Género: pós-punk, math rock, noise rock, rock experimental Álbum:  Schlagenheim Data de lançamento: 21 de Junho, 2019 Editora:  Rough Trad...

Género: pós-punk, math rock, noise rock, rock experimental
Álbum: Schlagenheim
Data de lançamento: 21 de Junho, 2019
Editora: 
Rough Trade ‎– Popstock
https://bmblackmidi.com


Quando um álbum sai fora da zona de conforto dos ouvidos mais bem comportadinhos fica um quanto difícil absorvê-lo. O choque do novo nunca foi tão excitante, disse a Times acerca de Schlagenheim, um álbum com temas que se dirigem para estados de espírito contraditórios.

A mais recente produção Black Midi assume características vintage que não descura a importância dos efeitos de pedais e sintetizadores para exaltar a ambiência noise, um pouco ao jeito Sonic Youth. Os Black Midi são formados por Geordie Greep (voz/guitarra), Matt Kwasniewski-Kelvin (voz/guitarra), Cameron Picton (voz/baixo), e Morgan Simpson (bateria). Este ano editam Schlagenheim, um álbum muito maduro para uma banda com elementos tão novos.

953 combina o lado menos atraente do funk metal com math-rock estranho e pós-punk. Speedway é repetitivo e segue de crescendo para decrescendo, uma estrutura envolvida em math-rock que remete para um cenário de uma cidade agitada pelos humanos que se movimentam orquestrados por uma coreografia ao ritmo drum'n'bass e em loop, com várias brincadeiras sonoras misturadas e improvisadas. Em Reggae regressa a voz à la Macy Gray com a força de um blues negro, gritada e falada por Geordie Greep. É confusa e estimulante ao mesmo tempo. Há proximidade a Remain in Light and Fear of Music dos Talking Heads, uma reminiscência da abordagem funk próxima à propulsão rítmica de uma selva "sintética". 

Near DT, MI, é o clímax do álbum, sentem-se momentos de reflexão e de revolta partilhados num mesmo tema, o mais curto do álbum, um yin e um yang que se confrontam, mas que dependem um do outro para existirem. Há laivos Can, Sonic Youth, Pixies, sem se esperar, transita-se para um twist groovento que vai em direcção a uma progressão de derretimento mental que desaparece inesperadamente. 

Em Western é-se transportado para a abordagem Oxbow, uma voz que não é totalmente cantada nem spoken word puro, são palavras debitadas em cima das guitarras que tanto gritam o dialecto dos demónios, quanto dos anjos. Muitas vezes, quando certos elementos de um grupo ou bandas tentam misturas vários géneros, o resultado poderá ser ridículo e cliché. Não é isso que acontece com esta banda que se conheceu na Brit School, a vontade de sair dos cânones é clara, transparente e acidental, o desfecho é muito bem conseguido. A experimentação BmBmBm tem groove, um ritmo viciante para quem o escuta, serão os Primus? Não! Mas é claro que o baixo bebe do mesmo cálice que Les Claypool. Ouve-se:

She moves with a purpose
And what a magnificent purpose
Moves with a purpose
Moves with a purpose
Oh, what a purpose
Oh, what a purpose
Oh, what a magnificent purpose

Years Ago é cheio de texturas e experimentos que transmitem sensações de fúria e doçura, as camadas de guitarra e ritmos são desconcertantes. Em Ducter a intensidade rítmica está sempre presente, um álbum que termina com explosão variável e gemidos dementes. Talvez os ouvidos pouco acostumados à diferença sonora rejeitem uma nova audição, mas, certamente, os que se deixam aventurar pelo choque diferencial quererão reiniciar a jornada.

Existe acima de tudo um espírito anárquico, que pode também ser sentido com bandas como Pere Ubu e The Fall. Todavia, os Black Midi não prestam homenagem a estas bandas, marimbam-se para influências e obedecem à "revelação" que vão recebendo. Não há regras nem intencionalidade, têm sentido de humor, são provocativos e agressivos, ao mesmo tempo, mantêm um espírito livre e solto. Ouvindo-os ou não, os Black Midi continuarão a fazer o que melhor sabem, quadros cheios de personagens e fenómenos que acontecem na mesma tela.

Gravado nos estúdios Speedy Wunderground, ao lado de Dan Carey, Schlagenheim fará, por certo, as delícias de todos os fãs de Swans, Boredoms, METZ ou Girl Band. Os Black Midi actuam a 16 de Agosto no Festival Paredes de Coura e a 25 de Setembro na galeria Zdb, em Lisboa.



https://bmblackmidi.com/
Texto | Text: Priscilla Fontoura

As canções e música de protesto sempre tiveram um papel activo na luta contra ditaduras e tiranias. Além de fornecerem um veículo efect...


As canções e música de protesto sempre tiveram um papel activo na luta contra ditaduras e tiranias. Além de fornecerem um veículo efectivo de protesto, são também uma maneira de eliminar a repressão a nível individual, mas não deixam de ser a expressão de um povo.

A música sempre teve, tem e terá um papel fundamental no continente africano onde muitas vezes a luta deu origem à canção. Sendo que é também algo instintivo e natural em África como veículo espiritual e ponte de ligação com uma entidade superior.

Estas componentes da música foram sentidas na África do Sul durante o regime brutal do apartheid. O povo uniu-se através da música, das canções e dos cantos em coro. Foi desde 1948 – com a instauração do regime apartheid até ao seu final de 1994 - que os africanos se uniram para de uma forma não-violenta acabar com o domínio brutal e tirano que os oprimia. Impedidos de andar em vários autocarros, terem de abandonar as suas casas e ocupar verdadeiros guetos, entre outras violências, o povo negro africano nunca deixou de cantar e demonstrar a sua resistência.

Este documentário realizado por Lee Hirsch que passou nove anos na África do Sul a reunir entrevistas, footage e imagens de arquivo para o documentário, mostra quão importante e indispensável foi o papel da música no acto da revolução e justiça social. Há trechos de performances de vários músicos e um bom enquadramento histórico e social através de entrevistas, imagens e footage de arquivo. É um filme que mostra a música como arma e escudo de todo um povo.

Texto: Cláudia Zafre 
Imagens: Frames do doc. Amandla! A Revolution in four Part Harmony

Conjunto!Evite é uma banda que reanima o espírito do rock progressivo e o mantém bem nacional. O seu segundo disco de originais, Se is...


Conjunto!Evite é uma banda que reanima o espírito do rock progressivo e o mantém bem nacional. O seu segundo disco de originais, Se isto é um Disco, tem o seu nome inspirado no livro de Primo Levi, Se isto é um Homem. Assim como Primo Levi se questionou sobre a essência da humanidade, a banda questiona-se sobre a do disco. O que é hoje em dia um disco? É um LP Vinil, um cd ou um streaming? São perguntas que a banda levantou com a escolha do título para este segundo trabalho de originais.

Se isto é um Disco reúne oito temas que vagueiam pelo rock progressivo com pinceladas de psicadelismo, mas não se fica por aí, há também momentos de rock frontal e destemido, graças às inúmeras influências musicais dos elementos da banda. Apesar dessas influências, a banda traça o seu caminho com independência e vigor, atestando algumas opiniões que se trata de uma das promessas do rock nacional.

O LP inicia-se com Ciclotrão, um tema em que se destaca as guitarras acesas, o ambiente ritmado robótico, mas orgânico e as vocalizações também elas em jeito ou mote quebrado de robot. É uma abertura entusiasmada do lado A do LP que faz a devida entrada para o tema Controla a Paranóia, um tema instrumental que dá aso ao lado cósmico da banda. 

Continua-se em território cósmico com O Lead é que Decide, terceiro single da banda e incluso no disco de 2018 dos novos talentos Fnac. Do cósmico passamos a um ambiente mais misterioso e críptico com Fauno, primeiro single da banda, onde os dotes progressivos da banda se revelam sem constrangimentos.

No lado B continua-se a viagem por territórios do psicadelismo progressivo com Jupiter Uniform November Oscar 6, que atrai tanto pela complexidade do título como da sua composição ondulante e imprevisível que nos remete para a década de 70 do progressivo genuíno. Guten Morgen é o tema que se segue e que se prova que é possível fazer bom progressivo cantado em português como José Cid o fez há alguns bons anos. Pequenez apresenta uma estrutura mais tradicional e de rock frontal e despretensioso que acalenta o fogo para que este queime no último tema do LP, Se isto é um single, onde toda a energia vibrante da banda toma o seu rumo.

Seja progressivo, psicadélico ou rock mais directo, Se isto é um disco reveste-se de 8 temas que fazem de Conjunto!Evite uma banda a figurar no brasão da nova música alternativa portuguesa. 

                                                      - TRANSLATION - 

Conjunto!Evite is a band that revives the spirit of progressive rock and keeps it national. Their second release, Se isto é um disco, has its name inspired by the book Se isto é um homem by Primo Levi. Just like Primo Levi questioned the essence of humanity, the band questions the essence of the record. What is a record nowadays? Is it a vynil, a cd or a stream? There are questions that the band has raised with the choice of a name for their second release.

Se isto é um Disco is composed of 8 songs that wander through progressive rock with psychedelic brushes, but it does not end there, there are also moments of straightforward and fearless rock, due to the band’s countless musical influences. Despite those influences, the band marks its way with vigor and Independence, giving important to those opinions that they are one of the promising bands of portuguese rock.

The LP begins with Ciclotrão, a song with “well lit” guitars, a robotic ambiance in the rhythm yet organic, and the vocals that are also somewhat robotic. It’s an exciting opening for the side A of the LP and that makes the entrance to the song Controla a Paranóia, an instrumental song that gives rise to the cosmic side of the band. We then continue in cosmic territory with O Lead é que Decide, third single of the band and included on the 2018 release of Novos Talentos Fnac. We depart from the cosmic and enter a more mysterious and cryptical realm with Fauno, first single of the band, where the progressive leanings of the band are revealed without constraints.

On the B side we continue through territories of psychedelic progressive with Jupiter Uniform November Oscar 6, that attracts both by the complexity of its title as by the undulating and unpredictable composition that makes us travel back to the 70’s of pure prog rock. Guten Morgen is the song that follows and proves that it’s possible to make good progressive rock sung in portuguese just like José Cid did some years back. Pequenez presents a more traditional structure of straightforward and unpretentious rock that nurses the fire for it to burn bright on the last song of the LP, Se Isto é um Single, where all the vibrant energy of the band takes it course.

Be it progressive, psychedelic or more straightforward rock, Se isto é um disco, coats itself with 8 songs that make Conjunto!Evite a band to be part of the universe of the new alternative portuguese music. 

https://www.conjuntoevite.com
Texto | Text: Cláudia Zafre
Tradução | Translation: Cláudia Zafre
Artwork do disco: Vicente Santos e Sebastião Santos 

No mundo dos/as cantautores/as há sempre um local especial para o coração, as aventuras e desventuras dos amores, as confissões de amor...


No mundo dos/as cantautores/as há sempre um local especial para o coração, as aventuras e desventuras dos amores, as confissões de amores que poderiam ser, mas nunca foram e o intimismo lírico típico de quem encontrou a sua voz na música.

Jackie Cohen é uma cantautora de Los Angeles (EUA) que editou recentemente ZAGG, um disco cheio de canções que deambulam liricamente por episódios de coração partido, ansiedades, missivas de amor e muitas mais aventuras de uma cantautora que adoptou a sua alcunha de liceu para apelidar o álbum.

O seu mundo interior é exposto em ZAGG e merece várias escutas atentas. Perguntámos a Jackie as suas predilecções para 5 livros, 5 discos, 5 filmes/séries e aqui ficam as suas escolhas:

Livros:
- Still Life with Woodpecker, Tom Robbins
- A Lover’s Discourse, Roland Barthes
- The Art of Recklessness, Dean Young
- To the Lighthouse,Virginia Woolf
- Valley of the Dolls, Jacqueline Susann

Discos: 
- Astral Weeks, Van Morrison
- Double Fantasy, John & Yoko
- Rich Kid Blues, Marianne Faithfull 
- Minor Love, Adam Green
- 69 Love Songs,The Magnetic Fields 

Filmes/Séries:
- Hedwig and the Angry Inch, John Cameron Mitchell
- Harry Potter Series
- Lord of the Rings, The Fellowship of the Ring, Peter Jackson
- The Mindy Project, Mindy Kaling
- Naruto, Masashi Kishimoto 

                                                     - TRANSLATION -


In the world of singer songwriters there is always a special place for the heart, the adventures and misadventures of love, the confessions about loves that could be but never were, and the lyrical intimacy of those who have found their voice in music.

Jackie Cohen is a singer songwriter from Los Angeles (USA) that has recently released ZAGG, a record filled with songs that lyrically wander through episodes of heartbreak, anxieties, love’s little notes and many more adventures of a songwriter that adopted her high-school nickname to name the album.

Jackie's interior world is exposed in ZAGG that deserves multiple listens. We asked Jackie about her predilections for 5 books, 5 records, 5 films/tv shows and here are her choices:

Books:
- Still Life with Woodpecker, Tom Robbins
- A Lover’s Discourse, Roland Barthes
- The Art of Recklessness, Dean Young
- To the Lighthouse,Virginia Woolf
- Valley of the Dolls, Jacqueline Susann

Records: 
- Astral Weeks, Van Morrison
- Double Fantasy, John & Yoko
- Rich Kid Blues, Marianne Faithfull 
- Minor Love, Adam Green
- 69 Love Songs,The Magnetic Fields 

Films/Tv shows:
Hedwig and the Angry Inch, John Cameron Mitchell
- Harry Potter Series
- Lord of the Rings, The Fellowship of the Ring, Peter Jackson
- The Mindy Project, Mindy Kaling
- Naruto, Masashi Kishimoto 


Texto | Text: Cláudia Zafre
Tradução | Translation: Cláudia Zafre
Escolhas | Choices: Jackie Cohen

Aristides de Sousa Mendes nasceu no dia 19 de Julho de 1885 , poucos minutos depois da meia-noite. Passados 134 anos , mais de um século, ...

Aristides de Sousa Mendes nasceu no dia 19 de Julho de 1885, poucos minutos depois da meia-noite. Passados 134 anos, mais de um século, recordamos, com o documentário I am Alive thanks to Aristides de Sousa Mendes, este grande herói chamado Aristides de Sousa Mendes, um homem que ousou desobedecer às ordens de António de Oliveira Salazar para salvar inúmeras vidas perseguidas pelo regime nazi.

I AM ALIVE thanks to Aristides de Sousa Mendes é uma curta-metragem documental realizada por Priscilla Fontoura que conta a história de um dos maiores heróis esquecidos do século XX. Como cônsul-general em Bordéus, França, durante a segunda guerra mundial, Sousa Mendes foi responsável por salvar a vida de milhares de pessoas do Holocausto. Conseguiu fazê-lo, passando vistos para Portugal, contra as ordens directas do ditador português, António de Oliveira Salazar. Entre os que receberam os vistos encontram-se Salvador Dali, cujos quadros pós-guerra existem graças a Aristides de Sousa Mendes

O filme estabelece um paralelo entre a casa de campo de Sousa Mendes - um edifício que até hoje se encontra em ruínas - e o esquecimento forçado do seu legado. Castigado pelo governo português, nunca recebeu o reconhecimento que mereceu. O ponto de partida do documentário é uma visita à casa, apelidada Casa do Passal, onde o cônsul nasceu. É lá que conhecemos as pessoas que receberam os vistos assim como os seus familiares que vieram para prestar homenagem. A ocasião é também mote para a abertura de uma instalação, Work towards Fairness criada por Eric Moed, um arquitecto de Nova Iorque cujo avô recebeu um visto emitido por Aristides. A instalação de Moed inclui fotografias das pessoas que receberam os vistos e é um apelo para que a casa seja reconstruída. 

Com os seus testemunhos e histórias de família, os membros das famílias que receberam os vistos, ajudam a reconstruir a memória de Aristides de Sousa Mendes e a restaurar o seu bom nome. Este filme sublinha a necessidade de reconstrução da única estrutura física em Portugal associada a Aristides de Sousa Mendes, a Casa do Passal, para que o nome de um dos grandes heróis do mundo ocidental tenha o seu lugar de direito na história. 

Cartaz realizado por Hélder Costa



- TRANSLATION - 

I AM ALIVE thanks to Aristides de Sousa Mendes is a short documentary film directed by Priscilla Fontoura that tells the story of one of the greatest forgotten heroes of the twentieth century. As the Portuguese Consul-General in Bordeaux, France, during World War II, Sousa Mendes was responsible for saving the lives of thousands of people from the Holocaust. He did this by issuing visas to Portugal, against the direct orders of the Portuguese dictator, António de Oliveira Salazar. Among the visa recipients was Salvador Dali, whose post-war paintings exist thanks to Aristides de Sousa Mendes.

The film establishes a parallel between the Sousa Mendes home in the Portuguese countryside – an edifice that today stands in ruins – and the forced oblivion of his legacy. Punished by the Portuguese government, he never received the recognition he deserved. The starting point of the documentary is a visit to the house, called Casa do Passal, where the Consul was born. There we meet Sousa Mendes visa recipients and their descendants who have come to render homage. The occasion is the opening of an installation, “Work Towards Fairness,” created by Eric Moed, a New York architect whose grandfather received a visa from Aristides. Moed’s installation includes photographs of the visa recipients and is meant as a plea for the house to be rebuilt.

With their testimonials and family stories, the visa recipient family members help to rebuild the memory of Aristides de Sousa Mendes and restore his good name. This film underlines the necessity of rebuilding the only physical structure in Portugal associated with Aristides de Sousa Mendes, the Casa do Passal, so that the name of one of the greatest heroes in the Western World might be restored to its rightful place in history.

Executive producer VIBIS
Associate producers BRITT MICHAELIAN, ELIZABETH BROWN, HARRY OESTERREICHER, ISABEL CANHOLA, MARK ROBERT, YAKOV DAMKANI AND ELISHEVA DAMKANI

A documentary financed by crowdfunding I AM ALIVE THANKS TO ARISTIDES DE SOUSA MENDES with ANTÓNIO DE MONCADA DE SOUSA MENDES, ERIC MOED, HARRY OESTERREICHER and YARA NAGEL video editing PRISCILLA FONTOURA executive producer VIBIS associate producers BRITT MICHAELIAN, ELIZABETH BROWN, HARRY OESTERREICHER, ISABEL CANHOLA, MARK ROBERT, YAKOV DAMKANI AND ELISHEVA DAMKANI, directed by PRISCILLA FONTOURA.

Documentary included in the Yad Vashem’s Visual Center, Jerusalem.

voz e bonecos | voice and hand-made cartoons: Emanuel R. Marques material: papel | paper vídeo | video: Priscilla Fontoura tradução |...



voz e bonecos | voice and hand-made cartoons: Emanuel R. Marques

material: papel | paper
vídeo | video: Priscilla Fontoura
tradução | translation: Cláudia Zafre
som genérico | opening title soundtrack: Emanuel R. Marques, Priscilla Fontoura
tema | song: Keith Moon: "Won't get fooled again"

© Acordes de Quinta

Steven Tyler é conhecido pela sua excentricidade. O vocalista de Aerosmith é um animal de palco, um acrobata que usa o corpo e a voz para...

Steven Tyler é conhecido pela sua excentricidade. O vocalista de Aerosmith é um animal de palco, um acrobata que usa o corpo e a voz para se fazer ouvir. Conhecido como Demon of Screamin, em qualquer concerto utiliza o microfone adornado com lenços coloridos. Se fosse um cartoon, a sua boca seria o destaque da estrutura facial. Não é a sua filha Liv Tyler que poderia ser sua irmã, mas Lou Doillon. A cantautora francesa além de músico é também actriz e modelo. Filha do realizador e produtor Jacques Doillon e da actriz e vocalista Jane Birkin, a meia-irmã de Charlotte Gainsbourg estabeleceu a sua carreira com o seu álbum de estreia Places, em 2012. O seu último trabalho Soliloquy é uma colecção descontraída de canções pop delicadas, quebradas com outras faixas mais rock, exemplo disso é o tema Burn. Outro tema interessante It's You conta com a participação da cantautora norte-americana Cat Power

PUZZLE: STEVEN TYLER e LOU DOILLON

Ideia e Montagem: Priscilla Fontoura
Puzzle: Priscilla Fontoura

Alguém batia suavemente à minha porta, e eu, ouvindo o doce toque e terminando de lavar os dentes, bochechava com água a pasta que me ...


Alguém batia suavemente à minha porta, e eu, ouvindo o doce toque e terminando de lavar os dentes, bochechava com água a pasta que me restava na boca. Apressava-me.

Nos segundos que me permitiram finalizar a higiene dentária e vestir uma fugaz camisa, o ruído deixou de se ouvir e desesperei-me até à porta. Olhei à volta. Não vi ninguém. Vi alguém. Uma velha mulher a quem perguntei se tinha visto quem batera à minha porta e se conseguia descrever a pessoa. Ela respondeu que era a sorte quem batia à minha porta, mas como tinha demorado demasiado tempo a vir atendê-la, ela fora bater à porta de outro.

Texto: Emanuel R. Marques
Capa/Colagem: Emanuel R. Marques

CRIAÇÃO E AUTORIA:   EMANUEL R. MARQUES

CRIAÇÃO E AUTORIA: EMANUEL R. MARQUES

O rock progressivo dos anos 70 tanto da escola italiana como da americana ou britânica assumiu-se como um dos géneros mais prolíficos...




O rock progressivo dos anos 70 tanto da escola italiana como da americana ou britânica assumiu-se como um dos géneros mais prolíficos da época e parece que foi inteiramente esquecido até há pouco com o surgimento de várias bandas que pretendem revitalizar essa mesma sonoridade. 

Conjunto!Evite é uma banda portuguesa de Rio Maior (Santarém) que já conta com dois LP’S e vários singles no seu reportório. O som é assumidamente alternativo mas com influências fortes de progressivo e algumas cadências de math-rock. 

Há também uma preocupação de elevado nível de estética nos seus videoclips. Criativos e singulares são mais um dos cartões de visita da banda. 

É com energia, criatividade e desembaraço que fazem do rock progressivo um dos géneros mais interessantes da música alternativa e que já há muito merecia uma nova abordagem. 

Perguntámos a esta jovem banda as suas preferências para 5 livros, 5 discos, 5 filmes/Séries e aqui ficam as suas escolhas:


Livros:
Zen e a Arte do Tiro com Arco, Eugen Herrigel
Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago
Livro do Desassossego, Fernando Pessoa
Maus, Art Spiegelman
As Portas da Percepção, Aldous Huxley

Discos:
Pictures at an Exhibition, Emerson Lake and Palmer
Unknown Pleasures, Joy Division
Cross, Justice
Absent Lovers, King Crimson
Electric Ladyland, Jimi Hendrix

Filmes/séries:
Seven, David Fincher
Black Mirror, Charlie Brooker
Blade Runner, Ridley Scott
The Office (UK), Ricky Gervais, Stephen Merchant
Breaking Bad, Vince Gilligan

                                                         - TRANSLATION -




Progressive rock from the 70’s by the italian, american or british schools was one of the most prolific music genres of that epoch and it seems it was entirely forgotten until recently with the appearance of several bands that try to revitalize the genre.

Conjunto!Evite is a portuguese band from Rio Maior (Santarém) that has 2 LP’S and several singles in their repertoire. Their sound is alternative with strong progressive influencies and some math-rock leanings. 

There is also a preocuppation of aesthetics in their videoclips. Creative and singular videoclips that are one of the trademarks of the band. 

It’s with energy, creativity and ease that they make progressive rock one of the more interesting genres of alternative music and that deserved a new approach for quite some time. 

We asked this young band their preferences for 5 books, 5 records, 5 films/tv shows and here are their choices:

Books:
- Zen e a Arte do Tiro com Arco, Eugen Herrigel
- Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago
- Livro do Desassossego, Fernando Pessoa
- Maus, Art Spiegelman
- As Portas da Percepção, Aldous Huxley

Records:
- Pictures at an Exhibition, Emerson Lake and Palmer
- Unknown Pleasures, Joy Division
- Cross, Justice
- Absent Lovers, King Crimson
- Electric Ladyland, Jimi Hendrix

Films/TV shows:
- Seven, David Fincher
- Black Mirror, Charlie Brooker
- Blade Runner, Ridley Scott
- The Office (UK), Ricky Gervais, Stephen Merchant
- Breaking Bad, Vince Gilligan


Texto | Text: CLÁUDIA ZAFRE
Tradução | Translation: CLÁUDIA ZAFRE
Escolhas | Choices: CONJUNTO!EVITE

O humor, por vezes, quebra barreiras e limites do suposto “bom gosto”. É o que acontece nesta série de animação criada por Roger Blac...


O humor, por vezes, quebra barreiras e limites do suposto “bom gosto”. É o que acontece nesta série de animação criada por Roger Black e Waco O’Guin. Seguindo uma linha muito semelhante à série Brickleberry, desta vez acompanhamos as desventuras de um grupo de polícias na cidade de Paradise.

Podem não comer muitos donuts, mas o nível de competência não é muito mais elevado do que a do sargento Wiggum dos Simpsons. As personagens estão muito bem construídas, desde um cão que é adepto de todo o género de estupefacientes possíveis e imaginários, até uma polícia muito valente, mas com uma obsessão bastante creepy por um dos colegas de trabalho, vale tudo nesta série.  


A série não se poupa a tecer alguns comentários sociais e deixa espaço para a reflexão, um pouco como South Park. Para quem gosta de humor cru, sem barreiras e, por vezes, grotesco é uma série que acaba por resultar em binge watching.

Os fãs de Brickleberry, South Park e até Rick & Morty são capazes de apreciar esta série de animação para adultos.

Aguarda-se de forma expectante uma segunda temporada.

Texto: Cláudia Zafre
Série: Paradise PD
Imagens: Frames da série Paradise PD (2018)

Istambul é uma cidade de contornos exóticos, mas que, ao ser visitada, apresenta-se estranhamente familiar. Os prédios antigos, a conf...


Istambul é uma cidade de contornos exóticos, mas que, ao ser visitada, apresenta-se estranhamente familiar. Os prédios antigos, a confusão do tráfego, os homens sentados a jogar damas e a beber chá de rosa são imagens que tão cedo não abandonam o nosso imaginário. A cidade também é rica em sons, especialmente quando soam as vozes dos muezims da almádenas das mesquitas, que, levadas pela brisa, inundam a cidade e transformam-na numa miragem mística quando o sol se põe.


Istambul é metade Europa e metade Ásia. O Bósforo é o estreito que faz essa separação. Metade tradição e metade modernidade. Estando do lado oriental, somos confrontados com o lado mais tradicional. A religião, os costumes tradicionalistas e modestos, como um casal de namorados no jardim sentados num banco, sem se tocarem ou exprimirem o seu afecto, mas ele delicadamente beija-lhe a mão a certa altura. Por companhia, têm um pequeno rádio.

Na parte ocidental, as lojas abundam, assim como os bares que vendem bebidas alcoólicas. A música que se ouve já é mais ocidental, pode parecer-nos mais familiar, mas Istambul é ecléctica.

Fatih Akin, realizador de filmes de ficção como Head-On, o magnifico Soul Kitchen e mais recentemente In the fade, aventura-se no género documental com este documentário vibrante, informativo e dinâmico sobre a cultura musical na cidade turca.

Na primeira parte do documentário vemos algumas bandas turcas de rock (uma delas com clara inspiração grunge), e alguns artistas de hip-hop e breakdance que tentam mostrar a uma sociedade por vezes demasiado tradicionalista, o valor da sua arte.

A segunda parte do documentário leva-nos às raízes da música tradicional turca, assim como música curda. Num país inflamado por questões sociais e políticas bastante delicadas, o documentário não se constrange em abordar a censura que foi imposta à cultura curda na década de 80.


Nesta viagem a Istambul contamos com um anfitrião, Alexandre Hacke (dos Einstürzende Neubaten) que se sentiu fascinado pela cidade desde que a visitou durante a rodagem de Head-On, filme em que colaborou na banda-sonora.

Alexandre Hacke visita vários músicos, desde o rock ao rap, à música de artistas de rua e figuras marcantes da cultura musical turca.

Um documentário essencial para fãs de world music e todos os que também se sentem fascinados por uma cidade tão misteriosa e apelativa como Istambul. 

Texto: Cláudia Zafre 
Imagens: Frames do doc. Crossing the bridge: The sound of Istanbul 

voz, bonecos | voice, hand-made cartoons: Emanuel R. Marques material: açúcar | sugar vídeo | video: Priscilla Fontoura tradução | tr...




voz, bonecos | voice, hand-made cartoons: Emanuel R. Marques
material: açúcar | sugar
vídeo | video: Priscilla Fontoura
tradução | translation: Cláudia Zafre
som genérico | opening title soundtrack: Emanuel R. Marques, Priscilla Fontoura
tema | song: Frank Zappa (Metal Light: The Uncle Meat Project/Object), "Poo Yeahrg"

© Acordes de Quinta


Um conjunto de guitarras possantes com riffs doom, sludge e solos com influências de blues que acompanham vocalizações limpas e melódic...


Um conjunto de guitarras possantes com riffs doom, sludge e solos com influências de blues que acompanham vocalizações limpas e melódicas (por vezes, reminiscentes de bandas como Kyuss), fazem parte da receita de Bright Curse para a criação de um doom metal com influências blues e de desert rock.

O seu segundo disco de originais intitulado Time of The healer foi lançado este ano e é composto por 5 temas. A inclusão de flauta e trompete nas composições demarcam o seu som de muitas outras bandas que se movem pelos mesmos géneros musicais.

Perguntámos a Romain Daut, o guitarrista e vocalista de Bright Curse as suas recomendações para 5 livros, 5 discos, 5 filmes. Aqui ficam as suas escolhas:

Livros:
- Elephant whisperer, Lawrence Anthony 
- Factotum, Charles Bukowski 
- The Tao of pooh, Benjamin Hoff
- Jesus son, Denis Johnson 
- After Dark, Haruki Murakami 

Menção honrosa:
- Petit Pays, Gael Faye 

Discos:
- Kind of Blue, Miles Davis 
- The Alchemist, Witchcraft
- As I am, Bill Withers 
- Good kid m.a.a.d City, Kendrick Lamar 
- Strange Days, The Doors 

Bónus:
- Meddle, Pink Floyd 
- Graveyard, Graveyard
- Mélodie Nelson, Serge Gainsbourg

Filmes:
- Le péril Jeune, Cédric Klapish 
- Fear and Loathing in Las Vegas, Terry Gilliam 
- Natural Born Killers, Oliver Stone 
- Mononoke Hime, Hayao Miyazaki 
- The Life Aquatic with Steve Zissou and overall Wes Anderson 

                                                     - TRANSLATION -


A set of powerful guitars that play doom and sludge inspired riffs with blues influences that accompanies  clean and melodic vocals (reminiscent of bands like Kyuss) are part of the recipe of Bright Curse to create a doom metal with blues and desert rock leanings. 

Their second LP titled Time of The healer was released this year and is composed of 5 songs. The inclusion of flute and trumpet on the songs make their sound a stand out among the rest of the bands that play and dabble on the same music genres. 

We asked Romain Daut, the vocalist and guitarist of Bright Curse, his recommendations for 5 books, 5 records, 5 films. Here are his answers:

Books:
- Elephant whisperer, Lawrence Anthony 
- Factotum, Charles Bukowski 
- The Tao of pooh, Benjamin Hoff
- Jesus son, Denis Johnson 
- After Dark, Haruki Murakami 

Honorable mention:
- Petit Pays, Gael Faye 

Records:
- Kind of Blue, Miles Davis 
- The Alchemist, Witchcraft
- As I am, Bill Withers 
- Good kid m.a.a.d City, Kendrick Lamar 
- Strange Days, The Doors 

Bonus:
- Meddle, Pink Floyd 
- Graveyard, Graveyard
- Mélodie Nelson, Serge Gainsbourg

Films:
- Le péril Jeune, Cédric Klapish 
- Fear and Loathing in Las Vegas, Terry Gilliam 
- Natural Born Killers, Oliver Stone 
- Mononoke Hime, Hayao Miyazaki 
The Life Aquatic with Steve Zissou and overall Wes Anderson 


Texto | Text: CLÁUDIA ZAFRE
Tradução | Translation: CLÁUDIA ZAFRE
Escolhas | Choices: ROMAIN DAUT