Singles – Tripe e Corte , do próximo álbum Nada Cénico Género – Post / Art Rock Banda – Malaboos © Imagem: @rodrisfootsteps, Rodrigo Fernan...

Singles – Tripe e Corte, do próximo álbum Nada Cénico

Género – Post / Art Rock

Banda – Malaboos


© Imagem: @rodrisfootsteps, Rodrigo Fernandes


Às vezes, quando não há nada, encontra-se mais do que se estaria à espera, como um deserto árido e despido de uma paisagem fértil onde também é possível sentir o apelo do lugar para o refúgio e isolamento; a verdade é que há sempre qualquer coisa, nem que seja um cacto com propriedades nutritivas para tempos de secura e enfraquecimento.

Não há nada aqui, na vida, na morteassim é gritado no refrão do tema Corte que se mistura em rasgos de rock cáustico, causando um sentimento nihilista mas (surpreendentemente) bem disposto, levantado pela estrutura instrumental que remete aqui e acolá para riffs de guitarra à Turbonegro.


 

Neste possível deserto há inocência, vontade de fazer e continuar, sentem-se as emoções vindas dos 4 ventos, mesmo que venham com os cheiros e pós de histórias misturadas de outros lugares. Os Malaboos preparam-se para gravar o próximo álbum já com titulo definido: Nada Cénico, e antecipam o que podemos esperar dali com estes dois singles Trip(e) e Corte. O primeiro numa estrutura gradual e quase instrumental surpreende, perto do final, com a voz em tom desesperado: 

O nosso amor morreu, o tempo passou, (...) o que fiz eu?


 

Nesta época pós digital em que se vive ainda muito da apresentação das press releases que tentam "vender o pão" como se de uma empresa tratasse, o sucesso é determinado pelas visualizações, feedback e representatividade que se tem na indústria da música, para nós não é essa a premissa que qualifica uma banda. Chamem-nos românticos, idealistas, assim seja até ao fim, a honestidade vale mais que qualquer outro factor. Assim também sentimos que é a missão de Malaboos, fazer sem ligar muito à comercialização do produto.


© Imagem: @rodrisfootsteps, Rodrigo Fernandes


Ficámos agradavelmente surpresos com estes dois temas, e por isso desejamos ouvir
Nada Cénico assim que for lançado, os dois temas de avanço levam-nos aos ventos de Glassjaw e à fase inicial de Linda Martini. Aqui fica a dica, isto é bom, ouçam! 
 


Texto: Priscilla Fontoura

CRIAÇÃO E AUTORIA: EMANUEL R. MARQUES

CRIAÇÃO E AUTORIA: EMANUEL R. MARQUES

Na Arménia as crianças aprendem desde a sua entrada para a escola a matemática do xadrez. Muitos cidadãos de Leste procuram também na destre...



Na Arménia as crianças aprendem desde a sua entrada para a escola a matemática do xadrez. Muitos cidadãos de Leste procuram também na destreza deste jogo a satisfação da passagem do tempo que coloca em combustão os neurónios e apura o sentido estratégico.


Claro que quando se aproxima a quadra natalícia as séries, filmes e outras distracções televisivas e cinematográficas fazem-nos passar grande parte do tempo a actualizar o que temos na lista para ver, o momento atípico que ficará marcado na história do planeta Terra ajuda também a essa missão. O que a série The Queen's Gambit tem de atraente é o facto de escolher para protagonista uma mulher que domina o xadrez, numa altura em que o mundo era completamente dominado pelos homens. A série distribuída pela Netflix faz do xadrez um jogo mágico e misterioso, levando os espectadores mais curiosos a descarregarem aplicações do jogo de tabuleiro e traz, também, à superfície a discussão sobre a competitividade presente nesse meio ainda tão sexista. 



Elizabeth Harmon (Anya Taylor-Joy) é uma orfã prodígio do xadrez que com a ajuda dos "comprimidos verdes" e do seu mentor Sr. Shaibel não resiste a participar e a competir num submundo ocupado por homens. Embora muitos dos apelidos dos seus contra-estrategas serem judeus, a série mostra toda a ambiência evidente nos EUA dos anos 60, das cores garridas e da vaidade de mulheres bem vestidas que idealizavam o seu mundo profissional nos mesmos lugares dos homens. A obsessão de Beth em tornar-se num prodígio, que vai-se assumindo num compasso rápido graças à sua inteligência espacial e ao consumo de tranquilizantes que alteram a mente, acaba por concretizar-se não só devido à sua sobredotação, mas também ao tempo que dedica a conhecer todas as possibilidades deste jogo tão complexo.


A série de drama desenvolvida por Scott Frank e Allan Scott é baseada no livro homónimo, escrito por Walter Tevis lançado em 1983.


Texto: Priscilla Fontoura
Numa Relação Séria com a Netflix: The Queen's Gambit (2020-)

Imagem: Gio Simões Miãm é um dos projectos a solo do produtor e músico  Cássio Sales . Irreverente e prolífico, o criador brasileiro está s...


Imagem: Gio Simões

Miãm é um dos projectos a solo do produtor e músico Cássio Sales. Irreverente e prolífico, o criador brasileiro está sempre envolvido em projectos inovadores que dinamizam a cena cultural no Brasil. 

O seu disco de estreia a assinar como Miãm tem um título já de si intrigante e ilustra plenamente as composições sonoras presentes no EP. Na Fila da Cabeça Antes de Nascer é um EP construído por camadas e que oferece um escape sonoro que se planta no imaginário do ouvinte. Ora calmo, ora turbulento, tempestuoso e inquieto, os três temas do EP compõem uma tela de sons vitais para a imprevisibilidade e tormentas da nossa actualidade. 

Misturando com dinamismo e complexidade, o noise com o indie rock, numa atmosfera lo-fi com fortes vínculos ao experimentalismo, Miãm assegura-se como uma experiência vibrante, soando como uma rebelião orquestrada, pensada e sentida no quotidiano inseguro que todos atravessamos. 

Cássio, tens tido um percurso muito prolífico tanto na criação como na produção musical. Vais lançar agora um álbum do teu projecto a solo Miãm. Que mais projectos tens criado durante este tempo?
Sempre fui inquieto no sentido criativo. Tenho sempre que estar mergulhado em algum processo criativo ou acção cultural para me sentir bem, ou vivo. Nos últimos seis anos, quando decidi abandonar de vez minha vida académica (formei-me em História pela Universidade Federal de Pernambuco), passei a dedicar-me à música de modo integral, e tentei produzir o máximo que pude durante este período. O meu principal projecto durante anos foi a banda instrumental Cosmo Grão, da qual ainda sou baterista e estive à frente, durante grande parte do tempo e na maior parte das acções, como produtor. Idealizei e produzi o RUMOR - Ciclo de Arte Sonora e Música Experimental, junto ao amigo e artista sonoro Yuri Bruscky, projecto que também tem um significado especial para mim. Aprendi e contribuí muito com a cena experimental da minha cidade e do Brasil. Paralelamente a estes trabalhos, contribuí também com outros artistas, como Paes, Ana Ghandra, Al Jamal, entre outros. E estive sempre nas entrelinhas compondo e experimentando algo que se tornaria meu, Miãm.

Sabemos que te mudaste para uma zona mais rural. Como foi essa decisão e o processo de mudança? O novo ambiente inspirou-te a criar projectos diferentes?
A minha saída da cidade mudou completamente o meu estilo de vida e minha relação com a criação. Sempre fui um indivíduo activo e em simbiose com a dinâmica da cidade, vivi e actuei num momento de grande efervescência na cena cultural de Recife. Mas senti-me encharcado pelos excessos da vida urbana. Percebo agora o quanto de desorientação e automatismo eu vivi durante esse meu intenso mergulho urbano. Não acho que foi algo necessariamente negativo... mas sinto que havia chegado ao meu limite. Pois bem, coincidentemente (ou não), a essa altura, eu acabei conhecendo a mulher que se tornaria minha esposa e mãe do meu filho, a artista visual Gio Simões, com quem passei a sonhar uma vida fora do ritmo do Recife. Decidimos mudar-nos para uma fazenda em Gravatá, início do Agreste pernambucano (nordeste do Brasil), meio que de súbito. Foi tudo muito rápido. De repente, estávamos isolados no meio à natureza, rodeados por bichos, num ambiente que exala forças cuja origem eu ainda desconheço. Criámos uma pequena sala para eu poder tocar e gravar. E esse foi um marco na minha vida e na minha carreira. A minha primeira lembrança desse período foi a de poder soar no volume que quisesse e a qualquer hora e não ter que me incomodar por estar incomodando alguém no raio de quilómetros. Essa sensação foi libertadora. Eu vi-me num espaço onde o meu processo criativo estava blindado. Era como se fosse uma câmara de auto conhecimento. Lembro também de que me senti livre por ter uma nova rotina, completamente diferente da cidade, sem ritmos sugeridos por ela, e na qual a produtividade se tornou um respiro e não um fardo físico e mental. Senti realmente que estava vivendo uma nova experiência, que poderia recomeçar, se quisesse: um marco zero.

Como foi o processo de gravação do álbum?
Assim que montei a minha pequena sala de estúdio, na minha nova casa, em meados de 2017, comecei a gravar compulsivamente. Inclusive, as primeiras gravações que fiz eram um escopo do que se tornaria, meses depois, a faixa "071727", música que abre o ep do Miãm. Eu não tinha muitos equipamentos, tinha a minha bateria, um amplificador de guitarra antigo e tosco, um microfone de karaoke, uma guitarra e um baixo emprestados, um placa de 2 canais, e um fone de ouvido comum. Eu não tinha sequer um monitor de referência para me ouvir com decência. Mas eu realmente não ligava para nada disso. Tudo era perfeito do jeito que era, e mais do que o suficiente para eu me sentir à vontade para compor e gravar. Paralelamente a "071727", eu dei início a "Devo me virar com isso". Apesar de serem bem diferentes entre si, entendi que faziam parte da mesma busca e do mesmo processo. Nesta faixa, eu havia comprado uma guitarra para mim, e é engraçado entender como nela eu consigo me sentir explorando esse instrumento. A última faixa do ep que gravei, foi a faixa 02: "Sobra". Senti que precisava criar uma faixa de ponte entre "071727" e "Devo me virar com isso". Acho que "Sobra" foi a única faixa produzida de forma consciente e objectiva. A essa altura eu já tinha um novo amplificador de guitarra, monitores, e alguns microfones que me permitiam explorar espacialidades ainda no processo de captação. Mas todo o processo foi realmente gravado na pegada lo-fi. Foi meu primeiro processo de gravação e mixagem por conta própria. Tudo no espírito DIY e one man band.


Explica-nos um pouco o conceito do nome do álbum relacionado com a própria arte do disco.
O conceito do disco passa pela ideia de nascimento e auto-conhecimento, com uma abordagem afectada pela minha infância. De alguma forma, sugere uma aleatoridade do ser, ao mesmo tempo que também se inclina para um conceito de providência em relação a si mesmo e perante a própria vida. A capa meio que representa isso, de modo bem figurativo (como queria que fosse): embora sejamos corpo e química, quis brincar com a ideia de que a cabeça nos conduz, e que ela seria a última etapa do concebimento. A ideia de cabeça, mente e consciência se misturam numa confusão bem primária, de modo bastante proposital. A ilustração foi criada por mim e pela minha esposa (cujo alter ego baptizamos de "Zinzi"). Gosto de como tudo acaba soando vago, confuso e aberto. Como tudo é, afinal de contas. A vida terrena ocidental, como vivemos, é assaltada por procedimentos burocráticos e queria também brincar com isso. Como se no momento do concebimento a gente já entrasse nesse clima.

A música pode funcionar tanto como terapia como também um escape. Quando ouvimos os 3 temas do álbum, sentimo-nos transportados como que numa viagem sónica, que tanto aparenta tranquilidade como alguma tormenta. Que ideias mais prementes te lembras de ter enquanto criavas essas composições?
As músicas do ep sugerem um percurso, um lugar e uma narrativa que surgiu espontaneamente, mas que foi assumida no momento da finalização. Sempre fui inclinado à música instrumental, e acaba sendo natural o processo de criar um percurso narrativo sónico. Especificamente para o Miãm, operei sob um estado de fluxo. Caminhei pra frente dando corpo às primeiras ideias que surgiam. Então, o que acabou me guiando nas composições foi o meu humor, algumas impressões quotidianas transpostas em formato musical, e paisagens ligadas à alguns sonhos. Existe um lugar sensível no ep permeado por intenções, acidentes, super exposição de mim mesmo e honestidade pura.

De que forma tens sentido esta mudança mundial por causa da pandemia?
Eu já estava vivendo de uma forma isolada há mais de três anos. Embora tenha sentido, obviamente, uma intensificação nesse quesito da restrição do contacto social, esse não foi o aspecto que mais me impactou. O stress político acho que foi a maior questão, para mim, dentro do meu contexto de classe e de vida. No Brasil, a pandemia tornou ainda mais explícita a bizarrice que é o (des)governo Bolsonaro. Estivemos nas mãos de um genocida, de uma equipe de governo que despreza a vida, omitia e minimizava dados reais, desrespeitava os mortos, e mais um bocado de absurdos.
Todo o plano que tracei há anos atrás me pareceu um plano de sobrevivência mais do que nunca: estava isolado, com minha família, num lugar no meio da natureza, com minha estação de criação, pronta. Meu home estúdio (o Glândula.lab) me fez manter a sanidade. Segui compondo, gravando e mixando na medida do possível, seja quando eu precisava descarregar ou esquecer um pouco a doidice que tava acontecendo no meu país e no mundo.

Que projectos estás a preparar para o próximo ano e que queiras partilhar connosco.
Para o próximo ano, tenho vários lançamentos. Em Janeiro, tem o lançamento do segundo álbum de inéditas da Cosmo grão, banda da qual sou baterista e compositor. Em seguida tem uma série de lançamentos de um novo projecto, a Miragem, concebido em parceria com o músico e designer Thiago Couceiro. Quero também lançar o primeiro álbum do Miãm, que já está bem encaminhado (tenho uma porção de músicas já gravadas). Também vou trabalhar como produtor no disco da banda de surf music instrumental Os Aquamans. Tenho outros projectos que estão tomando corpo. Creio que 2021 vai ser um ano movimentado na minha carreira.

Texto e Entrevista: Cláudia Zafre
Entrevistado: Miãm (Cássio Sales)

Ouve-m e, © Helena Almeida Música para os meus Ouvidos repete o podcast " Mulheres ", uma vez que hoje assinala-se o Dia Internac...

Ouve-me, © Helena Almeida

Música para os meus Ouvidos repete o podcast "Mulheres", uma vez que hoje assinala-se o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres 2020. A muitas que continuam caladas a sofrer abusos de várias ordens e agressões, com mentiras, manipulações e gaslighting, protejam-se. Não permitam, em circunstância alguma, que exerçam sobre vós qualquer tipo de violência mascarada de boas intenções. Não se deixem enredar em teias que poderão vir a ser sentenças a prisão perpétua. Procurem ajuda nos braços de quem realmente vos quer bem, algum familiar, alguém que já deu provas sinceras de confiança para vos ajudar na altura da libertação. Muito cuidado, pois podem ter ao vosso lado um lobo vestido em pele de cordeiro.

(PLAYER NO FINAL DA PÁGINA)

Recoil, Want
PoemaO Mar dos meus Olhosde Sophia de Mello Breyner Andresen 
Patti SmithOh Joe
PoemaMãede Cora Coralina
Cat Power, Good Woman
Sonic Youth, Little Trouble Girl
Poema, A Mulher, de Florbela Espanca 
Meredith Monk, Walking Song
Joan Baez, Don't Think Twice, It's All right 
Scout Niblett, Can't fool me Now
Mulherde Virginia Woolf
Meredith Monk, Walking Song
Sussan DeyhimTurbulent
Osso Vaidoso, Bem Mal
Sobre Malala Yousafzai
Jayanthi Kumaresh, Raga Shanmukhapriya
Elizabeth Cotten, Freight Train
Sobre Rosa Parks
Negro Prison Blues and SongsBlack Woman
Pj Harvey, Taut
The Gits, Second Skin
John Stuart Mill, sobre as Mulheres
Meredith Monk, Walking Song
KylesaRunning Red
Ain't I a Woman?de Sojourner Truth
Negro Prison Blues and SongsBlack Woman
OdettaSometimes I feel like a Motherless Child
Nina Simone, Feeling Good
Poema Alerta Laranja, de Cláudia Zafre
Meredith Monk, Walking Song
Maryanne Amacher, Sound Characters
Cocteau TwinsLorelei
Recoil, Strange Hours
Fever RayWhen I grow up
Melt-Banana, Free the Bee


the music could save you: if not your life, then at least the day. The images that I saw every day were impossible to live with, and yet w...

the music could save you: if not your life, then at least the day. The images that I saw every day were impossible to live with, and yet we held on. We played music to them, for our basic survival. We made music in hell.

- Coco Schumann -

Uma réplica de “The Peat Bog Soldiers”, por Hanns Kralik no campo Börgermoor, 1933.

Introdução:
A música tem poderes que transcendem o entendimento humano. A primeira arte torna os humores e emoções sombrios mais leves, de outra forma descarrilariam em direcção ao isolamento e alienação. Nesse sentido, este texto prende-se e passa pelo período entre 1939 e 1945, um dos momentos mais trágicos e negros da história sem precedentes, um tema tão complexo com tantas pontas por juntar que, sob o ponto de vista analítico, não será entendido na sua plenitude e profundidade, tanto agora como depois. Continua, por isso, a ser um dos tempos da história contemporânea mais complexos, abordados no presente através de filmes, livros, e outros suportes. 

A filósofa judia Hannah Arendt debruçou-se sobre a definição d'A Banalidade do Mal, chegando à conclusão de que a verdade não é o mesmo que a transparência. Somos seres plurais e por isso o Eu jamais pode fugir da sua consciência. Por outro lado, Oliver Sacks, no seu Musicofilia investiga como o poder e o efeito da música transporta-nos para outras dimensões, conseguindo alterar o processo de dor em cura. A música pode atingir as emoções mais profundas; levanta memórias que se julgam perdidas, tira da depressão quando mais nada o consegue, ocupa mais partes do nosso cérebro do que a linguagem; nesse sentido, para Sacks, os humanos são uma espécie especial.

Em Musicofilia, o musicólogo examina os poderes da música através das experiências individuais de pacientes, músicos e pessoas comuns - desde um homem que aos 42 anos começa de repente a dominar o piano por ter sido atingido por um raio, a um grupo inteiro de crianças com síndrome de Williams, que tem como um dos principais sintomas a hipersensibilidade ao som, e a pessoas com amusia, para quem uma sinfonia soa como o barulho de panelas e frigideiras, a um homem cuja memória se estende por apenas sete segundos - para tudo, menos a música. 

Por sua vez o psicoterapeuta Viktor Frankl - que viveu e sobreviveu às atrocidades cometidas em Auschwitz -, afirma numa conduta confessional e intimista que nenhuma tragédia ou sofrimento se compararia à beleza e à força do amor que sentiu pela sua mulher amada, assassinada nos campos de concentração. No seu livro O Homem em busca de um SentidoViktor Frankl ancora-se nas memórias da sua mulher, evocando as imagens que o mantiveram vivo. O criador da Logoterapia fundamentou-se na necessidade mais profunda do ser humano que é olhar para a vida com sentido, encontrou na importância da logoterapia o método mais eficaz para a superação de traumas - aplicável a qualquer pessoa, em qualquer circunstância da vida.

Zuzana Růžičková retrata no seu livro Uma Centena de Milagres como a música a ajudou a sobreviver ao Holocausto: "Na música de Bach há uma intensa alegria de viver e, ao mesmo tempo, a tristeza mais desesperada. Temos sempre a sensação profunda de sermos mais humanos. [...] Uma fuga de Bach está bem acima do sofrimento humano. Tem que ver com a ordem. Com a lei. É algo que é mais do que humano. Para mim, é uma peça que vai sempre às profundezas do sofrimento, antes de se elevar acima da fé e da dor individuais. Sentimos sempre na música que Deus está presente, seja lá como for. [...] Para mim, é Bach que me ensina a fé.".

De um ponto de vista mais à superfície, este tema surge de uma visita que fiz a Buchenwald. Visualizei um dos documentários que se debruça sobre os efeitos que a música teve nos prisioneiros nos campos de concentração e como foi força invisível mas motriz para a resiliência de muitos sobreviventes.

Solução Final, Shoah e o Poder da Música
Desde a ascensão de Hitler ao poder - em 1933 - até à libertação dos sobreviventes nos campos de concentração, pode afirmar-se, com base em arquivos, que a música teve um papel preponderante na vida quotidiana dos encarcerados obrigados a obedecer ao trabalho forçado. Interpretar a história, mesmo com o devido distanciamento, sob o ponto de vista maniqueísta, poderá ser uma escolha imbecil e ignorante, uma vez que, mesmo olhando para a questão dos Sonderkommando ou para a narrativa do filme Land of Mine de Martin Zandvliet, existem sempre cinzentos que nestes contextos exemplificados levam a olhar para o cenário com mais humanidade e menos moralidade. No entanto, sabemos que há princípios inalteráveis, sendo um deles a liberdade do outro e a consciência, não podendo nunca qualquer teoria ou concepção motivar-se pelo preconceito e exterminação de um povo, cultura, etnia, religião, o que for. 

tira do livro Maus, do cartoonista Art Spiegelman

Maus do cartoonista Art Spiegelman retrata a história do seu pai Vladek Spiegelman, um judeu polaco sobrevivente de Auschwitz. Nas tiras, os judeus são desenhados como ratos, os nazis gatos, os polacos seculares ou não-judeus como porcos e os americanos cães. O espírito de Maus recorre à imagética da fábula e não aplica cor para discursar sobre um momento perturbador evidenciando por imagens o Shoah. O autor evita o sentimentalismo, interrompendo a narrativa para ressaltar as suas inquietações. É sem dúvida umas das obras que retrata o Shoah sem equivalente no universo da BD. 

(continua...)

Fontes:
O Homem em busca de um Sentido, Viktor Frankl.
Musicofilia, Oliver Sacks.
Uma Centena de MilagresZuzana Růžičková. 
Quando o Silêncio se torna Cumplicidade, Mateus Salvador. 
Lista de músicos: 

Texto: Priscilla Fontoura
Artigo: Efeitos da música na sobrevivência dos prisioneiros nos campos de concentração, força invisível mas motriz para a resiliência de muitos sobreviventes. O presente artigo foi muito suportado no conteúdo incluído no site Music and the Holocaust.

Quando ouvimos Point Blank Termination , o mais recente disco da banda de São Petersburgo, Infiltration , somos imediatamente transportados ...


Quando ouvimos Point Blank Termination, o mais recente disco da banda de São Petersburgo, Infiltration, somos imediatamente transportados para o som puro e avassalador do death metal purista e com muito groove dos anos 90. 

Fiéis a essas raízes, essa fidelidade continua a soar verdadeira e cada vez mais legítima, actuando como um perfeito catalisador sónico para inquietudes, ansiedades e frustrações. São 8 temas de pura catarse musical para os fãs mais obstinados de death metal tradicional que não teme ser inventivo. 

Somos obliterados pelo groove maníaco em Collateral Damage ou os riffs explosivos e catchy em Radiation Storm. Todo o conceito do álbum que engloba a imagética da capa, os temas das líricas e as composições fazem jus ao nome da banda, Infiltration, pois somos infiltrados por um sentimento de estarmos no meio de uma catástrofe nuclear. 

Avassalador e com uma sensação de caos, Point Blank Termination assume o seu poder como um longa-duração de death metal que agradará a fãs de bandas como Bolt Thrower. É o mais recente disco de Infiltration que nasceu em 2017 e que juntou músicos de outras bandas, tais como Free at Last, Hellbomb, Chamber of Torture, Katalepsy e Abnormal. Infiltration partilhou palcos com bandas como Cannibal Corpse, Carcass, Suffocation, Broken Hope, Destroyer 666, Necrophobic, Napalm Death e Decapitated.

Perguntámos aos Infiltration as suas principais referências para 5 livros, 5 discos, 5 filmes/séries e aqui estão:

Andrey (Baixo, compositor)

Livros:
- Master and Margarita, Mikhail Bulgakov
- 1984, George Orwell
- Lord of the Rings, J. R. R. Tolkien
- At the Mountains of Madness, H. P. Lovecraft
- Hard to Be a God, Arkady and Boris Strugatsky

Discos:
- Hell Awaits, Slayer
- Bloodthirst, Cannibal Corpse
- Domination, Morbid Angel,
- Bastards, Motorhead
- Inside the Torn Apart, Napalm Death

Filmes/Séries:
- The Good, the Bad and the Ugly, Sergio Leone
- Matrix, Wachowski
- Terminator 1-2, James Cameron
- Blade Runner 2049, Denis Villeneuve
- The IT Crowd, Graham Linehan

Paul (Voz, letras)

Livros:
- Corsican honor, William Heffernan 
- In her Defense, by Stephen Horn
- The keepsake,Tess Gerritsen
- Qualquer livro do Dean Koontz (não consigo escolher)
- Ainda por ler...

Discos:
(As minhas escolhas estão sempre a mudar porque há artistas incríveis que eu gosto bastante, desde old-school hip hop, hardcore de NY, Thrash e Death Metal até Johnny Cash)
- Chamber of one, Dearly Beheaded 
- Armageddon March Eternal, the symphonies of the slit wrists, The Project Hate MCMXCIX
- Butchered at birth, Cannibal Corpse 
- Follow the leader, Korn 
- Tical 2000:  Judgement day, Method Man 
e QUALQUER COISA de Slayer, Black Sabbath, Pantera 

Séries:
- Twin Peaks, Mark Frost e David Lynch
- Dr. House, David Shore
- Homicide: Life on the street, Paul Attanasio 
- Chernobyl, Craig Mazin

Filmes:
- The Terminator 1 and 2, James Cameron
- Alien, Riddley Scott
- Casino, Martin Scorcese
- Fear and Loathing in Las Vegas, Terry Gilliam
- The Thing, John Carpenter


As we listen to Point Blank Termination, the latest album from Infiltration(Saint- Petersburg – Russia) we are immediately launched back to the pure and crushing sound of death metal from the 90’s. 

Faithful to those roots, that fidelity still sounds true and very much legit, acting as a perfect sonic catalyser that flushes out anxieties and frustrations. These are 8 themes of pure musical catharsis for the most obstinate fans of traditional death metal that does not fear to innovate. 

We are obliterated by the maniac groove in Collateral Damage or the explosive and addictive riffs present in Radiation Storm. The general concept that includes the art work, the lyrics and the compositions stay true to the band’s name, Infiltration, since we are infiltrated by a sense of alienness, of being trapped or in the midst of a nuclear catastrophe. 

Colossal and with a sense of somewhat controlled chaos, Point Blank Termination assumes its power as a death metal LP that will thrill fans of bands like Bolt Thrower. It’s the latest album by Infiltration that was formed in 2017 and that joined musicians from several bands like Free at Last, Hellbomb, Chamber of Torture, Katalepsy and Abnormal. Infiltration also shared stages with bands such as Cannibal Corpse, Carcass, Suffocation, Broken Hope, Destroyer 666, Necrophobic, Napalm Death e Decapitated

We asked this band about their references for 5 books, 5 records, 5 films/TV shows and here they are:

Andrey (bass guitar, songwriter)

Books:
- Master and Margarita, Mikhail Bulgakov
- 1984, George Orwell
- Lord of the Rings, J. R. R. Tolkien
- At the Mountains of Madness, H. P. Lovecraft
- Hard to Be a God, Arkady and Boris Strugatsky

Records:
- Hell Awaits, Slayer
- Bloodthirst, Cannibal Corpse
- Domination, Morbid Angel,
- Bastards, Motorhead
- Inside the Torn Apart, Napalm Death

Films/Tv Shows:
- The Good, the Bad and the Ugly, Sergio Leone
- Matrix, Wachowski
- Terminator 1-2, James Cameron
- Blade Runner 2049, Denis Villeneuve
- The IT Crowd, Graham Linehan

Paul (Vocals, lyrics)

Books:
- Corsican honor, William Heffernan 
- In her Defense, by Stephen Horn 
- The keepsake,Tess Gerritsen 
- Any book by Dean Koontz (can't pick one) 
- Yet to read...

Records:
(It's a subject to change at any given day though as there are so many incredible artists that i hold in the highest regard! from the old-school hip-hop, to NY hard-core, to Thrash and Death metal to Johnny Cash)
- Chamber of one, Dearly Beheaded 
- Armageddon March Eternal, the symphonies of the slit wrists, The Project Hate MCMXCIX
- Butchered at birth, Cannibal Corpse 
- Follow the leader, Korn 
- Tical 2000:  Judgement day, Method Man 
plus ANYTHING by Slayer, Black Sabbath, Pantera 

Tv Shows:
- Twin Peaks, Mark Frost e David Lynch
- Dr. House, David Shore
- Homicide: Life on the street, Paul Attanasio 
- Chernobyl, Craig Mazin

Films:
- The Terminator 1 and 2, James Cameron
- Alien, Riddley Scott
- Casino, Martin Scorcese
- Fear and Loathing in Las Vegas, Terry Gilliam
- The Thing, John Carpenter

Texto | Text: Cláudia Zafre
Escolhas | Choices: Infiltration (Andrey, Paul)

Adrianne Lenker lidera os Big Thief , banda norte-americana indie rock. Buck Meek (guitarra, segunda voz) , Max Oleartchik (baixo) e James...

Adrianne Lenker lidera os Big Thief, banda norte-americana indie rock. Buck Meek (guitarra, segunda voz), Max Oleartchik (baixo) e James Krivchenia (bateria), todos com formação musical, constituem também os Big Thief. Lançaram o álbum de estreia Masterpiece via Saddle Creek Records em 2016; ano que também os viu fazer aparições no South by Southwest e ser banda de suporte de diversas digressões. Capacity teve o seu lançamento durante o Inverno gélido de 2017, e em 2019 o terceiro U.F.O.F.. A 11 de Outubro do mesmo ano Two Hands, onde se incluem os singles Not e Forgotten Eyes. Os Big Thief criaram um nicho que é só deles, definido pela dualidade dos momentos que marcam a vida, numa espécie de rendição à beleza que se pode encontrar no caos. Adrianne Lenker nasceu no seio de um culto religioso em Indianápolis e passou grande parte da sua infância e adolescência na estrada com os seus pais músicos itinerantes. Envolta de músicos, instrumentos e canções, a cantautora, que este ano lançou Songs e Instrumentals, álbum intimista e contemplativo com raízes folk, começou durante a adolescência a lançar material a solo. Tanto a sua voz meiga e honesta, quanto as suas composições, tornam-a umas das revelações mais inspiradoras da nova realidade do folk americano.

Nos finais dos anos 90 e início da viragem do século, os Placebo foram umas das bandas mais ouvidas no espectro do rock alternativo. Brian Molko distingue-se pelo timbre da voz e também pela imagem mais andrógina. Filho de pai norte-americano e de mãe escocesa, a família Molko viajou por vários países entre eles Libéria, Líbano e Luxemburgo. Em 1990, Brian Molko estudou drama em Londres e teve uma infância um pouco solitária. As suas influências musicais incluem Depeche Mode, Dead Kennedys, Sonic Youth, PJ Harvey, Nick Drake, Joy Division, Pixies e The Cure que o levaram a comprar a primeira guitarra e a dedicar-se a dominar outros instrumentos como baixo, teclado, saxofone e bateria. Apesar de ter estudado e ter uma grande curiosidade pelo drama, a música faz parte da sua paixão principal.


Adrianne Lenker e Brian Molko

Texto: Priscilla Fontoura

A combinação de anos 90 com a cidade de Seattle eleva imediatamente o nosso imaginário para o movimento sónico que começou em garagens, quar...


A combinação de anos 90 com a cidade de Seattle eleva imediatamente o nosso imaginário para o movimento sónico que começou em garagens, quartos, pequenos bares agitados pelas ondas avassaladoras de grupos de amigos a tocar para e por amigos. Foi assim que nasceu o grunge, sem pretensões e tocado com alma. Na desportiva e sem esperar alcançar estrelato ou hits nas rádios principais do país. 


As letras cheias de angst existencial, os ritmos despojados e agressivos num espírito diy com a irreverente atitude punk, germinou em Seattle e foram inúmeras as bandas que nela nasceram e cresceram. Um movimento que apenas se baseava na música e na verdade que nela se experiencia, cedo atingiu a popularidade com bandas como Pearl Jam, Soundgarden, Nirvana e Screaming Trees que começaram a aparecer em capas de revistas, programas de televisão, gerando um interesse internacional pelo movimento de sub-cultura que acabou por se tornar mainstream ao longo da década.

Este documentário realizado por Doug Pray traça a história do grunge desde o seu nascimento até se tornar um marco, atraindo bandas de volta a Seattle e fazendo com que muitos jovens ao longo do globo começassem a vestir camisas de flanela como o seu novo uniforme. Essa popularidade gerou também alguma controvérsia, e um movimento de subcultura que incentivava a rebelião e individualismo foi tornado numa lucrativa estratégia de marketing para a imprensa e a indústria da moda. 


São inúmeras as bandas e músicos que prestam o seu testemunho ao longo do documentário, tais como: The Fastbacks, Seaweed, 7 Year bitch, Eddie Vedder, Mudhoney, Soundgarden, The Walkabouts, TAD, The Melvins e muitos mais. O documentário é composto por entrevistas, imagens da cidade de Seattle e footage rara de concertos das bandas mais influentes do género. 

Um documentário que retrata um dos movimentos mais fascinantes do universo musical.

Texto: Cláudia Zafre
Breaking the Fourth Wall: Hype! 

    Strawberry Pills come from Athens (Greece) with a new approach to the dark and mysterious sounds from the 80’s that pays homage to the ...

   

Strawberry Pills come from Athens (Greece) with a new approach to the dark and mysterious sounds from the 80’s that pays homage to the cryptic and fascinating world of film noir and crime fiction. 

The ominous presence of dark shadows in pale light and sensual femme fatales abound while listening to Murder To A Beat, the debut LP by Strawberry Pills released in October 30 by Inner Ear Records. 

A fascinating and intriguing debut that will please and mystify those seekers that are attracted to the dark and melodic side of music.

How did Strawberry Pills come to be?
Valisia: Back in 2008 Antonis and I were together in my first band Phoenix Catscratch. At some point Antonis left and somewhere around 2013 he started a project called Strawberry Pills where he collaborated with several female singers, one of them being me. As we realised how great we worked together we decided to keep it between the two of us but it didn’t last long (i think it was a matter of months) due to various reasons. Which brings us in 2019 when we met again and both realised that this is the right time for Strawberry Pills the band to do its thing. We know what we want to do without even speaking about it and each of us is important in achieving that. 

Please guide us along some of the concepts/ideas behind your newest LP. You mention having influences from film noir and crime fiction, what are the main references that you can cite? 
Valisia: The general atmosphere of "Murder To A Beat" is inspired by the tone and the mood of film noir and crime fiction. It is fast paced, it is caressed by both shadows and lights and it has an underlying existentialist philosophy. Agatha Christie was a major influence along with many many film noir movies such as "Touch of Evil", "The Maltese Falcon", "Dial M for Murder". 

Antonis: Practically, I treated all of the songs more like “horror audio movies” and not as actual songs. We created characters and let their stories blend with some touches from reality. It was an interesting process. We created a dark and twisted universe. 

Your sound has a very fresh and innovative approach to some more dark and obscure kind of music from the 80’s. What bands can you say influenced you the most for your own unique sound? 
Valisia: Ultravox, Japan, Yello, Chris and Cosey, Cabaret Voltaire, just to mention some. 

Antonis: I also love Deux, The Soft Moon, Depeche Mode and of course, our king the one and only Daniel Johnston. 

What themes do you feel most likely to explore in your lyrics? 
Antonis: Horror, death, love and I combine them with some of my everyday experiences in life. Valisia Is more lyrical than me, she takes it to another level. 

Valisia: I've got a more timeless perspective on things, mainly through several forms of art and secondly through history. Therefore, I am usually motivated by a book I read, a photograph, a painting, a movie. Major characteristics to all of them are mystery, eccentricity, eroticism, intense emotion. 


What is the concept behind the cover art chosen for the album. 
Valisia: The cover's aesthetic is consistent with the whole album's concept. The key element is the hanging phone. The significance of the telephone in film noir and crime fiction is enormous. Most of the times the fate of the hero is defendant on a single phone call. The title of the album is repeated several times imitating somehow the incessant ringing of the telephone in the middle of the night and the threat it represents. 

With the situation we are currently facing, most shows have been cancelled or postponed, however do you have any plans about future tours? 
Antonis: We can’t wait to be on the road again. We had some shows cancelled due to the pandemic so we will make sure to return onstage as soon as possible. 

How would you best describe the underground music scene in Athens and how do you think that you fit in it? 
Antonis: The Greek underground scene is at its best. Great bands putting out amazing albums and touring all over. It felt like a music playground before the COVID-19 situation. Even though I like the Greek scene a lot though, I feel like Strawberry Pills is part of a bigger, European dark scene that works as one. We get in touch with artists from all over the world and it feels great to do so. 

The videoclip for The Voyeur has a very dark and mysterious mystique. What leitmotif or concepts inspired you for the videoclip for The Voyeur? 
Valisia: We were inspired both lyrically and visually by the iconoclastic photography of Guy Bourdin. His work was described as “tiptoeing to the edge of pornography but ending up at art”. He exposed the true nature of desire. Thus, following Guy Bourdin’s frame of mind “The Voyeur” spies on other people’s lives trying to feel what they feel, trying to sense the heat. It's claustrophobic, it's compulsive, it's scheming.

Text and Interview: Cláudia Zafre
Band: Strawberry Pills (Vasilia Odell, Antonis Konstantaras)

Álbum: Crocorama Género: pop, baroque pop, experimental pop, pop psicadélico Lançamento: 16 de Outubro, 2020 Editora: Dur et Doux odesseyand...

Álbum: Crocorama
Género: pop, baroque pop, experimental pop, pop psicadélico
Lançamento: 16 de Outubro, 2020
Editora: Dur et Doux
odesseyandoracle.bandcamp.com/album/crocorama


Mal escutamos os primeiros segundos de Crocorama, somos transportados para o universo sónico de Odessey & Oracle com constelações psicadélicas de micro-planetas de pop inventivo. Há pastoralidade e inovação, seja nos arranjos peculiares como nas construções melódicas que oscilam entre a serenidade e alguma extravagância sinfónica. 

A banda francesa continua o seu trajecto sonoro inovador cantado em francês, com reminiscências do pop soalheiro dos anos 60 e 70 de cariz optimista e exploratório, sempre insistente em quebrar barreiras de género com bonomia. 

Crocorama segue a linha sonora do álbum anterior, Speculatio (2017) que revitalizou o uso de sintetizadores, incorporando com sucesso outros instrumentos, como o banjo e o uso de dobro, uma guitarra ressonadora. Este álbum reúne 11 temas que resultam numa viagem psicadélica, surreal e intensamente melódica.

- TRANSLATION - 

Image by Sylvie Mauris

Album: Crocorama
Genre: pop, baroque pop, experimental pop, psychedelic pop
Release date: 16th October, 2020
Label: Dur et Doux
odesseyandoracle.bandcamp.com/album/crocorama


As soon as we listen to the first seconds of Crocorama, we are transported to the sonic universe of Odessey & Oracle with psychedelic constellations of micro-planets of inventive pop. It’s pastoral and creative, be it on the peculiar musical arrangements or the melodic constructions that oscillate between serenity and some subtle symphonic extravagance.

The French band, continues its sonic trip singing in French and with reminiscences of sunny pop from the 60’s and 70’s that had an optimistic and exploratory mind set, always insistent on breaking music genre boundaries with ease. 

Crocorama follows the sonic line of its predecessor, Speculatio (2017) that revitalized the use of synths, incorporating other instruments such as resonator guitars. This record features 11 themes that translate into a psychedelic, surreal and vibrantly melodic voyage.

Texto | Text: Cláudia Zafre