Fred Frith é um multi-instrumentista com talento para o improviso que além da carreira a solo, conta com um elevado número de colabo...


Fred Frith é um multi-instrumentista com talento para o improviso que além da carreira a solo, conta com um elevado número de colaborações com outras bandas e projectos, entres eles, Naked City, The Golden Palominos, Art Bears e os enigmáticos Skeleton Crew que infelizmente tiveram uma existência bastante curta. Também compôs para cinema e entre os seus trabalhos encontra-se a  banda-sonora do filme Before Sunrise de Richard Linklater.


A sua destreza e aptidão para a livre improvisação na guitarra, permitem-lhe criar peças hipnóticas, complexas, mas imbuídas de diferentes atmosferas, como se se tratasse de um puzzle de emoções.


Neste documentário realizado por Werner Penzel e Nicholas Humbert temos acesso a vários fragmentos no quotidiano de Frith, sejam eles, uma conversa com um músico amigo enquanto esperam pelo jantar numa banca, os improvisos e conversas na sala de ensaio, as brincadeiras a tocar um piano-brinquedo com um bebé ou outras tantas mais imagens que intermedeiam as sequências em que o músico toca em colaboração com outros músicos da vanguarda e da livre improvisação.


O filme tem um ritmo que parece também ele de improviso e flui livremente entre vários países como se se tratasse de um só espaço. As sombras convivem harmoniosamente com a luz no registo a preto e branco escolhido pelos realizadores. As cenas do quotidiano fundem-se com as gravações dos músicos que brincam com os sons, criando melodias na aparente dissonância. São imagens de cidades, pontes, comboios, outras pessoas e que possuidoras de uma simplicidade bela e cativante se fundem com os fragmentos de vida de Fred Frith, um músico que não visita as cidades apenas para tocar ao vivo, mas para experienciá-las ao máximo. É o retrato de um homem que sente a música da sua maneira muito própria e como entidade que o possui e faz atravessar fronteiras.

TEXTO: Cláudia Zafre
IMAGENS: Frames do filme "STEP ACROSS THE BORDER"

CRIAÇÃO E AUTORIA:   EMANUEL R. MARQUES

CRIAÇÃO E AUTORIA: EMANUEL R. MARQUES

O príncipe perfeito vivia num palácio perfeito. Regava o seu frondoso jardim perfeito, enquanto se deixava embalar com o perfeito can...



O príncipe perfeito vivia num palácio perfeito. Regava o seu frondoso jardim perfeito, enquanto se deixava embalar com o perfeito cantar dos pássaros, e colhia flores perfeitas para oferecer à sua perfeita princesa.

Um dia, precisou de ser levado com urgência para o hospital, devido a uma intoxicação de perfeição. A ambulância não chegou a tempo de o salvar, pois o caminho não era perfeito.

Texto: Emanuel R. Marques
Capa/Colagem: Emanuel R. Marques

É complicado ser optimista em relação a sequelas quando ao longo da história da sétima arte, elas revelam-se sempre entediantes...



É complicado ser optimista em relação a sequelas quando ao longo da história da sétima arte, elas revelam-se sempre entediantes, pouco “iluminadas” ou simplesmente exercícios fúteis para facturar dinheiro, mas Creep 2 é uma das excepções à regra. 

Realizado por Patrick Brice e novamente com a participação brilhante de Mark Duplass no papel de sociopata/psicopata com um elevado nível de charme, Creep 2 revela-se uma sequela muito intensa e profunda. Aaron (interpretado por Mark Duplass) é uma personagem intensamente explorada nesta sequela, constituída por camadas de complexidade psicológica e emocional. 


A narrativa começa com Sara, uma jovem adulta que tem uma série web chamada “Encounters” na qual se dispõe a conhecer pessoas supostamente peculiares e bizarras com quem mantém contacto no site Craigslist. Num belo dia, é contactada por um homem misterioso que afirma ser um serial-killer e que a convida a passar uns dias com ele para filmar a sua vida. Sara aceita a oferta com o intuito de criar uma peça de vídeo que seja chocante e lhe dê visibilidade.


É fascinante ver a relação entre Aaron e Sara  desenvolver-se e seguir os seus twists. Há imprevisibilidade de cena para cena e não sabemos ao certo o que Aaron é capaz ou não de fazer. A sequela tem momentos mais cómicos e corrosivos que o filme original e é interessante ver como a personagem interpretada por Mark Duplass revela a pouco e pouco peças da sua personalidade complexa e magnética. 


Creep 2 com o seu estilo de found footage consegue manter-nos colados/as ao ecrã e surpreendidos por cada linha de diálogo e acção. Um filme que mantém o nível elevado do original e é com alguma curiosidade que se espera pelo possível Creep 3 com mais aventuras e desventuras do creep de serviço, Mark Duplass. 

Texto: CLÁUDIA ZAFRE
Filme: Creep 2  
Imagens: Frames do filme 

Les Blank foi um documentarista prolífico que infelizmente faleceu em 2003. No entanto, a sua obra continua disponível e nela podemos...


Les Blank foi um documentarista prolífico que infelizmente faleceu em 2003. No entanto, a sua obra continua disponível e nela podemos experienciar o apreço que Les Blank tinha pelas pessoas e assuntos que retratava nos seus filmes. Um dos que mais deu que falar foi o famoso Werner Herzog eats his shoe, que assim como o nome indica é o evento em que o realizador bávaro Herzog comeu o seu sapato frente a uma audiência. Para quem não se recorda da história, o que levou o intrépido realizador a comer o próprio sapato foi uma aposta que fez com um dos seus amigos realizadores Erroll Morris. Na aposta, Herzog tinha incentivado o amigo a acabar o seu filme e que se o fizesse, Herzog comeria o próprio sapato. O que aconteceu. Erroll Morris terminou o brilhante documentário Gates of Heaven e Herzog comeu o próprio sapato. Realismo puro captado por Les Blank.


Neste documentário, Les Blank não se foca apenas em Lightin’ Hopkins, no homem do blues mas também no ambiente e vivência no meio rural do sul dos EUA. Apesar de apenas ter cerca de 30 minutos de metragem, o documentário consegue retratar a lenda texana do Blues, Lightnin’ Hopkins. A sua infância no Texas, o seu talento pela improvisação e o seu amor pelo blues porque como afirma sempre tocou com a alma e o coração. São nos dados excertos de Lightnin’ a tocar com outros músicos num barbecue e em outros cenários do género. Imagens do quotidiano da comunidade afro-americana, um rodeo, uma pescaria e áudio de uma história bastante interessante que reflecte os problemas de classe e de raça prevalecentes no sul dos EUA. 


 É um retrato enternecedor de um dos melhores e maiores guitarristas dos nossos tempos

TEXTO: Cláudia Zafre
IMAGENS: Frames do filme "THE BLUES ACCORDIN' TO LIGHTNIN' HOPKINS"

PUZZLE: ABRAHAM LINCOLN   e  CHUCK PALAHNIUK Ideia e Montagem: Priscilla Fontoura Puzzle: Cláudia Zafre

PUZZLE: ABRAHAM LINCOLN e CHUCK PALAHNIUK

Ideia e Montagem: Priscilla Fontoura
Puzzle: Cláudia Zafre

From the depths and atmosphere to the frenzied riffs. Here are three LP’S that will fulfill your riffing needs. BINARY – Commit more Ar...

From the depths and atmosphere to the frenzied riffs. Here are three LP’S that will fulfill your riffing needs.

BINARY – Commit more Arson


Binary hail from Philadelphia in the USA and play ferocious emoviolence. Emoviolence is usually typecasted as the result of combining powerviolence with screamo and it’s well known for the short duration of the songs, blast beats and new methods of screaming and singing. Binary takes a new approach to the genre and manages to deliver 9 songs on the total running time of around 12 minutes. Commit more Arson is their debut LP and it’s packed with raw emotions, addictive riffs and engaging vocals. Even though the short duration of the songs (clocking below the three minute mark) they never manage to get too generic or uninteresting. They blend the frenzied riffing and drumming to the cathartic style of vocals, managing to offer a bunch load of different emotions and moods, since every song sounds distinctive and unique.

NIONDE PLAGAN – Reflektion


Nionde Plagan are a three-piece from Sweden, they blend with prowess several different genres like post-rock, screamo and post-hardcore with some dashes of atmospheric sludge. Reflektion is their latest LP that packs 8 songs that manage to be both atmospheric, filled with different moods and a well conceived kind of rawness. The riffs carry different textures that allow for some introspective moments but are also packed with enough energy to offer the songs different and interesting layers. It’s an intense LP that has its grace on the ability to deliver a broad range of emotions and that is a little bittersweet when combining the melancholy of the more atmospheric passages and the rawness of the more fast and abrasive moments.

Dim Into Dross – Spectres of indifference


Dim Into Dross are a three-piece from the USA. Energic and irreverent are some of the trademarks of this LP. Specters of indifference packs 9 songs that hit you like a whole lot of shots of strong black coffee. It’s a curious blend of screamo, hardcore, some little bit of punk here and there and a slight grindcore inclination, so the result is bombastic as expected. The instruments follow the frenzied and raw vocals along the way and some discordant riffs blend in with some harmonious passages as is the case in the song Osidian (one of the more lenghty songs but below the three minute mark). It’s an enjoyable LP that will interest the fans of engaging and ecletic screamo.

All the records are available at Zegema Beach's bandcamp and online store. 

TEXT: CLÁUDIA ZAFRE

Passaram 74 anos e o rei do reggae continua a ser lembrado por todo o mundo. Exemplo desse revivalismo são os Real Rockers , um conjunto d...

Passaram 74 anos e o rei do reggae continua a ser lembrado por todo o mundo. Exemplo desse revivalismo são os Real Rockers, um conjunto de músicos e produtores do Porto que, "inspirados pela época dourada do reggae, pretende espalhar a mensagem que está nas raízes do género". 

 

Fotos: RUI MOTA PINTO 
Evento: Real Rockers
Data: 23 de Março 2019
Local: Obviamente bar, Viseu