REMOTE VIEWING Género: punk, doom, noiserock Álbum: Blood Loss Data de lançamento: 27 de Julho, 2018 Remote Viewing é uma banda ...

REMOTE VIEWING
Género: punk, doom, noiserock
Álbum: Blood Loss
Data de lançamento: 27 de Julho, 2018



Remote Viewing é uma banda de Londres em UK e compõe-se de ex-membros das bandas Palehorse, Million Dead e I want you dead. O nome parte de um conceito interessante na área do estudo do paranormal que funciona como uma espécie de telepatia visual em que conseguimos ver objectos e paisagens geograficamente distantes através da mente. Estes conceitos reúnem ciências com alguma magia e atraiu pesquisas da CIA durante a década de 90. O disco é composto por sete temas de um post-hardcore maduro e original com algumas influências doom, O disco saiu o mês passado e ao ouvi-lo agora neste mês quente de Agosto é como o dispêndio de adrenalina que se tem ao saltar de uma ravina e mergulhar na água em baixo. O disco começa com Suitcase full of exposure, um tema bastante doom e sludge, com riffs de guitarra arrastados tocados por Tom Fowler e James Bryant que complementam as vocalizações torturadas de Nikolai Von Stieglitz. Fuck a church, é um tema mais curto com uma bateria tremenda deixada a cargo de Dimitris Sakellariou. É um tema de post-hardcore puro e directo que passa o testemunho a Sonic Eutanasia, igualmente feroz, melódico e intenso. Pelican’t é tão niilista melodicamente quanto a sua letra. 


“Cull your memory /Impossible/ Lower your lungs/ Lungs don’t work anymore/ Or a hearse/ We’re dead anyway/ So extra vehicles would be appreciated”

Limbs to fold e Whitney Houston we have a problem são os dois temas mais longos do disco ultrapassando os sete minutos no qual as influências doom são notórias tanto na velocidade das guitarras como nas linhas de baixo tocadas por John Atkins. O tema que encerra o disco, Tastes of nothing, é um ataque de pós-hardcore que reúne todo o niilismo e ferocidade da banda. É uma banda que com este disco dá as cartas na cena populosa do pós-hardcore. 

- TRANSLATION - 



REMOTE VIEWING
Genre: punk, doom, noiserock
Album: Blood Loss
Release: 27 de Julho, 2018


Remote Viewing is a band from London in the UK. The band is formed by ex-members of bands such as Palehorse, Million Dead and I want you dead. The name origins from an interesting concept in the study of the paranormal that acts like some kind of visual telepathy in which we can see objects and geographically distant landscapes through our mind. These concepts unite science with magic and it attracted some research from the C.I.A during the 90’s. The record has seven songs of a mature and original kind of post-hardcore and some doom influences. The record was released last month and listening to it now it’s like the adrenaline we get when we jump out of a ravine and dive into the water. The record starts off with Suitcase full of exposure, a som that has doom and sludge influences, with slow guitar riffs played by Tom Fowler and James Bryant that complement the tortured vocals by Nikolai Von Stieglitz. Fuck a church is a shorter song but with wonderful drumming by Dimitrus Sakellariou. It’s a pure post-hardcore song that precedes Sonic Eutanasia, equally fierce, melodic and intense. Pelican’t is as nihilistic melodically as its lyrics :

“Cull your memory /Impossible/ Lower your lungs/ Lungs don’t work anymore/ Or a hearse/ We’re dead anyway/ So extra vehicles would be appreciated”

Limbs to fold and Whitney Houston we have a problem are the longest songs of the record, clocking above the 7 minutes and in which the doom influences are huge, especially in velocity of the guitars or the bass lines played by John Atkins.The last song of the record, Tastes of nothing, is an attack of post-hardcore that comprises all the nihillism and ferocity of the band. It’s a band that with this record stands out in the crowded scene of the post-hardcore.

remoteviewing.bandcamp.com/album/blood-loss


TEXTO/TEXT: CLÁUDIA ZAFRE

FOTOS POR RUI MOTA PINTO 































FOTOS POR RUI MOTA PINTO 

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Quem nunca confundiu Ralph Fiennes com Liam Neeson?

PUZZLE: RALPH FIENNES e LIAM NEESON

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29 -   It Follows, Disasterpeace (2014) It Follows realizado por David Robert Mitchell é um dos filmes mais originais de terror d...

29 -  It Follows, Disasterpeace (2014)


It Follows realizado por David Robert Mitchell é um dos filmes mais originais de terror dos últimos tempos. A narrativa foca-se em Jay (interpretada por Maika Monroe), uma jovem que se envolve sexualmente com um rapaz que mais tarde lhe diz que lhe transmitiu uma entidade malévola que a vai perseguir até a matar. Esta entidade ou maldição é passada através de relações sexuais e Jay começa a ficar cada vez mais paranóica, sendo que os próprios amigos não acreditam que ela esteja amaldiçoada, até que claro, coisas estranhas começam a acontecer. A cinematografia é refrescante e original dando uma qualidade bastante onírica ao filme. Essa originalidade também está presente nos dezoito temas da banda sonora composta por Disasterpeace. O tema principal tanto tem de belo como de aterrador e na boa linha de John Carpenter o uso de sintetizadores é uma prerrogativa. É uma banda sonora fascinante que consegue traduzir a tensão, medo e ansiedade presentes no filme. Consegue ouvir-se independentemente do filme, sendo que é um clássico para fãs de música eléctronica com recurso a sintetizadores.

30 - El Orfanato (The Orphanage), Fernando Velázquez (2007)


El Orfanato é um filme realizado por J.A Bayona e a sua estreia nas longas-metragens.  O filme conta a história de Laura (interpretada por Belen Rueda) que decide voltar à casa onde viveu a infância e abrir um orfanato. Os problemas começam quando o seu filho começa a ter comportamentos um pouco sinistros e a falar dos seus amigos imaginários, que se calhar, não são tão imaginários quanto isso. O filme não se baseia em gore ou violência gráfica de qualquer espécie, mas através de intriga através da narrativa, o elemento mistério e o uso adequado e certeiro do suspense. A banda sonora composta por Fernando Velázquez é elegante, misteriosa e acima de tudo, bela. As composições podem ser ouvidas independentemente do filme e acarretam uma atmosfera de ameaça constante imiscuída com momentos de calma e beleza. Esta ameaça é sentida muito profundamente no tema “Un día de Fiesta”. São composições que dão uma outra envergadura a um filme já de si bastante sofisticado e gracioso.

31 – Kairo (Pulse), Takefumi Haketa (2001)


Pulse é um filme realizado por Kiyoshi Kurosawa que funde o género de terror psicológico com o pós-apocalíptico de uma forma magistral. Nesta narrativa, o mundo dos espíritos infiltrou-se na realidade através da internet e da tecnologia. O mundo fica invadido por fantasmas e a cinematografia do filme ajuda a recriar uma atmosfera de melancolia e solidão. A banda sonora composta por Takefumi Haketa consegue traduzir na perfeição um ambiente estéril, assustador e profundamente desolador. Há o uso de cores femininos cristalinos que se infiltram numa malha de música pulsante, atmosférica e que tem o seu quê de melancólico e assustador. Um dos filmes mais marcantes do terror japonês dos últimos tempos e que conta com uma banda sonora que ajuda a fortalecer todo o mood do filme.

32 - Possession, Andrzej Korzynski (1981)


Possession é um filme de terror psicológico com inclinações de art-house realizado por Andrzej Zulawski. Neste filme, Isabelle Adjani e Sam Neill interpretam um casal que está com dificuldades graves no seu matrimónio. Problemas esses agravados pelo facto da personagem interpretada por Adjani manter uma relação extra-conjugal com uma criatura reminiscente de trabalhos de H.P Lovecraft. O filme tem grandes influências surrealistas e consegue criar uma sensação de desconforto permanente ao espectador. A banda sonora composta por Andrzej Korzynski é feita de uma electrónica de batidas em drum machines com uma forte componente de sintetizadores que ajudam a recriar a atmosfera desconfortável e perturbante do filme. O uso do piano também evoca alguma da melancolia que se vê no filme e que provém de um casamento falhado. É um filme que entrou no circuito dos festivais de prestígio e conseguiu arrecadar o prémio de melhor actriz no festival e Cannes. 

33 - Onibaba, Hikaru Hayashi (1964)


Onibaba é um filme realizado por Kaneto Shindo e que retrata o quotidiano cinzento de duas mulheres que se vêm sozinhas a morar num pântano durante o século XIV no Japão. As duas mulheres ganham a sua subsistência a enganar e matar soldados que buscam santuário em casa delas. Depois de os matarem, ficam com os seus bens e é assim que ganham a vida. As coisas mudam quando um soldado chega a casa delas e a desconfiança entre as duas mulheres começa a crescer até atingir limites insuportáveis. A mulher mais velha começa a usar uma máscara pertencente a um samurai, mas vê-se incapaz de retirar a máscara, tornando-se ela própria uma espécie de demónio. A banda sonora de Hikaru Hayashi pontua toda a narrativa com o uso de percussão que sublinha os movimentos tensos, ansiosos e bruscos das personagens. Apesar de não se encontrar um lançamento oficial da banda sonora esta é de um cariz algo negro e jazzístico de vanguarda. É um filme clássico do cinema japonês que ainda hoje causa arrepios.

34 Brain Damage, Gus Russo (1988)


Brain Damage é um filme realizado por Frank Henenlotter que mistura com mestria comédia negra com terror. A narrativa centra-se em Brian, um jovem que se vê invadido por um parasita mutante chamado Aylmer que gosta bastante de cantar e que consome cérebros humanos para a sua subsistência. Brian começa a arranjar-lhe cérebros para comer, ao mesmo tempo que Aylmer injecta uma substância alucinógena em Brian que leva a algumas situações hilariantes, mas bastante gore. A banda sonora composta por Gus Russo tem também o seu quê de divertido, especialmente no nome dos temas, como por exemplo, Parasite Lost e Pasta con Cerebrum. As melodias são tipicamente anos 80 com sintetizadores a liderar e a ter bastante predominância. São 26 temas enérgicos e ameaçadores que ajudam a recriar a atmosfera única e criativa do filme. Um dos meus filmes preferidos de terror na medida em que consegue misturar comédia negra com terror, sem descair completamente na “palhaçada” e ao mesmo tempo consegue criar uma alegoria social sobre o uso de drogas e o efeito físico devastador que acaba por provocar na pessoa.

35 - Altered States, John Corigliano (1980)


Altered States é um filme realizado por Ken Russell e visualmente bastante forte e criativo. Consegue misturar ficção cientifica com terror da melhor forma possível e conta também com uma excelente interpretação de William Hurt no papel de Dr. Eddie Jessup que torturado pela morte do pai, decide descobrir pelos seus próprios recursos o verdadeiro significado da vida. Para alcançar o seu objectivo, toma um poderoso alucinógeno enquanto se fecha num tanque de isolação. É aí que nesse estado completamente alterado, viaja para os primórdios da história do Homem. É um filme surrealista, criativo e único. A banda sonora composta por John Corigliano acentua o carácter surrealista do filme através do uso ecléctico de várias sonoridades distintas. Há momentos orquestrais que enfatizam os momentos mais dramáticos e passagens de piano de profunda melancolia. A banda sonora em si é também ela uma viagem interior e introspectiva que se adequa na perfeição ao carácter único do filme.

36 -  Don’t look Now, Pino Donnagio (1973)


Don’t look Now realizado por Nicolas Roeg é um filme delicado que funde drama com terror. A história toma lugar numa das cidades mais carismáticas e bonitas da Europa, Veneza em Itália. O casal interpretado por Donald Sutherland e Julie Christie está de luto pela morte da filha e entra em contacto com uma vidente que lhes diz que a filha deles os está a contactar através do além. A partir daí, as coisas tornam-se cada vez mais estranhas e surrealistas. A banda sonora composta por Pino Donnagio é composta por 3 peças clássicas que acentuam a elegância e sofisticação do filme. Há passagens em que paira uma ameaça com o uso de uma orquestração pesada. É uma banda sonora clássica para um filme de terror psicológico com elementos sobrenaturais que elevou o bastião dos filmes de terror da década de 70.

37 - Les Yeux Sans Visage (Eyes without a face), Maurice Jarre (1960)


Realizado por George Franju, Les Yeux Sans Visage é um filme sombrio e surreal que retrata um cirurgião brilhante mas com óbvios problemas psicológicos que tenta restaurar a cara da filha que ficou horrivelmente desfigurada num acidente. Sem querer ligar a falhanços nem obstáculos, o cirurgião continua o seu trabalho apesar obter resultados um pouco grotescos. A banda sonora composta por Maurice Jarre tem o seu quê de romântico quanto de perturbante. São composições curtas mas cheias de sentimento e que evocam algumas das imagens mais marcantes do filme. Poético, mas arrepiante.

38 - The Neon Demon, Cliff Martinez (2016)


Realizado por Nicolas Winding Refn é um filme visualmente triunfante e que caracteriza de forma surreal o lado mais negro e soturno da indústria da moda. A história centra-se em Jesse (interpretada por Elle Fanning) uma jovem bela e um pouco inocente que tenta a sua sorte em L.A numa agência de modelos. As coisas assumem um carácter cada vez mais negro e aterrador quando a beleza de Jesse começa a ser motivo de inveja patológica. É um filme visualmente perfeito que se destaca imediatamente pelas belas cenas inicias e cuja banda sonora composta por Cliff Martinez complementa sem falhas o carácter sofisticado e luxuriante do filme. Há que destacar também o tema Demon Dance de Julian Winding que toca numa das cenas mais memoráveis do filme. A banda sonora é extremamente apelativa e pode ouvir-se independentemente do filme pois tem vida própria e um carisma bastante apelativo. É um dos filmes de terror psicológico mais bem conseguidos visualmente dos últimos tempos.  

Conclusão:
As bandas sonoras em filmes de terror são complementos essenciais para acentuar a atmosfera das imagens e o carácter tenso, ansioso e dramático da narrativa. Podem ser ouvidas independentemente das imagens, mas evocam sempre os momentos mais cruciais dos filmes que lhe deram vida. Seja com a mistura de ficção-científica, thriller ou até comédia, o género de terror continua a ser um dos mais prolíficos e interessantes da sétima arte.


TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE
IMAGENS: Frames dos Filmes 

Fontes
Livros: Film Music and Film Genre, Mark Brownrigg
Shock Value: How a few eccentric outsiders gave us Nightmates, conquered Hollywood, and invented Modern Horror, Jason Zinoman 

19 - The Thing, Ennio Morricone (1982) The Thing de John Carpenter é um remake perfeito do filme homónimo dos anos 50. É um ...

19 - The Thing, Ennio Morricone (1982)




The Thing de John Carpenter é um remake perfeito do filme homónimo dos anos 50. É um filme com efeitos especiais muito à frente da época em que foi feito e que combina na perfeição o género de ficção-científica com o terror. A narrativa centra-se num grupo de cientistas estacionado na Antártida que descobre uma estirpe de criatura alienígena que consegue assimilar os corpos de humanos e animais usando-os como hospedeiros. O clima de tensão, desconfiança e medo instala-se quando o grupo fica sem saber quem está contaminado e quem não está. John Carpenter costuma compor as bandas sonoras dos seus filmes, mas neste caso passou o testemunho a Ennio Morricone e foi uma decisão bastante acertada. A banda sonora composta por Morricone consegue transpor para ambientes sonoros o clima de desconfiança que se começa a instalar no grupo assim como os ambientes de maior tensão. Consegue transmitir o ambiente inóspito da Antártida e quando ouvimos a banda sonora é como se fizéssemos parte do grupo de cientistas em risco de ser dizimado. É um trabalho bastante diferente do habitual de Morricone que se popularizou a compor para os spaghetti westerns de Sergio Leone, mas que mostra ser um músico extremamente versátil e talentoso ao ter composto uma banda sonora intensa para um filme que continua a ser um dos melhores de fusão de ficção-cientifica com terror. 

20 - Candyman, Philip Glass (1982)



Candyman é um filme realizado por Bernard Rose baseado numa short-story de Clive Barker. A narrativa gira à volta de Helen Lyle (magistralmente interpretada por Virginia Madsen) que está a escrever uma tese sobre lendas urbanas e descobre uma lenda interessante, a do Candyman. A partir daí, começa a investigar a lenda e vai descobrindo por sua conta e risco que a lenda não é tão lenda assim. A banda sonora coube a Philip Glass, um compositor de música clássica contemporânea, conhecido pelo seu minimalismo e repetição de motivos sonoros. Nesta abordagem, Glass compôs um dos mais reconhecíveis temas de filmes de terror, Music Box. A banda sonora é claramente de Glass ao usar certas passagens em repetições que criam um efeito hipnotizante. Há também uma bela canção em piano, Helen’s Theme que irrompe em coros femininos e masculinos numa sonoridade tipicamente de Glass. É uma banda sonora de cariz bastante gótico com os seus órgãos soturnos e coros que ajudam a recriar visões de Candyman (interpretado por Tony Todd) a procurar vingança. É uma banda sonora que ajudou que o filme conquistasse o estatuto de culto que hoje em dia tem.

21 - Videodrome, Howard Shore (1983)


Bem-vindos à nova era digital cortesia de David Cronenberg. Videodrome é um filme muito à frente do tempo em que foi realizado e mistura vários géneros, ficção científica, terror, thriller e até alguma sátira. A narrativa é sobre um produtor de televisão (interpretado por James Woods) que descobre um programa bastante obscuro chamado Videodrome. Rapidamente fica fascinado pelo programa e certas coisas estranhas começam a acontecer e à boa maneira de Cronenberg, há inúmeras mutações, fusões de homem com máquina e outras distorções fisiológicas. O filme é extremamente bem conseguido na área dos efeitos especiais e mostra todas as possibilidades que havia e o que se conseguia fazer bem antes da chegada do CGI. 

Estas mutações e distorções da realidade pela tecnologia estão bem presentes na banda sonora composta pelo veterano Howard Shore que mistura electrónica com ambiental negro de forma perfeita. É um complemento essencial para as imagens e ajuda a recordar certas cenas do filme que uma vez vistas são impossíveis de esquecer.

22 - Quién puede matar a un niño? (Who can kill a child?), Walter de Los Ríos (1976)


Filme espanhol realizado por Narciso Ibáñez Serrador e que retrata a viagem de um casal inglês a uma ilha espanhola para passar umas férias bem merecidas. O problema é que a ilha é habitada por crianças que viraram homicidas sanguinolentos e sádicos. Uma premissa aparentemente simples, mas chocante para o seu tempo e com excelentes interpretações por parte do elenco juvenil. A razão pela qual as crianças viram assassinos em série não é completamente explicada, mas existe um subtexto que sugere um elemento paranormal. A atmosfera criada por Serrador é bastante competente e nos dias a seguir à visualização do filme é provável que o espectador, quando deparado com um parque infantil, subconscientemente comece a andar num passo mais apressado ou mesmo de corrida. 

A banda sonora deste clássico ficou a cargo do compositor Walter de Los Ríos que usa sons das crianças, nomeadamente risos de cariz um pouco sádicos e que se imiscuem profundamente nas composições dramáticas e ameaçadoras. Há também alguma dissonância que reflecte na perfeição os instintos homicidas das crianças. É uma banda sonora bastante livre em termos composicionais e surpreendente. 

23 - Kill List, Jim Williams (2011)



Kill List é um filme realizado por Ben Wheatley que cria automaticamente um clima de alguma tensão, apesar de não sabermos ainda as razões, temos a certeza que algo de horrível vai acontecer e os dez minutos finais do filme são a prova disso e também um teste ao estômago do espectador. O filme começa por levar o espectador a crer que se trata de um drama sério inglês até começar a dar dicas que algo de mais soturno está a acontecer. A personagem principal interpretada por Neil Maskell entra numa espiral de paranóia e alguma instabilidade mental que nos faz duvidar se o que vê é realmente verdade. No entanto, o terceiro acto do filme deixa-nos sem dúvidas. Há realmente algo de horrível a acontecer. O ritmo lento do filme contribui para a construção da atmosfera até ao clímax final do filme que é um autêntico soco forte no estômago. A banda sonora é composta por Jim Williams e tem o condão de ser puramente sinistra. É um género de ambiental muito negro que se insere completamente no espírito do filme. Tem momentos de ameaça, calma e melancolia. É um disco com peças perfeitas que podem ser ouvidas independentemente do filme. 

24 - The Exorcist, Jack Nitzsche, Mike Oldfield (1973)


Quando a tua filha entra na sala e faz xixi pelas pernas abaixo, roda completamente a cabeça, vomita em jactos explosivos um líquido verde alface, caminha em posição de aranha e diz obscenidades que fariam corar os bêbados numa taberna numa cidade portuária em pleno século XVIII está na altura de chamar alguém. Não propriamente os ghostbusters, mas provavelmente um padre que faça exorcismos. E foi precisamente o que a mãe de Regan fez. Na altura, foi um filme que aterrorizou uma geração inteira e que ainda hoje provoca os devidos arrepios. Este filme realizado por William Friedkin continua a ser a imagem de marca quando se pensa em filmes de terror e o carácter realista do exorcismo apesar de estar mesclado com alguns elementos do sobrenatural é bastante aterrador. A banda sonora contém algumas peças clássicas que ajudam a complementar a atmosfera do filme, para além de um bom uso do tema Tubular Bells de Mike Oldfield. É uma banda sonora que ajuda a complementar a atmosfera do filme mas que por si só não tem um efeito tão poderoso. 

25 - Eraserhead, David Lynch & Alan R. Splet (1982)



A primeira longa-metragem de David Lynch e que demorou vários anos a concluir é uma obra-prima que mistura surrealismo, humor negro e bizarro com situações grotescas que envolvem temas como morte, sexualidade entre outros temas “difíceis”. O ambiente industrial, as sombras que invadem o ecrã estão presentes na banda-sonora composta por David Lynch e pelo engenheiro de som do filme, Alan R. Splet. A narrativa foca-se num casal que acaba de ter um filho. No entanto, o rebento é uma espécie de alienígena que está constantemente a chorar. São imagens de autênticos pesadelos que desfilam pela tela e apesar da aparência mutante da pequena criatura não podemos deixar sentir um pouco de empatia. A banda sonora desenvolve-se num drone subtil com excertos de diálogos do filme e um ambiental soturno e industrial. A única música completa do disco é a popular In heaven (Lady in the radiator song) que mais tarde teve uma versão feita pela banda indie rock Pixies. É uma banda sonora de ambiental negro que completa e sublinha a atmosfera do filme.

26 - The Evil Dead, Joseph LoDuca (1981)



The Evil Dead realizado por Sam Raimi é mais uma prova do que se pode alcançar com um orçamento reduzido, mas uma montanha de dedicação e criatividade. A narrativa segue um grupo de cinco jovens que decide passar férias numa casinha de madeira no meio da floresta. As coisas começam a complicar-se quando têm acesso a um livro, o Necromicon e a partir daí há uma série de incidentes que envolvem motosserras, demónios e sangue, muito, muito sangue. O herói do filme, Ash (interpretado por Bruce Campbell) vê-se numa situação complicada ao ver os seus amigos a ser aterrorizados por forças demoníacas. A banda sonora de LoDuca é bastante atmosférica, usa e abusa de instrumentos de cordas o que cria suspense e tensão no ouvinte. Há alguns momentos mais idílicos como em Love never Dies, apesar do carácter ameaçador da melodia continuar presente. Esta banda sonora teve uma reedição este ano de 2018 sob o nome, THE EVIL DEAD: A NIGHTMARE REIMAGINED e é uma expansão da banda sonora original. LoDuca voltou ao estúdio e gravou novamente os temas que fazem parte deste filme de culto que gerou uma grande legião de fãs e seguidores. 

27 - Oculus, The Newton Brothers (2013)



Os filmes de terror sobrenatural focam-se normalmente em objectos que são susceptiveis de estar amaldiçoados ou assombrados, seja uma casa, um livro ou outros objectos. No caso deste filme realizado por Mike Flanagan é um espelho antigo que dois irmãos estão convencidos que detém um poder demoníaco e que influenciou negativamente a infância deles. A premissa é aparentemente simples, mas o que dá cor ao filme é o uso de flashbacks e a linha não-cronológica da narrativa. A banda sonora criada por The Newton Brothers é uma compilação de peças ambientais cuja progressão lenta culmina sempre num ponto alto de tensão, voltando a acalmar logo de seguida. 

É uma score que ajuda a incrementar a tensão que se sente ao longo do filme. 

28 - Starry Eyes, Jonathan Snipes (2014)



Starry Eyes é um filme realizado por Kevin Kolsch e Dennys Wydmier que mistura terror psicológico com alguma violência gráfica, mas que é filmada estilisticamente e com bom gosto estético. É a história de Sarah, uma aspirante a actriz que está disposta a tudo (literalmente) para conseguir um papel num filme. A sua ambição é desmesurada e vende literalmente a alma ao diabo para mudar de vida e conseguir uma carreira. A transformação ou metamorfose que Sarah atravessa é uma das mais aterradoras do cinema de terror contemporâneo. O filme pode até ser considerado como uma sátira à cultura obcecada pela fama e pelas celebridades, no entanto, a magia do filme prende-se com o facto de Sarah querer anular por completo a sua personalidade e renascer de acordo com os trâmites da seita que está infiltrada no show-business e que se encarrega de gerar a sua carreira. É um filme fascinante e que eleva o estatuto dos filmes de terror contemporâneos. As mutações físicas e psicológicas a que Sarah se submete para conseguir ter fama em Hollywood são nauseantes e angustiantes. A banda sonora composta por Jonathan Snipes mistura a inocência e pureza com um lado mais sombrio e decadente. É uma banda sonora que funciona independentemente do filme e que assim como o filme é surpreendente, criativo e invulgarmente feroz. 

(CONTINUA...)


TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE
IMAGENS: Frames dos Filmes