick Note
Imagens: Frames da série Sick Note (2017)

No Mundo da música são inúmeras as especulações que nascem com base em episódios reais. No entanto, a velha máxima do "onde há fumo ...

No Mundo da música são inúmeras as especulações que nascem com base em episódios reais. No entanto, a velha máxima do "onde há fumo há fogo", nem sempre tem a sua razão de ser e, por vezes, é esse fumo que vai originar o fogo. Nascem assim os Mitos sobre músicos, também conhecidos como "Diz que Disse".



voz e bonecos: Emanuel R. Marques
material: papel
vídeo: Priscilla Fontoura
tradução para inglês: Cláudia Zafre
som genérico: Emanuel R. Marques, Priscilla Fontoura
tema | song: Elvis Presley, Angel
© Acordes de Quinta

SWALLOWS NEST - Swallows Nest Fast music and intense emotional outflows are welcomed and praised in the underground’s spectrum. No ...

SWALLOWS NEST - Swallows Nest


Fast music and intense emotional outflows are welcomed and praised in the underground’s spectrum. No matter the short duration of the song, the emotions that prevail tend to overlast its clocking time. This is what happens with Swallows Nest's final release. After collaborating in splits with bands such as Snag and Crowning, this band from Dunedin in New Zealand brings up this fiery combo of 4 powerful songs.

A very dynamic duo of vocals by Dave Norman and Lana Arun carry the songs and gives them a different edge and approach to screamo as a genre. The melodies are both technical and addicting with free-flowing riffing that also bears an unpredictable element, since there is a lot of progression and variation within the riff’s sctructure.

It’s a very passionate kind of screamo with some progressive elements that stand out and carry different types of emotions and moods. 

Swallows Nest will be touring europe this summer alongside their fellow band Crowning.

мятеж Riot/Mutiny


An intense yet deep excursion into the domains of powerviolence and emoviolence that is the combination of the talents of two musicians, Chris Story (member of Yaphet Kotto, Makara and The Anasazi) and Dave Norman (member of Swallows Nest, Apostles of Eris and The world that summer). Chris Story plays all instruments and Dave Norman provides the vocals. The release is composed of two songs, June and July, life over die and Sectumpsempra.

June and July, life over die opens up in a grandiose way with fast vocals and riffing and then turns itself into more atmospheric passages reminiscent of post-rock sensitivities, this balance between agressiveness and introspection works really well within the song, making it more progressive and somewhat unpredictable.

Sectumpsempra opens up with a quote from the movie Liar, Liar and soon blossoms into a bombastic melody that has some strong grindcore leanings, that blasting beggining is soon intertwined with semi-acoustic passages that are accompanied by low-fi screaming.

This short release may be of interest to those that seek a sound that is both brutal and instrospective.

VALTIEL- Human Error 


From Seattle (USA) comes this fresh new band that just released their debut LP, Human Error. Featuring members from Save Bandit, Ketamine Cat, Itemfinder and Counter/Balance, the band manages to create a sound that is enthralling and based upon several influences ranging from post-hardcore, punk, extreme metal and screamo.

The release is composed of 5 mighty songs that may atest to the notion that mixing several genres can be a fruitful endeavour.

The first song starts off with a soundclip from the movie Cube and then blast us off into infinity with raging drums, frantic riffs and passionate raspy vocals that sometimes blossoms into mathcore moments. The first song is just a taste and introduction to the beautiful chaos that follows.

Valtiel comes across as a very adventurous band that is not afraid to tackle several genres creating a bombastic and thrilling release that will appeal to some of the fans of more extreme music.


All the records are available at Zegema Beach's bandcamp and online store. 

TEXT: CLÁUDIA ZAFRE