MALEVICH – Our Hollow Dark, complex, intense, menacing and crushing may be some adjectives to describe the latest release from Male...

MALEVICH – Our Hollow


Dark, complex, intense, menacing and crushing may be some adjectives to describe the latest release from Malevich titled Our Hollow. Following up the debut Only the flies released in 2016, Our Hollow is fixed upon the inclusion of a second guitarist and three types of vocals that add a lot to the strength and fierceness of the songs. 

Our Hollow is comprised of 9 songs, each holding their own ground and creating a whole of ominous and nightmarish destruction. Creating layers upon layers on a base of menacing and aggressive sludge metal, Malevich recreates and adds their own flavor to heavy and “from-the-depths” music. 

It’s darkly emotional and complex, the melodies seem to move in a cerebral kind of way in some songs, like Distended Empire, a behemoth of a song that clocks around 8 minutes, reminding us of other bands that mix heaviness with progression, such as Fall of Efafra, Maudlin of the Well, Isis, or old Cult of Luna

In the song, Distented Empire, the guitars seem to want to rip every inch of flesh in us, revealing our inner self and playing with our most feral and hidden instincts. There are bold melodies that mix aggression and complexity with melody and more introspective and instrumental passages. 

The album as a whole is a unique frenzied and intense ride on the rollercoaster of emotions that are both dark and threatening but that are ultimately part of our nature. An extreme yet great listening experience for fans of heavy and complex music.

OLAM – I will Guide Thy Hand


The so-called extreme music acts viscerally on our senses and gets “under our skin” making us confront our most repressed urges or sorrowful memories. It is in the extreme that we find our own inner self without filters of social restraints. Music that is intense but also melodic and complex enough to make us ponder and reflect. There is an immensity of experimentation to be had in the extremes of music, hydrid sounds, progressive and cerebral but mellow and atmospheric at times. It’s a world that fortunately is populated with enough bands that dare to challenge more that just our sense of hearing. 

From Indianapolis comes OLAM (Of Lions and Men) a trio that has released this year their debut, I will guide Thy hand and that has produced a colossal work of more than just intricate post-hardcore subtly influenced by bands like Oathbreaker and Converge

Olam also has a meaning in Hebrew, it means “world” and is used in many expressions, such as Olam Haba (Jewish afterlife) and Adon Olam (one of the many names of God), even though there is no direct correlation between the band’s choice for the name and the title of the album, there is something particularly ethereal about the band’s music. 

An ether that is filled with fervour and anguish like in the song Under my Breath with swirling guitars and brazen vocals. Some brutality and unpredictability as in Bloodletting, one of the shortest but most intense songs of the record. Energy and youth vitality with swirling guitars in Razorblades as neckties and the light and dark realms mixing in the song that names the album, I will guide Thy hand. A song that starts off with the brutality and frenzied rhythms of some mathcore inspired hardcore and that manages to ignite, burning either fast or slow with incredible dynamic changing in rhythms and tempo. 

A very diverse and engaging debut that carries a unique sound style that can only get better in future releases.

Text: Cláudia Zafre
Label: Zegema Beach Records 

Género: Pop, Rock  Álbum: Ghosteen Data de lançamento: 4 de Outubro, 2019 Editora: Ghosteen  youtube.com/watch?v=GwlU_wsT20Q Pare...

Género: Pop, Rock 
Álbum: Ghosteen
Data de lançamento: 4 de Outubro, 2019
Editora: Ghosteen 

youtube.com/watch?v=GwlU_wsT20Q



Parece tarde publicar um texto sobre o último álbum de Nick Cave and The Bad Seeds, lançado, nas plataformas digitais, no dia 4 de Outubro, principalmente numa altura em que se vive muito do instantâneo. Mas Ghosteen merece tempo e absorção. As edições em vinil e CD só chegaram às lojas neste mês.

Ghosteen e a Psicoterapia 
No princípio era o verbo, assim está registado nas Escrituras. É nele onde reside a força, o poder, tanto para o bem quanto para o mal; é na palavra que é proferida a maldição ou a cura. O ser humano é confuso e vulnerável, facilmente se perde na mutabilidade das suas emoções. Ghosteen, o último “discurso” de Cave, molda-se aos sentimentos que deambulam entre extremos de apatia e empatia, de uma dor infinita a um vácuo emocional.

Em todo o poder que Cave atribui ao verbo fluem sentimentos contraditórios, cuja busca reside apenas no encontro da paz, para destruir um relógio que parou.

Peace will come, and peace will come, and peace will come in time
Time will come, and time will come, a time will come for us
Peace will come, and peace will come, and peace will come in time
Time will come, and time will come, a time will come for us

A boca fala do que o coração está cheio, assim disse o profeta de Nick Cave. Surpreendido pelo falecimento do seu filho Arthur, o orador tenta colar os fragmentos da sua memória para narrar a temporalidade da ruína emocional à reconstrução. Este é um Nick Cave mais maduro à tragédia muito tempo alimentada com dor e sofrimento.

Ghosteen é a extensão de Skeleton Tree, a continuidade da cura feita pela psicoterapia que depende das palavras para conseguir voltar a caminhar. Um álbum que leva tempo para ser absorvido e que ganha força a cada passo dado para parar a letargia nessa viagem densa e difícil, profunda e pesada, da qual não se vislumbra um futuro encantador. Nem todos estão preparados para ingressar numa que requer tanto quando a força parece não existir. Estreado no dia 3 de Outubro no canal da banda do YouTube, eis que num instante começa a ser criada uma terapia colectiva em que cada fã exprime cada perda que sofreu. É uma dor muito individual num estado de luto global. 

Há circunstâncias evitáveis a que as pessoas poderiam escapar: deslealdade, traição, desonestidade, usurpação, interesse; já outras que são inevitáveis, a morte é uma delas. As primeiras não estão directamente ligadas a estratos sociais, a falta de escrúpulos é transversal a qualquer estatuto e, muitas vezes, essa máscara é usada por quem deveria ser moralmente mais recto. O verbo utilizado pelos políticos, religiosos e comunicação social é o caminho que muitos utilizam para levar os cordeiros ao estreito da manipulação cega, arraigada nos interesses sujos, sob a égide da maçã saborosa. 

No penúltimo Skeleton Tree Cave deixou a caixa de Pandora aberta, abrindo o mote para outro capítulo que não se desliga do antecessor, assumindo a mesma estética sonora. A apatia presente em Ghosteen utiliza, tal como em Skeleton Tree, as palavras para curar um coração despedaçado que não sabe quanto tempo vai precisar para se refazer. 

Projecção - Narciso e Alice
Nalgumas culturas nativas, a imagem reflectida das pessoas contém um grande valor simbólico. Em muitas culturas pré-tecnológicas, acredita-se que a fotografia rouba a alma do indivíduo, sendo que a imagem é a alma. Essas imagens reflectidas deles mesmos, com as quais Narciso e Alice de Lewis Carroll se confrontam, são o portal para olharem para dentro das suas almas, para as profundezas mais íntimas e particulares de cada um/a. Enquanto Narciso contenta-se apenas com a superfície e com o aparência da sua própria imagem, Alice não se satisfaz com essa experiência superficial, olha para o espelho e volta a olhar através dele, quando o faz, entra dentro dele, num mundo diferente, o que se encontra além, onde residem infinitas possibilidades imaginativas para a psique humana. Através desse processo psicoterapêutico podemos entrar na aventura rumo ao nosso Eu interior e detectar onde se encontra o lado mais negro e assombroso de cada um de nós. A dor coloca tudo em perspectiva, o que outrora tinha importância deixa de ter. 

Ghosteen é iniciado pelo tema Spinning Song. Serão, no fundo, palavras dirigidas à mulher de Cave? O músico dirige-se ao rei do Rock ‘n ‘roll, a Elvis Presley, como uma figura americana mitológica, simbolizando o estado de glória para a ruína que se vai transfigurando. 

Once there was a song, the song yearned to be sung
It was a spinning song about the king of rock 'n' roll
The king was first a young prince, the prince was the best
With his black jelly hair he crashed onto a stage in Vegas
The king had a queen, the queen's hair was a stairway

Em Spinning Song, Cave, num exercício verbal, convence-se que a paz chegará a seu tempo. Enquanto há amor, essa esperança perdura, repetindo a oração para curar as feridas mais profundas. A utilização das palavras com o intuito de curar tem a sua origem nos Gregos. Os Gregos reconheceram a fala como o maior tesouro do Homem. Há muito que precisamos da utilização da palavra para soltarmos os demónios do coração. A tormenta que impele a ligar a outro ser humano para procurar algum tipo de conforto. Nessa medida, Cave é um homem cansado que precisa da força dos Seeds para continuar a poética. A fala só pode ser um tesouro quando bem utilizada, caso contrário mais vale silenciar, como insinua em Waiting for You, seguido do embalo do refrão que canta num tom dramático acompanhado do arranjo litúrgico e atmosférico.

sometimes it's better not to say anything at all

Bright Horses inicia com o timbre angélico de Warren Ellis. Tudo é como se vê, não há Deus, diz Cave, “galopando” entre passos de niilismo e de fé, assente na instrumentação construída a partir dos arranjos. Não há problema em amar algo intocável, como um fantasma que deambula entre estados para tentar preencher o vazio que ficou. 

Ghosteen representa um espírito migratório. A capa kitsch ilustra uma paisagem do Éden sem Adão nem Eva, da mesma forma remete para o imaginário fantasioso de "As Crónicas de Nárnia". A descrição do álbum também é bastante gnómica: os oito temas do primeiro álbum representam as crianças, as duas faixas longas e as palavras faladas, no álbum dois, são os pais dessas crianças, um álbum duplo que gira em torno do consolo do amor. 

There's a picture of Jesus lying in his mother's arms
Shuttered windows, cars humming on the street below
The fountain throbbed in the lobby of the Grand Hotel
We checked into room thirty-three, well well, well well

Nick não está sozinho, nesta viagem está sempre acompanhado pela mulher Susie, a sua co-viajante, que carrega e partilha a dor do luto na proporção que cada um sente. Mas Cave protege-a, mesmo sabendo que Susie precisa também de chorar, ninguém é forte o suficiente, na vulnerabilidade está também a força, na mesma pintura em que Jesus figura deitado nos braços da sua mãe cantado no tema Night Raid.

Vislumbre da Luz
Existe experimentação instrumental ao género Pink Floydiano no início do tema Sun Forest, que fala de uma floresta onde está a passagem para outra dimensão, uma melhor com luz e que trava o sofrimento. 

There is nothing more valuable than love
And I lie amongst the leaves and the burning trees
And the fields of smoke and the black butterflies
And the screaming horses and your bright green eyes, so beautiful
Ah your bright green eyes, so beautiful

I am here beside you
Look for me in the sun
I am beside you, I am within
In the sunshine, in the Sun

Todo o álbum é pautado por efeitos de Warren Ellis. Os Seeds são como os discípulos de Jesus, prontos para ajudar Cave nesta catarse. 

Na segunda parte do álbum encontra-se outra dimensão onde há beleza, já não existe tanta instrumentação lacónica, há mais notas e ritmo. Um apelo à renovação do espírito que é leve e que já não vive do passado. O álbum que marca o 40º aniversário da carreira de Nick Cave, não precisa de palavras para garantir o seu lugar no pedestal da música, apenas é necessário ter a capacidade de sofrer e resistir.

Texto: Priscilla Fontoura

CRIAÇÃO E AUTORIA:   EMANUEL R. MARQUES

CRIAÇÃO E AUTORIA: EMANUEL R. MARQUES

                                                                                          Imagem por Aurélie Trembley               ...

                                                                                          Imagem por Aurélie Trembley                                                                                

A melancolia é uma musa influente para alguns compositores e/ou bandas, relembramo-nos das linhas de guitarra oníricas e com um eco subtil dos The Cure, as batidas glaciares, mas cheias de doçura dançável dos New Order ou a carga soturna, mas dinâmica dos Joy Division. Bandas que agitaram toda uma década de melómanos viciados nos sons alternativos que produziram autênticos hinos como A forest (The Cure), Blue Monday (New Order) e Love will tear us apart (Joy Division).

Imaginamos o universo distinto de cada uma dessas bandas e transpondo-nos para os dias de hoje, conhecemos imediatamente o universo pessoal de Erwan Pépiot, um multi-instrumentista francês que sob o nome Somehow, editou a 25 de Outubro de 2019, o seu segundo disco de originais, Low Tide lançado através da Toolong Records e Differ-Ant.

A voz grave de Bernard Pépiot harmoniza com a suavidade da voz cristalina de Aurélie Trembley, criando um duo vocal com uma dinâmica única em cada tema de Low Tide. Um disco recheado de temas de identidade própria, produzidos e gravados no seu próprio estúdio caseiro, acentuando o cariz DIY do compositor que também tocou todos os instrumentos presentes no álbum.

Artwork por Léna Durr & Alexandre Telliez-Moreni

Low Tide lida com uma temática algo contemporânea de retratos das relações afectivas, assim como, universalidades como o tempo, a necessidade de reconstrução emocional e o ímpeto por uma revolução que parte de uma consciência romântica e introspectiva. 

As melodias são construídas numa diversidade de instrumentos que coabitam harmoniosamente entre si. Guitarras, violinos, violoncelos, sintetizadores e melódicas fazem parte da constelação instrumental de Somehow que ao longo da sua Low Tide, leva-nos em marés altas e baixas melódicas que desaguam no último tema do disco, A Mirage of Us, um tema que se reparte em estados de alma alternantes. A melancolia romântica enamora-se de uma euforia catchy e esperançosa com as linhas saltitonas de guitarras e baixos a acompanhar apontamentos cintilantes de sintetizadores. 

Perguntámos ao compositor e multi-instrumentista Erwan Pépiot as suas escolhas para 5 livros, 5 discos, 5 filmes/séries e aqui estão: 

5 Livros:
- Un, personne, 100 000, Luigi Pirandello 
- Le Pingouin, Andreï Kourkov 
- Petit cours d'autodéfense Intellectuelle, Normand Baillargeon 
- Pour en finir avec Eddy Bellegueule, Edouard Louis
- Unknown Pleasures: inside Joy Division, Peter Hook

5 Discos: 
- Reservoir, Fanfarlo 
- Movement, New Order 
- La Fossette, Dominique A 
- God Help the Girl (Original Motion Picture Soundtrack), Stuart Murdoch 
- Dark Was The Night, V/A 

5 Filmes / séries: 
- Tokyo Sonata, Kiyoshi Kurosawa 
- River of Grass, Kelly Reichardt 
- L'Heure de la Sortie, Sébastien Marnier 
- Les Plages d'Agnès, Agnès Varda 
- Utopia (TV series), Dennis Kelly 

- TRANSLATION - 

Melancholy is an important muse for some composers and/or bands, we immediately remember the dream-like guitar lines with a subtle echo from The Cure, the glaciar beats but filled with danceable sweetness from New Order or the gloomy but dynamic energy from Joy Division. Bands that shook a whole decade filled with music lovers addicted to alternative sounds that produced hymns like A forest (The Cure), Blue Monday (New Order) and Love will tear us apart (Joy Division)

We imagined the distinct universe of each of those bands and traveling to our days, we instantly become aware of the personal universe of Erwan Pépiot, a multi-instrumentalist from France that under the name Somehow, has released at 25th of October, his second LP called Low Tide through Toolong Records and Differ-Ant.

                                                                               Image by Julien Griffaud                                              

The low tone of voice by Erwan Pépiot finds harmony with the soft and crystalline voice of Aurélie Trembley, creating a vocal duet with a very unique dynamic in each song of Low Tide. A record that is filled with songs that have their own identity, recorded and produced in Bernard’s home studio, which elevates the DIY facet of the composer that also played every instrument in the album. 

Low Tide deals with themes from our days such as portraits of relationships, and universals such as Time, the need for emotional reconstruction and the desire for a revolution that arises from a romantic and introspective conscientiousness. 

The melodies are based upon a variety of instruments that coexist peacefully. Guitars, violins, cellos, synths and melodicas are part of the musical constellation of Somehow that through Low Tide takes us on high and low tides that run down on the last song of the record, A mirage of us, a song that divides itself in harmonic mood swings. The romantic melancholy falls in love with the catchy and hopeful sweetness produced by jangling bass and guitar lines allied with scintillating notes from the synths. 

We asked the composer and multi-instrumentalist Erwan Pépiot his choices for 5 books, 5 records, 5 films/TV shows and here they are: 

5 Books:
- One, No One and One Hundred Thousand, Luigi Pirandello 
- Death and The Penguin, Andreï Kourkov 
- A Short Course in Intellectual Self-Defense: Find Your Inner Chomsky, Normand Baillargeon 
- The End of Eddy, Edouard Louis 
- Unknown Pleasures: inside Joy Division, Peter Hook

5 Records:
- Reservoir, Fanfarlo 
- Movement, New Order
- La Fossette, Dominique A 
- God Help the Girl (Original Motion Picture Soundtrack), Stuart Murdoch 
- Dark Was The Night, V/A 

5 Films / TV Shows: 
- Tokyo Sonata, Kiyoshi Kurosawa 
- River of Grass, Kelly Reichardt 
- L'Heure de la Sortie, Sébastien Marnier 
- Les Plages d'Agnès, Agnès Varda 
- Utopia (TV series), Dennis Kelly 

Texto/Text: Cláudia Zafre
Escolhas/Choices: Erwan Pépiot (Somehow) 

Protagonizou filmes como Boys don't Cry ( Brandon Teena ) de  Kimberly Peirce  e Million Dollar Baby (Maggie Fitzgerald) de Clint...

Protagonizou filmes como Boys don't Cry (Brandon Teena) de Kimberly Peirce e Million Dollar Baby (Maggie Fitzgerald) de Clint Eastwood, papéis que lhe garantiram o óscar na categoria para melhor actriz. Hilary Ann Swank é uma actriz distinta pelos papéis difíceis que escolhe. 
Katherine Elizabeth King aka Kaki King toca guitarra e compõe. Natural de Atlanta, já lançou seis álbuns e três EP's e fez digressões internacionais. Aclamada pela Rolling Stone pela sua identidade singular, a iconoclasta já contribuiu para bandas-sonoras de filmes, tal como, August Rush e Into The Wild

PUZZLE: HILARY SWANK e KAKI KING (KATHERINE ELIZABETH KING)



Ideia e Montagem: Priscilla Fontoura
Puzzle: Priscilla Fontoura
Vídeo: Kaki King, "Pull Me Out Alive" por Doug Karr & Edward Boyce

Music can sometimes turn into a hydra, a mythical creature with many heads that is powerful and colossal. The name has its origins on ...



Music can sometimes turn into a hydra, a mythical creature with many heads that is powerful and colossal. The name has its origins on the Greek word Hudra meaning “water snake” and the term was coined by Carl Linnaeus, a Swedish botanist, zoologist and physician. The hydra has its name because if cut into pieces, each one of those can turn into a whole different animal. There is endless reconstruction, and nothing ever stagnates or dies out. There are some bands that like the hydra, never fail to regenerate and recreate inside the genres that supposedly inspired them, but yet create a whole new breed of animal, a new kind of sound that is bold and unexpected, two qualities that music lovers are certainly fascinated by. 

Since the musical explorations of bands like Solefald in the avant-garde metal genre, or Mr. Bungle that managed to mesh a lot of divergent music genres creating their own sound, that music fans all over the world have been craving for bands that are unique and hold no barriers in their creations. From Saskatchewan in Canada hails a young band called Dream Creeps who have released their debut album called Astral Vampires in September this year. 

The record, like the Hydra has as many heads as songs, and each have their own existence, but it’s a work of a somewhat hallucinogen sonic daze that will stick to your heads and minds for a long time. The songs are as catchy as they are unpredictable and their charm resides on the variety of vocals (different tones and signatures) as well as an elegant mesh of different sonic moods. 

Astral Vampires lives on the promise of being as captivating as it is experimental and progressive, and it will appeal to music lovers that always seek the irresistible coolness of the “weird”.

- You come from Regina, Saskatchewan in Canada and have released your debut album, Astral Vampires this year. How long have you guys been playing together?
- We've been together since early 2018, and have been playing shows since August 2018. Anthony (guitar, lead vox) and Matt (bass, backing vox) met Kurt (drums, lead vox) because we played in separate local bands prior to Dream Creeps.

- Astral Vampires is a criss-cross between styles and genres and creates a special and unique hybrid. Kind of wild and unexpected. Do you share similar musical tastes and backgrounds? 
- Our backgrounds are slightly different, but not drastically so. We share a lot of similar musical tastes, but there are also a lot of musical tastes that we hold individually. We try to embrace both sides of that coin when it comes to songwriting. Each individual’s style bleeds through into the music, but the base of it all is probably formed more from the musical ideologies we share. 

"Our local scene is pretty vibrant and we have so many talented people around us that were willing to help us out. Also being that it's our debut, it just made sense to us. For us and a lot of people in this musical climate it's basically DIY or die."

- The name for the album has a certain b-movie quality. Are you fans of that kind of movies? 
- Though we definitely are, the title Astral Vampires is actually more of a play on the supernatural/occult sense of the phrase. Also known as energy or psychic vampires. 
We realized as the lyrical content was coming together that we were focusing a lot on the effects of human behavior, and the energy draining people that can and have ended up in our lives, and that it's possible to sometimes become ourselves. It's more of a rebuke of becoming a vampire of any sort. 

- You released the album yourself, is that an affirmation in favor of the DIY aesthetics, or it’s just the way that you feel more comfortable about that whole process? 
- I think we would say both. The process was great for us. We recorded it ourselves. The music was recorded live off the floor, and we were able to take our time with the vocals. Our local scene is pretty vibrant and we have so many talented people around us that were willing to help us out. Also being that it's our debut, it just made sense to us. For us and a lot of people in this musical climate it's basically DIY or die. 

- Your lyrics have an unpredictable quality and some surreal elements, what comes first in the composition process? The music or the lyrics? Or is it a simultaneous process? 
- It's mostly simultaneous. It usually starts with the all important riff, then anything could come next. Sometimes a new musical section inspires some lyrics, sometimes a lyrical verse inspires the music as it moves forward. Sometimes we can have a good body of music already started and then add lyrics. It's really all over the map.

Astral Vampires, Art by Blair Colwell 


"We approached the project with an idea that we would want to have both main vocalists present on all the songs. Whether someone was taking the lead and the other was backing them up/doing harmonies, or we were taking turns doing different parts of the song, or just stomping all over each other with call and response type things. Basically just whatever worked and was interesting to us."

                                                                      
- As with the lyrics, we find the cover to be quite beautiful and otherworldly. Did you have any concept in your minds beforehand or was it completely left to the imagination of the artist, Blair Colwell? 
- Blair is really a one in a million artist. He's also one hell of a musician and sings and plays drums in progressive mathy trash punk band The Faps (Saskatoon SK). We basically told him the title and concept of the album and let him go. We had complete faith, and we weren't disappointed. 

- Even though, you don’t quite follow the classical style of verse bridge chorus, the song “Surf Themed Casino” has one hell of a main chorus that stuck in our heads. What was the object you envisioned from the recent beachcomb? 
- The “object” from the recent beachcomb is actually the protagonist washed up on the shore. Their taxidermied last squirm represents the culmination of all bad decisions and negative influences finally catching up to them and how that can form what feels like a permanent opinion that others will hold towards them. 

- We liked how each song has its own story and identity. The use of different vocals may help some of it too. “Egg on my Face” has a different mood because of the vocals than for example “Blood Mist”, but the different vocals come together and create a nice “duet” on “Gurgling Repeats”. Like in some screamo bands, the joining of two different types of vocals helps to create a fiercer approach to the melody, was this a pre-established notion or did it become spontaneous during rehearsals? 
- It was fairly pre-established. We approached the project with an idea that we would want to have both main vocalists present on all the songs. Whether someone was taking the lead and the other was backing them up/doing harmonies, or we were taking turns doing different parts of the song, or just stomping all over eachother with call and response type things. Basically just whatever worked and was interesting to us. 

- You seem to have a new fresh approach to music, judging by the aesthetics on the already mentioned album art, and your own style in creating music. How do you feel you fit in the Canadian music scene and in Regina in particular? 
- Like we said earlier, the local scene here in Saskatchewan is pretty vibrant. There is a lot of room for weird and interesting music to thrive here. Though we are still outliers in the general musical landscape of the country, so far the people we've played for and other bands have been very supportive. 

- Astral Vampires is quite a young album, but how has it been received in the gigs you have played in Canada? 
- Pretty well actually. Some people are a bit confused and some people really get a kick out of it. We really wouldn't have it any other way. 

- Are you involved in other music projects besides Dream Creeps? Any other side bands or artistic projects not entirely related to music? 
- Kurtis plays drums in another band called Pop Pop Vernac. They’re releasing their third album on Nov. 8th. And he is also involved with a sketch comedy group called Art On fire. Matt plays guitar in another band called Lunar Lander Dance CommanderTony is working on making artisanal Juul pods in his spare time. 

Text and interview: Cláudia Zafre
Band: Dream Creeps
Bandcamp
YTube

Existem certas séries que conseguem criar uma afinidade forte e intensa com os espectadores, por terem plots e subplots com contorn...


Existem certas séries que conseguem criar uma afinidade forte e intensa com os espectadores, por terem plots e subplots com contornos imprevisíveis e estimulantes e personagens tridimensionais com maneirismos muito particulares. 

Club de Cuervos (Club of crows) é uma série mexicana criada por Gary Alazraki e Michael Lam que retrata a odisseia de dois irmãos que ficam encarregues de gerir um clube de futebol após a morte inesperada do seu pai. 

A série mistura brilhantemente humor com drama. O humor é bastante irreverente, único e baseia-se tanto no enredo, como nos diálogos e próprios maneirismos e peculiaridades do carácter das personagens, brilhantemente encarnados por um elenco excepcionalmente talentoso.


Luis Gerardo Méndez (que também participou no enigmático, mas brilhante filme, Tiempo Compartido de 2018) interpreta Chava Iglesias, um jovem sequioso de continuar o legado do seu pai e que vai experienciar inúmeros obstáculos, assim como, a constante rivalidade com a sua irmã, Isabel Iglesias, excelentemente interpretada por Mariana Treviño

Todo o elenco acarinha e interpreta as personagens na perfeição, sejam elas principais ou secundárias, criando espaço para terem sido criadas spin-offs dedicadas a personagens consideradas secundárias, como o mockumentary, Yo, Potro (I, Potro) e a série La Balada de Hugo Sanchez.


Yo, Potro é um mockumentary realizado por Marcos Bucay que segue as aventuras e desventuras de Potro, interpretado por Joaquin Ferreira. Potro é um jogador de futebol brilhante, mas cujo comportamento impulsivo causa situações hilariantes e, por vezes, constrangedoras. 

La balada de Hugo Sanchez conta com uma temporada e segue Hugo Sanchez, o fiel, educado e quase robótico assistente pessoal de Chava Iglesias. Hugo Sanchez ganha vida através do actor Jesús Zavala e arrisca-se a tornar-se uma das personagens mais únicas e lendárias do universo televisivo, se é que não se tornou já.


Club de Cuervos tem tanto de fascinante, como de viciante e hilariante. A série foi escrita por Alesia Contanstini (Scrubs) e Jay Dyer (Californication), uma dupla que consegue criar um equilíbrio perfeito entre drama e comédia. Cuervos, cuervos, cuervos!

Texto: Cláudia Zafre
Série: Club de Cuervos
Imagens: Frames da série Club de Cuervos (2015-)

Quem é William Tyler ?  Pode ser castrador lançar respostas. Seria possível explorar várias adjectivações apenas pela sua performance,...

Quem é William Tyler
Pode ser castrador lançar respostas. Seria possível explorar várias adjectivações apenas pela sua performance, naquele palco em que se encontra praticamente despido, na noite de sexta, dia 8 de Novembro, no Auditório de Espinho. O lado despojado de William Tyler salienta o poder das mãos que há muito manejam cordas de aço de guitarra, e mesmo que o tempo vá passando a sua alma não se deixa arrefecer. A relação do músico com a guitarra é honesta e cúmplice, é uma relação que requer tempo para desbravar acordes difíceis, próprios da técnica fingerpicking. Uma relação difícil, mas íntima e persistente, como se a guitarra fosse uma extensão dele próprio. Apesar da técnica complexa, William não olha para o braço da guitarra para saber o que toca. Deixa-se levar pelo transe.


Pergunta se vamos aguentar um concerto apenas a uma guitarra numa sexta-feira à noite, quando poderíamos estar numa festa mais animada ao som de um DJ. William ironiza que a seguir ao concerto pode ser o próprio DJ...

O virtuoso do folk inquire umas quantas vezes o público e brinca dizendo que ainda estamos a tempo de ir para o bar após o concerto "enfadonho". Alguém do público pergunta se William se quer juntar à festa, o músico satiriza que sim. Ao mesmo passo que afina a guitarra, refere que era suposto trazer discos para vender mas, humoristicamente, diz que foram feitos reféns na alfândega norte-americana, e cujas despesas não iriam ser suportadas pelo governo do seu país. Acrescenta, "Mas eu tenho discos no mundo, não nesta cidade, nem nesta noite". Entre canções e silêncios, animou também a audiência que apenas foi para o ver. Indaga se mais alguém tem alguma questão, talvez com o intuito de colocar o público, que se mostrava constrangido, mais à vontade, quando, na verdade, era William que pisava sozinho um palco que desconhecia. Afirma que silêncio também é bom, e pergunta se alguém quer pedir um tema de Frank Zappa. No mesmo instante responde: "Não o façam, se me pedissem não saberia o que fazer.". 

William Tyler estreou-se a solo em 2010 com Behold the Spirit, em 2013 lançou Impossible Truth, em 2016, Modern Country, e este ano Goes West, um trabalho incrível que continua a desenhar as paisagens do seu país. Natural da terra do country, Nashville, movido pelo seu lado romântico, foi, há uns anos, rumo à costa oeste dos EUA, um lugar mágico onde vivem 10 milhões de habitantes. Para si tanto tem de encantador quanto de assustador, essa região que o faz reflectir sobre o estado da crise ambiental, afectada pela seca e pela aridez durante 7 meses consecutivos de um ano. Criticou o poder que os ricos têm, que, na prática, não faz jus à moral discursiva do apelo à preservação do ambiente. Na verdade, complementa, são os ricos que podem mudar de planeta se alguma catástrofe acontecer, deixando os pobres entregues ao seu destino. Após o interlúdio começou a dedilhar Country of Illusion de Impossible Truth, preenchendo o som da guitarra com os efeitos dos pedais.

Enquanto apaixonada pelo folk, e a tudo que diga respeito a guitarras acústicas, questionei, da plateia, se aquela era a sua primeira guitarra. Explicou que não. E contou-nos uma bela e memorável história. 

"A minha primeira guitarra acústica é parecida com esta, é uma Martin, com um corpo mais pequeno, dada pelo meu tio, há uns 15 anos. Foi a primeira vez que tive uma guitarra acústica. Ele faleceu há uns anos, e, apesar do falecimento dele ainda cheguei a tocar ao vivo com ela algum tempo, mas depois pensei que o melhor seria deixá-la em casa pelo seu valor sentimental. Então acho que esta é a minha primeira guitarra acústica que comprei com o meu dinheiro. Ao menos não pertence a um membro da família morto... Quando comprei o estojo da guitarra... de facto esta história é um pouco sinistra... eu passei um dia inteiro numa loja de venda de guitarras em Nashville, estava a experimentar guitarras e esta custava menos 2000/3000 dólares que as que queria comprar, então comprei-a porque era a que conseguia pagar e passei algum tempo a tentar convencer-me que queria comprar outra mais cara, mas depois apercebi-me que esta não se diferenciava muito das restantes. Então virei-me para o funcionário e disse, 'é esta guitarra que quero comprar', e ele respondeu, 'boa escolha'. A primeira guitarra com a qual viajei pertencia ao meu tio materno. Quando o funcionário trouxe o estojo da guitarra, no lado de uma parte do estojo constava o nome da pessoa a quem pertencia, e o nome era exactamente igual ao do meu tio. O estojo da guitarra que escolhi daquela loja tinha o mesmo nome de um membro da minha família, do tio que me ofereceu a minha primeira guitarra.".

Entre as canções há momentos de silêncio e diálogo com a audiência, atitude de um músico que tem vindo a reunir experiências vividas nos palcos dos bares dos EUA. Há o lado contador de histórias bem humorado e o do homem solitário. O criador das mais impressionantes bandas-sonoras, é alguém que se quer por perto e com quem se gostaria de construir uma relação de amizade. O seu ar angélico transmite paz e muita serenidade, algumas vezes remetendo para Nick Drake. Enquanto embala a audiência com temas viajantes, faz com que a técnica do fingerpicking pareça simples; manter o ritmo do baixo das cordas graves em contraste com acordes mais agudos. Tal como Ben Chasney, William Tyler é a prova de que a melhor descendência do folk está viva e de boa saúde: Elizabeth Cotten, Robbie Bascho, John Fahey, Jack Rose (e muitos mais) são nomes que ficam nos alicerces da história do género musical. 

O músico regressou a Portugal, desta vez com três datas marcadas, uma delas - finalmente - em Espinho, após uma década de conversas travadas com o organizador responsável pela sua vinda a este palco. Depois de anos a tocar com Lambchop, com os Silver Jews e ter participado com Bonnie "Prince" Billy, Tyler começou uma discografia a solo centrada na música folk instrumental.

Seguidos os aplausos do público, William regressou ao palco deixando a única versão de rock que disse saber tocar, Go on Your Way de Fleetwood Mac, onde a guitarra construiu ao mesmo tempo a base instrumental e a harmonia das vozes. Verdade seja dita, depois deste William Tyler não há festa nem bar que nos convença a ficar. 



Texto: Priscilla Fontoura

Concerto: William Tyler
Local: Auditório de Espinho 
Data: 8 de Novembro, 2019

voz, bonecos | voice, hand-made cartoons: Emanuel R. Marques material: papel | paper vídeo | video: Priscilla Fontoura tradução | transl...




voz, bonecos | voice, hand-made cartoons: Emanuel R. Marques
material: papel | paper
vídeo | video: Priscilla Fontoura
tradução | translation: Cláudia Zafre
som genérico | opening title soundtrack: Emanuel R. Marques, Priscilla Fontoura
tema| song: Manic Street Preachers, "La Tristesse Durera, (Scream to a Sigh)"

© Acordes de Quinta

   Imagem:  Marcos Ferreira      Dar ritmo às palavras ou RAP é um estilo musical em perpétua evolução. A poesia junta-se a beats e...

  Imagem: Marcos Ferreira    

Dar ritmo às palavras ou RAP é um estilo musical em perpétua evolução. A poesia junta-se a beats e samples para criar hinos de resistência e consciência social, vinhetas pessoais ou passagens introspectivas de imaginários complexos e revoltos.

Bug é um jovem rapper oriundo de Paços de Ferreira que editou este ano o seu EP de estreia intitulado Tripolar através da editora portuense: Paga-lhe o Quarto liderada por Keso. Bug distende-se em versos animados por uma rítmica dinâmica que ilustra os seus inúmeros e contrastantes estados de espírito, assim como os seus pensamentos e momentos de maior reflexão.

As palavras fluem numa cadência melódica, coloridos por samples e beats compostos pelo rapper com a colaboração de Duarte Dias e Kap. Tripolar é um mosaico de emoções alternantes e variadas que fortifica a vertente do rap consciencioso no cenário português do rap e hip-hop.

- Bug, editaste recentemente o teu EP de estreia, Tripolar que ficou disponível a 11 de Outubro. As tuas letras têm um carácter muito intimista e introspectivo e talvez seja uma forma de usar a poesia e música como terapia, como dizes em “Egoísta” com os versos “Os meus poemas são só para mim / e eu só escrevo para que eles me curem”. O Rap parece ser um veículo para dizeres o que sentes e pensas. Quando é que descobriste o poder do Rap e podes falar um pouco do teu percurso musical até chegares à produção deste EP?
Bug -
Eu descobri o poder do rap bastante depois de o conhecer. Tive contacto com o hip hop bastante cedo e gostava muito da cena do estilo, desde ritmo, ideologia, etc, mas o verdadeiro poder foi pelos 17, quando comecei a sentir-me a ser realmente influenciado pelo que ouvia na altura e o que letras diziam, ajudaram a formar o meu carácter, os meus princípios… O poder de exprimir o que sentia pelo rap foi em 2017, quando comecei a escrever, e passado pouco tempo vi que aquilo efectivamente eram uns raps, havia um certo ritmo. Aparece de improviso, mas revela-se um método óptimo que eu agarrei para me exprimir e que até hoje tenho como hábito/necessidade. Tem poder curativo. Comecei a escrever no final de 2017, fiquei um bocado obcecado na altura e fiz imensa coisa, dediquei esse tempo não só a escrever, mas a aprender como se fazia o resto desde produção, mix, gravação, os próprios sintetizadores, alguma teoria… basicamente tentei educar-me enquanto fazia temas novos. Quando decidi partilhar esta minha parte, fiz o upload de uma compilação que está disponível no meu canal e fui fazendo alguns temas soltos. O Tripolar aparece aí no meio, numa altura em que me senti mais confiante com um conjunto de temas que partilham a mesma história-mãe, eram relatos nos momentos das variações de humor, da “tripolaridade” em ação. Estava à espera de ter tempo e conhecimento para mixar o projeto o melhor possível, mas quando o Keso me convidou para fazer parte da Paga-lhe o Quarto, havia esse projecto, e assim foi. Avançamos com ele e não poderia ter corrido de melhor forma.

- Com “Tripolar” não se trata apenas de desabafos poéticos mas existe também uma qualidade no EP que faz com que se crie afinidade com as letras, com o que cantas e dizes. Como tens sentido a recepção ao EP até agora?
Bug -
O feedback que tem chegado é positivo, pelo menos eu estou super feliz com ele. Não podia esperar tanto como o que está a acontecer… É como disse, “os meus poemas são só pra mim”… tudo que venha mais, é um ganho… Só o convite para fazer parte da Paga-lhe o Quarto é uma coisa que “estava nos sonhos”, deixou-me super feliz.

- Inspiras-te muito nas tuas experiências e estados de espírito, como é que ocorre usualmente o teu processo criativo? Escreves as letras e depois fazes os beats ou é um processo simultâneo?
Bug -
É um processo que varia muito. Por vezes a escrita acontece no momento, com beat ou sem beat, noutras é uma coisa mais pensada, escrita directamente para aquela parte do instrumental… Não há nenhum processo fixo, nem tenho preferência por nenhuma forma de fazer. Só sei que por vezes forço, e não sai nada! Mas isso é sinal que não há nada para dizer. Mais tarde pode ser que apeteça…

   Imagem: Marcos Ferreira 
                                                                                        
- Tripolar é um nome sugestivo e intrigante para o EP. Hoje em dia, usa-se muito o termo “Bipolar”, mesmo não sendo para caracterizar casos diagnosticados da doença, mas como uma forma de descrever os nossos estados alternantes, os nossos altos e baixos, e os reflexos de alguma instabilidade ou períodos mais tumultuosos das nossas vidas. Como é que surgiu o termo e como é que consegues explicar melhor essa escolha? 
Bug - Tripolar vem mesmo desse uso do termo “bipolar”, mas aqui eu enfatizo. É o gajo “Tripolar”, já passou para a fase seguinte, bipolar não chega… Talvez por isso é que tenha sentido necessidade de se exprimir! Depois tem também a questão da personalidade tripartida. Apatia, Alegria, Tristeza. Não é nada complexo, mas é algo que está directamente relacionado com a fase em que o projecto foi produzido, simboliza muito bem o que eu sentia. 

Comecei a escrever no final de 2017, fiquei um bocado obcecado na altura e fiz imensa coisa, dediquei esse tempo não só a escrever, mas a aprender como se fazia o resto desde produção, mix, gravação, os próprios sintetizadores, alguma teoria… basicamente tentei educar-me enquanto fazia temas novos. Quando decidi partilhar esta minha parte, fiz o upload de uma compilação que está disponível no meu canal e fui fazendo alguns temas soltos. O Tripolar aparece aí no meio, numa altura em que me senti mais confiante com um conjunto de temas que partilham a mesma história-mãe, eram relatos nos momentos das variações de humor, da “tripolaridade” em acção.


 Imagem: Marcos Ferreira 
                                                            
- És de Paços de Ferreira, sempre viveste nessa cidade? Como é a cena do rap e hip-hop na tua zona? 
Bug - Desde sempre que vivo em Paços de Ferreira, fiz cá a minha vida toda até ao 9º ano. Nessa altura fui estudar para o Porto e até hoje faço a divisão dos dias entre as duas cidades, à parte de 2 anos em que estive a morar por lá. Curiosamente aqui na minha cidade nunca houve muito rap, pelo menos do meu conhecimento! Pelo que sei existem dois nomes, Dizzy e Dpê. Mas penso que nem existe relação entre eles… Só quando comecei a escrever e partilhei com uma colega minha é que ela me chamou à atenção para um rapaz de cá de Paços que também produzia. Conheci o Duarte Dias e acabei por colaborar imenso com ele, tanto que metade dos instrumentais do Tripolar são dele. Mas suspeito que haja mais gente a começar a explorar! Se agora começa a existir um movimento, deve-se também à The Last Supper Events que tem promovido os concertos. Espero que continue assim. Sou suspeito, mas têm sido noites espectaculares! 

- A tua música oferece de certa forma vinhetas da tua personalidade e do teu íntimo. Achas que ela dá às pessoas alguma ideia de como realmente és? 
Bug - Qualquer coisa deve dar, algumas podem perceber, outras não… Mas também não gosto muito de pensar que vão estar a dissecar-me quando as ouvem. Gosto mais da ideia de se reverem em certas coisas, que as estimule… seja isso o que for! 
                             
Imagem: Marcos Ferreira 


Nunca paro de fazer algo, seja produzir ou escrever. Agora estou focado na tese, mas sempre que posso tenho feito mais qualquer coisa, e tem agradado! Estão a aparecer novas sonoridades, pode ser que num próximo lançamento venha completamente diferente, ou não… O Tripolar foi lançado mas não saiu de mim, há muito por explorar!


- A tua música é muito “elástica” e de certa forma, imprevisível devido ao uso de inúmeros samples. Como é que ocorrem as ideias ou a inspiração para os teus samples
Bug - Os samples curiosamente estão nos sons que não têm produção minha! Mas sinto que a escolha destes instrumentais não vem à toa. Gosto deste tipo de sonoridade, mas a nível de produção é algo que ainda não consegui explorar como gostava, infelizmente. Acabo por fazê-lo na escrita. É onde me sinto mais confortável para ter um verso mais corrido, dizer mais coisas. 

- Depois de Tripolar, que mais projectos tens em mente e que gostarias de realizar? 
Bug - Tanta coisa… Mas não há nada definido. Nunca paro de fazer algo, seja produzir ou escrever. Agora estou focado na tese, mas sempre que posso tenho feito mais qualquer coisa, e tem agradado! Estão a aparecer novas sonoridades, pode ser que num próximo lançamento venha algo completamente diferente, ou não… O Tripolar foi lançado mas não saiu de mim, há muito por explorar!

Texto e entrevista: Cláudia Zafre
Banda: Bug
Entrevistados: Bug
Imagens: Marco Ferreira