Género: Experimental Hip-Hop, Neo-Soul  Álbum:  Friday Forever  Data de Lançamento:  3 de Abril, 2020 Editora:  XL Recordings  everyth...

Género: Experimental Hip-Hop, Neo-Soul 
Álbum: Friday Forever 
Data de Lançamento: 3 de Abril, 2020
Editora: XL Recordings 
everythingisrecorded


Everything is recorded é o projecto do produtor, DJ e fundador da XL Recordings, Richard Russell. Neste disco altamente conceptual é vivida de forma sonora a experiência de uma saída numa sexta-feira à noite que começa às 21:46 e termina às 11h59 de Sábado. Todos os temas são acompanhados de um selo temporal para que vivamos cada hora em sequência e de forma única. 

O disco conta com um número quase infindável de convidados, entre eles Berwyn Dubois, Maria Somerville, Aitch, Infinite Coles, Ghostface Killah, FLOHIO, A.K Paul, Penny Rimbaud e Kavanagh

Os rituais de preparação para uma noitada de sexta-feira intensa começam com o tema introdutório, Every Friday Thereafter com a participação Berwyn Dubois e Maria Somerville que picam o ponto às 21:46 para o início de uma noite inesquecível. A noite começa frenética com ritmos dub e dançáveis com o primeiro single 10:51PM/The Night com a colaboração dos dois artistas mencionais acima. Como apontamento de curiosidade, o tema conta com um sample de Hollow out cakes dos Smog, num tributo de Russell a Bill Callahan

Image by Ed Morris

Continua-se numa toada dançável e gingona com 12:12AM/Patiens fucking up a Friday night com a colaboração de Aitch e Infinite Coles, com um flow fluído e descontraído que nos trazem visões de mini catástrofes que podem suceder numa saída à noite. 

A madrugada principia com 01:32AM/Walk Alone com o duo entre Infinite Coles e Berwyn Dubois que com um refrão cativante nos fazem ocupar a pista de dança, nem que seja a do nosso imaginário ou da nossa sala de estar. Os ritmos contagiantes com uma toada reggae fazem o seu percurso na nossa pista de dança improvisada com o tema 02:56AM/I don’t want this feeling to stop com a participação de FLOHIO. Para este tema em específico, Russell encorajou FLOHIO a escrever e gravar com toda a liberdade enquanto Russell se encarregava dos samples. Para Russell estar em estúdio é como estar num santuário, num sítio especial onde o mundo exterior não interfere. É uma experiência quase espiritual. 

03:15AM/Caviar com a partipação de Infinite Coles e Ghostface Killah é um dos pontos altos da madrugada. Ritmos contagiantes e um refrão cativante que fica a ecoar na pista de dança mesmo após o nosso corpo descansar por uns segundos. Neste tema, distinguimos o flow e presença inconfundível do gigante dos Wu-Tang Clan

Image by Ed Morris

De manhã, por volta das nove, somos assolados pelos fantasmas da noite passada, e até pequenos-almoços descuidados, mas que servem para acalmar a ressaca. 10:02AM/ Burnt Toast com a colaboração entre A.K Paul e Berwyn Dubois é um elixir matutino de um humor subtil que prenuncia o começo de um novo dia, carregado das memórias intensas de uma sexta-feira inesquecível. 

Friday Forever é um disco que nos leva sonicamente a revisitar ou a experienciar uma sexta-feira frenética, intensa e pejada de momentos icónicos. Dançável q.b e extremamente bem produzido, Friday Forever é um álbum que agita a mente e o corpo.

Texto: Cláudia Zafre
Banda: Everything is Recorded

Metadevice é o novo projecto musical de André Coelho , ilustrador e músico, membro fundador de Sektor 304 e ex-colaborador de Mécanosph...

Metadevice é o novo projecto musical de André Coelho, ilustrador e músico, membro fundador de Sektor 304 e ex-colaborador de Mécanosphère. O disco Studies for a Vortex apresenta sonoridades electrónicas industriais, com drones alienantes e camadas dub – uma abordagem à desconstrução e à exploração de vocais.

O álbum saiu em formatos CD e digital pela seminal editora norte-americana Malignant Records e conta com as colaborações de Jonathan Hhy (Hhy & the Macumbas), Miguel Béco Almeida (Atila, Kara Konchar), entre outros. A masterização ficou a cargo de John Stillings (Steel Hook Audio) e o grafismo pela mão de André Coelho.

Ilustração: André Coelho

(...) "esse trabalho é fruto da minha concepção e carregará sempre algo de mim e da intenção que o originou."



- A primeira vez que ouvimos falar em ti foi pela ilustração. Estás associado a festivais como SWR Barroselas e às publicações da Chilli com Carne. Alguém que vê a criatividade como princípio para materializar ideias é alguém que não se restringe ao meio para explorar o que existe. Como se processa essa ligação, costumas estar vinculado a esses dois meios ao mesmo tempo, ou dedicas os teus tempos de forma sazonal?
No âmbito do meu trabalho pessoal, a música e a ilustração são complementares e dedico-me igualmente a ambas. Estes são os meios através dos quais exprimo as minhas ideias. Não consigo dizer que existe um “eu” da música e um “eu” da ilustração, por exemplo. 

- És membro fundador de Sektor 304 e agora estás novamente envolvido num projecto musical de cariz mais industrial. Como surge o teu interesse por sons mais industriais?
Se na minha adolescência, o heavy metal e os seus diferentes subgéneros eram o meu “universo”, a certa altura entrei em contacto com alguns discos que funcionaram como charneira para descobrir outras abordagens mais exploratórias. Acho que o “666 International” de Dodheimsgard ou o disco homónimo de Thorns foram cruciais para descobrir o industrial, o noise, e a electrónica.

Agrada-me pensar na possibilidade de criar música que pode sair dos parâmetros daquilo que é sistematizado enquanto tal e focar-me apenas nas qualidades plásticas do som, de forma a trabalhar a atmosfera geral que pretendo para cada composição.

Embora a música Industrial, desde Throbbing Gristle até aos dias de hoje, se tenha subdividido em codificações e “modus operandi” cada vez mais estereotipados, acredito que ainda existe uma margem para a exploração sonora e para o cunho pessoal. 

No entanto, devo admitir que este primeiro registo de Metadevice acabou por se revelar bem mais estruturado do que aquilo que inicialmente tinha em mente, como acontece em “Gorgoneion” ou “White Jazz”. Acho que esta flutuação entre momentos mais musicais e outros mais sonoplásticos acaba por ser algo que surge naturalmente. Tal já acontecia no processo de trabalho em Sektor 304 e, talvez por isso, a maioria dos trabalhos que editamos conseguiam, na minha opinião, fugir facilmente a catalogações demasiado restritas no que diz respeito a subgéneros.

Ilustração: André Coelho

- Todo o som acaba inevitavelmente por causar efeitos fisiológicos e psicológicos a quem o escuta. Esta cocofonia de sons presente em Studies for a Vortex causa sem dúvida efeitos perturbadores. Deve haver, se calhar, uma disposição/preparação para incursar nesta viagem sonora. Como olhas para essa disposição de quem vos escuta? A percepção do som do ponto de vista psicológico varia de pessoa para pessoa. Ela pode ser facilmente compreendida, se pensarmos, por exemplo, numa conversa ou um tipo de música, que pode ser agradável para umas pessoas e desagradável para outras. Pensas nas sensibilidades do teu público durante o processo criativo?
Preocupo-me em realizar música que consiga ser uma extensão das minhas ideias e em que a forma seja trabalhada do modo mais satisfatório possível, tendo em conta os meus critérios. Não conheço bem o “meu público”, nem o consigo fechar num gosto bem definido. Tal como referi anteriormente, apesar de ter bem escolhidas as minhas ferramentas e a minha linguagem, tento não fechar o que vou compondo e gravando em códigos muito restritos, à priori. Se porventura acabar com um disco mais ambiental ou mais ruidoso, mais ou menos experimental, isso será porque o tema ou a atmosfera que pretendo trabalhar levou o material nesse sentido. Claro que depois de concluído e lançado ao mundo, o disco passa também a pertencer a quem o ouve e cada ouvinte terá uma audição única, potenciada pela sua sensibilidade. Mas, independentemente disso, esse trabalho é fruto da minha concepção e carregará sempre algo de mim e da intenção que o originou.

(...) "O niilismo latente no meu trabalho pode eventualmente estar associado ao fascínio que tenho pela noção de fim, pela melancolia inerente a uma estética do desaparecimento, tal como acontece, por exemplo, em “Terminal Tower” ou “Acédia”. Deste modo, não creio que exista na minha criação uma noção de niilismo “activo” ou radical, mas sim uma forma passiva, resultado precisamente dessa perda de sentido e vazio que parece reinar no tempo em que vivemos. É talvez mais próximo daquilo que é definido por Baudrillard enquanto resultado de um certo “ponto de inércia” histórica a que chegamos."


- No teu tipo de trabalho há sempre uma propensão para o lado mais niiilista e distópico. É nesse contexto que pretendes permanecer para exprimires todos os devaneios criativos?
Distopia, sim. Niilismo, não assumidamente.
A música de Metadevice, tal como a de Sektor 304, trata de temáticas que se podem dizer distópicas, extremas, carregadas de tensão, mas não são uma apologia ao niilismo ou à ausência de valores; trata-se, no entanto, do reflexo de um mundo que se vê cada vez mais alienado, mergulhado numa carência de sentido, perdido no vazio da sua simulação e entregue ao poder dissimulado sem escrúpulos. 

O niilismo latente no meu trabalho pode eventualmente estar associado ao fascínio que tenho pela noção de fim, pela melancolia inerente a uma estética do desaparecimento, tal como acontece, por exemplo, em “Terminal Tower” ou “Acédia”. Deste modo, não creio que exista na minha criação uma noção de niilismo “activo” ou radical, mas sim uma forma passiva, resultado precisamente dessa perda de sentido e vazio que parece reinar no tempo em que vivemos. É talvez mais próximo daquilo que é definido por Baudrillard enquanto resultado de um certo “ponto de inércia” histórica a que chegamos. Mas, simultaneamente, creio que existe sempre a possibilidade, talvez utópica, de redenção, de uma potencial força vital de reconstrução, de que ainda há espaço para a poesia, para a força da criatividade e da expressão, e que tal nos impele para a vida e, consequentemente, para a esperança. Esta busca torna-se hodiernamente mais pertinente enquanto forma de sobrevivência. É talvez o nosso reduto de resistência, a trincheira mental a que podemos recorrer contra o cerco que aperta através, por exemplo, da sedução dos mecanismos de vigilância associados ao consumismo.

O próximo trabalho de Metadevice, que se encontra já em processo de composição, focará certos aspectos ligados à perversidade do poder, ao panóptico tecnológico e social a que nos entregamos, demasiadas vezes, deliberadamente. Uma abordagem crítica desta natureza surge na sequência da necessidade de superar a inércia e a entrega cega ao poder, destituído de valores ou moral. 

Cada vez mais sinto necessidade de quebrar com a alienação, embora não possa negar que, de facto, existe no meu trabalho o gene do desencanto e da melancolia. Sinal dos tempos? É talvez um paradoxo, mas é a força motora de grande parte do meu processo criativo.

Não creio que a criação artística seja compatível em absoluto com o niilismo, pelo menos no sentido que este tem hoje em dia. Revejo-me nas palavras de Tarkovsky, que considera a Arte uma forma de relação entre os indivíduos, e enquanto tal, é “a concretização da ideia do amor, cujo significado encontra-se no sacrifício: a perfeita antítese do pragmatismo”.

Ilustração: André Coelho

- No tema White Jazz há algo que remete para Recoil, consideramos ser o clímax do vosso disco. Na vossa descrição salientam bandas como Einstunzerde Neubaten. Este tema é realmente imersivo e bastante cinematográfico, uma espécie de metalinguagem que liga quem escuta a quem apresenta um mundo desorganizado. Talvez a guitarra que entra como um espécie de drone traz a melodia necessária para dar continuidade a outros momentos mais quebrados pelo caos sonoro. Consideras o vosso som cinematográfico e exploratório do ponto de vista audiovisual do que apenas um disco que vive por si só?
As ideias iniciais ou conceitos, que pretendo explorar e traduzir musicalmente, surgem muitas vezes sob a forma de imagem. Por trabalhar também no âmbito das artes plásticas, a imagem é algo que estará sempre presente enquanto referência, elemento inspirador ou até mesmo enquanto parte integrante da obra musical. A título de exemplo, a criação da capa de “Studies For a Vortex” é uma ilustração retirada de um livro no qual fui trabalhando enquanto compunha o disco. Tudo está interligado.

Quando aqui refiro o termo “imagem”, ela pode ser também uma imagem poética. Se atentarem nos créditos de “Studies for a Vortex” poderão constatar que uma boa parte das letras são interpretações de poemas e textos, de autores como Ezra Pound ou James Ellroy., por exemplo. 

- Tal como a técnica da colagem na ilustração, Metadevice procura um pouco trabalhar essa técnica mais sonoplasta, uma colagem de samples e sons mais industriais para criar uma aura que remete para o cinema existencialista alemão. Esse lado mais visual e um pouco abstracto está presente no vosso imaginário, como o recriam para o tempo de hoje?
Na música industrial, o cut-up e o loop são técnicas basilares, e podem ser encontradas logo nos pioneiros do género como Throbbing Gristle ou SPK, que por sua vez são altamente influenciados por William Burroughs e Brion Gysin. Trata-se sobretudo de uma estratégia de apropriação e repetição e que me é natural desde que comecei a fazer música, a par do uso de field recordings e manipulação destas. Aliado ao crescente uso de sintetizadores, que no caso de Metadevice são a principal fonte sonora, este conjunto de abordagens cria essa direcção mais sonosplástica e eléctrica que se pode sentir no disco. 

Compreendo que se possa afirmar que o uso deste tipo de técnicas tem o seu lado mais “visual” ou invocativo, mas não creio que o resultado seja meramente ilustrativo.

(...) "A colaboração com o Jonathan Hhy, na faixa 'Tears of Eros', e com o Miguel Béco, em 'Biomorphic Horror', surge na sequência da nossa co-habitação no underground da música electrónica, experimental e 'outsider' do Porto. Este hábito colaborativo é-me intrínseco desde os primeiros tempos de Sektor 304, em 2007, sendo que já existia muito antes entre músicos como Gustavo Costa, Henrique Fernandes, Filipe Silva, o já mencionado Jonathan Hhy e outros. A cena experimental do Porto reúne pessoas provenientes de contextos muito variados, desde o hip-hop, clássica, metal, rock, etc... e desde sempre produziu os mais interessantes híbridos. O projecto mutante Mécanosphère, no qual colaborei, é um bom exemplo disso, pois agregou ao longo das suas encarnações muitos músicos desse contexto portuense."


Ilustração: André Coelho

- A colaboração de Jonathan Hhy (Hhy & the Macumbas), Miguel Béco Almeida (Atila, Kara Konchar) e André Coelho é o casamento perfeito no que respeita à criação desse mundo distópico e mais desconexo da realidade Disney que o mundo ocidental muitas vezes apresenta. A verdade é que a música, além de ser considerada a primeira arte, é também a que mais consegue mexer com os mais variados estados de espírito das pessoas. Pretendem que a imersão sonora seja acima de tudo uma experiência sensitiva? Mais do que um concerto ou disco, seja mesmo uma entrada no vosso imaginário? 
A colaboração com o Jonathan Hhy, na faixa “Tears of Eros”, e com o Miguel Béco, em “Biomorphic Horror”, surge na sequência da nossa co-habitação no underground da música electrónica, experimental e “outsider” do Porto. Este hábito colaborativo é-me intrínseco desde os primeiros tempos de Sektor 304, em 2007, sendo que já existia muito antes entre músicos como Gustavo Costa, Henrique Fernandes, Filipe Silva, o já mencionado Jonathan Hhy e outros. A cena experimental do Porto reúne pessoas provenientes de contextos muito variados, desde o hip-hop, clássica, metal, rock, etc... e desde sempre produziu os mais interessantes híbridos. O projecto mutante Mécanosphère, no qual colaborei, é um bom exemplo disso, pois agregou ao longo das suas encarnações muitos músicos desse contexto portuense. É, portanto, uma tendência natural gravar com outras pessoas, colaborar e explorar o nosso potencial criativo.

Daí haver tantas colaborações no disco, não só as já mencionadas, mas também de Manuel João Neto em “White Jazz” e Catarina Magalhães em ”Gorgoneion”, assim como J.A. de Karnnos, Wolfskin e Iurta que me ajudou em algumas sessões de gravação.

Não creio que a música de Metadevice se resuma a uma imersão sensitiva, na medida em que isso significaria uma redução aos seus aspectos formais. Quando falo das imagem poéticas e das dimensões conceptuais inerentes ao projecto, estou consequentemente a abrir portas à proposta de uma leitura que ultrapassa a mera “experiência”. E por isso mesmo se pode afirmar que existe um “imaginário”, um conceito ou uma poética por detrás de cada composição. A imersão ao nível dos sentidos será sempre apenas uma porta para esse imaginário.

- Têm prevista alguma digressão ou já se encontram a preparar o próximo disco?
Não existem para já planos concretos para tocar ao vivo, apenas algumas ideias ainda muito vagas. Quanto a próximos lançamentos, já estou a trabalhar em material novo para ser editado ao longo do ano, tendo já planeado a participação em compilações e algumas colaborações. Estejam atentos a novidades em metadevice.bandcamp.com e www.metadevice.blogspot.com

Texto e entrevista: Priscilla Fontoura
Entrevistado: André Coelho
Ilustrações: André Coelho

O Dr. Mosho, nesta altura de confinamento, aproveita para deixar mais dicas a todos que de certo modo lidam com a música. Espera, também, ...

O Dr. Mosho, nesta altura de confinamento, aproveita para deixar mais dicas a todos que de certo modo lidam com a música. Espera, também, que os seus conselhos produzam efeitos positivos na vida das bandas.


Ideia original, criação, montagem Dr. Mosho: Emanuel R. Marques
Montagem: Priscilla Fontoura

Acordes despojados e rebeldes que constroem ritmos soalheiros de guitarra e aventureiros de baixo fazem do som de Dehd, uma propost...


Acordes despojados e rebeldes que constroem ritmos soalheiros de guitarra e aventureiros de baixo fazem do som de Dehd, uma proposta interessante para estes tempos complicados e críticos. A positividade que advém do seu som que reconstrói de forma lúdica o surf-rock, aliando-o a um rock alternativo que bebe de influências como Velvet Underground, colocando Dehd num patamar cimeiro da música alternativa. 

O seu mais recente trabalho intitula-se Water e foi editada em Maio do ano passado (2019). Water compõe-se de 13 temas que vagueiam entre o rock mais alternativo e sem pretensões dos anos 70 e cujas líricas expressam uma forma descomplexada de encarar e olhar a vida. Uma lufada de ar fresco e alguma positividade nestes tempos tão negativos é o que Dehd oferece. 

Perguntámos a Jason Balla dos Dehd, as suas preferências e recomendações para 5 livros, 5 discos, 5 filmes/séries e aqui estão elas:

Livros: 
- The Girl with Curious Hair, David Foster Wallace
- One Flew Over the Cuckoo's Nest, Ken Kesey
- The Man with the Golden Arm, Nelson Algren
- The Warmth of Other Sons, Isabel Wilkerson
- Slouching Towards Bethlehem, Joan Didion


Discos:
- Starlite Walker, Silver Jews 
- Tender Buttons, Broadcast 
- Velvet Underground, Velvet Underground 
- An Act of Tenderness, Cindy Lee 
- Under Color of Official Right, Protomartyr 

Filmes/séries: 
- Beginners, Mike Mills 
- Sherman's March, Ross McElwee 
- Punch Drunk Love, Paul Thomas Anderson 
- The Last Black Man in San Francisco, Joe Talbot 
- Cat's Cradle, Stan Brakhage

- TRANSLATION - 

Image by Alexa

Loose and wild guitar chords that create sunny guitar rhythms and adventurous riffs on the bass make Dehd’s sound, an interesting offering for these troubled and critical times. The positivity that comes from their sound that playfully reconstructs surf rock, aligning it to an alternative rock that has some influence of Velvet Underground, make Dehd in an above plane of alternative music. 

Their latest work is called Water and was released in May, 2019. Water comprises 13 themes that wander through the more alternative and “free” rock of the 70’s and whose lyrics express an easy-going way of facing and looking at life. A breath of fresh air and some positive thinking in these dark times is what Dehd offers. 

We asked Jason Balla from Dehd, his preferences and recommendations for 5 books, 5 records, 5 films/TV Shows and here they are:

Books:
- The Girl with Curious Hair, David Foster Wallace 
- One Flew Over the Cuckoo's Nest, Ken Kesey 
- The Man with the Golden Arm, Nelson Algren 
- The Warmth of Other Sons, Isabel Wilkerson 
- Slouching Towards Bethlehem, Joan Didion 

Records:
- Starlite Walker, Silver Jews 
- Tender Buttons, Broadcast 
- Velvet Underground, Velvet Underground 
- An Act of Tenderness, Cindy Lee 
- Under Color of Official Right, Protomartyr 

Films/TV shows: 
- Beginners, Mike Mills 
- Sherman's March, Ross McElwee 
- Punch Drunk Love, Paul Thomas Anderson 
- The Last Black Man in San Francisco, Joe Talbot 
- Cat's Cradle, Stan Brakhage

Texto | Text: Cláudia Zafre
Escolhas | Choices: Jason Balla (Dehd)

Picture by Madi Ellis Slow Mass plays a unique sort of indie rock that flirts with post-hardcore in an exploratory and ...

Picture by Madi Ellis


Slow Mass plays a unique sort of indie rock that flirts with post-hardcore in an exploratory and adventurous setting that incorporates post-rock passages, math rock complex structures and tinges of Midwest emo. The band first LP release, On Watch, comprises 13 songs that deal with complex themes with perfect honesty and a unique sensibility. 


The latest releases by the band are Music For Ears 1 and Music for Ears 2 featuring covers from bands like Pygmy Lush and Wilco

-Your first LP, On Watch, felt to us that it wove a web of intricate experimentalism from indie-rock and the aggressiveness and pure emotion of post-hardcore. Each song is like a very powerful and intimate vignette that somehow reflects living and dealing with hurdles and setbacks. Is there a lyrical thematic leitmotif that somehow inspires and unites the songs in this LP?
Interesting! I think your observation is quite astute. We never set out with the intent of covering such themes, but sometimes life ends up getting in the way. Whether it’s about abusive/toxic relationships, a friend battling cancer, or confronting childhood trauma, those topics felt necessary to express. I don’t think of myself as a lyricist, but in the role that I take, my style of song writing has taken the form of these unintentional but ultimately unifying motifs. 

Artwork by Dnl Hrs 

- Also, about the lyrics, what events or images are you most sensitive to? And are the lyrics written as a collective?
Areas of conflict are probably what bring out the strongest reactions in my creative expression. Several songs in our catalogue are about an abusive figure in our music community. It was heartbreaking to watch him manipulate and use everyone for his greater benefit. Even to this day, the only form of public expression I’ve had is Slow Mass. 

Mercedes wrote the lyrics to Oldest Youngest (discussed here), but I wrote everything else. However, Mercedes has been a stronger lyrical presence in our newer material, which has been absolutely wonderful to watch take shape. From the start, I would regularly turn to her for advice and assistance with my writing.

- We know that Slow Mass derives from a Glenn Branca’s piece. What other artists do you think and feel that have inspired you and set you on the path to create your own unique sound?
We all come from different musical backgrounds, where the amalgamation of those influences help create what I feel is our sound (or at least some idea of it). I love how we all absorb relatively contrasting sounds, ever allowing the band to push and pull in different directions that I would never predict. 

For myself: Glenn Branca, Sonic Youth, Fugazi, Grouper, Mount Eerie, Low, and Kowloon Walled City are some of the few that I listen to regularly that inspire a lot of my contributions.

- What was the concept behind the videoclip for the E.D song? On a smaller note, it reminded us of the movie “Frank”. 
I’ve never seen the movie, but from a quick trailer viewing, I can see the obvious similarities. It’s kind of complicated, but we shot a video for Schemes (unreleased at the moment) with a friend named Brad as the lead. We needed to do some reshoots that were going to double as the E.D. video, but Brad was unavailable and hard to get in touch with. While figuring out a new solution, we ended up creating a mask of Brad (designed by Kate Grube & Sydney Kosgard) and had our friend Ian (the lead in the Portals to Hell video) play the roll of Bizzaro Brad. Past that, no real concept besides absurdity. 

Picture by Kendra Peterson-Kamp

- In the LP, On Watch, the guitar patterns and the harmony between the male and female vocals were two of the huge highlights for us. You also played with a couple of guest musicians. How were the sessions like and are there any memorable episodes that you are willing to share?
The whole album was recorded in various chunks over a couple months rather than in one long session. We were in a bit of a transitional phase with Sparks having left the band to join Minus the Bear, but still needed to record the parts he had already written for the album. It’s slightly unorthodox to break it up that way, but more economically viable as some elements didn’t need to be recorded in a nice studio (i.e. loud guitars can be recorded anywhere). The guest musicians were probably the biggest treat and most exciting part of the sessions, as a majority of the contributions from Sen Morimoto, Al Costis (Monobody), Viv McConnell (VV Lightbody) or Ryan Packard where relatively unrehearsed prior to tracking. 

- On Watch, Music for Ears 1 and Music for Ears 2 all feature children and skulls on the cover art. Is there an underlying idea that you mean to express by joining those two elements? 
Dnl Hrs created all of the art for those releases. We loved the piece they made for On Watch, so I imagine that dictated the direction they wanted to pursue for the Music for Ears series. While we never instructed Dnl to focus on this theme, I think there’s a wonderful intensity conveyed in their work by juxtaposing youthful innocence with such morbid depictions of decay.

- Music for Ears 1 features two songs. Siren and a cover for the song Reservations by Wilco that flow very well together as they feature a more atmospheric and soothing nature. The compilation also benefits the AIDS foundation of Chicago. How did that “partnership” come along?
Our friend Tim Crisp commissioned the cover for a Better Yet Podcast Wilco tribute compilation. Upon finishing the cover, we liked it so much that we asked Tim if we could use it for the series. Tim’s vision for the comp was really fantastic and we’re very thankful he asked us to be apart of it.

- You have been playing extensively all around the US and Canada since 2015 but what shows did you find the most memorable so far?
The shows can feel like a blur with the passing of time and amount of touring we’ve done. While it’s nothing compared to some of our peers who have been nonstop touring the past couple of years, I can find myself having a hard time pointing out specific memorable moments. I know that playing with Kowloon Walled City on our first West Coast tour was a really treat for everyone in the band. Playing NYC and Philly with Mannequin Pussy & Ovlov in 2018 was a truly wonderful tour package to be apart of, even if for only two shows. Our third show ever was opening for METZ & Bully at the Metro in Chicago, which was a WILD trip. 

- What can we expect from Slow Mass for 2020?
Touring with some old friends in the spring while working on finishing LP2. Hoping to lay low after that so we can wrap up this long but fruitful writing process.

Thank you!

Text & Interview: Cláudia Zafre
Band: Slow Mass

Género: pop, rock n roll, indie pop, jangle pop  Álbum: Shifting Sands Data de Lançamento: 26 de Fevereiro, 2020 Editora: Self-relea...

Género: pop, rock n roll, indie pop, jangle pop 
Álbum: Shifting Sands
Data de Lançamento: 26 de Fevereiro, 2020
Editora: Self-released 
theazenas.bandcamp.com/album/shifting-sands-ep


Junto a uma jukebox um casal de adolescentes trocam um olhar tímido enquanto bebem um refresco. Vários jovens entretidos contam histórias numa mesa rodeados de garrafas vazias de refrigerantes. Podia ser uma das visões que o nosso imaginário alcança quando meditamos sobre as décadas de 50 e 60 do século passado. Uma altura vital para o pop soalheiro imiscuído do vibrante rock n roll. Bandas como The Beatles, The Byrds, Beach Boys e até Love dominavam os gira-discos dos quartos de vários adolescentes em diversos continentes. 

The Azenas evoca esse sentimento nostálgico em plena contemporaneidade. O quarteto de jovens britânicos muniu-se dos discos dos seus pais, ouviu-os provavelmente até à exaustão e criou o seu próprio som, que é uma autêntica cápsula temporal, levando-nos aos tempos de outrora das baladas sentimentais sobre a descoberta do amor na adolescência e o maturar constante e doloroso da adolescência com os seus problemas e inseguranças. 

O seu mais recente EP intitulado Shifting Sands é composto por quatro canções que nos recordam que há certos contextos temáticos na área das emoções que são completamente intemporais. A banda viu o seu som mais encorpado com a inclusão entusiasta das teclas de Edward Simons, que se tornam fundamentais no tema, Right Time. Os vocais continuam a cargo de Archie Noble com uma compostura melódica e grave que suportam a dinâmica “feel good” das líricas. As guitarras de Archie Noble e Tom Stewart distendem-se em momentos bem dispostos que nos lembram, por vezes, a dimensão melódica de Beach Boys. É em Right Time que encontramos os momentos mais exploratórios da banda, com a bateria dinâmica de Luke Hawdon a acompanhar os arremessos mais vibrantes das guitarras e teclas que criam uma atmosfera quase de jam session que encerra o EP que é uma autêntica viagem no tempo para aqueles que sentem falta da musicalidade vibrante de outros tempos, mas que continuam presentes no imaginário e repertório musical de muitos.

- TRANSLATION - 


Near a jukebox a couple of adolescents exchange shy looks while they drink their sodas. Several youngsters are cheerfully telling stories at a table filled with empty soda bottles. This could be one of the visions that our imaginary brings up when we meditate about the 50’s and 60’s. A vital era for summery pop mixed with vibrant rock n roll. Bands like The Beatles, The Byrds, Beach Boys and even Love played on the turntables in the bedrooms of various teenagers in several continents. 

The Azenas evokes that nostalgic feeling in our contemporary age. The quartet of young British musicians, gathered their parent’s record collection, listened to them exhaustively and together they created their own sound that is an authentic time capsule, taking us back to the time of sentimental ballads, about the adolescent’s quest and discovery of love and the constant pains and tribulations of teenage to adulthood. 


Their most recent EP titled Shifting Sands is composed of four songs that remind us that certain thematic contexts in the arena of emotions are ageless. The band has a more bold sound now with the inclusion of enthusiastic keyboards by Edward Simons, that become a central piece in the song, Right Time. The vocals are still by Archie Noble that with a melodic composure support the feel-good characteristic of the lyrics. The guitars by Archie Noble and Tom Stewart distend into summery moments that remind us, sometimes, of The Beach Boys. It’s in Right Time that we find the more exploratory moments of the band with the dynamic drums by Luke Hawdon that accompany the vibrant flings of the guitars and keyboards creating an atmosphere of a colourful jam-session, ending an EP that is a time travel for those that miss the vibrant musicality of past times that are still present in the imaginary and musical repertoire of many.

Texto | Text: Cláudia Zafre
Band: The Azenas
theazenas.bandcamp.com/album/shifting-sands-ep

A abolição da escravidão, uma reflexão Hoje abordamos mais a questão da escravidão do que a série que sugerimos  Self Made: Inspired ...



A abolição da escravidão, uma reflexão

Hoje abordamos mais a questão da escravidão do que a série que sugerimos Self Made: Inspired by the Life of Madam C.J. Walker.

Ao que tudo indica a palavra escravatura é um quanto confusa, mas mais do que isso, é propositadamente confusa. Porque como tantas outras, o seu significado resvala nas circunstâncias dos tempos, alterando o seu sentido por causa das imposições políticas e sociais das épocas. Portanto, a confusão não foi criada pelos que agora a utilizam e se limitam a reproduzir um mau uso herdado, deve-se, em grande suma, pelos que no século XIX começaram a utilizá-la com duplo ou triplo significado.

Ao contrário da língua portuguesa de Portugal, os brasileiros, talvez por ter sido um país colonizado e por ainda hoje sofrer as más atitudes e decisões do passado, continua a utilizar o uso correcto das palavras. Para os brasileiros, a compra e venda de escravos refere-se a tráfico de escravos, o domínio absoluto de uma pessoa sobre outra e respectiva descendência, que ficam sendo sua posse, aplica-se a «escravidão»; e «escravatura» é apenas outra forma de dizer «escravaria», uma grande quantidade de escravos.

Os portugueses permitiram que no decorrer do tempo as terminologias se alterassem, deixando que a terminologia correcta para escravatura – mais usualmente sinónimo de «escravidão» –, se misturasse numa miscelânia de significados, que origina pelo menos da década de 1830 e do tempo em que Portugal esteve fortemente pressionado por Inglaterra para suprimir o tráfico negreiro que se fazia por via marítima. Devido à pressão inglesa que Portugal desenvolveu a tese falaciosa de que fora o primeiro país a abolir a escravatura, quando essa "abolição" de facto referia-se apenas ao tráfico de escravos numa parcela do seu território, não à escravidão que só vinha a ser abolida de forma gradual entre 1854 e 1875.

A prática da escravidão é uma das mais terríveis manchas da história da humanidade. O chamado Mundo Novo precisava de mão de obra para o seu desenvolvimento, e assim muitas civilizações nasceram e imperaram. Um número incalculável de africanos foi escravizado, subjugado e levado para as Américas. Vários movimentos nasceram a partir dessa crise de valores, em 1871 foi promulgada a Lei do Ventre Livre que concedia a liberdade a todos os filhos de escravos nascidos a partir daquela data. Em 1885, a Lei do Sexagenário libertou os escravos com mais 60 anos. Somente em 1888, com a assinatura na lei Áurea pela princesa regente Isabel, é que foi proclamada a libertação dos escravos no Brasil.

A norte da América a escravidão sofreu também um tempo manchado com sangue, dor e sofrimento, por isso vislumbrava em Sião a libertação que "abria o mar" à construção de uma vida livre e protegida nessa terra prometida, sendo assim uma alegoria à terra da libertação evocada nas canções durante o exílio. Aquando da adaptação, após a libertação da escravidão subjugada em grande parte ao trabalho da plantação, a catarse era feita nas entoações de canções spiritual e gospel, géneros que deram luz a outros como o jazz e a música de intervenção. 

Cartaz da série Self Made: Inspired by the Life of Madam C.J. Walker 

Do legado da lista de afro-americanos que conseguiram sair do jugo da escravidão para se tornarem empreendedoras salta à vista o nome C.J. Walker, uma das pioneiras do ramo da estética afro-americana, cuja vida é retratada agora na série distribuída pela Netflix "Self Made: Inspired by the Life of Madam C.J. Walker". A realização de Kasi Lemmons é criativa, vários mediuns são misturados para criar uma narrativa ritmada e actual. Há 20 anos que Kasi Lemmons começou a pesquisar a vida da empresária de produtos de cabelos Madame C.J. Walker, uma mulher negra que se tornou a primeira milionária feminina nos EUA. Por ter ficado convencida de que era uma história extraordinária e que merecia enfoque, a série retrata a vida desta mulher capaz de navegar um mar turbulento, em plenos anos 1900 e conseguiu, destemidamente, acabar a viagem com resiliência e sucesso. Por isso, Lemmons decidiu debruçar parte da sua pesquisa na vida de uma lavadeira, filha de escravos. A série é dividida em quatro partes e Octavia Spencer é a protagonista da história. A série reintroduz ao mundo a figura de C. J. Walker, cujo nome muitos já ouviram, mas poucos exploraram por completo.


Esta proposta não se fica apenas pelo convite para visualizar a série; referir o contexto que se debruça sobre a designação e evolução da palavra "escravidão" levanta uma reflexão que deve ser feita para que se entenda as mentalidades vigentes. Esta história - como tantas outras que retratam a temática - não só diz respeito a muitos afro-americanos e a afro-brasileiros, que vingaram na vida com muita superação e fé, mas, sobretudo, a todos nós. No entanto, nos dias de hoje, poder-se-ia aplicar a palavra escravidão a outros contextos, inclusivamente às relações interpessoais em que um pretende sobrepor-se ao outro sem olhar à sua liberdade e diferença. 

Texto: Priscilla Fontoura
Série: Self Made: Inspired by the Life of Madam C.J. Walker 
Frames: Série Self Made: Inspired by the Life of Madam C.J. Walker 

BONEFLOWER – A(r)mour Boneflower hail from Madrid and return three years after their debut Empty Rooms, Full Bodies with their...


BONEFLOWER – A(r)mour


Boneflower hail from Madrid and return three years after their debut Empty Rooms, Full Bodies with their latest album called A(r)mour. A complex and strong mix of epic screamo with post-rock ambiance and passages. The starting track and single, Saltpeter clearly paints the band’s iconic sound with brushes of mesmerizing post-rock and emotional screamo. The guitar landscapes are one of the highlights as are the passionate vocals that swirl with frenzied anguish and rebellious overtones singing about loss, fractured relationships and longing. That context of longing and heartbreak is continued through Vestiges, the second track that seems to approach the loss of a loved one. 

After the deep and profound emotion of the two tracks, there is Bromelia, a melancholic guitar based interlude that is an apt space for contemplation and leads the road to Bromelia, probably one of the more straightforward songs on the album, with strong post-hardcore leanings that is the heavier side of a band that thrives for being able to show the softer and dreamy side of emotions as well as the darkest. 

Perfect listen for those who like contemplative screamo with a catchy and straightforward edge.

YURODIVY – Tell me when the party’s over


Yurodivy come from France and this is their second LP titled Tell me when the party’s over. The band manages to combine screamo and post-hardcore in a dynamic that presents itself with strong and catchy riffs, an overworking bass and enthusiastic drumming. There is also an element that sticks out, and that is the use of some austere like choir that is somewhat gothic in its nature. These choral flourishes have a subtle yet effective presence. 

Angst, alienation and some nihilism seem to signal their presence all along the 11 themes of the album. There are some interesting highlight that display a dark type of melancholy such as in the track Algorithm, that has a haunting piano as a foundation for clean and tortured vocals. Don’t define me as a pessimist, Love and Bad Habits are some of the more straightforward tracks that throw us into a whirlwind of well-directed aggression. 

All in all, the album is a great fit for those who want post-hardcore that is edgy but gloomy enough.

ONES & TWOS (Compilation)


This comp. features 14 tracks from some interesting screamo bands all over the globe. The songs are all unreleased and fresh approaches to the genre, be they laced with some mathcore or featuring strong acoustic leanings. It starts of with Piet Onthel, a band from Malaysia that present the song Fast-Forward, and as the name implies it is fast, unrelenting and powerful with occasional calmer passages. Next up, are Euclid C Finder, a band from the USA that are not newbies to the scene, Math is Murder is their offering, relying on complex and crushing riffs as well as fiery and brutal vocals. Then we are presented with a sudden but disquieting calm by LIMBS, a band from the Philippines that are keen in a sound that brings up the darker side of emotions, featuring shrieking vocals and gut-wrenching riffs creating an atmosphere that is heavy and menacing. 

Screamo comes back with Yubari Gogo a band from Greece that plays a fierce but also contemplative sort of music. The track is heavy into echoed guitars and spoken word passages. Entzauberung from France continue the screamo trend with a tour de force, the song is mainly supported by spoken word and a tapestry of rebellious guitars. 

Next comes some experimentalism from Brooklyn’s (USA) This place is the worst, whose use of keyboards is as playful as it is melodic. They open the door for Tokyo’s (JAPAN) Dosaken Vakchi Zigok whose experimentalism is as crushing as it is eye-opener for the never-ending possibilities in extreme music. 

The experimental and exploratory side comes even more distinctive with the track Palace at 4 from Me,The hideous freak a project right out of Chicago (USA). The song dwells on melancholy and relies on atmospheric solemn passages. We are back in the tide of strong and fierce melodies with New Patterns by Orphan Donor (USA) whose mix of disarrayed and strong riffs create a mood that is dark and ominous. That mood is certainly carried perfectly by Blue Noise, a project by Maya Chun that combines lo fi production with a hybrid of screamo and blackgaze. The hardcore is back on track with Apostles of Eris (USA) that are as straightforward as they are effective. The light and darkness intermingle in the song Flurry by Elyrithe (USA) with absolute crushing vocals and riffs in a dark but deeply emotion atmosphere. More surprises come next with The Lng Silence (USA) that present a track that is unpredictable, crazy and fantastic. The longest track and closer of the comp. is provided by Kÿhl (Germany) whose exploratory kind of screamo give a satisfying closure to this odyssey of bands. 

A comp. that will appeal to all those who seek new and interesting bands in the endless and enriching universe of extreme music. 

Text : Cláudia Zafre