Filosofias... CRIAÇÃO E AUTORIA:   EMANUEL R. MARQUES

Filosofias...

CRIAÇÃO E AUTORIA: EMANUEL R. MARQUES

E porque a vida sem livros não tem grande significado.  Amanhã, dia 15 de Setembro , às 16h00 , o lançamento do primeiro livro edi...


E porque a vida sem livros não tem grande significado. 

Amanhã, dia 15 de Setembro, às 16h00, o lançamento do primeiro livro editado de poemas de Cláudia Zafre "Sonhos Lúcidos na Lagoa Negra" será apresentado no Chiado Clube Literário. 

"No mundo da ficção seja em prosa ou poesia, há muitas vezes um registo autobiográfico, uma marca indelével que o criador deixa nas suas personagens e palavras, o que define o seu estilo e forma de expressão. Na poesia gosto também de criar personagens, pequenos pedaços de mim mas que tenham uma existência independente da minha, daí os poemas neste livro serem um pouco mais narrativos do que é usual na poesia mais popular. O amor que muitas vezes não exteriorizo em gestos ou expressões na vida real é interiorizado de tal forma que se transmuta nas palavras e versos dos poemas.

Assim como Djuna Barnes escreveu no seu romance, Nightwood:
I have been loved,' she said, 'by something strange, and it has forgotten me.

Estes poemas tentam dar voz aos que ainda amam e/ou estão apaixonados por fantasmas." - Cláudia Zafre - 

ilustração José Alpedrinha

Mais info:
claudiazafre.blogspot.com

Há um entusiasmo que se sente no ar por força do número de fãs que vieram de todos os cantos do país ao Porto para verem os califor...


Há um entusiasmo que se sente no ar por força do número de fãs que vieram de todos os cantos do país ao Porto para verem os californianos Yawning Man, no Woodstock 69 rock Bar. Não são muitos, nem poucos, mas são os necessários para que o calor se sinta e se veja nas gotas de suor de muitos dos rostos da plateia, numa noite quente de Verão. O trio que influenciou e continua a influenciar um rol infindável de bandas (Kyuss, Brant Bjork and the Bros, Fu Manchu, Queens of the Stone Age) não solta palavras. Prefere saltar de álbum em álbum - Rock FormationsVista PointThe Revolt Against Tired Noises -, para agradar um conjunto de fãs saudoso que não os vê desde que cá vieram ao extinto Reverence. 


Não é caso para dizer que a idade não perdoa. Apesar de muitos anos de estrada e muitas visitas a salas de espectáculo, os padrinhos do desert rock continuam a viajar pelo "deserto das palmeiras" do sul da Califórnia. Enquanto se ouve Perpetual Oyster, tema do longa duração Rock Formations, só gravado após quase 20 anos de carreira por dissoluções e divisões noutros projectos, entende-se porque uma banda com uma história tão exclusiva reúne uma legião de fãs que passou tempo a partilhar cassetes. O som é característico das paisagens onde os cactos e as esculturas cavadas naturalmente na terra são protagonistas. O ressurgimento motivado por Alfredo Hernandez obrigou a uma alteração do paradeiro da banda, que até então não tinha assinado com nenhuma editora. O baixo de Mario Lalli, a marcar toda a base rítmica do repertório de Yawning Man, ao lado da guitarra de Gary Arce, é a fonte de onde jorram repetições e improvisações instrumentais de rock quente.


Ao longo do concerto muito suor escorre naquele deserto seco que, para ser elevado a outro nível, só precisaria de céu aberto rumo às estrelas. Arce, ainda que vestido com uma tshirt que publicita a Coca-Cola, prefere a cerveja para se refrescar naquela sauna sonora que, ainda assim, não afasta qualquer melómano daquele momento tão histórico - um verdadeiro teste à resistência.


O hino Catamaran, versão gravada pelos Kyuss, mata a saudade de todos que sentem familiaridade por todas aquelas bandas que deram nome ao género desert Rock. Ouve-se Cataraman cantado com toda a garra em memória de todas as lembranças que cada um viveu na sua intimidade.



TEXTO: 
PRISCILLA FONTOURA
IMAGENS e VÍDEO:  PRISCILLA FONTOURA
LOCAL: Woodstock 69 bar, Porto
DATA: 11 de Setembro, 2018
CONCERTOS: Yawning Man

Canção: "The Revolt against tired noises", Yawning Man

A banda desenhada é uma das formas de arte mais populares hoje em dia, e com bastante mérito porque ao longo dos anos tem desenvolvido...


A banda desenhada é uma das formas de arte mais populares hoje em dia, e com bastante mérito porque ao longo dos anos tem desenvolvido o seu conteúdo, adaptando-se ao público mais adulto. Conjuga muitas vezes referências pop, literatura e até poesia na forma de quadradinhos que nos fazem mergulhar nas aventuras e desventuras das personagens, divertir-nos com algumas situações hilariantes sejam elas de humor negro ou mais acessível e permitem-nos ver o mundo através da tela única e divertida dos quadradinhos. É uma forma de arte com um valor inegável e que Ana Galvañ uma ilustradora de origem espanhola tão bem representa. 

Ana nasceu em Murcia no sul de Espanha e está estabelecida em Madrid. Dedica-se à ilustração em full-time e o seu trabalho já foi editado pela Fantagraphics e Vertigo DC entre outras. Participou também em antologias como Spanish Fever, editado pela Fantagraphics e que reúne o trabalho de vários cartoonistas espanhóis. Tem colaborado activamente com vários festivais de ilustração e o seu trabalho foi reconhecido em 2016 com o prémio Gràffica



Este ano editou o livro “Pulse Enter para Continuar”, um trabalho divertido, experimental e com o seu quê de surrealismo que nos deixa cativos da sua arte, além das narrativas que são bastante originais e criativas. Perguntámos a Ana Galvañ quais os seus 5 livros, discos e séries de tv/filmes preferidos e aqui ficam as suas respostas:

Livros:
- Doomsday Book, Connie Willis
- Mother Night, Kurt Vonnegut
- The Man in the High Castle, Philip K. Dick
- The Left Hand of Darkness, Ursula K. Le Guin
- Solaris, Stanisław Lem

Discos:
- Fruta y verdura, Espanto
- Materia Oscura, Parade
- 7, Beach House
- Animalitos, Hidrogenesse
- Formation, Beyoncé

Séries e Filmes:
- Twin Peaks, David Lynch and Mark Fros
- 2001: A Space Odyssey, Stanley Kubrick
- Solaris, Andréi Tarkovski
- Under the Skin, Jonathan Glazer
- Thelma, Joachim Trier

- TRANSLATION -
By Ana Galvañ

Comics is one of the most popular art forms of our days and with reason because during the years it has developed its content, adapting itself to a more mature audience. It shelters pop culture references, literature and even poetry in the form of comic strips that make us dive in the adventures and misadventures of the characters, have fun with some hilarious situations of dark humor or some more accessible humor and allow us to see the world through the unique and fun panels of the strips.

It’s an art form with an undeniable value and that Ana Galvañ a spanish illustrator so well represents. 

Ana was born in Murcia in the south of Spain and lives in Madrid. She is a full-time illustrator and her work was published by Fantagraphics, Vertigo DC and many others. She also collaborated in anthologies such as Spanish Fever that features the work of several spanish cartoonists. She has also collaborated with several illustration festivals and her work was recognized in 2016 with the award Gràffica

This year she published the book PULSE ENTER PARA CONTINUAR, a fun work, experimental and a bit surreal that leave us captive of her art, the narratives are also creative and original. We asked Ana Galvañ her favourite 5 books, 5 records,5 tv/shows and movies and here are her answers: 

Books:
Doomsday Book, Connie Willis
Mother Night, Kurt Vonnegut
The Man in the High Castle, Philip K. Dick
The Left Hand of Darkness, Ursula K. Le Guin
Solaris, Stanisław Lem

Records:
Fruta y verdura, Espanto
Materia Oscura, Parade
7, Beach House
Animalitos, Hidrogenesse
Formation, Beyoncé

Movies and TVshows:
Twin Peaks, David Lynch and Mark Frost
2001: A Space Odyssey, Stanley Kubrick
Solaris, Andréi Tarkovski
Under the Skin, Jonathan Glazer
Thelma, Joachim Trier

TEXTO/TEXT: CLÁUDIA ZAFRE
TRADUÇÃO/TRANSLATION: CLÁUDIA ZAFRE
ESCOLHAS/CHOICES: ANA GALVAÑ


RESPONDERS Género: alternativo, blues, funk, indie Álbum: Responders Data de lançamento: Agosto, 2018 Imagem: bandcamp da banda ...

RESPONDERS
Género: alternativo, blues, funk, indie
Álbum: Responders
Data de lançamento: Agosto, 2018


Imagem: bandcamp da banda

Uma das características mais fascinantes da música é a sua capacidade de fusão, seja entre géneros ou entre décadas temporais. RESPONDERS é uma banda de Boston nos EUA que reúne influências de música d’outrora com a frescura da contemporaneidade. Este EP formado por quatro temas traz uma nova dinâmica à cena do indie rock com uma fusão também interessante de géneros, tais como blues, rock puro e até algum funk. Seja pela voz bluesy e ágil de Kelly Bruce que também se encarrega do piano e de alguma percussão ou pelas melodias ritmadas e fluídas das guitarras tocadas por Michael Benjamin e Shane Fitzgerald e as linhas de baixo inspiradas e groovy de Damon Ivester

O tema que abre este EP que é uma autêntica caixinha de surpresas é Days Gone By que nos revela automaticamente o potencial rockeiro e blues da voz que é suportada por linhas de baixo e guitarras extremamente melódicas e ao mesmo tempo imprevisíveis. One to Blame, começa com um riff de guitarra catchy que floresce num refrão harmonioso. Face Today, tem uma entrada enigmática que dá lugar a uma cativante canção de puro indie rock. A música que encerra o EP, chama-se Him, com as suas guitarras algo jangled e participação do trompete, sublinham a originalidade deste EP de uma banda promissora que apresenta potencial para trazer ainda mais garra e originalidade à cena indie rock. 

- TRANSLATION - 

RESPONDERS
Genre: alternative, blues, funk, indie
Album: Responders
Release: Agosto, 2018


One of the most interesting features of music is its ability of fusion, between genres or decades of time. RESPONDERS is a band from Boston, USA that mixes influences of past decades music with the freshness of our times. This EP composed by four songs brings a new dynamic to the indie rock scene with an interesting fusion of genres such as blues, pure rock and some funk. That fusion is achieved by the bluesy and agile voice of Kelly Bruce, who also plays the piano and some percussion, by the rhytimical and fluid melodies of the guitars played by Michael Benjamim and Shane Fitzgerald and the inspired and groovy bass lines by Damon Ivester

The first song of this EP that is an authentic little box of surprises is titled Days Gone by and it shows us the rock n roll and blues leanings of the vocals that are accompanied by lines of bass and guitars that are extremely melodic but unpredictable at the same time. One to Blame starts off with a catchy guitar riff that blossoms in a harmonious chorus. Face Today, has a somewhat of an enigmatic entrance that gives way to a captivating indie rock song. The last song is called HIM and with its jangled guitars and trumpet playing highlight the originality of this EP from a promising band that brings originality and strenght to the indie rock scene. 


TEXTO / TEXT: CLÁUDIA MARQUES
TRADUÇÃO / TRANSLATION: CLÁUDIA MARQUES

Apesar de viverem em épocas diferentes, as ramificações da árvore genealógica poderia muito bem ligar  Tom Cruise  a  Ernest Hemingway . O...

Apesar de viverem em épocas diferentes, as ramificações da árvore genealógica poderia muito bem ligar Tom Cruise a Ernest Hemingway. O escritor é uma referência mundial e, por isso, além da sua obra estar espalhada pelos 4 cantos do mundo, existem outras homenagens que, por exemplo, bandas como os norte-americanos Cobalt lhe dedicaram, como é o caso do álbum de 2009 Gin

“There is no friend as loyal as a book.” ― Ernest Hemingway

PUZZLE: TOM CRUISE e ERNEST HEMINGWAY

IDEIA e MONTAGEM: PRISCILLA FONTOURA
PUZZLE: CLÁUDIA ZAFRE

Lado B.  CRIAÇÃO E AUTORIA:   EMANUEL R. MARQUES

Lado B. 

CRIAÇÃO E AUTORIA: EMANUEL R. MARQUES

APRIL MARMARA Género: acústico, alternativo, folk Álbum: New Home Data de lançamento: Julho, 2018 Foto: Martim Teixeira /  Artwork:...

APRIL MARMARA
Género: acústico, alternativo, folk
Álbum: New Home
Data de lançamento: Julho, 2018


Foto: Martim Teixeira / Artwork: Teresa Castro

April Marmara é o projecto de Beatriz Diniz com a colaboração de Teresa Castro, Martim Teixeira e Catarina Marques que se inspira nos ambientes bucólicos do folk e passagens atmosféricas extremamente bem conseguidas com o uso de teclas, guitarras e harmônio para criar um disco original, interessante e que é uma lufada de ar fresco na cena da música alternativa portuguesa. 

O disco é composto por dez temas da autoria de Beatriz Diniz e que formam um mosaico agradável de várias paisagens sonoras. Somos acompanhados pela voz bem modulada que vai com facilidade do mais grave ao agudo e com bastante personalidade de Beatriz Diniz que assume o foco central das melodias, estas sempre bastante delicadas, complexas e ricas. 

O tema que principia o disco, BLOSSOMS, guia-nos automaticamente para um campo de sons suaves e variados. Assim como o nome pode indicar, é o desabrochar lento de uma paisagem florida e bela sustida por dez canções que mantém o mesmo elevado patamar de qualidade, sendo praticamente impossível eleger stand-outs. Um disco sincero e em que tudo o que é tocado e cantado é sentido com autenticidade. Sentem-se as palavras, os timbres, os cruzares de instrumentos e as melodias, o que faz de NEW HOME, um dos discos mais bonitos e criativos editados este ano em Portugal. 

Essencial para fãs de folk sensitivo, pastoral e com identidade. 


TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE

No primeiro dia de setembro, uma visita ao RCA Club, a principal casa de concertos de Lisboa dedicada ao metal e ao que de mais pesad...


No primeiro dia de setembro, uma visita ao RCA Club, a principal casa de concertos de Lisboa dedicada ao metal e ao que de mais pesado o rock produz. Foi uma viagem de Costa a Costa dos EUA, primeiro com os californianos Numb.er e depois com os nova-iorquinos A Place To Bury Strangers.

Os Numb.er, projeto sediado em Los Angeles liderado pelo músico e fotógrafo Jeff Fribourg, estão em digressão para promoção do seu primeiro longa-duração, “Goodbye”, lançado no passado mês de Maio. Gostei do disco e tinha boas expectativas para o concerto. Essas expectativas vieram a ser confirmadas. O quinteto entrou em cena pontualmente às 22h e tocou durante 45 minutos. Acompanhando Jeff Fribourg, cantando debruçado sobre os sintetizadores, estiveram Laena Geronimo no baixo e voz, Nick Ventura e Kaz Mirblouk nas guitarras e Cameron Allen na bateria. A boa impressão que tinha do disco confirmou-se em palco. Sem aparato cénico, os Numb.er deram um bom concerto, com um som que remete para influências de um punk tardio e do pós-punk da década de 80 (Wire, Buzzcocks, Magazine, Joy Division, The cure, …). “Numerical Depression”, “State Lines” e “A Memory Stained” foram, para mim, os destaques da noite. Uma banda a seguir em disco e ao vivo.


Às 23h, entraram em cena os cabeças de cartaz A Place to Bury Strangers (APTBS). A banda nova-iorquina de noise rock prometia arruinar os ouvidos da audiência e uma ou duas guitarras. Com o seu quinto álbum na bagagem, “Pinned”, lançado em Abril deste ano, Oliver Ackermann (guitarra e voz), Dion Lunadon (baixo) e Lia Simone Braswell (bateria, voz e auto-harpa) prometiam a barbárie. Num cenário escuro e sombrio, como a sua música, com fumos, muitos fumos e períodos prolongados de luzes estroboscópicas, o trio que persiste em manter o som de Nova Iorque que teve nos Suicide e nos Sonic Youth possivelmente a sua maior expressão, entrou forte com “We’ve come so Far” do álbum de 2015 “Transfixiation”. Distorções, “noise” e uma guitarra escavada. John Hiatt, esquece lá o que escreveste:

Oh, it breaks my heart to see those stars
Smashing a perfectly good guitar
I don't know who they think they are
Smashing a perfectly good guitar

(…) 

There ought to be a law with no bail
Smash a guitar, and you go to jail
With no chance for early parole
You don't get out till you get some soul


E alma é o que me parece faltar na música de APTBS. Também aqui o pós-punk reina com as influências de Joy Division, Jesus and the Mary Chain, My Bloody Valentine e, sobretudo, Swans, Pouco depois de meio do concerto, as distorções deram lugar a uma “Harp Song” apenas cantada por Lia tocando uma auto-harpa. Foi a preparação para Ackermann e Lunadon fazerem uma jam no meio do público. Momento para as fotos e vídeos da praxe por parte da audiência com telemóveis em punho. Regresso ao palco para mais meia hora de música, com especial destaque para uma excelente “There’s Only One of Us”, e concerto terminado sem direito a encore. Foi um concerto aceitável, mas esta banda de Brooklyn está ainda distante de Sonic Youth, Swans ou Lightning Bolt. Gostaria de os rever já que, não trazendo nada de novo, os APTBS insistem em manter o noise rock ativo e isso pode ser a sua maior virtude.


TEXTO: JOSÉ MARQUES
IMAGENS e VÍDEO: JOSÉ MARQUES
LOCAL: RCA CLUB, Lisboa
DATA: 1 de Setembro, 2018
CONCERTOS: A Place To Bury Strangers + Numb.er

Fim de Agosto e com ele os últimos suspiros dos festivais ao ar livre. Depois de um mês de relativo apagão, regresso aos espetáculos “...


Fim de Agosto e com ele os últimos suspiros dos festivais ao ar livre. Depois de um mês de relativo apagão, regresso aos espetáculos “indoor”. Entre os que já estão anunciados para este mês de Setembro, na região de Lisboa, existem concertos que prometem ser interessantes. Aqui segue a minha seleção de auto-medicação mensal. 

Dia 1 – A Place to Bury Strangers + Numb.er no RCA Club 22h

foto: © Ebru Yildiz

Os nova-iorquinos “A Place to Bury Strangers” foram formados em 2002 por David Goffan, Tim Gregorio e Oliver Ackermann. A formação atual integra Ackermann (guitarra e voz), Dion Lunadon (baixo) e Lia Simone Braswell (bateria). Com cinco LP'S em carteira, o último dos quais (“Pinned”) lançado em abril deste ano, deverão apresentar músicas na linha pesada do noise rock com influências do rock psicadélico e espacial. Enérgico, é o que espero.

foto: bandcamp da banda

A primeira parte será assegurada pelos Numb.er. Um coletivo de Los Angeles, liderado por Jeff Fribourg, que lançou no passado mês de maio o seu primeiro LP (“Goodbye”). Pelo que ouvi no bandcamp, o som situa-se na esfera da darkwave / synthpunk. Gostei particularmente da música “A Memory Stained”. Para mim são uma incógnita ao vivo, mas estou com muita curiosidade. 

Dia 7 – MOTEL X "Lucifer Rising" live OST by Kyron, Espvall, Mo Junkie no Cinema São Jorge 24h

Foto: facebook do evento

As curtas metragens de Kenneth Anger, “Lucifer Rising” e “Invocation of My Demon Brother”, vão ser apresentadas com música ao vivo original e interpretada por J. B. Kyron, Helena Espvall (dos Beautify Junkyards, banda que editou um dos melhores discos portugueses do ano) e Mo’Junkie (produtor de música eletrónica onde abundam os samplers e os rips). Bandas sonoras tocadas ao vivo são uma proposta interessante, ainda para mais quando escritas e tocadas por amigos. Neste dia competem pelo meu interesse em rever os “Whales” e “Os Tubarões” na Festa do Avante. Estou indeciso, mas acho que os amigos vão levar a melhor. 

De 7 a 9 – Festa do Avante Quinta da Atalaia - Seixal 

Foto: facebook do evento

Não há festa como esta, diz o slogan. E por vezes assim é em termos de concertos e demais atividades culturais. Este ano o cartaz é, mais uma vez, muito atrativo. Entre petiscos, mojitos, visitas aos pavilhões e a inevitável dança da Carvalhesa, selecionei estes concertos. 

Dia 7 
Gypos – Palco Café-Concerto de Lisboa 20h
Whales – Palco Café-Concerto de Lisboa 22h40m
Os Tubarões – Palco Auditório 1º de Maio 23h30m

Dia 8 
Dapunksportif - Palco 25 de Abril 16h
The Black mamba - Palco 25 de Abril 17h
The Dust - Palco Café-Concerto de Lisboa 19h30m
Sérgio Godinho - Palco 25 de Abril 21h
Bizarra Locomotiva - Palco 25 de Abril 22h
The Legendary Tigerman - Palco Auditório 1º de Maio 23h
Dead Combo - Palco Auditório 1º de Maio 24h

Dia 9 
Vado Más Ki Às - Palco 25 de Abril 14h
Capitão Fausto - Palco 25 de Abril 15h
Orelha negra - Palco 25 de Abril 16h
Carlos Barreto “Lokomotiv” trio - Palco Auditório 1º de Maio 17h
Sharrie Williams - Palco 25 de Abril 21h
Jorge Palma com Tim e Camané - Palco 25 de Abril 22h

Dia 18 – Steve Gunn – John Truscinki Duo na ZDB 22h

Foto: facebook do evento

Oportunidade de rever o virtuoso guitarrista Steve Gunn, desta vez em duo com o baterista John Truscinki. Paisagens sonoras americanas, do rock ao jazz, passando pelo country, num registo jam, 

Na primeira parte tocarão Teresa Castro & Violeta. Estou completamente às escuras nesta, mas a ZDB é pródiga em presentear-nos com boas surpresas. Veremos.

Dia 29 – Cave Story na ZDB 22h

Foto: facebook do evento

Neste mesmo dia toca, no Lisboa ao Vivo, o trio americano Low. Foi uma escolha difícil, mas opto pelos portugueses Cave Story. Este concerto serve de lançamento a “Punk Academics”, o novo disco da banda das Caldas da Rainha. Ainda não ouvi nada deste novo disco de Gonçalo Formiga (voz e guitarra), Pedro Zina (baixo) e Ricardo Mendes (bateria), mas não deverá fugir à linha indie-rock / lo-fi dos seus trabalhos anteriores.


TEXTO: JOSÉ MARQUES

Buni , o nome é tão fofo quanto a aparência deste coelho de carácter optimista desenhado por Ryan Pagelow e que teve a sua estreia abs...


Buni, o nome é tão fofo quanto a aparência deste coelho de carácter optimista desenhado por Ryan Pagelow e que teve a sua estreia absoluta na web em 2009 garantindo uma legião de fãs e seguidores. O cartoonista e também fotógrafo Ryan Pagelow ganhou em 2013 o prémio “Best Online Comic” e o seu trabalho aparece na lendária e divertida MAD magazine

Ler as tiras desta comic é como vislumbrar finalmente uns raios de sol num dia que já tínhamos assumido e encarado como tristonho e cinzentão, tal é a magia da companhia deste coelhinho que todos gostaríamos de ter como amigo ou BFF (Best friend forever). 


Neste ano de 2018, o verão trouxe-nos mais aventuras de Buni e podemos esperar mais humor com o livro Happiness is a State of Mind, recheado de situações hilariantes e sempre com um tipo de humor surreal, por vezes negro. O universo de Buni é povoado pelas mais diversas e coloridas criaturas, tais como cupcakes, unicórnios e até zombies. Perguntámos ao criador deste universo fantástico quais as recomendações para 5 livros, 5 canções, 5 filmes. Aqui ficam as suas respostas:

Livros:
- School is Hell, Matt Groening
- The Perry Bible Fellowship Almanack, Nicholas Gurewitch
- Poorly Drawn Lines, Reza Farazmand
- Theories of Everything, Roz Chast
- The Old Patagonian Express, Paul Theroux

Canções:
- IPlayYouListen, Live (Odesza)
- Young Blood, The Naked And Famous
- The Passenger, Iggy Pop
- Outro, M83
- Protectors of the Earth, Thomas Bergersen

Filmes:
- Finders Keepers (documentary, 2015), Bryan Carberry and Clay Tweel.
- American Movie (documentary, 1999), Chris Smith
- Wall-E, Andrew Stanton
- Spirited Away, Hayat Miyazaki
- Interstellar, Christopher Nolan

- TRANSLATION - 


Buni, the name is as cute as his appearance. He is an optimistic and very funny bunny drawn by Ryan Pagelow. The comic strip had its debut on the web in 2009 and since then it has gathered a legion of fans and followers. The cartoonist and also photographer, Ryan Pagelow, won in 2013 the award for “Best Online Comic” and his work is often in the legendary and funny MAD magazine

To read this comic is like finally seeing some rays of sun on a day that we thought would be grey and boring but it won’t be since we are with Buni, the bunny that we wish we had for a friend or BFF. 

In this year of 2018, the summer brought us even more Buni adventures and we can expect to be amused and entertained by the book Happiness is a State of Mind which is filled with hilarious situations with some dashes of surreal and dark humor. Buni’s universe has several colorful characters like cupcakes, unicorns and even zombies. We asked the creator of this wonderful universe his favorite 5 books, 5 songs, 5 movies. Here are the answers. 

Books:
School is Hell, Matt Groening
The Perry Bible Fellowship Almanack, Nicholas Gurewitch
Poorly Drawn Lines, Reza Farazmand
Theories of Everything, Roz Chast
The Old Patagonian Express, Paul Theroux

Songs:
IPlayYouListen, Live (Odesza)
Young Blood, The Naked And Famous
The Passenger, Iggy Pop
Outro, M83
Protectors of the Earth, Thomas Bergersen

Movies:
Finders Keepers (documentary, 2015), Bryan Carberry and Clay Tweel.
American Movie (documentary, 1999), Chris Smith
Wall-E, Andrew Stanton
Spirited Away, Hayat Miyazaki
Interstellar, Christopher Nolan

TEXTO/TEXT: CLÁUDIA ZAFRE
TRADUÇÃO/TRANSLATION: CLÁUDIA ZAFRE
ESCOLHAS/CHOICES: RYAN PAGELOW

Here I sit in paradise My head between my hands Little sister, break your vow Break down, the sacred side Little sister, brea...

Here I sit in paradise
My head between my hands

Little sister, break your vow
Break down, the sacred side
Little sister, break the rules
Break me in two

SIOUXSIE & the BANSHEES

PUZZLE: SUSAN JANET BALLION (SIOUXSIE SIOUX) e HELENA BONHAM CARTER


IDEIA e MONTAGEM: PRISCILLA FONTOURA

Pentagram é uma banda que se formou em 1971 nos EUA e liderada pelo vocalista Bobbie Liebling . A lista de músicos que fizeram parte ...


Pentagram é uma banda que se formou em 1971 nos EUA e liderada pelo vocalista Bobbie Liebling. A lista de músicos que fizeram parte desta banda é gigantesca, mas todos foram responsáveis pela criação de uma sonoridade que influenciou e continua a influenciar muitíssimas bandas de doom metal tradicional. Os dois discos que editaram nos anos 80, Pentagram (em 1985) e o excelente Days of Reckoning (1987) conferiram à banda um estatuto de gigantes no espectro do doom metal, mas com o passar dos anos a banda foi perdendo a sua influência e nunca chegaram a obter o reconhecimento merecido. No entanto, Bobby Liebling com a ajuda de fãs, principalmente os mais dedicados, continua a tentar viver pelo metal porque a música é a única coisa que o motiva. 


Infelizmente, Bobby Liebling sofreu algumas das mazelas graves que acontecem a alguns músicos, caindo nas armadilhas das drogas duras e tendo de viver com os pais enquanto tenta batalhar os seus demónios interiores e a sua deterioração causada pelo uso de drogas duras. No entanto, quando se tem força de vontade, dedicação pela arte e uma rede de suporte feita por amigos e familiares conseguem ultrapassar-se os obstáculos mais assustadores possíveis. Este documentário realizado por Don Argott e Demian Fenton prova isso mesmo. 



TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE
Imagens: Frames do documentário "Last Days Here" (2011)

JOÃO SALAZAR Género: alternativo, experimental, MPB Álbum: Lugar Afora Data de lançamento: Agosto, 2018 Capa do disco Lugar Afora ...

JOÃO SALAZAR
Género: alternativo, experimental, MPB
Álbum: Lugar Afora
Data de lançamento: Agosto, 2018

Capa do disco Lugar Afora

Sabe-se que é bastante difícil recitar poesia de forma excelsa, mas é capaz de ser ainda mais difícil musicar poesia, seja ela feita de palavras ou sons, mas é o que João Salazar consegue fazer no seu disco de estreia. 


O disco LUGAR AFORA integra oito canções inteiramente compostas por João Salazar e duas em parceria com Bruno Neves e Guilherme Becker. As vocalizações do cantautor têm o timbre delicado e perfeito para o florescimento das palavras no timing certo e em perfeita consonância com as melodias. Percorrendo as dez canções embarcamos numa viagem suave, mas intensa, por entre os caminhos floridos do MPB, a sensibilidade do folk e as curvas e contracurvas de um experimental que se imiscui nas canções garantindo a sua autenticidade.


A primeira canção, Lugar Adentro, é a porta de entrada para um mundo introspectivo, poético e extremamente sensível. O começo aparentemente dissonante faz florescer uma melodia pastoral, enriquecida pelas vocalizações, poesia da letra e a riqueza de instrumentos, tais como o piano e violoncelo. Andar, é a canção que se segue e que conta com o violoncelo de Lucas Duarte (dois músicos que já haviam colaborado num EP) e o uso do glockenspiel tocado por Caio Mello. Nossos mapas, é uma música de cariz muito intimista tanto pelas intromissões suaves de piano tocado por Leonardo Bittencourt como pelo trabalho de percussão de André Garbini e Ives Mizoguchi e o violão de Bernard Simon.

Em Algum Desatino composta em parceria com Guilherme Becker, deixamo-nos voar por entre malhas melódicas que têm passagens de uma electrónica orgânica e por efeitos sonoros criativos e completamente fora dos lugares-comuns. Hemisférios começa por uma linha clara e melódica de violão tocada por João Salazar e mais uma vez é uma composição que é surpreendente com as linhas de guitarra de Lorenzo Flach. Entropia é um autêntico poema musicado que tem tanto de viciante como de memorável. Interferência começa com uma linha de baixo forte e intensa tocada por Caio Mello e um acompanhamento intrigante de sintetizadores por Juliano Lacerda.

Coletiva Solidão prima por ter um belo poema que coincide na perfeição com a melodia rica, cheia de texturas e camadas e uma percussão bastante expressiva tocada por Bruno Neves, sintetizadores por Gabriel Burin e mais uma vez o violoncelo de Lucas Duarte. Todos os instrumentos estão em perfeito acordo uns com os outros, mas há espaço para que cada um deles consiga reflectir a sua luz.

Eco é talvez a música com mais influências MBP tanto pelas guitarras como pela própria letra. A canção que encerra o disco, chama-se Curva e é uma música perfeita para desenhar os últimos milímetros de um círculo perfeito. É um disco de estreia que apesar de ter uma primeira e última canção, merece estar em constante rotação, sendo um dos discos mais promissores da nova vaga de compositores e músicos brasileiros. 


TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE

Ídolos... CRIAÇÃO E AUTORIA:   EMANUEL R. MARQUES

Ídolos...

CRIAÇÃO E AUTORIA: EMANUEL R. MARQUES

GOODNIGHT PUNPUN (OYASUMI PUNPUN) de ISIO ASANO O Punpun tem uma figura que não é particularmente torneada, mas que me fas...



GOODNIGHT PUNPUN (OYASUMI PUNPUN) de ISIO ASANO

O Punpun tem uma figura que não é particularmente torneada, mas que me fascinou logo nos primeiros quadrinhos da manga escrita e desenhada por Isio Asano. O nome de Punpun é também fascinante para os meus olhos e ouvidos, Onodera Punpun. Onodera, Onodera, Onodera.

A manga faz parte do género SLICE OF LIFE além de também conter no seu cerne muitos outros. Um pedaço de vida, mas que neste caso, é muito mais que uma fatia, é a vida de Onodera que se apresenta aos meus olhos e que me fez sentir com ele o amor, a felicidade, a esperança, o tédio, a angústia, o desespero e a essência da existência, tal qual como ela é, com a sua mistura imprevisível de luz e escuridão.

Punpun fez-me ver o mundo de variadas formas e a sentir a tensão e desespero do amor não recíproco ou do longing por um amor de infância ou adolescência. Ele tanto é um passarinho, como um triângulo ou muitas outras formas, mas não deixa de ser único e fiel a si mesmo, Onodera Punpun.

Posso dizer que li a manga num curto espaço de tempo apesar de ser constituída por 13 volumes um pouco extensos, tal é a imersão e empatia que se sente ao ler a história de Onodera desde a sua infância como passarinho tímido até aos seus 20 anos. Durante vários meses, vi a vida em quadrinhos a preto e branco, li da esquerda para a direita e senti uma afeição especial sempre que avistava um passarinho. Onodera Punpun, I am in love with you.

Por: Intelectual Estóica
IDEIA ORIGINAL: CLÁUDIA ZAFRE & PRISCILLA FONTOURA