8 - Adventure Time  Adventure Time é uma série de animação bastante popular do canal Cartoon Network. Foi criada por Pendleton W...

8 - Adventure Time 


Adventure Time é uma série de animação bastante popular do canal Cartoon Network. Foi criada por Pendleton Ward e teve a sua estreia em 2010. A narrativa de cada episódio centra-se nas aventuras de dois melhores amigos, Finn, um rapaz algo inocente, mas bastante corajoso e o seu melhor amigo, Jake, um divertido cão amarelo com um excelente sentido de humor e um poder mágico peculiar que lhe permite mudar de forma e de tamanho sempre que assim pretende.

Jake e Finn vivem num mundo pós-apocalíptico, mas repleto de personagens peculiares e mágicas. Esse mundo chama-se Land of Ooo. Em cada aventura, os dois heróis deparam-se com vilões ou personagens que precisam de ser salvas. Um dos vilões mais populares e que aparece em vários episódios, é o Ice King. Esta personagem é um mágico ancião que tem a capacidade de manipular gelo e neve à sua vontade. Apesar de fazer a vida negra aos dois heróis em alguns episódios, pela sua consistente táctica de raptar donzelas para as obrigar a casar com ele, Ice King acaba por tecer um retrato bastante humano de quem sofre de isolamento social e solidão.
Há outras personagens secundárias bastante interessantes, tais como a Lumpy Space Princess (muitas vezes referida pela abreviatura LSP), a sua aparência é caricata e icónica, sendo uma nuvem cor-de-rosa com olhos, boca, braços e uma estrela amarela no meio da testa. A sua voz é também cómica, consistindo num tom bastante nasalado. A sua personalidade é consistente com o estereótipo da adolescente aparentemente apática, difícil de impressionar e que passa a maior parte do tempo a escrever no telemóvel. 


Adventure Time conta também com a presença de Princess Bubblegum e Marceline the Vampire Queen

Existe uma grande riqueza na psicologia das personagens secundárias e uma grande criatividade e imprevisibilidade nas narrativas dos episódios. O tema original da série foi composta e interpretada por Pendleton Ward com o uso de Ukulele. 

Foi em 2016 que lançaram The Land Of Ooo, a banda-sonora composta por 38 temas que figuram nos episódios de várias temporadas. 

O sucesso desta série de animação originou a criação de jogos de computador e de uma série de comic-books deixadas a cargo do artista Ryan North

O ambiente mágico e colorido de Adventure Time atrai tanto crianças como adultos e o psicadelismo, humor e surrealismo oferecem também uma alternativa de escapismo saudável para alguns adultos. 

9 - The Powerpuff Girls


The Powerpuff Girls foi uma série bastante popular nos finais da década de 90 e bastante inovadora para a época. A série foi criada por Craig McCraken para o canal Cartoon Network e teve a duração de seis temporadas. A série mistura humor, acção e aventura em doses generosas. A narrativa centra-se num trio de irmãs e super-heroínas que têm superpoderes. Buttercup, Bubbles e Blossom possuem psicologias bastante distintas e formam uma equipa invencível na luta contra o crime. 


Os antagonistas da série contribuem para o humor dos episódios, dois dos mais notáveis, são Him e Mojo Mojo. Him é uma criatura andrógina que possui elementos físicos bastante distintos, tais como olhos cor verde-lima, garras de lagosta, um nariz super pontiagudo e uma barba algo metrossexual. A sua voz é um pouco efeminada com traços grotescos acentuados por algum eco. Mojo Mojo é um macaco antropomorfizado que usa uma capa, tem pêlo preto e uma cara verde. É um dos super-vilões de serviço da série.

A popularidade da série reflectiu-se também na edição de três discos de banda-sonora editados entre 2000 e 2003 pela Rhino Entertainment. 

O primeiro disco foi editado em 2000, The Powerpuff Girls: Heroes & Villains, Music inspired by The Powerpuff Girls. É composto por quatorze temas de várias bandas, tais como Devo, Shonen Knife, The Apples in Stereo e Bis, entre outras. Há também a participação de Frank Black (Pixies) num dos temas. É uma compilação de músicas divertidas e que acentuam o espírito alternativo da série animada.

O segundo disco foi editado no ano seguinte. The city of Soundsville: Music from The Powerpuff Girls reúne um conjunto de dezassete temas de uma electrónica frenética e catchy com trechos de som da série e vários efeitos sonoros. O resultado da audição do disco é análogo ao que acontece depois de comer uma tigela gigante de Lucky Charms com dois pacotes de açúcar. “Sugar, Spice and everything Nice”.

O terceiro e último disco foi editado em 2003. The Powerpuff Girls: Power Pop conta outra vez com as participações de Shonen Knife e Bis. Um dos pontos altos é sem dúvida o tema que encerra o disco Powerpunk End Theme da banda Bis

Esta série de animação ajudou a abrir caminho no mundo da animação para mais séries e filmes com personagens femininas fortes e emancipadas. 

10 - Aeon Flux 


Aeon Flux foi uma série de animação criada por Peter Chung e que teve a sua estreia na MTV’S Liquid Television, um programa dedicado a trabalhos de animação que teve três temporadas e que durou de 1991 a 1995. Aeon Flux teve a duração de três temporadas e no total foram realizados dezasseis episódios.

A narrativa passa-se num mundo que foi arrasado por um desastre natural de proporções épicas que aniquilou a maior parte da população. O nome da série é também o nome da personagem principal. Aeon Flux é uma agente secreta especialista em assassinatos e dotada de grandes capacidades acrobáticas.
Os episódios retratam as missões de Aeon Flux enquanto assassina profissional. Há alguma violência e bastante acção mas os trunfos da série são os planos e enquadramentos originais, o uso de simbolismo, cenas de acção muito bem coreografadas e momentos absolutamente surreais. 

A banda-sonora que acompanha a série reflecte bem o aspecto único, enigmático e críptico das imagens. O compositor da banda-sonora foi da responsabilidade do músico Drew Neumann. A música original da série acabou por ser editada em 1997 com o título Eye Spy- Ears only: confidential, mas devido a restrições de licenciamento por parte da MTV, o disco possui as iniciais A.F em referência a Aeon Flux

O disco compõe-se de temas de várias durações e alguns deles chegando a ter mais de 10 minutos. É uma eléctronica algo feroz, obscura e com algumas influências asiáticas. Assim como a série de animação, é uma viagem auditiva de proporções épicas. 

Aeon Flux enquanto série de animação teve, infelizmente, uma curta existência mas a sua influência voltou a sentir-se em 2005 quando foi realizada uma longa-metragem completamente inspirada na série. Aeon Flux foi realizado por Karyn Kusama e interpretado por Charlize Theron. O filme não teve uma boa recepção junto da crítica e afundou na bilheteira talvez por não possuir a magia e universo críptico da série animada. 

11 - Musical Miniatures 


Musical Miniatures foi uma série de curtas de animação produzidas pela Walter Lantz Productions. É composta por seis curtas e o seu atractivo central e comum é a banda sonora que consiste exclusivamente em peças de música clássica que acompanham a narrativa e sincronizam na perfeição os movimentos das personagens animadas.

Estas curtas foram produzidas durante dois anos, de 1946 a 1948 e figuram cartoons famosos tais como Andy Panda, Wally Walrus e Woody Woodpecker.
A realização das curtas esteve a cargo de Dick Lundy e a direcção musical foi feita por Darrell Calker

Todas as animações foram cuidadosamente revistas para que cada cena correspondesse ao ritmo e momentum da peça musical. 

Os episódios têm uma duração bastante curta (alternando entre os seis e sete minutos) e apesar da sincronia entre movimentos e acção das personagens com a peça de música clássica, há espaço para gags e efeitos sonoros típicos do mundo dos desenhos animados. 

As peças clássicas são da autoria de compositores clássicos, tais como, Frederic Chopin, Rossini e Franz Von Suppe.

Apesar de apenas ser composta por seis curtas, esta mini-série recebeu bastantes prémios e nomeações da academia na categoria de melhor curta de animação. 

12 - Tarzoon: Shame of the Jungle e The Missing Link


Jean-Paul “Picha” Walravens é um cartoonista e realizador de filmes de animação de origem belga. Foi em 1975 que co-realizou juntamente com Boris Szulzinger uma longa-metragem de animação que alcançou bastante polémica aquando do seu lançamento. A longa em questão intitulada Tarzoon, la honte de la jungle (Tarzoon, the shame of the jungle) recebeu X-rating aquando da sua distribuição nos EUA. Um piloto do filme com a duração de 15 minutos foi mostrado no festival de Cannes em 1974 e o filme foi concluído no ano seguinte.

O filme assumiu-se como uma paródia da famosa personagem Tarzan criada por Edgar Rice Burroughs. E em 1987 foi feita uma dobragem do filme em inglês que contou com a participação de Johnny Weissmuller Jr. (actor e filho do nadador olímpico Johnny Weissmuller), John Belushi e Bill Murray, entre outros.
A distribuição do filme esteve envolvida em vários processos legais, incluindo os protestos e processos legais da companhia representante de Edgar Rice Burroughs que exigiu que o nome Tarzoon fosse retirado do título do filme. As polémicas continuaram a assombrar a distribuição do filme, sendo que o mesmo foi banido na Nova Zelândia em 1980 por ser considerado de profundo mau gosto. 

Os cartazes do filme anunciavam que era um filme exclusivamente para adultos e cita o humor de Fritz The Cat como uma influência. 

No entanto, apesar da animação ser bastante bem conseguida e a banda-sonora ser eficiente, o estilo de humor acaba por se tornar um pouco entediante com a quantidade de referências sexuais, violência e a abundância de criaturas de formas fálicas. 

O departamento musical esteve a cargo de Heloise Cohen e Marc Moulin. Marc Moulin foi um músico belga de jazz que fez parte da banda vanguardista de rock, Aksak Maboul em 1977. A score do filme serve para enfatizar a acção das personagens animadas assim como para animar sequências mais surreais (tal como uma cena de dança de criaturas fálicas com chapéus de soldado e uma viagem de tapete voador). 

O realizador belga realizou mais um filme de animação em 1980, Le chaînon Manquant (The Missing Link) que também marcou presença no Festival de Cannes. 

A narrativa centra-se na pré-história e na odisseia de um homem das cavernas cujo nome é O. As suas aventuras em busca de comida e outras necessidades básicas faz com que viaje bastante e introduza a invenção do fogo a um grupo de bárbaros de origem norueguesa. O filme volta a atacar com um humor dirigido a uma audiência adulta com inúmeras referências sexuais. 

A banda-sonora acompanha os estados de espírito da narrativa com o uso de temas rock para efeitos mais dramáticos e peças mais divertidas para acentuar os efeitos cómicos. 

Foi editada uma banda-sonora oficial em 1980 com os temas interpretados por Leo Sayer, um cantautor britânico. 

Após o fiasco nas bilheteiras das longas-metragens, Picha dedicou-se a trabalhos em televisão, mas marcou o seu lugar no mundo da animação de adultos para adultos. 

13 - Down and Dirty Duck


Down and Dirty Duck ou simplesmente Dirty Duck foi um filme de animação realizado por Charles Swenson. O filme estreou em 1974 com X-rating. Assim como a maior parte desse género de filmes, Down and Dirty Duck foi alvo de críticas de polos opostos, sendo um filme que ou se ama ou se odeia. O filme não teve muito sucesso nas bilheteiras, mas ao longo dos anos transformou-se num filme de culto.

O filme centra-se na amizade improvável entre um agente de seguros que leva uma vida bastante cinzenta e um pato antropomorfizado de carácter gingão.
A música que se ouve nas cenas iniciais foi composta e interpretada pelo duo de comediantes musicais Flo (Mark Volman) & Eddie (Howard Kaylan). Este duo de músicos foram membros fundadores da banda The Turtles e fizeram parte da banda The Mothers of Invention

A letra da música anuncia candidamente, mas de forma hilariante, que o espectador vai ver um filme que é bastante “cheap”. Depois somos introduzidos a uma das personagens principais e às suas fantasias românticas ao som de um tema de rock anos 70 com algumas influências psicadélicas. Essas fantasias românticas cedo se transformam em subtextos sexuais através do simbolismo de, por exemplo, enfiar a chave do carro na ignição. 

A existência monótona da personagem principal muda por completo ao conhecer Duck que o faz embarcar numa aventura em que conhecem personagens peculiares e se envolvem em situações bastante bizarras. O filme tem também um plot-twist que para alguns espectadores pode ser hilariante ou para outros simplesmente atroz e de mau-gosto. 

A banda-sonora foca-se bastante em efeitos sonoros para aumentar a comicidade das situações, a existência de bastante diálogos com conteúdo que servem para enfatizar a componente bizarra da narrativa e momentos musicais acentuados por rock clássico dos anos 70. 

Charles Swenson continuou a trabalhar na área da animação mas em projectos bastante mais populares e menos arriscados como foi o caso da lendária série Teenage Mutant Ninja Turtles e Rugrats

Down and Dirty Duck continua a ser um fenómeno de culto e um filme de animação de referência para uma audiência adulta que gosta do seu humor bem temperado com especiarias de bizarro, surreal e, por vezes, ofensivo. No caso desta receita as quantidades de q.b são bastante maciças.

14 - The Simpsons 


The Simpsons é uma das séries animadas mais populares de sempre. Foi criada por Matt Groening para o canal FOX. O universo de Springfield e a icónica família Simpson faz parte do imaginário de qualquer fã de desenhos animados. A série teve a impressionante duração de 29 temporadas em que acompanhámos o quotidiano e aventuras de Homer, Marge, Bart, Lisa e Maggie. Para além das cinco personagens principais, a série conta com personagens secundárias igualmente icónicas, tais como Krusty The Klown, Moe, Barney, Ned Flanders, Abu, The bumblee man, Comic book guy e Sideshow Mel entre outros. Também há que destacar as personagens mais jovens como Milhouse, Ralph e Nelson.


O sucesso universal da série deu origem a um filme de longa-metragem lançado em 2007. The Simpsons Movie foi realizado por David Silverman e contou com as vozes dos actores que deram vida às personagens da série. 


A score do filme foi deixada a cargo do compositor Hans Zimmer que usou o tema original da série originalmente composto por Danny Elfman (fazendo uma versão orquestral) e compôs uma sólida e coerente score para acompanhar a narrativa do filme. Hans Zimmer foi responsável por várias bandas sonoras de filmes bastante populares e de grande qualidade tais como, The Thin Red Line (Terrence Mallick), The Lion King, Thelma & Louise, entre muitos outros. 

Um dos temas mais conhecidos do filme foi Spider Pig que sublinha a cena em que Homer tem uma viagem psicadélica. 

A série deu também origem à edição de discos de estúdio, bandas-sonoras e singles. 

O primeiro disco foi editado em 1990, The Simpsons sings the Blues que conta com 10 temas que não fazem parte da banda-sonora da série e que são versões de músicas clássicas de blues. Apesar do sucesso da série animada, o disco não alcançou muito sucesso, mas é uma peça de memorabilia interessante para os fãs mais sérios. 

O segundo disco de canções originais foi editado em 1998, The Yellow album é uma paródia aos The Beatles, tanto através do nome do disco como da capa. Assim como no seu predecessor, as músicas são cantadas pelos actores que fazem as vozes das personagens animadas. 

As músicas são uma mescla de pop, funk, soul e hip-hop. As melodias são dançáveis e claramente comerciais. 

Os discos de banda-sonora são consideravelmente mais interessantes visto que contam com peças musicais que fizeram parte de episódios da série. Um deles é Songs in the key of Springfield, editado em 1999 pela Rhino Records. 

No mesmo ano, Rhino Records editou outro disco de banda-sonora da série, Go Simpsonic with the Simpsons composto por 53 temas maioritariamente compostas pelo músico Alf Clausen que foi responsável pela música na maior parte dos episódios da série. 

O último disco dedicado à série foi editado em 2007, The Simpsons: Testity que conta com 41 temas que figuraram nos episódios das temporadas mais recentes da série. Há um tema interpretado pela banda B’52’s e outra pela banda Los Lobos, sendo que as restantes são todas interpretadas pelas vozes das personagens animadas. Há temas mais fracos que outros, mas como há bastantes temas no disco, essa discrepância não é um problema. Um dos melhores temas, “The Very reason that I Live” é cantada pelo vilão torturado Sideshow Bob (brilhantemente vocalizado por Kelsey Grammar). É um disco bem produzido e que é um complemento perfeito para o pós-maratona de The Simpsons ou para quem simplesmente quer matar saudades.

The Simpsons continua a ser uma das séries animadas mais reconhecíveis universalmente e a sua capacidade de gerar produtos, sejam eles brinquedos, jogos de computador, roupa, continua a ser inigualável. 

Conclusão:
A criação musical sempre andou de mão dada com a arte animada desde os seus primórdios. A liberdade que existe no mundo dos cartoons permite toda uma panóplia de acções surreais e bizarras que permitem à música também ela experimentar outras fórmulas. Seja uma abordagem mais clássica, experimentalista, vanguardista ou como mera score para ajudar ao dramatismo da narração, a música presente na animação é o complemento e ingrediente mágico para o universo da arte animada que acompanhou e acompanha a vida de crianças e adultos. 

TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE


Fontes utilizadas:
NET: Wikipedia, Cartoonresearch.com
Livros: Forbidden Animation – Karl F. Cohen; The Encyclopedia of Animated Cartoons – Jeff Lenburg



Palavras chave: cartoons, score, surrealismo Introdução Não se pode falar de cartoon music sem referir os nomes de Carl Stalling e ...


Palavras chave: cartoons, score, surrealismo

Introdução

Não se pode falar de cartoon music sem referir os nomes de Carl Stalling e Raymond Scott que durante os anos 20 e 30 fizeram bandas-sonoras que ajudaram a reforçar os movimentos e acções, por vezes surreais, de um sem número de cartoons. Combinaram jazz frenético com arranjos de big band com influências de música clássica. O resultado é caricato, peculiar e humoristicamente caótico, complementando na perfeição as acções e os beats dos movimentos dos cartoons. Ao longo dos tempos, a sua influência foi sentida em trabalhos de músicos como John Zorn e Fantômas. São bandas-sonoras que cimentaram as personalidades dos nossos cartoons favoritos da infância e que, de certa forma, permanecem sempre vivos no nosso imaginário. 

1 -  Looney Tunes (Warner Bros.)


Merrie Melodies foram uma série de animações de formato curto produzidas pela Warner Bros. durante 1931 e 1961, na chamada Golden Age da animação americana. As curtas foram realizadas por vários nomes fortes da indústria da animação, entre eles Tex Avery, Fritz Ferleng, Chuck Jones, Mel Blanc e muitos mais. A banda-sonora ficou a cargo de vários músicos como Carl Stalling, Milt Franklyn, William Lava, Bernard Brown e Norman Spencer.
As personagens que estrelam nas curtas são muitas, tais como Bugs Bunny, Daffy Duck, Pepe le Pew, Sylvester, Tweety, Roadrunner, Elmer, Porky Pig, entre outros.
O tema musical do genérico destas séries ficou para sempre na memória musical das crianças que agora adultos reconhecem imediatamente o tema e os momentos de diversão que as narrativas e personagens animadas lhes proporcionaram em tenra idade.
O tema chama-se “Merry-Go Round Broke Down” composta em 1937 por Cliff Friend e Dave Franklyn.

A banda-sonora destas curtas de animação são irreverentes, criativas e, por vezes, surreais, alinhando-se completamente com os movimentos e estados de espírito das personagens. A score por vezes parece inofensiva na sua criação de ambiente mas tem mudanças imprevisíveis e hilariantes, dependente das acções das personagens animadas.
Foram criadas mais de mil curtas da série Merrie Melodies e é um universo digno de exploração. Música clássica, temas populares ocidentais e até ópera fazem parte do repertório musical desta série de curtas de animação que ajudou a firmar ainda mais a influência criativa e lendária do universo dos Looney Tunes.

2 - South Park

South Park é uma das séries de animação mais influentes do final da década de 90 e inícios de 2000, que ainda perdura até hoje. Tanto pelo estilo de animação que é único e inimitável, como pelo conteúdo carregado de um humor forte, negro, satírico e que não se conforma às normas do “politicamente correcto”, não tendo medo de satirizar alguns assuntos tabu da sociedade.
O que poderia ser tomado como uma fonte explorativa de mau-gosto, é no entanto, transformado em episódios com narrativas inteligentes, críticas e que deixam sempre margem de manobra no final do episódio para que o espectador reflicta sobre qual a sua posição moral ou ideológica.


As personagens bem conhecidas do público são quatro crianças com uma psicologia bem definida. Cartman, Kyle, Stan e Kenny. Existe uma rivalidade constante entre Cartman e Kyle, especialmente porque Kyle é judeu e Cartman é conhecido por ter posições políticas e ideológicas um pouco polémicas. Também é conhecido o seu desdém pela autoridade e a sua veia antissocial, especialmente nos episódios em que divisa planos de vingança, absolutamente surreais e que no final acabam mesmo por dar certo. É esse o caso no episódio “Scott Tenorman must die” em que Cartman depois de se sentir humilhado por um grupo de rapazes mais velhos, especialmente Scott Tenorman, Cartman embarca num plano de vingança contra o adolescente cuja crueldade e maquiavelismo é tão acentuada que quebra as barreiras do humor negro e do surrealismo.

Esta série fantástica foi criada pelo duo de amigos Trey Parker e Matt Stone. A música assume um papel central nesta série de animação, porque há muitos momentos musicais nos episódios em que algumas personagens começam a cantar canções inteiras.
A música do genérico, que se tornou reconhecível ao longo do mundo, foi composta pela banda Primus. Uma das bandas que ambos os criadores da série admiram.
Há também inúmeras referências a bandas e músicos ao longo dos episódios da série. Um dos mais interessantes é o episódio que retrata Robert Smith (The Cure). O conhecido vocalista, guitarrista e compositor da banda britânica, assume a forma de um robot gigante para derrotar um outro robot Mecha-Streisand (uma referência óbvia à cantora e actriz Barbra Streisand). The Cure é também uma das bandas preferidas de Trey Parker como é figurativo na frase emblemática que Kyle diz no final do episódio: “Disintegration is the best album ever!”.

Esta componente musical está presente em várias canções que se tornaram bastante virais, tanto pela catchyness das melodias como pelas letras inteligentes e hilariantes. É o caso das músicas interpretadas por Chef (cuja voz é interpretada por Isaac Hayes). Chef trabalha na cantina da escola dos quatro rapazes e é conhecido por começar a cantar. Nas letras das suas canções é sempre dada uma lição de vida. Uma das músicas mais conhecidas e que deu origem a um hit single é “Chocolate Salty Balls”.
A música como pano central foi explorada no filme South Park: Bigger, larger and uncut, lançado em 1999.


É um filme, essencialmente, narrativo, mas com uma forte componente musical com algumas personagens a irromper em canções reminiscentes de um estilo Broadway. As músicas continuam catchy e com letras hilariantes mas ácidas.
A narrativa conta com a presença de uma personagem animada que satiriza Saddam Hussein que mantém uma relação amorosa completamente disfuncional com uma personagem animada que representa Satanás. Ambos mantêm essa relação no inferno mas isso não os impede de cantar e expressar os seus demónios interiores (no pun intended), como é o caso da música “I Can Change”.
Tendo em conta a qualidade das músicas, a banda-sonora do filme, composta por 14 temas, assumiu-se como um sucesso.
South Park conta com várias temporadas e continua a utilizar o humor tanto musical quanto narrativo para satirizar ideologias políticas, algumas celebridades, assuntos tabu, enquanto oferece ao espectador espaço para a sua reflexão individual.

3 - Walt Disney Productions


Silly Symphony foi uma série de curtas de animação produzidas pelos estúdios Walt Disney durante dez anos (1929 a 1939). A música composta para os episódios foi essencialmente da autoria de Carl Stalling, Bert Lewis, Frank Churchill e Leigh Harline.
Esta série de curtas recebeu bastante elogios da crítica e ganhou alguns prémios da academia para melhor curta de animação.
Uma das curtas mais interessantes é a primeira da série chamada Danse Macabre. Teve música a cargo de Carl Stalling e animação feita por Ub Iwerks, Les Clark e Wilfred Jackson.
Na curta vê-se quatro esqueletos a dançar e fazer música num cemitério. O ambiente é enigmático e hipnotizante. Apesar de receber boas críticas e ser a porta de entrada para o universo Silly Symphony, esta curta acabou por ser censurada na altura na Dinamarca por ser considerada demasiado macabra.
A música sempre foi um dos pontos chave e trunfos das produções Walt Disney. Especialmente no filme Fantasia lançado em 1940 que contou com o trabalho de inúmeros animadores e com vários temas de música clássica interpretados pela orquestra de Filadélfia.

O director Leopold Stokowski e o engenheiro de Som Bill Garity, a trabalhar no filme FantaSound, Disney. 

O filme originou também o chamado Fantasound que consiste na reprodução em estéreo desenvolvida por engenheiros da Walt Disney e da RCA.
Passado anos do lançamento deste filme mítico da Disney, foi realizado uma espécie de sequela chamada Fantasia 2000 que foi lançada em 1999. Assim como o filme de 1940, Fantasia 2000 também é composta por segmentos de animação ao som de peças de música clássica.
Inclui peças de Beethoven, George Gershwin, Camille Saint – Saëns, Edward Elgar, entre outros.
A banda-sonora para o filme foi lançada em 1999 com interpretações das peças clássicas pela orquestra de Chicago e Philarmonia Orchestra, uma orquestra britânica que tem sede em Londres.
O mundo Disney sempre foi um oásis de criatividade e, por vezes, de escapismo, tanto para crianças como para adultos. O seu envolvimento com os estúdios Pixar foi responsável por mais uma série de filmes que encantaram e continuam a encantar crianças e adultos.

4 - The Ren & Stimpy Show


The Ren & Stimpy Show foi uma série de animação criada por John Kricfalusi para o canal americano de televisão Nickelodeon. A série estreou-se em 1991 e durou até 1995, sendo constituída por cinco temporadas.
Apesar da série só ter tido a sua estreia nos anos 90, as personagens Ren e Stimpy foram criadas pelo autor em 1978.
Os episódios retratam o quotidiano recheado de situações absurdas, hilariantes e surreais das duas personagens que dão nome à série. Ren, uma espécie de cão chihuahua que, apesar de bastante inteligente, é tomado por acessos de raiva e algumas atitudes megalómanas que contribuem para a hilaridade das suas aventuras.
Stimpy é o seu melhor amigo, uma espécie de gato com uma personalidade pacata, cuja marca essencial é a sua língua de fora, azul e grande que salienta o seu carácter fofo mas ingénuo e possuidor de fraca inteligência.
A série conta também com personagens secundárias que ajudaram a criar a marca de humor desta série. Um humor inteligente mas marcado por piadas de origem escatológica. Um dos episódios mais marcantes é quando Stimpy entra dentro do seu próprio umbigo e tem uma viagem ou odisseia típica de um mito grego, mas claro está cheia de psicadelismo e humor absurdo. Quando está dentro do umbigo, Stimpy conhece JerryThe Belly Button Elf que aproveitando-se da inocência de Stimpy transforma-o no seu escravo pessoal.


A série está recheada de personagens secundárias como The Belly Button Elf que ajudaram a cimentar o estatuto de culto da série. Uma dessas personagens é Powdered Toastman que é um super-herói, cuja cara é um par de torradas. Esta personagem foi aparentemente inspirada numa personagem criada por Frank Zappa.
O conteúdo surreal, escatológico e bizarro, foi alvo de inúmeras censuras ao longo dos anos, sendo considerada imprópria para adolescentes.
No entanto, a série permaneceu bem viva até 1995 e contou com uma banda-sonora bastante ecléctica e variada, sendo composta por jazz, folk, música clássica e jingles criados especialmente para a série.
Foram editados três discos oficiais para a série – You Eediot! (uma frase célebre dita por Ren quando fica exasperado pela imbecilidade do seu amigo Stimpy) – Crock O’ Christmas e Radio Daze.
Uma das músicas mais famosas da série é cantada por Stimpy, assumindo-se como o seu hino, “Happy, Happy, Joy, Joy” composta por Christopher Reccardi e com letra de Charlie Brissette e John Kricfalusi.
The Ren & Stimpy Show foi uma das séries mais originais e também polémicas da década de 90, cuja mistura de humor surreal, negro e bizarro acabou por influenciar outras séries de animação que lhe seguiram.

5 -  La Planete Sauvage, Les maîtres du temp e Gandahar


La Planète Sauvage (Fantastic Planet) foi um filme de animação sci-fi realizado por René Laloux e escrito em conjunto com Roland Topor. Foi lançado em 1973 e causou automaticamente uma grande aceitação por parte da crítica e assumiu ao longo dos anos um estatuto de culto, especialmente entre fãs de cinema de animação e em críticas e estudos na internet.
René Laloux foi realizador de várias curtas de animação e três longas metragens de animação: La planète sauvage (1973), Les maîtres du temp (1982) e Gandahar (1987).
Uma das suas curtas mais famosas e também ela escrita a meias com Roland Torpor, foi Les escargots (The Snails) lançada em 1965. Nesta curta a música foi deixada a cargo de Alain Goraguer e ilustra na perfeição o ambiente surreal e vanguardista da animação. A narrativa é também bastante bizarra, retratando um agricultor que tenta fazer crescer os seus vegetais até que estes atinjam proporções gigantes, atraindo uma legião de caracóis que se tornam também eles gigantescos, provocando o caos. É uma curta que tem o cunho pessoal de René Laloux e que ajuda a criar um clima hipnotizante.
A música também ocupa um espaço central em La Planète Sauvage. Sendo que a mesma foi também composta por Alain Goraguer. A banda-sonora é composta por peças do que pode ser considerado um jazz algo espacial com uso de guitarras com efeitos wah wah e piano eléctrico. Este tipo de sonoridade funciona como uma score perfeita para a animação e narrativa. Ouvida em separado das imagens, não tem tanto impacto e nota-se alguma repetição mas em complemento com as imagens, complementa a atmosfera bizarra, críptica e sublime deste filme de animação sci-fi de culto.


O filme que se seguiu, Les Maîtres du Temps, também segue a linha e género de ficção científica. O design visual do filme teve inspiração na arte de Moebius. Ao contrário de Fantastic Planet, a banda-sonora ou score não é de muita importância, visto que a narrativa é essencialmente conduzida pelos diálogos entre as personagens. A dobragem para inglês foi deixada a cargo da BBC que também foram co-produtores do filme.
Gandahar (1988) também um filme de ficção-cientifica foi escrito por René Laloux mas inspirado num romance de Jean-Pierre AndrevonLes homme-machines contre Gandahar (The machine-men versus Gandahar).
A banda-sonora foi composta por Gabriel Yared um compositor de origens francesas e libanesas que compôs para muitos filmes americanos e franceses. O seu trabalho inclui cerca de cinquenta banda-sonoras compostas, incluindo The English Patient, The Talented Mr. Ripley, The Prophet e muitos mais filmes.
A música em Gandahar é uma score que ajuda a criar o ambiente emocional das personagens e das acções, mas que deixa o devido espaço para os diálogos entre as personagens.

A versão dobrada em inglês contou com as participações de Glenn Close, Bridget Fonda, Christopher Plummer, entre outros. Este filme adoptou o nome Light Years na sua versão inglesa.
René Laloux ao longo da sua filmografia e com a ajuda de compositores talentosos conseguiu criar um universo próprio e utópico que se caracteriza por paisagens quase oníricas e com narrativas que atraem os fãs mais devotos da ficção cientifica e mesmo aqueles que nunca se sentiram inclinados para este género.

6 - Fritz the Cat, Heavy Traffic, Coonskin e Wizards


Estes três filmes de animação foram realizados por Ralph Banski e tanto Heavy Traffic como Fritz the Cat geraram uma grande controvérsia aquando do seu lançamento.
Este realizador de animação começou a sua carreira nos Terrytoons, um estúdio de animação sediado em Nova Iorque e que operou entre 1930 e 1971. Entre as suas várias criações, incluem-se as personagens animadas, Dinky Duck, Luno e Hashimoto, entre outros.
Ralph Banski foi considerado uma jovem promessa devido ao seu trabalho no estúdio Terrytoons e um pouco mais tarde deu os seus primeiros passos na realização de filmes animados.
Adquiriu os direitos da banda-desenhada Fritz The cat de R. Crumb que pensou adaptar para várias curtas de animação, mas acabou por optar por realizar uma longa-metragem que intitulou Friz The Cat lançada em 1972.
Crumb acabou por processar as partes envolvidas no filme por alegadamente a história do filme desvirtuar as personagens criadas por Crumb. Ralph Banski acabou por alegar que admirava o trabalho de Crumb e decidiu usar Fritz the Cat para criar um filme de animação que apelasse unicamente a adultos.
A verdade é que acabou por apelar a alguns adultos e a ser odiado por outra parte deles. Sendo que foi o primeiro filme de animação a ter um X-Rating nos EUA.
Jim Davis, criador da famosa banda-desenhada Garfield e que também trabalhou na animação de Fritz the Cat disse à Ramparts Magazine em 1972: “the purpose of the film is to lampoon our phony values. And I think we have a lot of phony values”.


A personagem de Friz The Cat, é introduzido como um drop-out da universidade que pretende abarcar a vida ao máximo. Fazendo uso do velho adágio “carpe diem” mas mais numa perspectiva “carpe fucking diem” visto que a sua filosofia de aproveitar a vida consiste em fumar erva com muita regularidade, ter relações sexuais com a sua espécie e outras espécies de animais, entre outras práticas moralmente questionáveis.
O filme dividiu a crítica, alguns exaltaram pela positiva o elemento choque da animação, prezando também a sua comicidade, enquanto outros alegaram ser apenas um produto de humor baixo, vil e que, apesar desses elementos, não deixa de ser entediante.
A banda sonora oficial do filme foi lançada em 1972 e conta com a música de Ed Bogas e Ray Shanklin. A música é uma fusão de soul e jazz, tipicamente anos 70 e que ajuda a compor a atmosfera urbana do filme. A era do “free love” com os seus consumos de drogas e práticas sexuais dadas a excessos. A banda-sonora conta também com temas mais conhecidos de blues, funk e rock.
O filme que se seguiu, Heavy Traffic (1973) tinha o intuito de se inspirar no conhecido romance de culto “Last Exit to Brooklyn” de Hubert Selby Jr. lançado em 1964. Este romance foi transporto para filme em 1989 realizado por Uli Edel e com uma interpretação comovente e magnífica de Jennifer Jason Leigh. O filme é exímio em retratar o ambiente urbano decadente, mas bastante real das classes mais baixas residentes em Brooklyn nos anos 50. O romance foi banido nalguns países por retratar sem floreados ou eufemismos uma realidade composta por violações, violência de gangs, o uso de drogas, prostituição e outras temáticas brutais. Diz-se que após escrever o livro, Hubert Selby Jr. sucumbiu a uma depressão profunda de mais de três meses derivado ao que escreveu. E sem dúvida que após ler o romance é uma possibilidade bastante plausível.
Apesar da vontade de Bakshi de se inspirar no romance de culto, o filme Heavy Traffic acabou por ser uma adaptação muito livre de algumas das suas experiências.
Assim como Fritz The Cat, também obteve a classificação de X-Rating, sendo um filme de animação única e exclusivamente para adultos. No entanto, ao contrário de Fritz, este filme inclui personagens animadas humanas em vez de animais.
O filme também dividiu a crítica assim como o seu predecessor. O estilo de humor manteve-se praticamente igual, assim como cenas de sexo e violência.


A banda sonora foi composta pelos dois músicos de Fritz The Cat, Ed Bogas e Ray Shanklin. O género manteve-se na área do jazz com algumas influências soul.
Apesar dos problemas e polémicas que envolveram os dois filmes, o filme que se seguiu Coonskin (1975) conseguiu gerar ainda mais críticas negativas, considerando o filme “anti-black, anti-white, anti-gay, anti-italian, anti-jewish, etc”, ou seja, mais uma data de anti-qualquer-coisa. Em resposta, Bakshi limitou-se a dizer que o filme era basicamente “anti-bullshit”.
Num dos cartazes oficiais do filme pode ver-se a personagem principal, um coelho negro antropomórfico que também tem misturas de urso e raposa, à frente de um logo reminiscente dos Looney Tunes com a legenda “That’s it folks”.
A narrativa segue as aventuras desta personagem enquanto sobe prodigiosamente na sua carreira de gangster em Harlem. É um gangster movie, essencialmente.
A banda-sonora de Coonskin foi composta por Chico Hamilton um músico e baterista de jazz. O acompanhamento musical serve apenas para ajudar a sublinhar um pouco da atmosfera do filme, sendo que este é maioritariamente pontuado por diálogos.
Depois de toda a controvérsia gerada por esta trilogia de filmes, Bakshi realizou Wizards (1977) um filme que se afastou completamente da atmosfera e temáticas urbanas dos seus predecessores e adoptou o género de fantasia e pós-apocalipse.
A narrativa começa depois do planeta Terra ter sido devastado por uma guerra nuclear. O filme foi bastante bem-recebido pelo público e crítica. A narrativa foi escrita por Ralph Bakshi e para a equipa de animação, contratou Brenda Banks, a primeira afro-americana a trabalhar na área. Consta que o encontro entre os dois foi extremamente informal e completamente afastada de uma típica entrevista de emprego. Depois de Bakshi lhe perguntar o que gostava de desenhar, Brenda respondeu simplesmente “Funny stuff”. Bakshi contratou-a e supervisionou o seu trabalho de perto, chegando à conclusão que a ilustradora era uma das profissionais mais originais e capazes de criar personagens de traços hilariantes. Brenda Banks continuou a trabalhar com Bakshi e trabalhou também na série King of The Hill de Mike Judge.
A música de Wizards foi composta por Andrew Belling e editada em 1977. O tema inicial Time will Tell conta com a vocalização cristalina de Susan Anton e ao longo dos dezassete temas persiste uma fusão perfeita entre electrónica, jazz e rock experimental. A música encapsula na perfeição o ambiente do filme e da sua narrativa.
Ralph Bakshi conseguiu criar filmes de animação com atmosferas muito próprias e cuja contribuição da banda-sonora foi um dos elementos mais centrais.

7 - Rock & Rule  


Rock & Rule foi um filme de animação canadiano lançado em 1983 que conseguiu fundir dois géneros aparentemente distintos, musical e ficção-científica. A realização esteve a cargo de Clive A.Smith.
A narrativa do filme centra-se num mundo devastado por uma guerra nuclear que aniquilou a raça humana, sendo que os únicos sobreviventes são animais de rua antropomorfizados. Estas personagens são músicos que tocam em vários bares underground.
O filme recebeu algumas críticas negativas pelo uso de alguns palavrões e cenas em que se sugere o uso de drogas. Sendo que foi mais um filme feito para uma audiência de adultos. Algumas das músicas da banda-sonora surgiram em B-sides de singles das bandas e músicos envolvidos no filme. Alguns dos músicos envolvidos no filme foram Robin Zander (guitarrista/vocalista dos Cheap Trick), Debbie Harry (Blondie) e Lou Reed.
Apesar do fracasso nas bilheteiras, o filme tornou-se um fenómeno de culto ao longo dos tempos com boas cotações e críticas na internet.

CONTINUA...

TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE