A experimentação por vezes anda de mãos dadas com a fusão de género musicais e é o que se encontra em Odd Bounds , um duo musical forma...


A experimentação por vezes anda de mãos dadas com a fusão de género musicais e é o que se encontra em Odd Bounds, um duo musical formado por Pedro Adelino e Pedro Lopes em 2017 e que lançou o EP LIVE R DEMO. O trabalho é composto por oito temas coesos, melódicos e introspectivos, onde são notórias as influências dos dois músicos, especialmente de post-rock, mathcore e experimental.
A banda prepara-se agora para começar a pisar os palcos e dar a conhecer o seu trabalho. Enquanto isso, aqui ficam as suas recomendações dos 5 livros, 5 discos, 5 filmes/séries.

Livros: 

- Oyasumi punpun, Isio Asano 
-The Stranger, Albert Camus
- Instalação do medo, Rui Zink
- Intermitências da morte, José Saramago 
- Brave new world, Aldous Huxley 

Discos: 

Spiderland, Slint
Money store, Death Grips
A blaze in the northern sky, Darkthrone
From the ages, Earthless
God is war, All pigs must die 

Filmes/Séries: 

Akira, Katsuhiro Otomo
Wild Tales, Damian Szifron
Holy Mountain, Alejandro Jodorowski
Utopia, Dennis Kelly
True Detective, Nic Pizzolatto 

TEXTO : CLÁUDIA ZAFRE 
ESCOLHAS : ODD BOUNDS


Adaptações...  CRIAÇÃO E AUTORIA:   EMANUEL R. MARQUES

Adaptações... 

CRIAÇÃO E AUTORIA: EMANUEL R. MARQUES

Palavras-chave: Activismo, LGBT, DIY Resumo: O mundo da música mainstream sempre se restringiu muito à heteronormatividade, except...

Palavras-chave: Activismo, LGBT, DIY

Resumo:
O mundo da música mainstream sempre se restringiu muito à heteronormatividade, excepto algumas bandas da década de 80 e 90. Essa tendência tem vindo a desvanecer, havendo cada vez mais artistas a exprimir as suas preferências e ideologias ligadas ao movimento LGBT. Tem havido mais liberdade e as mentalidades têm mudado em prol de uma maior liberdade quanto ao assumir as orientações sexuais alternativas. No underground, este caminho de liberdade foi cimentado, em parte, pelo movimento Queercore que surgiu em meados dos anos 80 e que se propagou através de zines, música, artes plásticas e cinema, sempre numa estética ideológica DIY (do it yourself). 

Foram inúmeras as bandas que influenciadas e inspiradas pela ideologia e sonoridade punk criaram o movimento Queercore, que ganhou bastante força durante a década de 90. Este movimento abarcou também outros géneros musicais. No entanto, as letras focavam-se nos direitos civis individuais, identidade de género e identidade sexual firmando a sua personalidade e dando voz aos que tiveram de permanecer escondidos durante muito tempo.

1 - Introdução a TEAM DRESCH

por: Neilson Abeel

Banda formada em Washington em 1993. Foi uma das bandas mais importantes e influentes do movimento Queercore lideradas por Donna Dresch e companhia: Kaia, Jody Bleyle, Marci Martinez, Melissa York, Scott Plouf e Amanda Kelly. Lançaram dois discos de longa duração e uma quantidade respeitável de singles. O disco de estreia, PERSONAL BEST, foi lançado em 1995 e captura a energia intensa, carisma, frontalidade e vivacidade de uma banda que deu voz aos seus ideais. Aliados à tag da riotgrrrl e do punk hardcore, PERSONAL BEST é um disco vivaz com uma produção bastante DIY e sem grandes artifícios, porque o importante são as melodias, as canções e as mensagens de tolerância e resiliência que são expressas nas letras. Foi logo no ano seguinte que foi lançado CAPTAIN MY CAPTAIN. É um disco que captura a vivacidade e energia do disco anterior e que perpetua o legado de música in-your-face, melodias cortantes e algum sentido de humor de carácter irónico. Há alguma influência grunge e punk que embeleza este bouquet de diversidade. Alguns dos membros da banda fundaram duas editoras especializadas em música feita por mulheres, Chainsaw Records e Candy-ass records, dedicando-se a fortalecer a presença feminina no mundo musical. 

2 - ANTI SCRUNTI FACTION


Banda formada no Colorado, EUA no início dos anos 80 com elementos da banda Tribe 8 e que em 1985 lançaram o disco DAMSELS IN DISTRESS recheado de músicas de curta duração com uma abordagem frontal e estrutura melódica de power chords e composição com três, quatro acordes. Bastante simples à superfície, mas imersa numa energia contagiante que agarra o/a ouvinte do princípio ao fim. Para quem gosta de punk mais puro com estrutura simples de power chords e vozes berradas com mensagens que conquistam tanto pelo imediatismo da mensagem como pela sua ironia, é um disco imprescindível e charneira para um movimento que continuou a crescer durante a década de 90. 

Além do disco de estreia (e único de longa-duração) a banda editou também um single, A SURE FUCK com uma capa provocatória, irónica e contestatária nas suas entrelinhas. As músicas são também de cariz confrontacional com um toque forte de garage rock mantendo a ferocidade do seu disco de longa duração. É um EP que reafirma o valor do empowerment feminino através da música. 

3 - PYKA

Pyka, Too Femme Too Furious

Durante os anos 2000 surgiu PYKA, uma banda formada em Middletown nos EUA que editou em 2014, TOO FEMME TOO FURIOUS, uma mistura de powerviolence com grindcore que serve de veículo para as mensagens contestatárias e de afirmação dos direitos civis de quem rejeita os valores por vezes, dogmáticos da heteronormatividade. São músicas muito curtas, típicas do género grindcore e com um puxão assertivo de powerviolence. O disco é cru, puro e directo, extremamente curto, estando abaixo dos 10 minutos e com músicas que são um autêntico soco no estômago. 

4 - GOD is my CO-PILOT

Primeiro lançamento de GimCP

Formada em 1991 em NYC nos EUA, esta banda esteve activa durante a década de 90, editando 11 discos de originais e mantendo-se na frente do punk experimental com um cheirinho artsy. Foi em 1992 que lançou I AM NOT THIS BODY com 34 músicas e com duração sempre abaixo dos dois minutos. O lado experimental está sempre presente e há também uma certa influência no wave. As malhas de guitarra são aparentemente dissonantes e os vocais ora berrados, ora falados, ora cantados de Sharon Topper dominam este registo que foi instrumental para o desenvolvimento e continuação do movimento. 

Foi no mesmo ano que a banda lançou SPEED YR TRIP que também conta com arranjos e estruturas muito pouco convencionais. Assim como o seu predecessor, as músicas são muitas, mas de curta duração. Há a inclusão de saxofone e alguma influência jazzística em certos temas. É um disco feroz, confrontativo e completamente inconformado. A banda continuou a seguir a sua estética sonora até ao ano de 1998 quando editou GET BUSY, o último disco de originais. 

É uma banda que desafia convenções tanto liricamente quanto sonoramente. Durante a década de 90 o grupo demonstrou que o punk pode aliar-se ao experimental e que o fruto dessa união pode revelar-se bastante interessante. 

5 – TRIBE 8


Esta banda formou-se em São Francisco nos EUA e durante meados dos anos 90 editou dois discos de originais. O primeiro foi FIST CITY em 1995 com vocais femininos bastante distintos com um timbre grave. As letras são confrontacionais, activistas e extremamente pró-feminismo. Há uma maior influência grunge do que punk rock nas melodias e no estilo de entrega vocal. Os títulos das músicas também ilustram a ironia que está presente nas letras, como é o caso de Romeo & Julio, Neanderthal dyke e Frat Pig

Em 1998 foi a vez de SNARKISM com uma abordagem punk mais directa e rápida do que o seu antecessor. As letras oferecem versos que subvertem géneros e as normas da heretonormatividade. No mesmo ano, saiu ROLE MODELS FOR AMERIKA que segue a mesma fórmula de música rápida, melódica com letras irónicas e com um sentido de humor refinado que revolucionam as ideias standard de sexualidade da sociedade. Uma banda que pode ser uma delícia para fãs de punk rock directo e cheeky e também para quem tem saudades do som grunge mais autêntico. 

6 – PANSY DIVISION


Formaram-se em São Francisco nos EUA em 1991 e editaram o primeiro disco, UNDRESSED em 1993. É uma colecção de músicas ao género pop punk em que se dá primazia às letras que com bom humor dão bastantes bailes e bailaricos a preconceitos e estereótipos que abundavam na sociedade da altura e que infelizmente, ainda estão presentes hoje em dia. Por vezes, a melhor maneira de combater certos preconceitos como a homofobia é através do bom humor e de melodias simples, mas certeiras. Uma autêntica colecção de hits que diverte e faz reflectir, independentemente da orientação sexual de cada um. 

O disco que se seguiu no ano seguinte, DEFLOWERED, é uma continuação agradável do seu antecessor, mas, para quem se quer iniciar na banda, é melhor ouvir UNDRESSED primeiro e depois DEFLOWERED. No pun intended. Seguiu-se WISH I’D TAKEN PICTURES em que o sentido de humor continua bem presente, mas há a inclusão de temas um pouco mais sentimentais na sua natureza. 

A banda continuou o seu trabalho, entrando nos anos 2000 com a sua fórmula divertida de pop punk e o seu último registo foi editado em 2016 intitulado QUITE CONTRARY

7 – G.L.O.S.S


Esta banda cujo nome é acrónimo para Girls Living Outside of Society’s shit formou-se em 2015 em Washington nos EUA. Editou dois EP’S, GIRLS LIVING OUTSIDEOF SOCIETY’S SHIT e TRANS DAY OF REVENGE. Ambos são bastante curtos, sendo que estão abaixo dos 10 minutos de duração. A música é melódica, mas feroz, punk hardcore sem pretensão e bastante puro na sua abordagem rápida e frontal. As letras têm o seu quê de sarcástico e de activista.

Esse carácter de activismo é ainda mais acentuado em TRANS DAY OF REVENGE que é ainda mais curto de duração que o disco anterior, são autênticos hinos de rebelião, incentivo à anarquia e à subversão das regras rígidas da sociedade contemporânea. 

Conclusão:
O movimento queercore nasceu em meados dos anos 80 e continua bem vivo nos dias de hoje. Foram e são inúmeras as bandas que através da frontalidade ou da ironia mais sofisticada conseguem ilustrar e trazer à luz, sem medos, nem reservas, um amor que agora tem a audácia de dizer o seu nome. Pelo engenho musical e criatividade lírica, as bandas deste movimento apelam a qualquer indivíduo melómano seja qual for a sua orientação sexual. 

TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE 
Fontes utilizadas:
NET:
https://www.sfgate.com/bayarea/article/Word-Is-Out-on-Gay-Punk-Scene-The-defiant-3039542.php
LIVROS: 
Spewing Out of the Closet: Musicology on Queer Punk, Jodie Taylor

PUZZLE: DONALD SUTHERLAND e ALAN MOORE IDEIA e MONTAGEM:  PRISCILLA FONTOURA PUZZLE:  CLÁUDIA ZAFRE

PUZZLE: DONALD SUTHERLAND e ALAN MOORE

IDEIA e MONTAGEM: PRISCILLA FONTOURA
PUZZLE: CLÁUDIA ZAFRE

BY THE BLOOD Género: metal, alternativo, rock cristão, post-hardcore Álbum: L ight is on it's way Data de lançamento: Agosto, 2018 ...

BY THE BLOOD
Género: metal, alternativo, rock cristão, post-hardcore
Álbum: Light is on it's way
Data de lançamento: Agosto, 2018

A música é um veículo e um agente transformador na vida do ouvinte e de quem a cria. É uma dádiva e esta pode acarretar ainda mais valor quando está repleta de ideologias benignas que estimulam o amor ao próximo. É o caso de By the Blood, uma banda de Ontario no Canadá que toca um post-hardcore melódico, leve e lírico com influências na doutrina Cristã. Os cinco elementos da banda partilham o seu amor por melodias coesas e harmoniosas assim como o amor a Cristo, destacando-se da miríade de bandas cristãs do espectro mais pesado por praticarem um post-hardcore cristalino e genuíno.
LIGHT IS ON IT’S WAY foi lançado em Agosto de 2018 e conta com cinco temas originais que juntos formam uma espécie de disco conceptual que retrata a conquista de algumas virtudes durante o percurso no caminho estreito. Servem-se de malhas de guitarra introspectivas, bom uso de teclas que criam um clima algo romântico e os vocais “limpos” para criar uma atmosfera tranquila e confortável de post-hardcore emocional que não precisa de efeitos de maior para fazer passar a sua mensagem.

- TRANSLATION -

BY THE BLOOD
Genre: metal, alternativo, rock cristão, post-hardcore
Album: Light is on it's way
Release: Agosto, 2018

Music is a vessel and an agent of change in the lives of both the listeners and the musicians. It’s a gift that can carry even more value when it’s filled with bening ideologies that encourages to love thy neighbour. It’s the case of By the Blood, a band from Ontario, Canada that play a melodic, light and lyrical kind of post-hardcore with strong influences of Christian doctrine. The five elements of the band share their love for strong and harmonious melodies and their love of Christ, setting themselves apart from the whole of christian bands of the heavier music spectrum because of their crystalline and genuine post-hardcore sound.
LIGHT ON IT’S WAY was released in August, 2018 and has five original songs that together form a kind of conceptual record that shows the conquest of virtues along this narrow road. They use introspective guitar line, good use of keyboards that create a somewhat romantic mood and the clean vocals that create a tranquil and comfortable atmosphere of emotional post-hardcore that doesn’t need large amounts of sound effects or distortions to carry the message through.   


TEXTO / TEXT: CLÁUDIA ZAFRE
TRADUÇÃO / TRANSLATION: CLÁUDIA ZAFRE

Estamos naquela cidade que dizem ter dado origem a Portugal, Guimarães, onde acontece a sexta edição do Mucho Flow , no Centro para os Ass...

Estamos naquela cidade que dizem ter dado origem a Portugal, Guimarães, onde acontece a sexta edição do Mucho Flow, no Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura (CAAA), um festival organizado pela Revolve, promotora musical que não só organiza, mas que também gosta de música - nos dias de hoje gostar de música para quem organiza faz toda a diferença.


Estamos a ver um episódio de The End of the F# World
Não, mas poderia ser, porque o charme indie da banda que sobe ao palco é bem cinematográfico. 

Cai a gabardina do vocalista/guitarrista. Será Geordie, Morgan, Matt ou Cameron? Não se sabe, a dúvida fica no ar. Não há muita informação sobre estes quatro pequenos bons rapazes. 

Corre na imprensa da especialidade que a banda inglesa tem caído nas bocas dos mais atentos às novas sonoridades. Pouco importa para quem prefere a surpresa à influência dos opinion makers. É ir ao encontro do som, porque a qualidade não depende de opiniões.


Estes jovens britânicos parecem ter saído do subúrbio de Londres com uma atitude pouco me importa, mas, ao contrário do que parece, são muito focados no que fazem. Quase de certeza que passaram muito tempo na sala de ensaios. Há domínio dos pedais, dos instrumentos, da atitude em palco. O som que fazem não é desmazelado. Para quem acha que hoje vivemos uma falência musical, engana-se. Aqui há alma. Não trocam muitos olhares entre eles, conhecem-se bem o suficiente para darem o passo de fé que os faz tocar sem precisarem sentir o chão. As duas guitarras parecem longínquas em melodias, mas, por mais que pareçam ilógicas, são desconcertantes quando se cruzam; a aparente aleatoriedade revela uma grande densidade emocional. Talvez não saibam explicar como o fazem, talvez a psicologia o saiba, não há grandes explicações quando ao plano criativo diz respeito. Sai, assim. Apenas. E sai bem.


Quando as probabilidades parecem ser raras a encontrar uma pessoa que complemente o nosso som e identidade musical, ainda mais escassas se tornam quando envolve mais pessoas. É por isso que quando acontece esse encontro tem de ser preservado e bem cuidado, porque é invulgar encontrar quem fale a mesma linguagem musical. É isso que acontece com os BM e que os torna uma banda carismática.


São quatro caminhos que os levam à mesma estrada. É nela que os BM se encontram para fazer pulsar o coração que bate, ora acelerado, ora descompassado. O baterista é ele mesmo o instrumento livre e o seu corpo o veículo das ideias que o inflamam.


São novos de idade e distintos na identidade. Há ali uma miscelânia de influências, o turbilhão de uns Liturgy, uma voz soul a roçar uma Macy Gray que, quando dá espaço ao segundo guitarrista, nos leva a uns Sonic Youth de voz grave e intimista. E, de repente, volta a cair-se no noise variável. Acaba o concerto e o vocalista/guitarrista veste a gabardina sem nunca desmontar a personagem. Até breve, esperamos.


Umas horas antes, Hilary Woods entedia o público com um espectáculo pobre em autenticidade musical que fica apenas colado a uma série de lugares comuns, tornando-se cansativo para quem espera um cenário diferente. Minimalista não significa simplório, vai muito além, porque toca no lugar mais íntimo das emoções. A irlandesa durante o concerto serviu-se do órgão e da guitarra para cantar as suas canções. A voz de boneca quebrada não se distingue do espectro de tantas outras vozes que são uma referência, como é o caso de Grouper.


Entre bandas que atraem e outras que não, (as) Mourn entram em palco com uma energia 'teen anos '90 que remonta para filmes de adolescentes. Apresentam Sorpesa Familia. O indie rock não tem que ser muito calculado, tem como capacidade trazer à memória o primeiro beijo, o primeiro grande amigo, um dia de escola. Acompanhadas por um baterista, saltam, berram, abanam a cabeça e preenchem uma hora de concerto com canções curtas que fazem o público vibrar.


Depois de algumas boas surpresas, a noite é aquecida pelas brasas vivas dos Fire!. A banda escandinava, que ainda há pouco esteve no Serralves em Festa, prendeu a atenção do público que esteve no Mucho Flow.


Sente-se o prazer dos Fire!. Não há tédio naquele palco. Pelo contrário. Há paixão ardente, fogo bem aceso, um toque tanto sensível quanto pesado, causados pela repetição do baixo de Johan Berthling que serve de base para as extrapolações da locomotiva acelerada de Andreas Werlin e da chaminé de Mats Gustafsson. São músicos experientes que fecham os olhos quando tocam, movidos pela linguagem universal que une diferentes culturas e contextos. É um trio que se entende na perfeição e que consegue ser viral no contágio com o público. A viagem que esteve prestes a rebentar fez escorrer muito suor não só nos corpos dos músicos mas do público que não se mostrou passivo à explosão sónica, produzida pela força dos ritmos, grooves, pedais e outros elementos experimentais.


Os Fire! encerraram o concerto com um hit dos anos 90 e despediram-se com o conselho nada fácil: amem-se uns aos outros.


TEXTO: PRISCILLA FONTOURA
IMAGENS: SOPHIA PETRA e 
PRISCILLA FONTOURA
LOCAL: 
Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura CAAA, Guimarães
DATA: 6 de Outubro, 2018
Festival Mucho Flow

Há quem se deixe estagnar e há quem precise de se actualizar sempre que possível. No que à música diz respeito, convém estar-se atento...


Há quem se deixe estagnar e há quem precise de se actualizar sempre que possível. No que à música diz respeito, convém estar-se atento para saber o que de novo anda aí, porque quase sempre nasce algo fresco para os ouvidos.

O trio Don Pie Pie, banda do Porto, lembra, por vezes, uns Battles. Todas as possibilidades entram na equação quando há espaço para a exploração de vários géneros musicais: circulam do electrónico ao jazz, do afrobeat ao funk e rock progressivo. O EP DPP1, editado em 2018, contém apenas três faixas: Peach White White, BujiGang, Ploy/Joy, mas sente-se de imediato a dinâmica e a conexão dos intervenientes: Dom Leonardo (guitarra), Pai Miguel (sintetizador) e Pai Pedro (bateria). Estes amantes de tartes não se limitam a géneros. Apesar de ainda só terem como cartão de visita um EP, fica o excelente convite para aguardarmos pelo sucessor DPP2, que sai em Outubro.

Por agora, ficamos com as escolhas dos 5 livros, 5 discos, 5 filmes de Don Pie Pie

Livros:
- The Children of Húrin, J. R. R. Tolkien
- The Pig that wants to be Eaten
Julian Baggini
- O Homem e os seus Símbolos
Carl Gustav Jung
- Abandono Vigiado
Alexandre O'Neill
- A Fórmula de Deus
José Rodrigues dos Santos

Discos:
- Sound Awake, Karnivool
- GroundUP, Snarky Puppy
- Grace, Jeff Buckley 
- Tigran Hamasyan, Mockroot 
- Ire Works, Dillinger Escape Plan 

Filmes: 
- Chronicle, Josh Trank
- Fight Club, David Fincher
- MagnóliaPaul Thomas Anderson
- Natural born Killers, Oliver Stone
- La HaineMathieu Kassovitz

TEXTO: PRISCILLA FONTOURA
ESCOLHAS: DON PIE PIE

Conquistas fáceis...  CRIAÇÃO E AUTORIA:   EMANUEL R. MARQUES

Conquistas fáceis... 

CRIAÇÃO E AUTORIA: EMANUEL R. MARQUES

Numa ZDB bem composta de público decorreu o concerto de lançamento de Punk Academics , o segundo LP dos Cave Story, banda das Caldas d...


Numa ZDB bem composta de público decorreu o concerto de lançamento de Punk Academics, o segundo LP dos Cave Story, banda das Caldas da Rainha formada por Gonçalo Formiga (voz e guitarra), Pedro Zina (baixo), Ricardo Mendes (bateria) e João Sousa (teclas). 

Antes dos Cave Story subiu ao palco o saxofonista Julius Gabriel, um músico alemão que vive no Porto e que trazia na bagagem Dream Dream Beam Beam, o seu primeiro disco a solo lançado em maio deste ano. Tocou temas relativamente longos naquilo que se pode chamar de jazz psicadélico / cósmico. Com o seu saxofone tenor ligado a um conjunto de pedais, loops e samplers, combinou o sopro com os feedbacks e as camadas eletrónicas por ele geradas, daí resultando um som bastante original e apelativo. Para repetir.

Passava pouco das 23h quando o quarteto caldense entrou em cena para um concerto de uma hora, sem direito a encore. Nos temas foi possível detectar algumas influências de bandas como Pavement ou The Fall, mas também de alguma da estética punk nas músicas de curta duração tocadas em ritmo mais acelerado. Apoiado numa secção rítmica de boa qualidade, onde a bateria bate sempre muito forte, temas como Available Markets, Nickel Sports, Modern Face, Hill so White, Special Diners e Punk Academics (com a participação de Julius no sax) foram os momentos que mais retive como pontos altos. Foi pena não terem tocado mais uns temas, talvez o calor no limite do insuportável os tenha condicionado. Uma banda a seguir com atenção.


TEXTO: JOSÉ MARQUES
IMAGENS e VÍDEO: JOSÉ MARQUES
LOCAL: ZDB, Lisboa
DATA: 29 de Setembro, 2018
CONCERTOS: Cave Story + Julius Gabriel

Outubro é mais um mês com uma grande e variada oferta de concertos. Tempo e dinheiro vão voltar a ser as variáveis para resolver a equação....

Outubro é mais um mês com uma grande e variada oferta de concertos. Tempo e dinheiro vão voltar a ser as variáveis para resolver a equação. Marcados na minha agenda estão já estes, mas imagino que outros a irão enriquecer. 

Dia 1 – Concerto Quase Surpresa Éme e Primeira Dama – Estação do Metro do Cais do Sodré 21h


Foto: Facebook do evento

Numa parceria da revista o Gerador com o Metropolitano de Lisboa, celebra-se o Dia Internacional da Música com um concerto gratuito a cargo de dois nomes da nova geração da música portuguesa, Éme e Primeira Dama.

Éme (João Marcelo) deverá apresentar maioritariamente temas do seu quarto álbum, Domingo à Tarde, lançado o ano passado com produção de B. Fachada e onde está patente uma forte inspiração na música tradicional portuguesa. A solo ou com banda, uma boa oportunidade para ver ao vivo este músico lisboeta.


Primeira Dama (Manuel Lourenço), já com dois discos editados, irá trazer a sua pop melódica e melancólica, aqui e ali polvilhada com um suave toque de psicadelismo. Mariana e Rita deverão ser alguns dos temas a ouvir.

Dia 5 – FIRE! Mats Gustafsson, Johan Berthling, Andreas Werliin na ZDB 22h

Foto: Facebook do evento 

O trio escandinavo Fire! vai inundar a ZDB com o seu som poderoso, mescla de free jazz, rock psicadélico e noise. Mats Gustafsson (saxofone), Johan Berthling (baixo) e Andreas Werlin (bateria) tocam juntos há quase dez anos e editaram já uma dúzia de discos. Explosivo. 

Dia 6 – Magafest 2018 na Casa Independente 18h

Foto: Facebook do evento 

Quarta edição deste evento organizado por Inês Magalhães. Culminar anual das MagaSessions, concertos, onde já tive oportunidade de estar presente, que decorrem no ambiente acolhedor e intimista na casa da Inês. Para este festival a casa da Inês “muda-se” para a Casa Independente no Intendente, tendo em cartaz três dos melhores músicos nacionais: Bruno Pernadas, Marco Franco e Norberto Lobo. Das 18h às 2h vai ser possível ouvir música de altíssima qualidade numa maior proximidade com os seus executantes e conviver num ambiente descontraído. Imperdível.

Dia 14 - Encontrão A Besta na Estudantina de S. Domingos de Rana 17h

Foto: Facebook do evento

Às 17h, munido de protetores de ouvidos, rumo aos meus vizinhos da Estudantina para, até às 21h, levar com uma generosa dose de música experimental, black metal e noise. Concerto / festa organizado pelo colectivo A Besta, cuja editora se dedica à música experimental e fora dos parâmetros mais normativos. Bleandante, Gásmo e Astronauta Desaparecido serão as bandas presentes. 

Dia 20 – Anna Calvi no Capitólio 21h

Foto: Facebook do evento 

Com o terceiro disco na bagagem, a inglesa regressa a Portugal. Hunter é um excelente registo e adivinho mais um grande concerto. Guitarrista virtuosa, traz-nos a sua pop simultaneamente negra e romântica, com uma forte carga sexual. Aguardo com muita ansiedade e expectativa.

Dia 23 – Damien Jurado + Sean Riley no Musicbox 21h30m

Foto: Facebook do evento 

O mais recente disco de Damien Jurado, The Horizon just Laughed, está também na lista dos melhores que ouvi este ano. Com vinte anos de carreira, o americano de Seattle traz-nos o seu indie rock de matiz folk e tenho a certeza que vai encantar. Na primeira parte vamos ter Sean Riley, o projecto a solo de Afonso Rodrigues, que este ano editou um disco totalmente acústico gravado em viagem pelos E.U.A e que foi produzido por Paulo Furtado.

Dia 25 – Kurt Vile & The Violators no Lisboa Ao Vivo 21h

Foto: Facebook do evento

O músico de Filadélfia regressa a Portugal para apresentação do seu novo disco a solo. Depois de no ano passado ter editado um disco em colaboração com Courtney Barnett, Bottle it In tem saída prevista para dia 12 deste mês. Tenho boas recordações dos concertos anteriores, pelo que suponho será outra vez uma navegação musical serena entre o indie rock e o indie folk. Espero um bom concerto, mas sem grandes surpresas.

Dia 27 – Iceage + Palmers no Musicbox 21h30

Foto do Facebook

Beyondless, o quarto disco dos dinamarqueses Iceage, é mais um dos grandes discos deste ano. Com um som mais polido do que nos álbuns anteriores, onde até o jazz está presente, o quarteto projeta-se bem para lá das barreiras do punk e do pós-Punk. À semelhança do disco, um grande concerto em perspectiva. Primeira parte a cargo dos Palmers, uma banda das Caldas da Rainha que são uma incógnita para mim. 

TEXTO: JOSÉ MARQUES

Chegaram-nos três bombásticos e preciosos tesouros sonoros da editora Zegema Beach Records e sentimos ser imperativo escrever sobre eles....

Chegaram-nos três bombásticos e preciosos tesouros sonoros da editora Zegema Beach Records e sentimos ser imperativo escrever sobre eles. Eis!

- KOMUSU- KOMUSU
- 4 WAY SPLIT com EF’IL, MASSA NERA, THISISMENOTTHINKINGOFYOU e YO SBRAITO
- SNAG/SWALLOW NEST split


KOMUSU é uma banda japonesa de screamo que este ano de 2018 nos traz um registo composto por quatro temas bastante emocionais, enérgicos e com a ferocidade típica do screamo que nos oferece momentos de autêntica expiação emocional. O nome Komusu deriva de um grupo de monges da escola Zen Budista que usava capuzes de caniço e tocava shakuhachi, uma espécie de flauta feita de bambu. A música destes Komusu é bastante diferente, mas existe uma preocupação em acercar os sentimentos, transfigurá-los e apresentar ao ouvinte uma malha sonora bem tecida com os vocais em foco e os instrumentos orgânicos a tecer o seu encanto. É um registo coeso, forte e emocional que pode agradar a fãs de screamo e/ou emo.


4 WAY SPLIT é um disco que reúne bandas da Itália, Malásia, EUA e UK. Começamos com MASSA NERA, uma banda de Nova Jérsia nos EUA que apresenta dois temas. Doing nothing for others is the undoing of ourselves e Un mal cola de hadas. É um emo bastante melódico com fortes influências screamo São dois temas bastante emocionais que misturam melodias tranquilas com as mais tempestuosas com uma grande mestria. É um bom começo para este split. De seguida, temos THISISMENOTTHINKINGOFYOU uma banda de Derby em UK que apresenta dois temas, Somnambulance I e Somnambulance II que se complementam na perfeição. É um screamo bem pensado, estruturado e com bastantes camadas musicais. Altamente instrospectivo e interessante na forma exploratória como organiza as camadas de guitarras e as partes vocais. Mantém a toada do slipt e carrega o estandarte de patamar elevado. A banda que se segue, YO SBRAITO vem de Itália e cria uma mistura explosiva de screamo com punk hardcore do mais puro que se pode engendrar. Apresenta três temas de duração de cerca de 1 minuto e são eles, Cosa Nostra, Cordanna e Rapina. São três temas enérgicas e que apesar da sua curta duração são bastante ricos instrumentalmente e com bastante “garra” nos vocais, há também um piscar de olho a powerviolence. A banda que encerra este slipt vem da Malásia e chama-se EF’IL, entrega-nos dois temas, Everyone I know is a broken heart e Stockades. É um screamo maduro, complexo e rico instrumentalmente. Os vocais são fortes e coesos, complementando na perfeição os instrumentos e as melodias de uma melancolia feroz. É o final perfeito para um split que faz showcase de quatro bandas promissoras e criativas dentro do género do emo e do screamo.


SNAG/SWALLOW NEST é um split de duas bandas de screamo. SNAG é de Wisconsin nos EUA e SWALLOW NEST de Dunedin na Nova Zelândia. SNAG apresenta um tema, Violence, que assim como o nome indica é um ataque demolidor aos nossos ouvidos, amplamente melódico e com linhas de guitarra cativantes, vários vocais que complementam a ferocidade da instrumentalização num tema que dura cerca de 5 minutos e que apresenta diversidade suficiente para nos deixar coladas/os à melodia. Há espaço para passagens instrumentais de spoken word e momentos da mais pura instrospecção típica do emo mais inteligente e ponderado. A banda da Nova Zelândia apresenta dois temas, Dark Hamz e Apathy as an infinite manifestation. São temas que possuem linhas de guitarra viciantes e extremamente melódicas. Vocais ao bom jeito screamo com uma forte influência emo. Uma banda que sabe fazer a alquimia perfeita entre a melancolia, pesar e revolta. É um split bastante equilibrado que apresenta duas bandas cuja sonoridade se complementa e que eleva a fasquia do espectro do emo e do scremo dos nossos dias.

- TRANSLATION -

We received three bombastic and precious little sonic treasures from Zegema Beach Records and we feel it's imperative to talk about them. They are:

- KOMUSU- KOMUSU
- 4 WAY SPLIT by EF’IL, MASSA NERA, THISISMENOTTHINKINGOFYOU and YO SBRAITO
- SNAG/SWALLOW NEST split

KOMUSU is a japanese screamo band that this year brings us a record of four songs that are emotional, energetic and with the natural ferocity of screamo that offer us true moments of emotional atonement. The name KOMUSU comes from a group of Zen monks that wore reed hoods and played the shakuhachi, a flute made out of bamboo. The music played by this band is somewhat different, however there is a concern in seizing the feelings, transforming them and deliver to the listener a delicate soundscape with the focus on the vocals and the organic music instruments that add to the charm. It's a closely-knit, strong and emotional record that will certainly appeal to screamo and/or emo fans. 

4 WAY SPLIT is a record that congregates bands from Italy, Malaysia, USA and UK. We kick off with MASSA NERA, a band from New Jersey, USA that presents us with two songs. Doing nothing for others is the undoing of ourselves and Un mal cola de hadas. It's a very emotional kind of emo with strong screamo influences. Two emotional songs that mix with artistry the tranquil melodies with the fiercer ones. It's a great start for this split. Next, we have THISISMENOTTHINKINGOFYOU that hails from Derby in the UK and that deliver two songs, Somnambulance I and Somnambulance II that complete each other perfectly. it's a well though of kind of screamo, well structured and with many layers. Instrospective and interesting in the way that it organizes the guitar layers and the vocals. It maintains the good energy and keeps the high standard. The band that comes up next, YO SBRAITO comes from Italy and creates an explosive mix of screamo and pure hardcore punk. It gives us three songs that clock around 1 minute and which are, Cosa nostra, Cordanna and Rapina. Three energic songs that even though the short duration manage to create a rich instrumental atmosphere and the fierceness of the vocals, there is also a leaning towards powerviolence. The band that ends this split comes from Malaysia and is called EF'IL, they offer us two songs, Everyone I know is a broken heart and Stockades. It's a mature, complex and instrumentally rich kind of screamo. The vocals are cohesive and strong and combine beautifully with the instruments and melodies of a fierce melancholy. It's the perfect ending for a split that showcases four promising and creative bands of the screamo and emo genre. 

SNAG/SWALLOW NEST presents two screamo bands. SNAG is from Wisconsin, USA and SWALLOW NEST from Dunedin in New Zealand. SNAG delivers a song called Violence that like the title implies is a strong sonic assault. Widely melodic and with captivating guitar lines, various vocals that aid to the instrumentals's ferocity in a song that clock around 5 minutes and that gives us enough diversity to stay tuned. There is also space for calmer passages with spoken word that carry pure introspection that is typical of the intelligent kind of emo. 

The band from New Zealand, SWALLOW NESTS, offer us two songs, Dark Hamz and Apathy as an infinite manifestation. Both songs have addictive and extremely melodic guitar lines. The vocals are typical screamo with a strong emo influence. A band that manages to create the perfect alchemy between melancholy, grief and rebellion. It's a well balanced split that presents to us two bands that complement each other and that elevate the standards of the emo and screamo spectrum of our times. 


TEXTO / TEXT: CLÁUDIA ZAFRE
TRADUÇÃO / TRANSLATION: CLÁUDIA ZAFRE