LEGENDAS: 1, 2, 3, 4 - STEVE GRIMMETT'S GRIM REAPER 5, 6,7, 8 – NIGHT in...


LEGENDAS:
1, 2, 3, 4 - STEVE GRIMMETT'S GRIM REAPER
5, 6,7, 8 – NIGHT in GALES 
9, 10, 11, 12, 13 – GAMA BOMB
14, 15, 16 - CHRIS HOMES MEAN MAN 
17 - ANALEPSY
18, 19, 20, 21, 22, 23 24 – BALMOG
25 – ANALEPSY
26, 27 – AGRESSOR
28, 29, 30 - AFFÄIRE
31 - STEVE GRIMMETT'S GRIM REAPER


Fotos por: RUI MOTA PINTO
Data: 12 de JANEIRO, 2019
Local: Mangualde



Everywhere at the end of the time , The Caretaker As memórias podem provocar, pelo menos, dois efeitos; ancorar num passado que se qu...

Everywhere at the end of the time, The Caretaker

As memórias podem provocar, pelo menos, dois efeitos; ancorar num passado que se quer rejeitar, ou ressuscitar a vontade de recriar momentos nostálgicos, dos quais se sente saudade. Nos seus livros, Oliver Sacks faz referência a vários episódios sobre pessoas que padeceram de demência. Outras formas de retratar a doença, mostram, através de narrativas fotográficas, familiares que registam os seus parentes que, gradualmente, vão perdendo a memória. O documentário Alive Inside (2014), realizado e escrito por Michael Rossato-Bennett, retrata o tema da doença de Alzheimer com leveza e sentido de humor. Dan Cohen, fundador da organização sem fins lucrativos Music & Memory, luta contra o sistema de saúde norte-americano, demonstrando que a música é um elemento terapêutico no combate da perda de memória, ao mesmo tempo, ajuda a restaurar o sentido "de si mesmo" para os que padecem da doença. A música exerce um efeito terapêutico sem igual. Nesse sentido, alguns criativos inspiram-se no tema para desenvolver projectos.

James Leyland Kirby, o cérebro do projecto The Caretaker, tem explorado os temas da nostalgia, da memória e da melancolia. Inicialmente Kirbey inspirou-se na cena do salão assombrado de Shining (Stanley Kubrick, 1980) para arrancar com o seu projecto. Manipulava trechos de canções de salão dos anos 30. No seu trabalho, An Empty Bliss Beyond This World, segue a mente de um protagonista que se esforça para lembrar mesmo das mais pequenas partes da sua vida, utilizando sons danificados. Ao longo dos seis últimos álbuns editados, Everytime at the end of time (fases 1, 2 e 3, 2016 - 2017), Take care. It's a desert out there (2017), Everywhere at the end of the time (fases 4 e 5, 2018); Kirby insiste que as suas composições não são apenas repetições a auto-destruírem-se, elas mesmas explicam como o fazem e por quê. As misturas parecem, de facto, um regresso ao passado, uma reconstrução nostálgica que se assemelha ao acto de dar corda a uma caixa de música, capaz de nos levar à Hollywood BoulevardUm projecto que vale a pena escutar.

Texto: Priscilla Fontoura
thecaretaker.bandcamp

O acto de criação artística pode partir de várias fontes, tais como experiências pessoais, contextos sociais e/ou influências de outros...


O acto de criação artística pode partir de várias fontes, tais como experiências pessoais, contextos sociais e/ou influências de outros artistas ou obras de arte. O artista cria o seu próprio imaginário e universo a partir de determinadas referências que o cativam e é com a ajuda delas que consegue transmitir as suas mensagens. Existe sempre um suporte de referências ou influências, pelo menos na maior parte dos casos, mas parece que houve excepções à regra ao longo da história. O artista americano de origem polaca, Stanislav Szukalski conseguiu criar um mundo artístico com referências únicas e muito particulares. Um pouco iconoclasta e bastante megalómano, produziu centenas de esculturas, desenhos, pinturas, escreveu livros de história onde expressou as suas teorias um pouco excêntricas e fez desenhos projecto para monumentos.


No documentário,  Struggle: The Life and Lost Art of Szukalski (2018), realizado por Irek Dobrowolski, temos acesso a gravações das inúmeras explicações de Stanislav sobre espiritualidade, arte e o seu desdém por críticos de arte. Há também alguns twists durante o documentário que podem criar alguns sentimentos contraditórios em relação a este criador tão invulgar. Acompanhamos a sua vida desde a sua adolescência na Polónia e Estados Unidos, onde chegou a conviver com algumas personalidades de renome de Hollywood, tais como o argumentista, Ben Hecht, que foi uma voz activa em relação às atrocidades cometidas pela Alemanha Nazi durante a Segunda Guerra Mundial.


Há também entrevistas a Glenn Bray, um colecionador de raridades artísticas que na sua adolescência encontrou um livro raríssimo de Szukalski e a partir daí nutriu o seu fascínio pelo artista, tornando-se um dos seus melhores amigos. É um documentário que nos permite aceder às ideias ditas pouco convencionais de um criador que não se deixou reger pelos críticos e que conseguiu criar o seu próprio universo.

TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE
Imagens: Frames do Doc. Struggle, The Life and Lost Art of Szukalski (2018)

Self Portrait , 1983, Robert Mapplethorpe Tal como outra expressão artística, há um momento na história da fotografia em que a práti...

Self Portrait, 1983, Robert Mapplethorpe

Tal como outra expressão artística, há um momento na história da fotografia em que a prática se confronta com a qualificação de arte. São vários os autores que se defrontaram com o dualismo registo/arte. Há quem tenha interpretado a prática fotográfica apenas como registo, e há quem tenha pensado nas várias possibilidades técnicas passíveis de exploração. Até que chega o momento em que a fotografia se desvincula dos laços que a diminuíram face à pintura, essencialmente, por muitos pintores, quando se desligou da representação literal, caminhando, assim, para outras formas de expressão mais abstractas.

Depois da fotografia ter passado por várias fases, sobrepôs-se a questão; em que instância é que a mesma poderia ser incluída nos museus de arte? Susan Sontag, na sua colecção de ensaios, Sobre Fotografia, afirma:
A naturalização da fotografia como arte pelo museu é a vitória conclusiva da campanha de um século travada pelo gosto modernista em favor de uma definição de arte sem fronteiras, uma vez que a fotografia oferecia um campo muito mais conveniente do que a pintura para esse esforço. 

A um Domingo de manhã, o Museu Serralves, no Porto, é visitado por muitas famílias e não apenas. Misturadas nessa multidão estão também crianças, que a dada altura observam as fotografias, algumas controversas, de Mapplethorpe. Há quem aponte para o falo de um modelo de Mapplethorpe e pergunte: "Mãe, isto é mesmo real?".

A educação judaico-cristã influenciou a sociedade ocidental e moldou também o modo de pensar conforme o espírito da época, mas, chegou o momento, nomeadamente o século XIX, em que a academia e o mundo científico se desmembraram da religião vigente para desenvolverem, autonomamente, os mais variados pensamentos e expressões artísticas, onde a ética e a moral deixaram de limitar os temas abordados.

Hoje, dia 9 de Janeiro de 2019, encerra a tão polémica exposição Robert Mapplethorpe: Pictures que reúne 159 obras de toda a carreira e de todas as áreas tratadas pelo autor. Simplificar toda aquela colecção ou o trabalho de Mapplethorpe a meras imagens eróticas, é um julgamento um quanto primário e redutor. Para quem se deixa inebriar por todos aqueles planos - que mostram em jeito de pose aqueles modelos, alguns dos quais com quem Mapplethorpe também se relacionou -, não se pode esquecer que, apesar das imagens circunscreverem-se a um tempo e a um espaço, não se ficam pelo in media res. Há um antes e um depois, uma narrativa que não se prende apenas ao presente. Relações que começaram momentos antes e que terminaram logo a seguir, talvez... Sontag afirmou que "Aquilo que ele procura [...] não é a verdade sobre algo, mas a versão mais forte da verdade sobre algo". E essa verdade é a da Mapplethorpe, é a verdade à qual a estética contemporânea preferiu agarrar-se, em detrimento da noção do belo da época clássica grega. O artista não pode fazer da sua verdade o seu monstro, deve enfrentá-lo de frente. 

Tulip, 1985, Robert Mapplethorpe

Há romantismo nos detalhes que não se identificam no primeiro segundo. Tulipas entrelaçadas criam um poema visual, que não diluem as palavras que correm e ocorrem nas mentes mais dramáticas. Bolhas no vaso de água de plantas, que para alguns poderá apenas ser um pormenor, mas que numa natureza morta confirma a existência de vida. Há também uma preocupação com a luz e com a composição, um contraste que marca uma organização geométrica entre luz e sombra, uma obsessão pela forma, pelas linhas perpendiculares e pelos corpos esculturais; como se fossem estátuas gregas que atribuem um valor não apenas estético, mas uma proximidade à perfeição natural, quais Apolos. O nova iorquino foi ao encontro de reconhecimento no submundo artístico, Iggy Pop, Susan Sarandon, Deborah Harry, Arnold Schwarzenegger, Andy Warhol, Richard Gere, Philipe Glass & Robert Wilson, William Burroughs, e, claro, a sua musa, Patti Smith com quem teve uma relação ímpar; ela mesma lançou o volume Just Kids, no qual discorre sobre as histórias vividas ao lado do seu grande e verdadeiro amor, amigo e amante Robert Mapplethorpe.

Iggy Pop, 1981, Robert Mapplethorpe

Patti Smith, 1979, Robert Mapplethorpe

White Gauze, 1984, Robert Mapplethorpe

A recriação que faz de Magritte intitulada White Gauze é mais erótica, mas também romântica, dois corpos envolvidos em gaze fundem-se num só. Se calhar a representação mais profunda e densa, própria do amor, sem brutalidade inerente.

Ken Moody and Robert Sherman, 1984, Robert Mapplethorpe

Mapplethorpe fazia retratos à Mapplethorpe, a julgar, o seu trabalho seria facilmente identificado. Onde está o punctum da imagem? Há um falo que se confunde com uma tromba, outro que poderia ser um pedaço de carne pronta a ser cortada na mesa do talhante, alegorias que no campo da psicanálise percorrem o mundo do subconsciente, aparentemente dissociadas umas das outras, mas com valor e significado. O artista viveu nas ruas de Nova Iorque com Patti Smith, enquanto procurava o seu lugar no mundo artístico, a par de uma vida marginalizada pela sua orientação sexual. Nas ruas procurava modelos com quem podia ter relações e também fotografar, tal como o pintor que pinta os seus modelos, não fosse o seu background construído nas belas-artes. O trabalho de Mapplethorpe é voz activa que discursa sobre a camada marginal, alegadamente causadora da dispersão do vírus do HIV nos anos '80. Ainda que sendo um artista controverso, a avaliação do seu trabalho jamais pode ficar apenas retida a uma primeira camada do ver, ou seja, ao erotismo a que lhe está associado. Há romantismo e uma obcecada busca pela poesia, visualmente profunda e complexa. 

Self Portrait, 1988, Robert Mapplethorpe

No auto-retrato em que Mapplethorpe está sentado numa cadeira com uma bengala com punho de caveira, é como que uma despedida que vai ao encontro de outras, como a de David Bowie, com o teledisco Lazarus. Isto é, mesmo sabendo que a morte está perto, não se foge dela. E a cruz, exposta a meio do corredor central de Serralves, é o caminho para quem em todo o seu trabalho buscou a perfeição, melhor dizendo, a redenção.
When I work, and in my art, I hold hands with God., Robert Mapplethorpe

Texto: Priscilla Fontoura
Exposição: Robert Mapplethorpe, Pictures
Curador: João Ribas
Imagens: Robert Mapplethorpe

Local: Serralves, Museu de Arte Contemporânea, Porto
Data: 6, Janeiro, 2019
Bibliografia: Sobre Fotografia, Susan Sontag; Just Kids, Patti Smith

31 – Begotten Ter pesadelos é sempre uma experiência aterradora. Pode ou não desvendar algumas das nossas ânsias e medos pessoais, ma...

31 – Begotten


Ter pesadelos é sempre uma experiência aterradora. Pode ou não desvendar algumas das nossas ânsias e medos pessoais, mas sentimo-nos sempre como que envoltos numa névoa de confusão e angústia ao acordar. Essa névoa pode durar horas, minutos ou apenas segundos, mas é certamente poderosa. Além da sua intensidade é também bastante particular, parecendo que é apenas gerada pelo nosso subconsciente. Mas e se essa sensação nos for dada por uma obra de arte ou por uma peça cinematográfica? É o que pode acontecer ao visualizarmos Begotten realizado por E. Elias Merhige. O filme não tem uma narrativa linear, mas consiste numa sequência de imagens filmadas a preto e branco com bastante grão e que em poucos minutos nos transporta para um mundo onírico negro e sem esperança. Apesar de haver cenas muito complicadas de assimilar visualmente, não conseguimos desviar os olhos tal é o carácter hipnótico que o filme carrega. O filme tem uma identidade livre, na medida, em que cada espectador é livre dele tirar o seu significado. Existe uma perfeita subjectividade de interpretação. É um filme que literalmente deixa a sua marca no espectador que o vê e que tão cedo não se esquecerá deste filme enigmático e críptico. 

32 – Spider baby
Este filme realizado por Jack Hill mistura uma dose subtil de humor negro com terror e consegue fazer-nos simpatizar com os três vilões da história. É um pouco complicado caracterizar a família deste filme como disfuncional, sendo que vivem em harmonia perfeita no seu gosto por assassinatos e aranhas. O verdadeiro desequilíbrio instala-se quando são visitados pela sua tia, tio e um advogado algo manhoso. Os instintos homicidas dos três irmãos surgem à superfície e começam os verdadeiros problemas. É que estes irmãos, duas encantadoras meninas adolescentes e o seu irmão que é mudo e gosta de se esconder em sítios esquisitos, sofrem de uma doença degenerativa que além de os infantilizar, faz com que se tornem extremamente susceptíveis a praticar homicídios.  Não há uma explicação muito detalhada sobre a razão pela qual uma das adolescentes pensa que é uma aranha, mas é apenas mais uma das marcas atraentes deste intrigante filme de terror. Destaque especial para as cenas finais e a infame cena do jantar em família. 

33 – Prisioners of the lost universe


Os universos paralelos são sempre uma boa base exploratória para narrativas, seja para efeitos hilariantes como em Rick & Morty ou para utilizar o baixo-orçamento num filme divertido e que não se leva demasiado a sério como este filme realizado por Terry Marcel. A narrativa acompanha as aventuras de três pessoas que se teletransportam acidentalmente para um outro universo. Este universo é um local hostil dominado pelo tirano sanguinolento, Kleel (interpretado por John Saxton). Os efeitos especiais são da velha-guarda, o que dá ainda mais charme a este pequeno filme de ficção-científica e fantasia. Podemos encontrar gigantes dourados, homens verdes, homens selvagens das cavernas e muito mais. É um filme paradisíaco para verdadeiras escapistas.

34- Rock ‘n’ roll Highschool


Se és estudante num liceu onde a directora queima os discos de rock ‘n’roll, não te deixa cantar nem basicamente divertires-te, chama os Ramones! Este filme musical de comédia realizado por Allan Arkush encanta todos os fãs de Ramones e cativa todos aqueles que apenas são simpatizantes da banda. A narrativa passa-se num liceu que segue o regime ditatorial da directora Miss Togar (interpretada pela sempre excelente Mary Woronov) que acredita que o rock’n’roll apenas serve para gerar delinquentes. Entra Riff Rendell (PJ Soles), fã #1 dos Ramones, cujo sonho é compor músicas para a banda e conhecer Joey Ramone. O seu sonho fica perto de ser concretizado quando a banda entra em tour e passa pela sua cidade. Riff Rendell, munida pelo poder do rock e com a ajuda dos Ramones, vai conseguir fazer frente à directora do liceu e a um grupo de cidadãos ultrajados pelo poder “diabólico” do rock. É um filme divertido, recheado de momentos músicos e que tem ratos gigantes rockeiros que também são alunos do liceu. É caso para dizer Gabba-gabba, hey!

35- Mondo Hollywood


Este documentário realizado por Robert Carl Cohen é uma viagem interessante ao sub-mundo da “terra dos sonhos” - Hollywood- durante a década de 60. Somos apresentados a várias pessoas que vivem em Hollywood e às suas excentricidades. Claro que o que era considerado polémico na altura, é nada mais do que mundano nos nossos dias, no entanto, não deixa de ser uma paisagem social intrigante e imprescindível para quem se interessa pelos hábitos e estilos de vida menos convencionais da década de 60 nos USA. Hollywood é descrita como um paraíso ou refúgio para quem quer sentir e viver livremente, sem convenções ou dogmas moralistas. Há footage de surf, narrações de surfistas que descrevem o estilo de vida de um surfista, cenas dos bastidores do filme “Torn Curtain” de Alfred Hitchcock, entrevistas com músicos e um milionário que vive numa garagem que tem uma casa numa montanha e um macaco como animal de estimação. É um retrato fascinante de uma época onde os valores foram desafiados e novos estilos de vida começaram a imergir.

36 – She


Neste filme acompanhamos uma série de odisseias por várias sociedades de um pós-apocalipse. Basicamente, seguimos She, a heroína da história que com a ajuda de dois irmãos e da sua fiel companheira, batalha múmias com motosserras, comunistas com poderes mutantes dignos do professor Xavier dos X-men e nazis cujo único interesse é o homicídio. Mas há muito mais do que isso, claro! A narrativa é extremamente confusa e surreal. Sabemos que os dois companheiros de She, são dois irmãos (um deles é interpretado por David Goss que também entrou no clássico Hollywood Cop) que querem resgatar a irmã deles e aliam-se a She, apesar de terem começado como seus inimigos. O ratio de estranheza é bastante elevado e pode dizer-se que em cada 5 minutos, é dito ou acontece algo surreal. Um filme que fica a meio caminho entre a comédia e a acção mas que pode agradar a fãs de filmes com orçamentos modestos que ainda assim tentam e conseguem recriar mundos bem diferentes do nosso.   

37 – The flesh eaters


Este filme realizado por Jack Curtis e lançado em 1964 é reconhecido por ser um dos primeiros filmes que apostou no gore para chocar, impressionar ou deliciar os espectadores. A narrativa é bastante linear e segue um grupo de três pessoas que se despenham numa ilha deserta. O piloto, um galã tipicamente hollywoodesco, uma actriz com problemas de alcoolismo e a sua assistente. Além de se terem despenhado numa ilha deserta, deparam-se com a presença de um cientista de origem alemã que realiza experiências pouco ortodoxas na ilha. A este invulgar quarteto, junta-se um híbrido de beatnick com hippie que declara que a única arma é o amor. Mas será que o amor será suficiente para lidar com a ameaça que rodeia a ilha? É que na água habitam micro-organismos que devoram a pele dos humanos! O filme consegue criar suspense e tensão nos momentos certos e as cenas gore tendo a época em que foi feito e o orçamento são muitíssimo bem conseguidas. Um filme para rever e ver com a família numa noite de domingo preguiçosa.  

38 – Q: the winged serpent

Larry Cohen é um realizador que sempre se muniu de ideias originais nos seus filmes e este filme lançado em 1982 não é excepção. A acção decorre em Nova Iórque (tal como o seu filme anterior Gold told me to) e é um misto de género policial com terror sobrenatural. Uma série de crimes grotescos pontuam o quotidiano da cidade e cedo se descobre que o responsável é uma criatura gigante voadora que habita no edifício Chrysler. Nota-se, como sempre nos filmes de Cohen, um excelente aproveitamento do orçamento tanto nos efeitos especiais como no design da criatura. Narrativamente, há espaço para uma boa construção de personagens e criação de tensão a um ritmo por vezes lento, mas que serve a narrativa. Se se quiser ver um filme como uma criatura que aterroriza uma cidade e se quer fugir um pouco dos estereótipos, é um filme que não desilude.  

39 – The thing with two heads


Preconceitos absurdos como racismo sempre foram temas abordados na sétima arte. Neste filme realizado por Lee Frost, durante a primeira metade do filme, essa questão do racismo é abordada de forma delicada, claro que as coisas depois descambam um bocado e de forma hilariante. A narrativa apresenta-nos a um homem extremamente rico e racista que para prolongar a sua vida, envolve-se numa experiência para que a sua cabeça seja transplantada para o corpo de um humano saudável. O que acontece é que o único corpo disponível é a de um recluso afro-americano. Segue-se uma sequência de eventos cómicos e surrealistas com a exploração da relação entre o homem branco racista e o seu novo companheiro. É um filme que não se leva demasiado a sério mas que garante uma tarde de diversão.

40 – Pterodactyl woman from Beverly Hills


Além do nome brilhante, este filme realizado por Phillipe Mora, é uma mistura divertida de fantasia com comédia. Assim como o nome indica é sobre uma dona de casa de Beverly Hills que se transforma num pterodáctilo, fruto de uma maldição lançada por um indígena chamado Salvador Dalí. A partir daí, as coisas como seriam de esperar, tornam-se cada vez mais bizarras com uma performance fantástica de Beverly D’Angelo como a mulher-pterodáctilo. Existe também um delicioso número musical, algo sobre martinis azuis! Os diálogos são surpreendentemente perspicazes e é um filme que claro que não se leva demasiado a sério mas garante a requerida dose de entretenimento e diversão.


Conclusão:
Há bastantes mais filmes e um universo fantástico por explorar no espectro dos filmes de série-B que continuam a surpreender-nos com as suas narrativas de premissas inusitadas e totalmente “loucas”. É um universo que me cativa e que exploro há vários anos. E que os baixos orçamentos e poucos recursos nunca impeçam a sétima arte mas lhe dêem ainda mais inspiração, engenho e recursos criativos que continuarão a inspirar outros cineastas e cinéfilos. 

TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE