Desenho de Marcos Farrajota Desenhar, rabiscar, esboçar é terapêutico. Quantos de nós já pegámos numa caneta, deixando a nossa marca...

Desenho de Marcos Farrajota

Desenhar, rabiscar, esboçar é terapêutico. Quantos de nós já pegámos numa caneta, deixando a nossa marca na toalha de papel de um restaurante ou tasca qualquer? Por mais abstracta ou concreta, curta ou longa, existem histórias que desejamos contar, independentemente da técnica ou ferramenta que utilizamos. 

De ar tímido, relaxado e "na dele" está muitas vezes Marcos Farrajota a rabiscar um caderno quando o encontramos em eventos independentes, festivais de música, exposições de banda desenhada/fanzines. No festival SWR Barroselas Metalfest, podemo-lo encontrar, por exemplo, a relatar, num diário desenhado, tal qual Jack Kerouac, episódios que despertam a sua atenção.

Já lá vão mais de duas décadas. Quando ao descobrir vários criativos decidiu fundar a associação de jovens sem fins lucrativos Chili com Carne (CCC). Fazia sentido juntar, numa estrutura legal, uma plataforma que promovesse os trabalhos de criativos, não só banda desenhada e fanzines, mas também outras expressões, a produção de uma curta-metragem para cinema, peças de teatro e encontros de arte contemporânea. Dos estatutos mais claros da associação incluem-se o respeito e a cooperação livre e espontânea dos seus associados. São vários os autores membros da família CCC. A maior parte está ligada ao desenho e à banda desenhada e vêm do meio das fanzines, da cultura pop e do faz-tu-mesmo. Por isso, não interessa se agradam ou desagradam, não têm que dar satisfações a ninguém porque a premissa é fazer, não é agradar. Parte dessa lista constam: André Coelho, Felipe Felizardo, Luana Saldanha, Rudolfo, entre muitos outros está também Marcos Farrajota. O autor de atitude punk tem parte da sua obra em banda desenhada, na qual consta o livro com o mais longo título de sempre de BD português: "Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology". A música também é parte muito importante da sua vida. A identidade do autor reflecte-se na sua obra, a boémia, o punk e as subculturas underground.  

Marcos Farrajota trabalha na Bedeteca de Lisboa desde 2000 e, no que respeita a trabalhos paralelos, não se ficou apenas com a CCC. Co-criou ao lado de Pedro Brito a zine mutante "Mesinha de Cabeceira" e em 2000 criou a editora MMMNNNRRRG. Com tanta criatividade e proactividade, envolve-se frequentemente em várias actividades, tem integrado: fanzines, jornais, revistas, livros de BD, artigos sobre cultura DIY, criou a série Loverboy com desenhos de João Fazenda. Faz capas e cartazes para bandas punk, organizou vários eventos como a Feira Laica, acções de formação, colóquios, programa de rádio, mostra de originais na galeria da loja Mundo Fantasma. A colectânea "Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology" reúne bandas desenhadas autobiográficas dispersas em várias publicações, incluindo o livro do DVD The 15º Steel Warriors Rebellion Barroselas Metalfest, como também em diversas zines e revistas espalhadas pelo mundo inteiro: Cru, Prego (Brasil), Pangrama, Stripburger (Eslovénia), na Suécia e na Sérvia.

Autores honestos como Marcos Farrajota não se deixam intimidar por outras vozes, precisamos de mais autores assim. Vejamos quais são as suas escolhas dos 5 livros, 5 discos, 5 filmes

5 livros:
- John Ralston Saul: "Voltaire's Bastards : The Dictatorship of Reason in the West" (1992)
- Greil Marcus: "Marcas de Baton: Uma história Secreta do Século Vinte" (2000)
- Mário Rui Pinto (ed.): "Os Canganceiros" (2017)
- Chester Brown: "Paying for it" (2011)
- Simon Reynolds: "Retromania: Pop Culture's Addiction to its own Past" (2011)

5 discos:
- v/a: "Virus 100" (1992)
- Black Side: "Black Ja Tchga" (1997) 
- Autopsy Protocol (2002)
- Orthrelm: "Ov" (2005)
- Om Kalsoum: "Anta Fenn Wel Hob Fenn" (1960->1989)

5 filmes:
- Abbas Kiarostami: "Close-up" (1990)
- Orson Welles: "Citizen Kane" (1941)
- Oliver Stone: "Natural Born Killers" (1994) 
- Joshua Oppenheimer: "The Act of Killing" (2012)
- Luis Buñel: "O Anjo Exterminador" (1962)


TEXTO: PRISCILLA FONTOURA
ESCOLHAS: MARCOS FARRAJOTA, Autor de banda desenhada, fundador da associação "Chili com Carne", da zine "Mesinha de Cabeceira" e da editora "MMMNNNRRRG"

THE AZENAS Género: pop, folk rock, guitar, indie, indie pop, indie rock , psychadelic Data de lançamento: 8.07.2018 Álbum:  Brickwork F...

THE AZENAS
Género: pop, folk rock, guitar, indie, indie pop, indie rock , psychadelic
Data de lançamento: 8.07.2018
Álbum: Brickwork Fantasy, 2018

Capa do álbum Brickwork Fantasy, The Azenas


THE AZENAS permitem-nos fazer uma viagem à sonoridade rock tipicamente britânica dos anos 60, 70 e 80 com algumas reminiscências de jangle pop. Melodias com inclinações pop, mas que se permitem a ter solos de rock. Esta banda britânica é composta por Tom Stewart, Archie Noble e Ed Simons. Têm apenas 17 anos e tendo-se conhecido no liceu em Sheffield, Inglaterra, decidiram formar uma banda. Sheffield foi também o berço do futebol, desporto que continua a ser bastante popular. 

Nota-se muito neste disco que se influenciaram em músicos e bandas dos anos 60, 70 e 80, no entanto, não se trata de um revivalismo automático ou genérico. As músicas apresentam uma frescura tão grande que é como se tivéssemos viajado no tempo dentro do De lorean e aterrado umas décadas atrás. 


Esta preocupação de reviver o passado de forma autêntica também se manifesta na forma como a banda escolheu gravar e produzir o disco, como se ele tivesse sido gravado ao vivo, à velha guarda e sem grandes efeitos ou manipulações de produção. 


Há uma grande qualidade melódica em todas as canções e uma sensação de indie pop, uma boa fusão entre o passado (especialmente no uso do piano a acompanhar a guitarra, baixo e bateria) e a linha mais alternativa do rock da modernidade. 


A variedade de instrumentos é também de grande realce, especialmente no segundo tema, BE TRUE TO ME, há harmónica, belas passagens de piano, assobios melódicos e uma grande preocupação composicional em seguir a linha de verso, ponte, refrão sem soar demasiado planeado, muito pelo contrário, é uma bela música pop e perfeita para esta época do ano. 


O terceiro tema, SYMPHONY IN READ, tem uma linha de guitarras bastante catchy que complementa na perfeição as vocalizações e o trabalho do órgão que aparece ocasionalmente para enriquecer ainda mais a melodia. 


Em DAYDREAM MAZE e BORED BOY BILL BLUES é de destacar o uso de coros límpidos e harmoniosos. 


O disco não contém nenhuma música que possa ser considerada “filler” e são onze temas bastante diversos, mas que compõe um disco de estreia de bom indie pop à moda antiga, unindo na perfeição o passado com o presente. 


O nome da banda também reflecte a afeição da banda por músicos de outras épocas, sendo que o nome é inspirado no salão Azena (cuja fachada aparece na capa do disco). Este salão ficou famoso por ter sido o palco de um dos primeiros concertos dos Beatles em 1963. Esse concerto foi promovido por Peter Stringfellow, um promotor de Sheffield. Hoje em dia, o salão Azena é um supermercado e dizem as lendas que as assinaturas dos membros dos Beatles ainda são visíveis numa das paredes. 


Pode dizer-se que THE AZENAS pegaram nas suas influências musicais e conseguiram criar um som com a sua identidade própria. 


Nota: Informações sobre o nome da banda e outras referências a Sheffield foram gentilmente cedidas pela banda.


theazenas.bandcamp.com/releases


- TRANSLATION - 

The Azenas

THE AZENAS
Genre: pop, folk rock, guitar, indie, indie pop, indie rock , psychadelic
Release: 8.07.2018
Album: Brickwork Fantasy, 2018

THE AZENAS allow us to travel to the british rock sound of the 60’s, 70’s and 80’s with some slight influence of jangle pop. Melodies with a strong pop component that also have some rock solos. This british band is formed by Tom Stewart, Archie Noble and Ed Simmons. They are 17 years old and having met in school in Sheffield, decided to start a band. Sheffield was also the birth place of soccer, a sport that remains very popular.

In this record, the musical influences from bands and musicians of the 60, 70 and 80’s are strong, however, it’s not a generic or formulaic revivalism. The songs are so fresh and creative that it’s like we were in the De lorean and travel a few decades back.

This kind of connection with the past is also reflected in the way the record was produced, old-school like it was recorded live and with no producing trickery of any kind.

There is a component of high-quality melodies in all of the songs and a feeling of indie pop, a perfect fusion of the past and the present (specially in the use of the piano that follows the leads of the guitar, drums and bass).

The variety of the instruments is also important, specially in the second song, BE TRUE TO ME, there is harmonica, beautiful piano passages, melodic whistling and a keen sense of following a melodic structure of verse, bridge and chorus without sounding the least formulaic. It’s a wondeful song and a perfect one for this season of the year.

The third song, SYMPHONY IN RED, has some pretty catchy kind of riffs that works very well with the vocals and the organ with the psychedelic vibe that enriches the melody.

In DAYDREAM MAZE and BORED BOY BILL BLUES the harmonious vocal chorus are also of note.

The record doesn’t have “fillers” and it’s comprised of eleven songs that have their own personal identity, a debut of good old school indie pop, perfectly uniting the past with the present.

The name of the band also reflects this affection for the past because it’s inspired by the Azena Ballroom (featured on the record's cover). This ballroom was the stage for a Beatles concert in 1963 promoted by Peter Stringfellow, a local musical promoter.

Today the Azena ballroom is a supermarket, however, a legend tells that the signatures of the Beatles band members can still be seen on one of those walls.

We can clearly say that THE AZENAS managed to be inspired by their musical influences and created their own personal sound.

Note: All the information about the band’s name and Sheffield was kindly provided by the band. 


theazenas.bandcamp.com/releases

TEXTO | TEXT: CLÁUDIA ZAFRE
TRADUÇÃO | TRANSLATION: CLÁUDIA ZAFRE

Harry Nilsson nasceu em 1941 em Nova Iorque nos EUA. Foi em 1967 que se estreou com o disco PANDEMONIUM SHADOW SHOW que arranca com...



Harry Nilsson nasceu em 1941 em Nova Iorque nos EUA. Foi em 1967 que se estreou com o disco PANDEMONIUM SHADOW SHOW que arranca com o brilhante tema TEN LITTLE INDIANS que pisca o olho a música de circo para depois prosseguir no resto dos temas com uma tendência demarcada de pop orquestral. O disco é conceptual e centra-se no universo circense. Nilsson demonstra uma grande capacidade para fazer boas músicas pop que contam com arranjos de instrumentos de sopro e algumas atmosferas mais inusitadas. O seu trabalho ficou um pouco mais conhecido por ser um músico bastante admirado pelos Beatles que sempre prezaram a sua música. Admiração essa que era totalmente recíproca pois Nilsson era fã dos Beatles.

Um dos seus discos mais icónicos foi talvez AERIAL BALLET gravado em 1968 que continua no seu registo de pop tipicamente dos anos 60 com alguns toques psicadélicos, jazzísticos e de cariz soalheiro. Há bastantes temas marcantes para descobrir ou redescobrir no disco, tais como Don’t leave me, Together e, claro, a versão de Everybody’s talking. A mítica canção composta por Fred Neil, interpretada por Nilsson uns anos mais tarde e que alcançou bastante sucesso, especialmente por ser o tema de abertura do filme Midnight Cowboy de 1969 com Dustin Hoffman e Jon Voight.


Este documentário realizado por John Scheinfeld começa exactamente com uma referência ao filme Midnight Cowboy e à música que o ajudou a imortalizar. Há entrevistas em que algumas personalidades do cinema e música falam de Nilsson, da sua personalidade, voz, talento e aventuras boémias (especialmente as titânicas com John Lennon). Temos acesso a fotografias de arquivo narradas com música de Nilsson. A sua infância minada pela pobreza extrema e o facto de ter sido educado por uma mãe com os seus problemas, mas bastante lutadora. Característica que sempre caracterizou o músico que aos 15 anos se viu obrigado a sair de casa porque a família não o podia sustentar. Fez-se então literalmente “à estrada”. Uma odisseia que está presente em algumas das suas canções. “And the open road was the only road he knew.”


É o retrato interessante de um “self-made man and musician” que apesar de ter feito vários trabalhos nada relacionados com a música, sempre arranjou tempo para compor as suas canções. 


O documentário define bem quem foi este músico altamente talentoso que coloriu a cena do pop americano dos anos 60 e que sempre “jogou numa liga só dele” tanto pela sua voz única como pelo talento composicional e sensibilidade para a melodia.

Nilsson faleceu em 1994 na Califórnia e este documentário é a prova de que há razões para se continuar a falar do seu legado.



TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE
IMAGENS: Frames do Documentário "Who is Harry Nilsson and Why is everybody talkin' about him?"
Vídeo: Cenas iniciais de Midnight Cowboy realizado por JohnSchlesinger

LUCAS DUARTE & JOÃO SALAZAR Género: experimental Data de lançamento: 9.07.2018 Editora: Tronco Capa do EP "Lucas Duarte...

LUCAS DUARTE & JOÃO SALAZAR
Género: experimental
Data de lançamento: 9.07.2018
Editora: Tronco

Capa do EP "Lucas Duarte & João Salazar"

É de uma união faustosa de experimentalismo, arranjos musicais sofisticados, riqueza de instrumentos, melodias de vozes e guitarras que se constrói o EP feito a meias por Lucas Duarte e João Salazar. Ambos são músicas brasileiros que reúnem um sem número de influências eclécticas nas suas composições. 

Apesar das personalidades musicais distintas, as canções que compõem o EP (duas para cada um dos músicos) são perfeitamente simbióticas criando um EP harmonioso e muito complexo musicalmente. 

Existem camadas de guitarra aparentemente singelas, mas extremamente melódicas, aliadas a uma boa dose de desconstrução de cariz experimental que surpreendentemente se encaixa na melodia principal. 

É também de salientar a leveza das letras que é apenas aparente acarretando subtextos bem poéticos. 

O EP começa com o tema AR de Lucas Duarte que se inicia com os acordes típicos da música brasileira, acompanhando com outros instrumentos de cordas e algumas secções um pouco experimentais, especialmente o violoncelo. Um instrumento que Lucas Duarte domina por completo, tendo iniciado o estudo do violoncelo aos treze anos de idade no Chile onde viveu durante alguns anos. A letra conta com bons arranjos e colocações de palavras. É um tema que, apesar de curto, é uma boa introdução para o EP e que serve de mote para o tema seguinte, ENTROPIA de João Salazar

Este tema combina na perfeição a música tradicional brasileira com a modernidade da composição clássica contemporânea e experimental. A letra e voz de João Salazar encaixam que nem uma luva nas quebras das melodias. Tanto as palavras como as melodias estão em consonância perfeita. 

No tema seguinte, SOLIDÃO DIMINUTA de Lucas Duarte, temos a perfeita identidade brasileira da música regional com espaços para as vocalizações, arranques de vários instrumentos e mudanças de ritmos. É um tema bastante hipnótico e que surpreende pela diversidade de ambientes. 

ANDAR de João Salazar é o tema que encerra o EP. O seu cariz é um pouco melancólico com a típica suavidade e beleza da música brasileira. Há efeitos sonoros que complementam as paisagens sonoras compostas pelas vocalizações, guitarras acústicas, a delicadeza de saber cantar as palavras e saber onde as colocar. 

É um EP que enternece pela sua elevada qualidade musical e lírica. Sendo que consegue fundir música regional brasileira, música clássica contemporânea e experimental. 

Apesar de ser um EP de curta duração é garantidamente um que merece várias rotações. 


TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE

"Quotes" CRIAÇÃO E AUTORIA:   EMANUEL R. MARQUES

"Quotes"

CRIAÇÃO E AUTORIA: EMANUEL R. MARQUES

Palavras- chave:  baladas, homicídio, macabro  Resumo  A atracção pelo macabro e pela psicologia de pessoas que praticam actos desviant...

Palavras- chave: baladas, homicídio, macabro 

Resumo 
A atracção pelo macabro e pela psicologia de pessoas que praticam actos desviantes sempre foi uma constante fonte de curiosidade para algumas pessoas. Estes actos criminosos, alguns premeditados e outros fruto de reacção passionais sempre preencheram parte do nosso imaginário enquanto espécie e permanecem ainda hoje como uma fonte de fascínio. Antes e mesmo depois do advento da imprensa, havia cancioneiros solitários ou em grupo que viajavam de terra em terra a declamar em poesia (e por vezes com acompanhamento musical) os actos aberrantes que tinham sido praticados por uma pessoa ou por um grupo. Desde homicídios de vários géneros, parricídios, matricídios, envenenamentos em série, todos esses temas e casos trágicos serviram de mote para as apelidadas Murder ballads. 

1 – The Saugerties Bard 

Esboço por Johyn Hughes Kerbert

Em meados de 1800, havia um homem que viajava numa caravana pelos EUA de terra em terra no estado de Nova Iorque para declamar a sua poesia, muitas vezes acompanhado por flauta ou violino. A multidão juntava-se para o ouvir musicar poemas que tinha escrito sobre os crimes mais polémicos e arrepiantes da época. 

O seu nome era Henry Sherman Backus e apesar de ter falecido num estado de pobreza extrema, o seu legado foi bastante vasto no que diz respeito à arte de musicar homicídios, desastres e acidentes naturais. 

Backus ganhava a vida a vender os manuscritos dos seus poemas que lhe permitiam continua a sua peregrinação ao longo do estado de Nova Iorque. 

De acordo com Benjamim Myer Brink no seu livro EARLY HISTORY OF SAUGERTIES, o bardo aparentava ser bastante inofensivo, mas excêntrico, impulsivo e com uma grande capacidade de improviso de rimas. 

Apesar de ser tornado uma lenda após a sua morte em Saugerties, pouco ou quase nada se sabe o que levou a enveredar pela carreira de bardo de murder ballads. 

Uma das suas baladas mais famosa foi sobre Albert W. Hicks (Hicks The Pirate), um homem que já com o advento da imprensa, figurou em vários jornais após relatos do seu caso se tornarem cada vez mais incríveis e sanguinolentos. Apesar de apelidado de pirata, Albert Hicks não passava de um psicopata que aguardando que a tripulação do barco em que embarcou depois de fazer amizade com o capitão, fez questão de assassinar toda a gente a bordo por questões monetárias. 

Eis alguns excertos da famosa balada: 

But upon this oyster vessel
A pirate bold had found his way
With wicked heart, this vassal
The captain & 2 boys did slay
He seized the gold & silver
Which this poor captain had in store
His watch & clothes did pilfer
While he lay struggling in his gore

A balada é bastante mais longa e pode ser encontrada na internet. Ao longo da sua carreira como bardo, Henry Backus narrou muitos mais casos polémicos da época. A razão pela qual decidiu embarcar nessa odisseia permanece um mistério, mas pela quantidade de pessoas que atraiu nas suas performances, é caso para dizer que o lado sombra descrito por Jung sempre fez parte do colectivo consciente da humanidade. 

2 - A balada de Lydia Sherman
Lydia Sherman 

Lydia Sherman era aparentemente uma mulher respeitável e bastante cuidadosa e querida pela sua família. No entanto, os seus familiares pareciam morrer todos de causas aparentemente naturais. Parecia que quem se aproximava demasiado de Lydia acabaria mais cedo ou mais tarde por ser acometido por dores horríveis, mau estar nauseante e inevitavelmente a morte. Após a desconfiança de um dos médicos que secretamente mandou examinar um dos corpos, descobriu-se uma quantidade incrível de arsénico no cadáver. 

A investigação recaiu sobre Lydia Sherman que durante a sua vida foi envenenando membros da sua família quando eles se revelavam um “peso” para as suas finanças e independência. 

Lydia Sherman foi uma das primeiras mulheres considerada como assassina em série e como é habitual, foi cunhada com várias alcunhas, tais como “The Poison Fiend” ou “The Queen Poisoner”.

Acabou por ser presa a 7 de Junho de 1871 e condenada a prisão perpétua, acabando por falecer de cancro enquanto cumpria a sentença. 

Lydia Sherman ficou presente no universo do crime com uma cantiga rimada que se tornou bastante popular na época. Eis um excerto: 

Lydia Sherman is plagued with rats, 
Lydia Sherman has no faith in cats. 
So Lydia buys some arsenic, 
And then her husband gets sick;
And then her husband, he does die. 
And Lydia’s neighbors wonder why.

A balada foi interpretada e tocada na contemporaneidade pela banda The Mockingbirds. A origem da cantiga original e respectiva letra permanece de origem anónima. 

3 - Tom Dooley 

Tom Dooley

A balada de Tom Dooley é talvez uma das canções mais conhecidas do Folk e que retrata o homicídio supostamente perpetrado por um soldado da confederação durante a guerra civil americana. O seu nome era Thomas C. Dula e foi acusado de assassinar Laura Foster, uma mulher com quem mantinha um relacionamento romântico. No entanto, além dessa relação, Tom Dooley também tinha um caso com uma mulher casada, Ann Melton. Tom Dooley acabou por assassinar Laura Foster e alguns dizem que com a ajuda de Melton, no entanto, apenas Tom foi condenado e enforcado em 1866. 

Diz a lenda que Tom Dooley a caminho da sua execução tocou num banjo e cantou a música que o faria famoso anos mais tarde. As suas famosas últimas palavras foram: 

You have such a nice clean rope, I ought to have washed my neck.

Em 1958 a canção “Tom Dooley” gravada pelo The Kingston Trio alcançou o número 1 nos charts Billboard e contribuiu para o revivalismo e força da música folk. 

Na área do cinema, a música também foi popularizada nas cenas iniciais do filme slasher de terror “Friday the 13th”. 

Apesar da lenda de que foi o próprio Tom Dooley a compor a cantiga, há também registos de um poeta chamado Thomas Land que escreveu o poema logo após a execução de Tom Dooley

Hang down your head, Tom Dooley
Hang down your head and cry
Hang down your head, Tom Dooley
Poor boy, you're bound to die

I met her on the mountain, there I took her life
Met her on the mountain, stabbed her with my knife

Hang down your head, Tom Dooley
Hang down your head and cry (ah-uh-eye)
Hang down your head, Tom Dooley
Poor boy, you're bound to die

4 – The Harry Hayward song ou The fatal ride 

Retrato de Harry Hayward

Harry Hayward era um rapaz de boas famílias, bem-apessoado e com um charme aparentemente irresistível para as mulheres. Foi assim que conheceu Catherine Ging e a persuadiu a fazê-lo o beneficiário do seu seguro de vida. Harry Hayward era um bom vivant, com bigode alourado e extremamente galante. No entanto, tinha um outro lado, uma espécie de Jeckyl and Hyde como é frequente neste tipo de criminosos. Tinha o vício do jogo e era frequente acumular dívidas. Foi com muita frieza e deliberação que planeou o assassinato de Catherine Ging. Primeiro contactou o seu irmão, Adry, que recusou a proposta de assassinar a jovem e contou ao advogado da família o plano do irmão. Na altura, o advogado não deu importância ao relato e só depois do crime ser cometido é que se dirigiu à polícia e contou o sucedido. 

Demasiado galante para sujar as mãos de sangue, Harry Hayward encontrou em Claus Blixt, o assassino perfeito. 

Retrato de Claus A. Blixt.

Assim como Catherine Ging também Claux Blixt foi facilmente persuadido por Harry Hayward, claro que não o persuadiu usando o seu charme masculino mas com promessas de riqueza misturadas com alguma ameaça. Claus Blixt afirmou mais tarde que bastava o olhar fixo de Harry Hayward para convencer qualquer pessoa a fazer o que fosse, como se fosse um hipnotista maléfico. 

Os detalhes do crime variam dependendo de quem o conta mas a teoria mais acertada é que os dois assassinos alugaram uma carruagem para transportar Catherine, que surpreendida, pela presença de Blixt pouco pode fazer evitar o seu destino trágico, sendo encontrada perto da linha de comboio, tendo sido alvejada. 

Harry Hayward foi uma das personagens que mais críticas e ódio recebeu pelo calculismo exibido, falta de remorso e qualquer traço de empatia. Sendo revelado posteriormente que matou um parceiro de jogo a sangue-frio e de uma forma bastante grotesca. 

Com os crimes descobertos, Harry Hayward foi condenado à morte e enforcado. O seu parceiro num dos crimes recebeu alguma leniência e foi apenas condenado a prisão perpétua.

Devido à natureza macabra do caso, foi mais um crime que mereceu a balada “The fatal ride” ou “The Harry Hayward” escrita por pessoa anónima. 

Eis um excerto:

Refrão:
The stars were shining brightly
And the moon had passed away.
The roads were dark and lonely
When found dead where she lay.
Then tell the tale of a criminal
She was his promised bride.
Just another sin to answer for,
Another fatal ride.

When for pleasure she went riding
Little did she know her fate
That took place on that lonely night
On the road near Calhoun Lake.
She was shot while in the buggy,
And beaten, 'tis true to speak,
Until all life had vanished,
Then was cast into the street.

5 – As baladas sentimentais para Pearl Bryan 

Retrato de Pearl Bryan

Pearl Bryan era a filha de um agricultor abastado e estudante de música que sofreu um destino para lá de trágico ao ser assassinada brutalmente. O seu corpo foi encontrado decapitado e com várias lesões traumáticas. Foi automaticamente considerado um dos crimes mais brutais do século, até porque na altura em que foi assassinada, Pearl estava grávida. A investigação apressou-se em descobrir a mente monstruosa por trás do crime e recaiu em não um, mas dois suspeitos. Scott Jackson e Alonzo Walling que apesar de anunciarem a sua inocência, vários dados foram revelados durante a investigação que Pearl tinha engravidado de Scott Jackson que a tinha convencido a fazer um aborto. Pearl acedeu ao pedido depois de várias insistências e foi nessas circunstâncias que conheceu Alonzo Walling, o companheiro de casa de Scott Jackson

 
Esboços de Alonzo Walling e Scott Jackson

Os dois homens tentaram culpar-se um ao outro, envolvendo também um médico de renome na época. No entanto, a teoria investigacional que prevaleceu foi que drogaram Pearl e cometeram o assassinato em conjunto de forma brutal numa zona de macieiras. 

Acabaram por ser ambos executados e enforcados pelo assassinato. Este caso que chocou a sociedade na altura foi musicado e teve pelo menos seis versões de registo. 

Eis um excerto da versão mais popular : 

Deep, deep in yonder valley 
Where the flowers fade and bloom, 
There lies poor Pearl Bryan 
In a cold and silent tomb.
She died not broken hearted, 
Nor lingering ill befell, 
But in an instant parted 
From one she loved so well.

6 – O crime de Quiet Dell 

O instinto predatório de alguns humanos não se revelou com o advento da internet, pode ter sido acentuado e mais casos foram reportados, mas muito antes da Internet, havia correspondências para solteiros em classificados de jornais. Os solteiros trocavam endereços e depois começavam a enviar cartas e se a correspondência corresse bem podia até resultar em casamento.


Foi dessa forma que Harry Powers (na realidade, o seu nome era Herman Drenth) trocou correspondência com várias mulheres que acabaram por ser as suas vítimas. Usava vários pseudónimos, personalidades e identidades dependendo da mulher com quem estava a corresponder-se. 

Para além de homicida e predador, Herman era um homem casado que possuía uma quinta apelidada Quiet Dell. Foi nessa quinta que os investigadores encontraram os cadáveres das suas vítimas. 

A quinta possuía também uma cave que ficou célebre como “Death Dungeon” onde Herman Drenth aprisionava as suas vítimas. 

A sua prisão gerou inúmeras manifestações e as suas idas ao tribunal tiveram de ser feitas sobre uma escolta rigorosa para não ser publicamente linchado. Como muitos psicopatas, tentou a defesa de legalmente insano, no entanto, examinado por vários psiquiatras, ambos concluíram que sabia distinguir o certo do errado e como tal, foi considerado legalmente são. 

Acabou por ser condenado à morte por enforcamento a 18 de Março de 1932. Este caso que horrorizou e chocou a maior parte da população, foi também ele musicado com o nome “The crime of Quiet Dell”. Há duas versões da música bastante distintas apesar de partilharem o mesmo nome. Uma delas foi composta por A. H Grow e a outra por Leighton D. Davies. A acompanhar as baladas vinha o aviso que a música não servia para apelar e satisfazer os interesses mórbidos do ouvinte mas sim para servir de aviso para quem confia demasiado em estranhos que conhece através de correspondência. 

Eis alguns excertos :

A foul crime was committed there 
That shocked the depths of hell. 
Upon this scene a place was built 
Away from sight and sound 
With gallows in the upper part 
And prisons underground.

The prison poor without a door 
Devoid of air and light, 
With deadly gas jets on the walls 
Presents a gruesome sight. 
The bloodstains on the prison floor, 
The graveyard just outside, 
When taken all together tells 
Just how the victims died.

7 – As Murder Ballads de Nick Cave 


Capa do álbum Murder Ballads, Nick Cave and the Bad Seeds

Em 1996, Nick Cave and the Bad Seeds gravaram um disco bastante original que se focou em temas originais e versões. Os temas principais focam-se na morte e na violência, temas que sempre fascinaram o músico e que foram transpostos na perfeição para os dez temas que compõe o disco. Conta com as participações de P.J Harvey e Kylie Minogue com quem faz dois duetos memoráveis.

Nick Cave

Faz também uma versão impecável da balada clássica americana Stager Lee ou (Stagolee), uma canção sobre um homicídio que ocorreu durante a época natalícia do ano de 1895. 

Além do carácter violento das letras, há também uma certa componente de humor negro bastante forte, especialmente em The curse of Millhaven que contém um versão que apesar de sádico revela alguma ingenuidade que é apelativa. O massacre feito por um só homem num saloon na música 0’Malley’s bar e o tema final com coros belíssimos que nos garante que Death is not the end

Com este disco, Nick Cave transpôs para a contemporaneidade a tradição cancioneira de crimes grotescos e de violência, por vezes, tão excessiva que parece que estamos a ver um filme japonês de samurais em que o sangue esguicha como um jacto durante cerca de meio minuto.

É um disco que vale a pena ouvir ou adquirir nem que seja pelo belíssimo artwork e pelo booklet. 

Conclusão:
A violência no seu estado mais puro e primário ou de forma dissimulada e calculista sempre atraiu um número de artistas e músicos que pretenderam de alguma forma representar os crimes, uns de forma gratuita e exploratória e outros como forma de reflexão e prevenção de crimes. O macabro e a atracção pelo abismo sempre exerceu algum fascínio no ser humano e a música assim como a poesia ocuparam-se dessa necessidade, por vezes assumida, por vezes oculta na maior parte dos seres humanos.

TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE

Fontes utilizadas: 
NET: http://www.murderbygaslight.com/

Livros:
- Psycho U.S.A – Harold Schechter 
- Classic american ballads – Smithsonian Folkways
- Bloody versicles - the rhymes of crime de Jonathan Goodman

imagem por ZERODOX  É provável que os cinéfilos mais dedicados conheçam o blog My Two Thousand Movies que se iniciou em 2012. O s...

imagem por ZERODOX 

É provável que os cinéfilos mais dedicados conheçam o blog My Two Thousand Movies que se iniciou em 2012. O seu predecessor chamava-se My One Thousand Movies iniciado em 2008. My Two Thousand Movies continua activo (felizmente), e com ciclos de filmes cada mais interessantes e pertinentes. É um recurso extremamente importante para quem quer ter o prazer de ver filmes fora de circuito, algumas raridades, filmes de culto e clássicos. Todos os filmes são incluídos em ciclos e cada filme é acompanhado por um texto que sem revelar spoilers, indica algumas partes importantes do plot, curiosidades sobre o filme e, por vezes, reflexões pessoais do blogger. O blogger em questão é Chico cuja contribuição de partilhar cinema com os cinéfilos já conta com certa de 5 mil filmes. 


Apesar de Chico considerar o que faz um hobby, é notório o seu conhecimento cinematográfico e a sua disponibilidade em partilhar e-books técnicos ou temáticos sobre cinema ao fim-de-semana. 

Chico, My Two Thousand Movies blogger

Durante o mês de Maio foi lançado um ciclo de cinema Português que apresenta filmes desde a década de 80 até aos tempos mais recentes. É apenas mais um ciclo que merece ser visto e que revela o cuidado de preparação que Chico tem ao fazer os seus ciclos. 

No circuito da blogosfera, há quem tenha missões a cumprir. Chico poderá ser considerado, neste momento, um dos arquivistas digitais de filmes mais relevantes de Portugal. Uma vez que acompanhamos o seu projecto há bastantes anos, pedimos a sua opinião sobre os 5 filmes estrangeiros, os 5 filmes portugueses que mais o marcaram, assim como os 5 discos


5 filmes estrangeiros:
- "Johnny Guitar" (1955), de Nicholas Ray
- "The Searchers" (1956), de John Ford
- "Lost Highway" (1997), de David Lynch
- "Touch of Evil" (1958), de Orson Welles
- "Vargtimmen" (1968), de Ingmar Bergman

5 filmes portugueses:
- "Verdes Anos" (1963), de Paulo Rocha
- "Agosto" (1988), de Jorge Silva Melo
- "O Sangue" (1989), de Pedro Costa
- "A Nuvem" (1991), de Ana Luísa Guimarães
- "Xavier" (1991-2002), de Manuel Mozos

5 discos:
- "Jeopardy", The Sound
- "Screamadelica", Primal Scream
- "Nevermind", Nirvana
- "Suede", Suede
- "The Bends", Radiohead

TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE
ESCOLHAS: CHICO (MyTwoThousandMovies)

XTC foi uma banda formada no ano de 1972 em Swindon, Inglaterra. Foram um dos nomes mais importantes da vaga do New Wave, incorporando na ...

XTC foi uma banda formada no ano de 1972 em Swindon, Inglaterra. Foram um dos nomes mais importantes da vaga do New Wave, incorporando na sua música elementos de pop-rock, post-punk e uma abordagem musical sofisticada que lhes obteve a divisa do chamado Art-Pop. Um sub-género da pop demarcadamente intelectual e que ganha inspiração em outras formas de arte, como o cinema, a literatura e certos movimentos artísticos das artes plásticas.



Durante a sua carreira bastante activa gravaram vários discos de estúdio, sendo que os mais marcantes foram DRUMS AND WIRES (1979), BLACK SEA (1980), ENGLISH SETTLEMENT (1982), SKYLARKING (1986) e os curiosos volumes de APPLE VENUS (1991) contam com um belíssimo art-work. Para além dos discos de estúdio de grande nível, XTC alcançaram alguma popularidade junto da indústria musical mainstream por causa de alguns singles como “Dear God”, “The ballad of Peter Pumpking head” (que recebeu mais revivalismo com uma versão feita pela banda Crash Test Dummies), “Science Friction”, “Making plans for Nigel” (que também contou com uma versão feita pelos Primus) e “Statue of Liberty”. Para quem ainda não conhece bem a banda, e quer mergulhar pela primeira vez no som de XTC, com uma introdução completa e fiel, aconselha-se a compilação editada em 1996 e intitulada FOSSIL FUEL: THE XTC SINGLES 1977-1992.


Este documentário, ou melhor rockumentary, realizado por Roger Penny e Charlie Thomas, começa imediatamente com uma entrevista a Andy Partridge que afirma que XTC nunca quis ser uma banda de rock, nunca se consideraram rock stars, e que o seu intuito era fazer uma forma exploratória de pop. Cedo se afirma que esta banda nunca quis viver pelo mote de “sex, drugs and rock ‘n’ roll”. É dada uma apresentação curta da infância de Alan Partridge, o seu gosto por desenhar e pintar, assim como a sua devoção a comic books americanas e ficção-científica. Apesar (de acordo com o que é dito no documentário) de Swindon não ser uma localidade levada muito a sério, especialmente em termos musicais, XTC com as suas raízes de punk setentista britânico conseguiu criar um estilo bastante próprio de música enérgica, melódica, pouco convencional e com uma sonoridade única que cedo começou a atrair outros músicos, tais como alguns membros da banda THE POLICE, assim como John Peel que depois de ouvir uma cassete da banda decidiu incluí-los no seu programa, sendo a estreia da banda na rádio. 


O documentário também contém entrevistas a alguns músicos que têm afinado com a música dos XTC, um deles é Steven Wilson (Porcupine Tree). Essas entrevistas foram filmadas a bordo de um comboio, o que se torna cinematograficamente divertido e original. 


O elemento do comboio é simbolicamente importante no documentário porque há várias filmagens de comboios brinquedo (modelos), assim como toy figurines dos elementos da banda. Esses excertos são imiscuídos ao longo do documentário e traçam a viagem da banda desde o seu começo em Swindon até outros palcos e localidades. O documentário contém também excertos de performances ao vivo, fotografias de arquivo antigas promocionais da banda e alguns telediscos. 


É um documentário que apresenta de forma competente o trajecto de uma banda que sempre insistiu em criar o seu próprio som e nisso, foram incrivelmente bem-sucedidos, evitando clichês e desenvolvendo cada vez mais a sua identidade única. 

TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE


IMAGENS: Frames do filme-documentário "XTC: This is Pop"