What kind of band is SUMA? ...We always allowed each member to do the things in life that has to be done, like raising a family for ...



What kind of band is SUMA?
...We always allowed each member to do the things in life that has to be done, like raising a family for example. I've been traveling a little bit, all these things slows down the speed of the process... We are still playing and we are still very much a band and that's the most important thing for us, that we always keep it and things will take the time that has to take basically...
- Erik from Suma -


CREDITS:
video maker | video editor: Priscilla Fontoura
sound capture | interview: André Vieira


O motivo das rendas estarem tão altas... CRIAÇÃO E AUTORIA:   EMANUEL R. MARQUES

O motivo das rendas estarem tão altas...

CRIAÇÃO E AUTORIA: EMANUEL R. MARQUES

7 - Experimental e Confessional Scout Niblett   nasceu em 1973 em Inglaterra e lançou seis discos de longa duração. O primeiro int...

7 - Experimental e Confessional


Scout Niblett nasceu em 1973 em Inglaterra e lançou seis discos de longa duração. O primeiro intitulado SWEET HEART FEVER saiu em 2001 e é composto por quatorze temas que têm em comum um certo cariz confessional. Os temas são essencialmente acústicos à excepção de alguns como Big Bad Man. É o disco que marca a estreia desta cantautora e que se reveste de temas algo melancólicos e por vezes soturnos, mas que contam com a voz peculiar de Scout Niblett. 

Passado sensivelmente dois anos, editou I AM em 2003. Existe uma maior participação da bateria que acompanha na perfeição a voz e a guitarra. É um disco bastante diferente do de estreia e que contou com a participação de Steve Albini. Os treze temas que compõe o disco revestem-se de um indie rock bastante puro e duro. Gravado de forma crua, mas que tira partido da voz e dos instrumentos. Há alguns pontos altos como em Fire Flies, Texas e Drummer Boy. É um disco de indie rock com alguns laivos experimentais que traça algumas diferenças de sonoridade em relação ao seu antecessor mas que continua a trilhar o caminho de originalidade de Scout Niblett. 

Em 2005 foi a vez de KIDNAPPED BY NEPTUNE que conta novamente com a participação de Steve Albini. A guitarra acústica é substituída pela eléctrica e os quinze temas do disco, essencialmente indie rock desdobram-se em instrumentais quase perto do grunge e algum garage rock. Não é um disco fácil de ouvir nem coroado de riffs catchy mas é um conjunto de músicas que reflectem um sentido musical mais apurado e de certa forma angsty. 


Foi outra vez num espaço de dois anos que lançou THIS FOOL CAN DIE NOW. Conta com dois duetos com Will Oldham e foi novamente produzido por Steve Albini. Em comparação com o seu antecessor, é um disco bastante mais acessível e que contém melodias folk delicadas e suaves que sublinham a voz de Scout Nibblet. Mas há momentos em que o rock volta a extravasar como no tema Let thine heart be warned. É de registar a letra divertida de Dinosaur Egg. 

THE CALCINATION OF SCOUT NIBBLET foi lançado em 2010 e perpetua o espírito melancólico e confessional dos discos anteriores. Acompanhada muitas vezes pela guitarra eléctrica, Scout Nibblet consegue transmitir uma certa dureza através de acordes reminiscentes de um grunge reduzido ao essencial, voz e guitarra eléctrica. 

O seu mais recente disco foi editado em 2013 intitulado IT’S UP TO EMMA. As letras são fortes e ultrapassam o cariz confessional, ofertando uma certa dose de angústia. O disco conta também com uma cover do hit single No Scrubs da banda TLC, recriando por completo a atmosfera da música. 

É uma cantautora que com guitarra acústica, eléctrica e o uso adequado da bateria conseguiu imprimir o seu selo próprio em géneros como indie rock, garage rock e grunge. 

8 – Elegância Folk


Sibylle Baier nasceu na Alemanha e foi nos anos 70 que gravou um punhado de canções que apenas foram editadas em 2006 depois do seu filho encontrar o registo e mostrar a um dos músicos dos Dinosaur Jr. que ajudou no processo de editar finalmente as canções. São quatorze temas de um folk bastante delicado e introspectivo que consegue recriar uma atmosfera quase onírica. A voz de Sibylle Baier está num registo perfeito, não sendo demasiado feminina ou masculina. É certamente única e bastante agradável. Sibylle Baier foi uma mulher apaixonada pela arte e suas diversas expressões, tendo-se dedicado à representação, literatura e pintura. Foram certamente as formas que escolheu para transmitir os seus pensamentos e emoções mais profundos. 

É pena, efectivamente que apenas haja este registo de longa-duração, pelo menos que tenha sido divulgado, não se sabe se gravou mais de si para si. São temas que registam o quotidiano, mas que transmutam certos acontecimentos aparentemente banais em autênticas jóias tanto a nível de composição como vocalização. 

É um disco que reage bastante bem ao tempo cronológico e que continua actual, tal é a sua magia confessional, delicada e extremamente autêntica. 

9 – Voz activa

Foto: Patti Perret

Ani Difranco nasceu em 1970 nos EUA e foi bastante cedo que se iniciou na música, gravando o seu primeiro disco homónimo e de estreia quando tinha apenas 19 anos. Criou também a editora RIGHTEOUS BABE RECORDS, mantendo-se afastada das editoras mainstream, editou os seus próprios discos e ajudou novos músicos e bandas a lançarem-se. 

O seu primeiro disco foi editado em 1990. É composto por doze temas essencialmente acústicos mas a guitarra providencia todo o ritmo e batida que é necessário. É um disco de estreia sólido e que demonstra o poder poético e de consciência social que viria a acentuar-se ainda mais ao longo da sua carreira. Essa vertente é audível em Lost Woman Song

Em 1992 editou IMPERFECTLY. A sua maneira característica de guitarra torna-se ainda mais o centro das treze composições que compõe o disco. Os temas voltam a ser maioritariamente acústico, mas realçam a voz e a personalidade de Ani Di Franco. 

Imediatamente no ano seguinte editou PUDDLE DIVE. Há mais arranjos e instrumentos na formação dos temas. O disco é coerente e bastante homogéneo mas há temas que podem destacar-se um pouco mais como Used to You e Pick Yer Nose


No ano seguinte, editou OUT OF RANGE em 1994 que já oferecia um vislumbre para a vertente mais rock que iria a ser explorada e que se tornou o foco no disco de 1995, NOT A PRETTY GIRL. É composto por quatorze temas de um folk rock bastante enérgico e embalado pela maneira peculiar e característica de tocar guitarra de Ani Di Franco. É talvez um bom disco para alguém se iniciar na extensa e rica discografia desta cantautora. 

Mas foi com DILATE, editado em 1996 que foi ouvida por mais pessoas e o seu trabalho passou a ser mais reconhecido. O disco arranca forte com a melancólica e poderosa Untouchable Face. É um disco fundamental e que ilustra todo um percurso desde o acústico confessional até este folk rock com algumas fusões de género interessantes mas que mantém acesa chama da voz e guitarra. 

Continuou a produzir e a lançar discos, sendo o mais recente de 2017 intitulado BINARY que composto de onze temas tornam o espírito confessional e introspectivo que sempre a caracterizou. 

10 - Contadora de Histórias


Suzanne Vega nasceu em 1959 nos EUA. Foi em 1985 que se estreou com o disco homónimo. É um disco delicado, diria até essencial que revela uma cantautora cuja mestria para lidar com a guitarra acústica se equipara à capacidade de escrever letras maduras, sensíveis e extremamente poéticas. É com suavidade, mas uma ferocidade sincera e intimista que Suzanne Vega convida o ouvinte a participar numa viagem de várias atmosferas e sensações que mudam consoante os temas. É um disco variado e cujo cariz profundamente intimista nunca entedia ou desilude. A sua voz é tranquilizante, mas abriga uma capacidade e dinâmica vocal que se demonstra subtilmente ao longo das várias canções. 

Dois anos volvidos, edita o lendário SOLITUDE STANDING em 1987 que fez mais sucesso devido a dois temas, Luka e Tom’s Diner. Ambos temas que marcaram a década de 80 e que lhe conferiram reconhecimento como uma das cantautoras mais interessantes dessa época. Luka continua a ser uma das músicas pop ou pop-rock mais bem conseguidas na história da música. No entanto, o disco é bem mais que Luka. É um arranjo coerente de onze temas que mais uma vez primam pela sua identidade própria. As letras mantêm a veia poética do disco de estreia. Extremamente visuais e até tocantes, convidam o ouvinte a participar nas narrativas cantadas por Suzanne Vega. Em Wooden Horse (Caspar Hauser’s song) narra um dos mistérios mais conhecidos da história mundial e que foi filmado por Werner Herzog no magistral, THE ENIGMA OF KASPAR HAUSER de 1974. É a história de um homem no século XIX que apareceu certo dia numa aldeia na Alemanha com um conceito muito rudimentar de linguagem e desconhecendo o seu nome ou origem. Acabou por ser assassinado, misteriosamente, do mesmo modo como se mantiveram as suas origens ou identidade. É um mistério que nunca chegou a ser resolvido. 

Há uma grande riqueza narrativa que permeia todo o disco. E melodias que merecem ser descobertas ou redescobertas. 

Em 1990 editou DAYS OF OPEN HAND. Apesar de se inclinar para uma sonoridade um pouco mais pop, o carácter misterioso e poético das letras manteve-se. Há também um cuidado especial em relação aos arranjos e à inclusão de vários instrumentos nas composições. 


Foi em 1992 com 99.9 Fº que quebrou barreiras e incluiu alguns elementos de electrónica nas suas canções. São treze canções recheadas de atitude e carisma. Há uma veia de rock alternativo bastante presente e que pulsa forte ao longo do disco. Certas raízes folk deram lugar a um disco profundamente criativo, moderno e possuidor de um grande carisma. 

O seu mais recente disco de originais foi editado em 2014 e intitula-se TALES FROM THE REALM OF THE QUEEN OF PENTACLES e assim como os discos anteriores é carregado de temas fortes e dotados de identidade própria. O foco recai novamente nas narrativas e na capacidade sublime de Suzanne Vega de contar histórias com a sua voz. É uma das compositoras e intérpretes mais interessantes dos anos 80 e que conseguiu transpor o seu talento para as décadas seguintes. 

11 - Planeta Psicadélico


Lida Husik nasceu em 1963 nos EUA. Fez parte da banda punk Mourning Glories mas cedo optou por uma carreira a solo, sendo bastante activa na década de 90 e editando oito discos de longa-duração. O seu primeiro disco de estreia intitulado BOZO foi lançado em 1991. Composto por doze temas que realçam o carácter lo-fi e reminiscente de space rock. Lida Husick é uma multi-instrumentalista versátil que faz bom uso da sua voz, um pouco rouca, um pouco spaced out mas essencialmente única. Há também laivos psicadélicos que ressoam ao longo dos doze temas. 

O disco que se seguiu, YOUR BAG, foi editado em 1992. As texturas de guitarra eléctrica dão lugar a sintetizadores e outros efeitos que dão uma característica bastante vanguardista e onírica, traçando o caminho para a voz de Lida Husik. Neste disco continua presente uma aura psicadélica que talvez seja reminiscente de uns The Doors. As composições são imprevisíveis e bastante mais soturnas do que disco anterior. Evocando a imagem de se estar a vaguear à noite por uma feira popular abandonada. 

Passado apenas um ano edita THE RETURN OF RED EMMA. As texturas de guitarra eléctrica assinalam o seu regresso imiscuído de sonoridade de rock alternativo e algum grunge transgressivo. As letras assumem uma carga mais consciente a nível social e político, havendo aqui e ali uma condenação das ideologias de extrema direita. 


Em 1995 foi a vez de JOYRIDE ser editado. É composto por doze temas em que uma sonoridade indie lo-fi com laivos psicadélicos volta a reforçar-se. É um disco que evoca a força do movimento de rock independente dos anos 90. 

Lida Husik continuou a editar discos durante a década de 90 demonstrando todo o seu potencial para composições cheias de atmosfera e de carácter imprevisível. 

12 - Guitarra Ritmo 

Foto: Cláudia Baúto

Rita Cardoso nasce em Lisboa no ano de 1978. Começou a tocar guitarra desde cedo e desenvolveu ao longo dos anos uma forma peculiar de lidar com a guitarra. Tocando-a de forma rítmica e por vezes, dissonante, mas construindo sempre linhas melódicas que primam pela imprevisibilidade. 

De 1997 a 1999 fez parte da banda VideoSnuff mas optou por seguir o seu caminho a solo, apesar de ter feito várias colaborações musicais. Ganhou vários prémios em festivais de música, entre eles o Termómetro Unplugged. Foi em 2003 que gravou o EP ACATISIA, cuja capa é uma imagem TAC do seu cérebro. São três temas originais e uma versão da banda Lamb que definem o som de Acatisia. A guitarra é um instrumento polivalente nas suas mãos. São criados acordes e também ritmos que acentuam a qualidade e as variações da voz. O inglês e o português são conjugados perfeitamente nas letras. 

Desde então tem actuado em diversos palcos pela cidade e a ideia de um disco de longa-duração está em germinação. É uma cantautora com uma voz forte mas flexível que cria várias texturas e tons. Usa a guitarra como um veículo para transmitir a sua intimidade. 


CONTINUA...

TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE

JOSÉ FERREIRA Em quase duas décadas e meia de existência, os  Colour Haze só no ano passado é que se atreveram a percorrer a dist...

JOSÉ FERREIRA

Em quase duas décadas e meia de existência, os  Colour Haze só no ano passado é que se atreveram a percorrer a distância cada vez mais curta de pouco mais de 2000 quilómetros que separa a capital alemã, de onde são, de Portugal. Neste caso, foi até ao norte do país, no Moledo, Viana do Castelo, que em Agosto do ano passado rumaram para se estrearem em solo nacional. Em boa hora o fizeram, com o novo In Her Garden acabado de sair na bagagem para um concerto arrebatador num Sonicblast a rebentar pelas costuras.

Ainda não passou um ano desde esta primeira passagem e a mesma promotora que organiza o festival centrado nas sonoridades mais próximas do universo do rock psicadélico/stoner volta a apostar no trio germânico, desta vez para um concerto em nome próprio e com data única.

É já este sábado que tocam no Hard Club, no Porto, com os portugueses Jesus the Snake e os berlinenses TAU a abrir.

Os bilhetes em venda antecipada custam 16 euros. No dia do concerto passam a 20 euros. As portas abrem às 21h e a primeira banda toca às 21h15.

As bandas são como as células do nosso corpo. São muitas. Por isso, é humanamente impossível sabermos quantas existem neste planeta. J...


As bandas são como as células do nosso corpo. São muitas. Por isso, é humanamente impossível sabermos quantas existem neste planeta. Já ouviram falar nos The Ramblers

Para todos nós há sempre uma primeira vez. O que não é novidade para os lisboetas é fazerem-se à estrada. Há 11 anos que viajam de norte a sul do país e já partilharam palcos com o lendário B.B. King, Ian Siegal, Carvin Jones e Blasted Mechanism. É verdade que o blues não é género tradicional do nosso país, mas para qualquer um que se sente abalado por ele poderá deixar-se convencer pelo blues alimentado por riffs poderosos que, segundo a descrição dos lisboetas, é "povoado por um imaginário de queimas a Bruxas e artimanhas Piratas, riffs poderosos e baladas sujas, temperados com os mais diversos estilos de world e folk music.". Da sua discografia fazem parte dois EP's e um LP, The Rambler, 2010, Yer Vinyl 2012 e Wet Floor 2015, respectivamente. Como aconteceu com tantas bandas sucedeu igualmente com os Ramblers. Conheceram-se na escola secundária e foi assim que tudo começou. Após várias conversas de café e partilhas de gostos musicais, a irmandade Rosie (voz), Richards (guitarra) e Lou (baixo) começou a fechar-se em salas de ensaio para compor temas e dar largas à criatividade. Nesta próxima sexta-feira começam a mini-digressão que arranca no Algarve, passa por Espanha e termina em Viana do Castelo. Pelo meio vão gravar e lançar o quarto trabalho que será distribuído digitalmente pela EMU bands
Pedimos aos membros integrais dos Ramblers (Rosie, Richards e Lou) que nos dissessem quais os 5 livros, 5 discos, 5 filmes/séries que recomendam. 



Rosie (Mafalda Raposo)
5 livros:
- "O Amante", Marguerite Duras 
- "Uma espia na casa do amor", Anaïs Nin 
- "A insustentável leveza do ser", Milan Kundera 
- "Tarantula", Bob Dylan 
- "Um negro que quis viver", Richard Wright 

5 discos: 
- "American Recordings", Johnny Cash 
- "Presence", Led Zeppelin 
- "Ultraviolence", Lana del Rey 
- "Olympia", Minta and the Brook Trout 
- "Revolver", The Beatles 

5 filmes/séries: 
- "Valerie A Tyden Divu", Jaromil Jireš & Ester Krumbachová 
- "O tempo dos Ciganos", Emir Kusturica 
- "Everything is Illuminated", Liev Schreiber 
- "Ko to tamo Peva", Slobodan Šijan 
- "Underground", Emir Kusturica 

Richards (Ricardo Lopes)
5 livros:

- "A insustentável leveza do ser", Milan Kundera 

- "Terra sonâmbula", Mia Couto 
- "O ano da morte de Ricardo Reis", José Saramago 
- "Observações sobre o sentimento do belo e do sublime", Emmanuel Kant 
- "O retrato de Dorian Gray", Oscar Wilde 

5 discos: 
- "Blues Breakers with Eric Clapton", John Mayall & the Bluesbreakers 
- "Live at the Regal", B.B. King 
- "Couldn't Stand the Weather", Stevie Ray Vaughan and Double Trouble 
- "Almoraima", Paco de Lucía 
- "Dire Straits", Dire Straits 

5 filmes/séries: 
- "Inglourious Basterds", Quentin Tarantino 
- "The Godfather", Francis Ford Coppola 
- "Star Wars" (Saga), George Lucas 
- "Shutter Island", Martin Scorsese 
- "O Rei Leão", Roger Allers (Disney) 

Lou (Luís Nunes)

5 livros:
- "Rendez-Vous com Rama", Arthur C. Clarke 

- "As Primeiras Quinze Vidas de Harry August", Claire North 
- "Os Despojados", Ursula K. Le Guin 
- "Mundos Paralelos", Philip Pullman 
- "O Pacto Da Meia-Noite", David Whitley 

5 discos: 
- "Exile on Main St.", The Rolling Stones 
- "Honkin’ on Bobo", Aerosmith 
- "Muddy & The Wolf", Muddy Waters & Howlin’ Wolf 
- "Lazaretto", Jack White 
- "The Bomb Shelter Sessions", Vintage Trouble 

5 filmes/séries: 
- "Goodfellas", Martin Scorsese 
- "Scarface", Brian De Palma 
- "Blade Runner", Ridley Scott 
- "The X-Files", Chris Carter 
- "Star Wars" (Saga), George Lucas 

TEXTO: PRISCILLA FONTOURA

Sion Sono é um dos realizadores japoneses da actualidade mais produtivos, criativos e imprevisíveis. Os seus filmes centram-se em várias t...

Sion Sono é um dos realizadores japoneses da actualidade mais produtivos, criativos e imprevisíveis. Os seus filmes centram-se em várias temáticas. Relações familiares, alienação típica dos adolescentes, religião, suicídio e o poder destrutivo da violência. Apesar de abordar temas negros e pesados, há sempre uma corrente de sátira e alguma comicidade over-the-top que se torna presente. Há o uso inteligente da violência que apesar de extrema, é filmada com bom gosto e completamente justificada pela narrativa, nunca roçando a vertente da violência gráfica e gratuita.


Apesar de ter realizado muitos mais trabalhos, foi com SUICIDE CLUB (2001) que começou a atrair mais atenções. É um filme que aborda uma bizarra epidemia de suicídios colectivos e organizados entre a população mais jovem no Japão. Mas não se prende unicamente à questão do suicídio enquanto fenómeno social e explora as causas e motivações. A alienação entre os adolescentes, a sua apatia e escapismo da realidade através de uma cultura pop um pouco frívola e inconsistente na maneira como é ditada por modas efémeras e facilmente substituíveis. 

Mais tarde, realizará o que foi apelidado da sua trilogia sobre o “ódio”. Esta trilogia é composta por LOVE EXPOSURE (Ai no mukidashi) de 2008, COLD FISH (Tsumetai nettaigyo) de 2010 e GUILTY OF ROMANCE (Koi no tsumi) de 2011. 


LOVE EXPOSURE é um filme que tem a titânica duração de quatro horas e que à superfície poderia ser apenas mais um coming-of-age. No entanto, aborda temas como religião, amor, sexualidade, desejo e fenómenos cultistas religiosos. É um retrato de uma história de amor que com laivos cómicos, nonsense, profundos e por vezes melodramáticos, conferem ao filme a sua originalidade e potencial para que nos deixe tristes, contentes e perturbados durante a sua narrativa. 


É um filme que exala imprevisibilidade e que mistura géneros de forma coerente e dando até a impressão que é coisa fácil de fazer. Comédia, acção e melodrama são misturados de forma eximia. Esse ecletismo é também transmitido pela banda sonora que é constituída por temas de música clássica e algum J-rock moderno. 


COLD FISH explora a tirania da violência e os efeitos que pode ter num homem aparentemente estável, com família e um negócio próprio. À medida que a narrativa progride, vemos esse mesmo homem transformar-se lentamente e a reagir finalmente a toda a violência que lhe é imposta. 


O filme explora os géneros de thriller e terror psicológico, assente numa boa caracterização de personagens. A violência que é mostrada nunca chega a ser gratuita, apesar de extremamente chocante em algumas cenas. 


GUILTY OF ROMANCE apresenta uma cinematografia mais colorida que COLD FISH. Mas esta característica estética não é sinal de que a narrativa é leve ou fácil de digerir, muito pelo contrário. Neste filme, temos mulheres como personagens principais e assistimos a uma subversão inteligente e visceral do papel da sexualidade e intimidade. Actos que naturalmente nascem de amor e sentimentos profundos de afecto, são transformados em actos de vingança, despeito e rebeldia. 


O filme retrata a mente e quotidiano de uma mulher japonesa, Izumi. Que nos é apresentada como esposa devota e algo submissa ao seu marido. Este retrato é meramente uma das faces da moeda pois é cedo na narrativa que Izumi começa a levar uma vida dupla. Um pouco reminiscente do filme Belle de Jour mas muito mais gráfico e violento. 


Apesar de toda a agressividade que existe durante o filme e a abordagem da sexualidade como arma e instrumento de vingança, perpassa um clima melancólico e de desolação ao longo de toda a narrativa. 

É mais uma vez um filme que desafia o espectador e que o faz experienciar uma miríade de emoções. Esta trilogia é devastadora no seu poder de conseguir confrontar o espectador e fazê-lo meditar nas questões mais profundas e desejos mais negros que por vezes, reprimimos bem dentro de nós. 


Continuando na sua onda de produtividade admirável que consegue equilibrar quantidade com qualidade, realizou em 2013 WHY DON’T YOU PLAY IN HELL? (Jigoku de naze warui) que mais uma vez mistura comédia negra com acção, sem nunca descurar a construção 3D das personagens. 


É um filme que expressa uma devoção e é uma autêntica ode em tela ao espírito do cinema e ao amor que se tem ao fazer filmes. Sem revelar muito do plot que é frenético, imaginativo e imprevisível, há a junção explosiva entre um grupo de cineastas amadores completamente apaixonados e obcecados pela ideia de fazer um grande filme e dois clãs rivais de yakuza. 

Sion Sono continua a surpreender e a produzir com bastante qualidade e espera-se um novo filme falado em inglês e com a possível participação de Nicholas Cage. 


TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE
IMAGENS: Frames tirados dos filmes

CONAN E OMAR – O BARBARISMO DA HYPE Sabia que ia assistir a duas actuações que não iam envolver guitarras ou grandes dotes poético...

CONAN E OMAR – O BARBARISMO DA HYPE


Sabia que ia assistir a duas actuações que não iam envolver guitarras ou grandes dotes poéticos, no entanto, estava de mente aberta para a tal festa que se avizinhava. Estava na segunda fila à espera da entrada do tão mencionado pelos media musicais, Conan Osíris. Admito que a minha decisão de me pirar para o fundo da sala, ocorreu de forma brusca mas extremamente racional. Foi nessa altura que por cima de batidas pouco inspiradas, uma salganhada de sons que pareciam ter sido feitos por uma pessoa que experimenta pela primeira vez o garage band, Conan Osíris cantou ou entoou que era um borrego ou que foi um borrego. Nada a refutar.


Já no fundo da sala, consegui admirar todo o enlevo e devoção que a audiência parecia prestar a esse novo génio musical elegido pelos especialistas de música. As letras (quando se percebia alguma coisa delas) discorriam sobre o facto de se estar sem paciência (coisa com que de facto me identifiquei), ter celulite ou celulitite e algo sobre saltar do Titanic (mais uma vez não refutaria). Letras extremamente pobres, sem qualquer tipo de humor e cujo único sentido que lhes posso legitimar é a exaltação da mediocridade.

A actuação durou perto de uma hora e foram “tocados” cerca de nove temas. Entretanto, dei por mim envolvida num flow de consciência. Por que é que os cães ladram sempre aos carteiros. A dificuldade de comprar ovos brancos, são sempre de cor creme. A data da invenção do pão branco fatiado para consumo das massas. E a sexualidade de Rock Hudson. Todas essas questões me assaltaram a mente e protegeram de certa forma a minha consciência da torrente de banalidade que jorrava do palco. Acho que foi a primeira vez que fiquei contente por não haver encore num concerto.


Passado um bocado, foi a vez de Omar Souleyman subir ao palco com mais um amigo que se encarregou da música propriamente dita por trás de um órgão enorme.

A actuação até começou bem, batidas um pouco firmes mas acompanhadas de ritmos de inspiração árabe. No entanto, cedo deu lugar para uma panóplia de temas que pareciam todos iguais.

Batidas techno desinspiradas aliadas a apontamentos reminiscentes de disco sound americano dos anos 70 mais passagens que fazem lembrar aquelas músicas comerciais que tocam à beira da piscina. As letras, não posso falar muito sobre elas porque não sei árabe. No entanto, Omar Souleyman podia estar a debitar a receita para fazer um pudim de arroz perfeito que ia arrastar a audiência num perfeito delírio. Não eram certamente poemas de origem sufista.

Voltei a ficar contente por não ter havido encore. Foram duas actuações de sonoridades entediantes e sem qualquer espécie de alma. A próxima vez que se quiser festa, aconselho ir a um baile de aldeia ou ter a sorte de apanhar algum concerto do Quim Barreiros.

É mais uma vez a vitória do hype que catapulta nomes sem qualquer rigor ou critério, criando fenómenos supostamente musicais que primam pela mediocridade e falta de qualidade a todos os níveis.

Esta é apenas a minha análise e tomando de empréstimo mais uma letra brilhante de Conan Osíris, “'tou-me a cagar”. Mas sei que no fundo, ele deve estar contente por fazer tanto sucesso com tão pouca qualidade.

TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE


CONAN OSIRIS + OMAR SOULEYMAN

Não foi um concerto, foi uma festa...mais ou menos.


Passava já das 00h30m quando Conan Osiris entrou em cena. Um one man show com playback instrumental, aonde foi desfiando a sua música mesclada de hip-hop, eletrónica, sons ciganos e árabes, com letras carregadas de um humor muito particular. Foram 9 os temas que interpretou, sempre com o apoio de um considerável número de fiéis conhecedores das suas canções. Foram momentos especiais de animação os temas “Borrego”, “Titanique”, “Adoro bolos” e o inevitável “Celulitite”. Foi a primeira vez que o vi ao vivo e confesso que não me causou uma impressão por aí além. Foi divertido, mas apenas q.b. Uma “boa imprensa” e ser a novidade do momento por enquanto ajuda, mas poderá não ser suficiente para se fazer uma carreira musical para lá da animação de eventos e festas.


Foi também animando festas na sua terra natal que o sírio Omar Souleyman iniciou a sua carreira. Aqui o efeito novidade não pesou, pois já o tinha visto ao vivo. Foi mais do mesmo e aquilo que eu esperava, numa actuação que não terá durado uma hora e sem direito a encore. Acompanhado por um teclista, foi com a sonoridade árabe que Omar inundou a sala e provocou a animação geral. Sem grande exuberância em palco, foi sempre interagindo com o público de forma simpática e comunicativa. O público, esse, respondeu sempre de forma exuberante, especialmente quando do Korg saíram os primeiros acordes de Ya Bnayya. Tinha chegado o tempo do mosh e do agitar mais violento. Uns minutos depois, tão tranquilamente como entrou em palco, Omar saiu de cena, deixando uma sensação de ter sabido a pouco para quem lá estava para uma noite de diversão pura. 

Resumindo este concerto: foi dançar, abanar o corpo, bater palmas, enfim, festa pura sem qualquer critério quanto à qualidade musical. Por vezes sabe bem, mas não é para repetir muitas vezes. Há muito tempo já com lotação esgotada, causa-me algum desconsolo lembrar que há uma semana atrás, nesta mesma sala e por menos de metade do preço deste bilhete, se ouviu música de qualidade, com instrumentos de verdade tocados por verdadeiros músicos, mas com muito menos público. Sinais dos tempos, talvez a maioria já não vá a concertos com o objectivo que deveria ser o principal: ouvir música.

TEXTO: JOSÉ MARQUES
VÍDEOS: JOSÉ MARQUES
LOCAL: Musicbox, Lisboa
DATA: 5 de Maio, 2018

Ossos do ofício CRIAÇÃO E AUTORIA:   EMANUEL R. MARQUES

Ossos do ofício

CRIAÇÃO E AUTORIA: EMANUEL R. MARQUES

Resumo Compositoras e intérpretes que têm a guitarra como sua fiel companheira. Podem fazer dela uma arma ou simplesmente um veículo par...

Resumo
Compositoras e intérpretes que têm a guitarra como sua fiel companheira. Podem fazer dela uma arma ou simplesmente um veículo para narrações de cariz introspectivo, narrativas de consciência social ou confissões de romances que resultaram em desamor. São vozes femininas que aliadas a uma guitarra ou composições com mais arranjos nos transportam e convidam para o centro dos seus imaginários. 

Palavras-chave: cantautoras, indie, acústico

1- Introdução a Lisa Hannigan

Foto por Rich Gilligan

Nasceu em 1981 na Irlanda. Iniciou carreira tocando com Damien Rice mas foi em 2008 que se estreou a solo com o disco SEA SEW. Composto por dez temas que não são essencialmente acústicos, contando com arranjos delicados mas sem nunca se afastar de um registo indie folk suave, bastante melódico que por vezes pisca a o olho a um pop de bom gosto e que não deixa de lado alguma influência muito subtil de música irlandesa.

É um excelente disco de estreia, bastante equilibrado e que demonstra o talento de composição e vocal de Lisa Hannigan. Tanta homogeneidade faz com que seja complicado destacar temas, no entanto, Keep it All, é um dos temas que se impõe pela sua composição que apesar de parecer simples, é bastante bem arquitectada e que regista perfeita harmonia entre vários instrumentos de cordas. 

PASSENGER editado em 2011 manteve a qualidade do seu predecessor. Abre com o fabuloso tema Home com uma entrada magistral de piano e cordas que depois dão lugar de destaque à voz de Lisa. Este disco contém temas que foram tocados ao vivo num excelente concerto que deu para a NPR inserido no contexto dos Tiny Concerts. São esses temas, Little Bird, Knots e Passenger. 


Little bird é um tema de beleza única que com o seu ambiente bucólico e acordes delicados nos podem remeter para um estado de alguma comoção. Foi também um tema utilizado no filme MAUDIE de 2016, realizado por Aisling Walsh que conta com o excelente desempenho de Sally Hawkins e Ethan Hawke. Um filme que narra a vida de Maud Dowley, uma artista de Nova Scotia que apesar de sofrer de artrite reumatoide pintou inúmeros quadros e pequenos postais que a tornaram uma das artistas mais conhecidas do Canadá. 

As suas pinturas de inspiração claramente naive mas com muita alma permanecem para ser apreciados. 

Maud Lewis

Em Knots temos uma toada mais dinâmica e diria até mexido que dão total protagonismo à voz de Lisa que não precisa de efeitos para alcançar o seu potencial, possuindo uma boa dinâmica vocal. O vídeo oficial da música é também um portento que merece ser visto ou revisto. 

Em 2016 lançou AT SWIM que acolhe onze temas. De forma geral, é um pouco mais melancólico que os discos anteriores. A voz de Lisa Hannigan continua em pleno destaque e nas suas letras há um cariz um pouco mais soturno e talvez mais maduro. 

Para este disco juntou forças com Aaron Dessner (dos The National) que ajudou a produzir o álbum, tocou vários instrumentos e colaborou na escrita das letras. 

É um disco poderoso, bastante mais eclético e que se afasta um pouco do registo folk puro e cru. Contendo passagens mais atmosféricas e criando atmosferas de alguma melancolia, especialmente em Prayer for the Dying e em Snow

Lisa Hannigan continua a ser uma das multi-instrumentalistas mais interessantes da contemporaneidade, criando malhas e texturas profundamente melódicas que altruisticamente iluminam e sublinham a voz de Lisa Hannigan que não necessita de grandes artifícios ou efeitos para transmitir a sua amplitude e pureza. 

2- Sensibilidade Country 

Foto cortesia da artista

Laura Veirs nasceu em 1973 nos EUA. Fez parte da banda de punk-rock Rair Kx! composta unicamente por mulheres. Foi depois de uma intensa viagem à China que Laura Veirs reuniu inspiração para lançar o seu disco de estreia a solo homónimo que foi editado em 1999. 

São temas que nunca excedem os três minutos e essencialmente acústicos. Os ritmos são apelativos e a sua forma de atacar a guitarra denota um estilo bastante próprio. 

Consegue juntar com mestria alguma influência country, “americana” com a sua abordagem moderna de composição e lidar com a guitarra. 

As letras reflectem bastante o feeling americano mas em American Way há espaço para alguma critica social. 

Driving to my driveway mailbox, 
time to send my taxes
I'm on a peace keeping mission to kick other countries' asses 
Twenty two billion pentagon dollars unaccounted for last year 
They're making twelve more lovely stealth bombers 
I fund an institution of fear 
I fund an institution of fear It's the American way 
It's the American way 
It's the American way

É um disco que apresenta bem a voz e técnica de guitarra de Laura Veirs. A este disco seguiu-se THE TRIUMPHS AND TRAVAILS OF ORPHAN MAE editado em 2001. O disco arranca com Jailhouse fire que com banjos e outros instrumentos de cordas oferecem uma boa entrada para um disco essencialmente acústico. 

A veia americana country continua bem presente mas com um refrescante toque de modernidade indie. 
Black-eyed susan é uma autêntica balada country mas que mistura uma sensibilidade indie folk. 
O uso do banjo torna-se fulcral em Orphan Mae, que com um ritmo intenso e frenético estende o tapete para a voz de Laura Veirs. É um disco que consegue fazer uma fusão de bom gosto entre o som tradicional do americana com o indie folk e rock.


Laura Veirs continuou a editar discos e a seguir a sua prolifera carreira que conta com quase vinte anos. Alguns dos seus temas foram usados em séries de TV e filmes americanos. Um bom exemplo é em WE GO WAY BACK, filme de 2006 realizado por Lynn Shelton. É um interessante e peculiar coming-of-age que vale a pena descobrir. 

O seu disco mais recente é de 2018 e intitula-se THE LOOKOUT. Os arranjos são mais cuidados e a ambiência continua com uma fusão delicada entre country moderno americano e o indie folk. 

3- Lo-fi Indie 

Foto por Matthew James Wilson

Frankie Cosmos nasceu em 1994 e lançou o seu primeiro disco em 2012 intitulado MUCH ADO ABOUT FUCKING. O som é basicamente um lo-fi indie com letras que roçam o confessional. Essa tendência é amplamente demonstrada no tema Cryb Aby que apesar de ter apenas 50 segundos cria uma atmosfera mágica como se estivéssemos num quarto no exacto momento em que a música foi tocada. O registo lo-fi mantém-se ao longo das quatorze faixas do disco. 

A partir desse disco a produção manteve-se célere, tendo editado mais dezasseis discos de originais. 

O disco que se seguiu, SICKER WINTER, anuncia que “one day Frankie got sick, with stuffed up ears she made these recordings.” E realmente nota-se a voz um pouco congestionada de Frankie. O que ainda traz mais charme aos temas e acrescenta um je ne sais quoi à sua voz. 

Ainda no mesmo ano editou dois discos. SEPARATION ANXIETY e THANKS FOR EVERYTHING. Contam com letras um pouco naive mas de uma pureza reminiscente de Daniel Johnston. 

Foto por Landon Speers

Em 2013 lançou WOBBLING em cuja produção já se nota algum cuidado, afastando-se um pouco do lo-fi. Há também mais arranjos e diversidade na composição, apesar de se manter o mesmo registo de naivete. Ainda no mesmo ano lançou mais sete discos. MOSSLOVE RINDTOLD YOU SOWHY AM I UNDERWATER?DADDY COOLI’M SORRY IM HI LET’S GO e PURE SUBURB

O ano seguinte foi mais um ano de grande produtividade com três discos lançados. DONUTESZENTROPY e AFFIRMS GLINTING


ZENTROPY, para além de ter uma capa lindíssima (tem um cão, enough said), é talvez um dos discos melhor produzidos e com um cuidado especial nos arranjos. Afasta-se do som lo-fi que caracterizou a sua extensa discografia e aproxima-se de um indie rock bastante melódico. Despretensioso e cheio de charme é um dos discos que mais se demarca na discografia impressionante da cantautora. O disco encerra com Sad 2, uma perfeita e bela canção de amor dedicada ao seu cão que faleceu. Man/woman’s best friend. 

O último disco lançado foi em 2018 intitulado VESSEL que também conta com uma capa fantástica (com um cão, enough said). Assim como o seu antecessor, conta com vários instrumentos afastando-se da sonoridade bedroom lo-fi. O disco é bastante coeso, sendo complicado ressaltar pontos mais altos. Tem que se ouvir por inteiro e experienciar o espirito DIY e indie que recheia todos os temas. Frankie Cosmos ou Greta Kline (filha do actor Kevin Kline) dá uma nova motivação ao movimento DIY e indie. Música sincera, por vezes naive, mas desprovida de pretensiosismo. 

4 - Voz com Soul

Foto por Dan Robinson

Nadia Reid nasceu em 1991 na Nova Zelândia e foi em 2015 que se estreou com o disco LISTEN TO FORMATION, LOOK FOR THE SIGNS que é composto por dez temas. Possui uma voz autêntica, grave mas suave. Não necessita de efeitos nem técnicas de estúdio para mostrar a verdadeira potência e alcance da voz. 

A forma como toca guitarra é inspirada e tem uma inclinação forte e sensitiva para o ritmo. É um disco sólido e no qual os temas se encontram ao mesmo nível em termos de qualidade. 

Em Reaching Through, temos a inclusão de guitarras eléctricas e harmonizações indie, bastante melódicas que acompanham uma letra profundamente inspirada. 

I've been walking forward only to forget
Where that i have been and who that I have met 
If I am bound for something honey understand
That love will grow thicker in search of foreign land
Whoooooo knew that I was reaching through
Who knew that time would heal our wounds
I keep the art separate from the love
I always keep the truth separate from my heart 
If knew how to ride it, I would surely understand
That love will grow thicker in search of foreign land

Seguimos para Holy Low que inclui uma passada um pouco mais melancólica que com arranjos inspirados focalizam a voz carismática de Nadia Reid que se desdobra num refrão melódico e reminiscente de blues americano. 

Some are Lucky revela o poder dramático e tocante da voz de Nadia Reid. Acompanhada por guitarras algo dreamy e com ecos. É no entanto, a sua voz que se destaca. Um disco encantador que mistura na perfeição composições inteligentes e melódicas com uma voz carismática e isenta de artifícios. 

O disco que editou a seguir, PRESERVATION em 2017, volta a acentuar o poder quase hipnótico da sua voz. O tema que abre o disco com o mesmo nome, prova isso mesmo. É uma voz que partilha a sua alma connosco. 
The Arrow and the Aim arrasta-se para uma sonoridade mais indie rock com arranjos perfeitos e apontamentos certeiros de piano. Essa inclinação perdura no tema Richard para o qual foi feito um teledisco bastante interessante. Em Te Aro, o foco vira-se para a voz de Nadia Reid e para os brilhantes arranjos de cordas, suaves e subtis. 

São dois discos que lançam Nadia Reid para o bastião das cantautores mais interessantes e com alma da contemporaneidade. 

5 - Sinais de fumo 

Foto cortesia da artista

Phoebe Bridgers nasceu em 1994 nos EUA. Editou um EP intitulado KILLER e um LP em 2017 chamado STRANGER IN THE ALPS

É dotada de uma voz carismática e forte. O EP é constituído por três temas. Killer, Georgia e Steamroller. A produção esteve a cargo de Ryan Adams. O foco está na voz de Phoebe e na sua maneira de tocar guitarra, ritmicamente forte e com sentido apurado de melodia. As letras são de cariz confessional sem cair no sentimentalismo barato. 


Foi depois deste EP que foi bastante acarinhado que gravou e lançou STRANGER IN THE ALPS. O disco começa de forma intensa com o hipnotizante tema SMOKE SIGNALS, cujo teledisco talvez faça recordar o filme de 1962 CARNIVAL OF SOULS. É um tema de extrema beleza que nos envolve tanto pela composição como pela poesia da letra. O tema que se segue é mais agitado e envolto numa boa dose de indie rock, é ele, Motion sickness que nada mais é que uma boa canção de rock alternativo com algumas inclinações pop de bom gosto. Fica indubitavelmente na cabeça. 

Em Funeral, recebemos um tema que composto de forma maravilhosa e acordes memoráveis, entrega uma letra de cariz bastante confessional com o qual nos podemos identificar plenamente. É uma música que ouvi repetidas vezes e que de todas as vezes apresenta sempre um detalhe novo. Extramente emocional, sincero e tocante. 


O tema que se segue, Demi Moore, é um pouco reminiscente da obra de Elliott Smith. É mais um tema que nos agarra, acarinha e não larga. 

STRANGER IN THE ALPS é um maravilhoso disco de estreia com uma capa fantástica. Bastante coeso e que é melhor experienciado enquanto ouvido na integra. Phoebe Bridgers assume-se como uma cantautora de extrema sensibilidade composicional que traz alma e frescura à cena alternativa e independente. 

6 – Natureza suburbana 


Sarah Jaffe nasceu em 1986 nos EUA e estreou-se em 2010 com o LP SUBURBAN NATURE. O arranque é poderoso com o tema Before you Go, um verdadeiro hino indie rock. O tema que se segue, Stay with Me, demonstra a forma peculiar e única com que Sarah Jaffe dedilha e domina a guitarra, ao mesmo tempo que projecta a voz e lhe infere dinâmica. 


Em Better than Nothing, segue-se uma letra bastante confessional que abre num refrão de contornos épicos. Essa veia confessional estende-se em Pretender Pt.1.

I climbed up that tree 
Cause these feelings in me 
That nobody Knows 
I buried my head 
In so deep 
And held my breath To see I tied up my hands 
Convulsed in the quicksand 
Was not steady 
But I wanted to see

O tema que se segue, Pretender, estende-se em texturas e ambiências complexas mas melódicas. É um disco que abriga alguma melancolia contida mas com melodias bastantes acessíveis e que é uma boa estreia para uma cantautora que para além de possuir uma boa voz é dotada de uma apurada sensibilidade composicional. 

Inesperadamente ou não, Sarah Jaffe optou por uma mudança radical de sonoridade após o seu disco de estreia. Optando por um som mais pop e abandonando a sua veia acústica, apostando em arranjos com tendências synth pop e numa abordagem muito mais comercial. 


TO BE CONTINUED...

TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE