“A humanidade é um pouco tarada, a verdade é essa. Alguns é que são melhores a esconder as suas taras” – não sei ao certo quem ale...



“A humanidade é um pouco tarada, a verdade é essa. Alguns é que são melhores a esconder as suas taras” – não sei ao certo quem alegou isto, ou talvez saiba, mas não terei sido eu, certamente. 


Freud referiu a certa altura da sua vida que “o amor era a psicose do homem comum”, pode muito bem ser. A falta dele pode gerar o que agora chamamos de personalidades desviantes, mas, em séculos passados, eram apelidados de pessoas alienadas ou simplesmente, por leigos como “monstros”. 

The Alienist é passada numa Nova Iorque, bastante diferente da que conhecemos nos nossos dias, uma do século XIX, suja, perigosa, decadente e extremamente pobre. O cuidado que houve a recriar a cidade nos seus tempos mais negros é “de se lhe tirar o chapéu”, sentimo-nos mesmo nesse período da história a deambular pelos becos escuros e ruas pouco iluminadas. A narrativa centra-se em Dr. Kriezler (muito bem interpretado por Daniel Brühl), um “alienista”, o que se poderia chamar de psiquiatra nos dias de hoje que aliado a uma equipa de dois patologias forenses, um ilustrador e a primeira mulher admitida no corpo policial de Nova Iorque, decidem investigar uma série de homicídios de crianças que aterroriza ainda mais a cidade. 


O drama está extremamente bem construído, tal como a evolução das personagens e cada episódio acaba em “gancho”, o que garante uma tendência para ver a primeira temporada quase toda de uma assentada. Há cenas um pouco gráficas, mas nada que seja excessivo e há até um “piscar de olho” a um dos mais terríveis e temíveis homicida de crianças, Albert Fish. Sendo que num dos episódios, é impossível não traçar paralelos entre pedaços de uma carta que parece ter sido inspirada nos escritos de Albert Fish (para referência pode consultar-se Deranged: The shocking true story of America’s most fiendish killer de Harold Schechter). 


A série foi inspirada na série de livros de Caleb Carr, cuja principal personagem é o já mencionado Dr.Kriezler, que parece uma fusão entre o meticulo e elegante Hercule Poirot e o excêntrico, mas genial Sherlock Holmes.


Uma série que cativa pelos cenários maravilhosos, uma boa cinematografia, interpretações mais do que convincentes e uma narrativa que nos deixa curiosos até ao seu desfecho. Aguardamos ansiosamente para que haja uma segunda temporada. 

Texto: CLÁUDIA ZAFRE
Série: The Alienist
Imagens: Frames da série

PUZZLE: DANIEL JOHNSTON  e  BUZZ OSBORNE IDEIA e MONTAGEM:  PRISCILLA FONTOURA PUZZLE:  CLÁUDIA ZAFRE

PUZZLE: DANIEL JOHNSTON e BUZZ OSBORNE

IDEIA e MONTAGEM: PRISCILLA FONTOURA
PUZZLE: 
CLÁUDIA ZAFRE

As quatro estações do ano já foram musicadas de várias formas e maneiras, desde a música erudita até géneros mais contemporâneos. Há ba...


As quatro estações do ano já foram musicadas de várias formas e maneiras, desde a música erudita até géneros mais contemporâneos. Há bandas que nos fazem sentir certas estações do ano com alguma intensidade, como Real Estate ou Vampire Weekend que nos remetem para dias mais soalheiros. O trio Too Many Suns de Lisboa formado por Hugo Pereira (voz e guitarra), João Cardoso (voz e bateria) e Vasco Rato (baixo) evoca-nos duas estações na perfeição, a primavera e o verão. 
Lançaram recentemente o seu EP de estreia, Garden que mistura sons mais indie rock com um sunshine pop clássico e despretensioso. Perguntámos a esta jovem banda as suas recomendações para 5 livros, 5 discos, 5 filmes.

Livros:
- The Man of the Crowd, Edgar Allan Poe
- A Farewell to Arms, Ernest Hemingway
- Out of the Shelter, David Lodge
- Narciso e Goldmund, Herman Hesse
- Memorial do Convento, José Saramago

Discos:
- Archie sheppey, Attica blues
- Trompe Le Monde, Pixies
- The Freewheelin', Bob Dylan
- Blowin' your mind, Van Morrisson
- Lift your skinny fists like Antennas to Heaven, GY!BE

Filmes:
- Das Boot, Wolfgang Peterson
- In America, Jim Sheridan
- Love Streams, John Cassavetes
- King of New York, Abel Ferrara
- Pulp Fiction, Quentin Tarantino

Texto: CLÁUDIA ZAFRE
Escolhas: TOO MANY SUNS
Foto: 
TOO MANY SUNS 

Eis que chegou o dia de S. Valentim A.K.A Dia dos Namorados , nos quais as vendas de chocolates, ursinhos de peluche com corações e flo...

Eis que chegou o dia de S. Valentim A.K.A Dia dos Namorados, nos quais as vendas de chocolates, ursinhos de peluche com corações e flores aumentam exponencialmente. Para os que ainda estão solteiros/as, a história é outra. Alguns podem sentir-se extremamente aliviados por não terem que fazer reservas num restaurante qualquer, ou pensar em poemas foleiros para mandar em sms ou postar no facebook. Outros irão certamente sentir um pouco a falta de ter uma cara-metade, é por isso que o Acordes com a empatia que por vezes lhe é característica, divisou um mecanismo para fazer matches românticos, assentes no cubo rubik ou o dito cubo mágico. Os resultados foram deveras surpreendentes, quando decidimos combinar a equipa Acordes de Quinta com personagens de ficção e/ou pessoas reais. 

Eis os resultados. A co-criadora do Acordes, Priscilla Fontoura teve um match de 100% com Paulo Nunes. É provável que os seus filhos sejam atléticos, bonitos, inteligentes e com covinhas. 

Emanuel R. Marques, o nosso ilustrador de serviço, também teve um match de 100% com a estrela indie do cinema, Christina Ricci, é provável que recitem poesia e fumem cigarros, enquanto partilham um copo de vinho num bar de bom gosto. 

Rui Mota Pinto, o nosso repórter fotográfico, também obteve um match de 100% com a amazona mais popular dos cinéfilos, a Wonder Woman, é provável que andem os dois a cavalo e participem em odisseias épicas juntos. 

Cláudia Zafre, a nossa espécie de escritora obteve um match espectacular com a Lady Snowblood, juntas vão adoptar inúmeras crianças e fundar uma escola de samurais, onde Cláudia leccionará a parte teórica, código bushido dos samurais e Lady Snowblood a parte prática. 

Fora do ambiente dos colaboradores do Acordes, eis os resultados que obtivemos:

Tio Patinhas + Maga Patológika: Uma relação de amor/ódio que pode florescer em algo interessante. Ambos têm a mesma obsessão e objectivo de vida: adquirir e ficar com a moedinha Nº1, no entanto, para quem percebe de psicologia, cedo descobre que se trata apenas de um pretexto. 

Cão Blackmetal + Cadela da música erudita: Ambos são bastante perfeccionistas, mas intensos. Apesar da sua sonoridade diferir de certa forma, procuram o sublime e ir até ao fundo das emoções humanas. 

Michael Phelps + Ariel, a Pequena Sereia: Os dois fazem da água o seu habitat. Phelps passa mais de metade do dia na piscina, tem uma grande capacidade respiratória debaixo de água, sabe imitar golfinhos e é certamente o príncipe que Ariel procura há tanto tempo. 

Velociraptor Jornalista + Cão Pop: Estão os dois preocupados com a obtenção de fama e a sua personalidade egomaníaca é capaz de se complementar. Na medida em que o Pop vai ganhando discos de platina e o Velociraptor vai escrevendo sobre como POP é talentoso. 

Capitão Iglo + Marco Bellini: Estes dois ícones da comida congelada começaram com uma relação tumultuosa de competição mas cedo perceberam que há espaço para quem quer comer douradinhos e comer pizza. 

Velhote do jogo Monopólio + Barbie: Esta é a típica relação do golpe do baú, tantas vezes descrita nas telenovelas brasileiras. No entanto, Barbie acha que o seu parceiro tem muito mais panaché e elegância que o "descerebrado" e narcisista Ken com quem manteve um relacionamento longo. 

Johnny Rotten + Queen Elizabeth: Há quem diga que os opostos se atraem. Ele até escreveu uma música sobre ela. 

Cão jazz + Intelectual Estóica: Melhores amigos desde sempre e com uma cumplicidade de fazer inveja a qualquer comum mortal. Estes dois amigos continuam a divertir-se a fazer comentários ácidos sobre a sociedade contemporânea enquanto se divertem sem filtros e ausentes de convenções.

MATCHES e TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE
MONTAGEM e IDEIA: PRISCILLA FONTOURA

Num mundo em constante crescimento tecnológico, surgem os seus prós e contras. Por um lado, a tecnologia permite-nos estar mais “jun...


Num mundo em constante crescimento tecnológico, surgem os seus prós e contras. Por um lado, a tecnologia permite-nos estar mais “juntos” enquanto separados por grandes distâncias geográficas mas por outro, invidualiza-nos a tal ponto que nos afastamos em demasia do próximo, pensamos que é através da internet que construímos relações duradouras, pelos posts que publicamos em redes sociais sobre o que estamos a comer num restaurante banal ou através de imagens que ilustram platitudes. Estaremos realmente tão juntos quando desejaríamos? Sim, por vezes, estamos. Pelo menos, estivemos, no evento que se realizou no Estúdio Time Out em Lisboa, organizado pela Taking Over. O evento foi uma festa de aniversário dos 74 anos da figura incontornável da música reggae, Bob Marley


O estúdio encheu-se de pessoas dispostas a sentir as good vibes que encheram a sala durante cerca de 4 horas. Foram muitas as bandas que prestaram tributo a Bob Marley, o amor e devoção que sentem no seu quotidiano pelo músico e que tornaram possível que o seu espírito estivesse ali, connosco. 

A festa começou com um dj set animado com temas clássicos e contemporâneos de reggae numa selecção bastante eclética e com dj’s que interagiram com o público, criando empatia e um clima de alegria. Por volta da meia-noite, foi a vez dos portugueses Terra Livre encherem o palco com o seu som envolvente, enérgico e sensível. Sensível porque acreditam na mensagem que transmitem com as suas melodias e letras. Um profundo amor à natureza e respeito pelo próximo, referindo-se ao público como Família, criando uma ligação natural com a sala que se encontrava bastante cheia.


O set começou com uma linha de baixo tremenda para dar espaço à cover de Positive Vibration de Bob Marley. Uma cover inventiva, que misturou os sons diversificados da banda que utiliza dois sintetizadores, instrumentos de sopro, flauta transversal, bateria, baixo e guitarras. Seguiu-se mais uma versão, desta vez Soul Rebel com uma letra que incentiva a perseverança e o amor como “arma” contra a injustiça. Durante a sua actuação, a banda chamou ao palco outros artistas para interpretar versões de Bob Marley, entre eles estiveram Anastácia Carvalho, Nish Wadada e outros cantores convidados que interpretaram vários temas de Bob Marley, prestando homenagem ao músico que tanto os inspirou e inspira, cantando com alma e devoção, o público sentiu essa identidade e verdade respondendo com efusão, entusiasmo e alegria.


Algumas das versões feitas foram Get up, stand up - que fez mexer toda a sala, cada pessoa a mover-se ao seu ritmo, mas num gigantesco bailado de boas vibrações- Kinky reggae, Natural Mystic, Concrete Jungle, No more trouble e incontornável Lively up yourself. Além das prestações dos músicos convidados ao palco pelos Terra Livre, também fomos embalados e quase hipnotizados por vários dos seus temas originais como Little by Little com uma harmonia perfeita entre todos os instrumentos e trechos fantásticos de flauta transversal. Momentos que nos invocaram cenários longínquos como pérsia com a flauta e ritmos do médio-oriente que nos transportaram do estúdio para paisagens onde a natureza ainda retém a sua força.


A natureza invadiu o estúdio com a Dança da Semente e a reza à sereia do mar, com ritmos brasileiros e reggae a cativar a audiência que já se encontrava rendida às palavras e sons transcendentais dos Terra Livre. Anunciaram também que o seu disco “Seeds, roots and flowers” estará disponível a partir de dia 13 de Fevereiro e pelo que ouvimos será recheado de ritmos inovadores, com identidade própria e acima de tudo fiéis às suas raízes que são as do mundo.


Depois da actuação fantástica de Terra Livre, seguiu-se o lendário Johnny Osbourne acompanhado pela Homegrown Band. A sala exalou entusiasmo e euforia com a presença do lendário cantor de reggae e dancehall que no auge dos seus 71 anos mantém a sua postura cool e carismática que manteve uma actuação de profunda empatia com o público que o tinha esperado ansiosamente, visto ser a primeira vez que o cantor da Jamaica iria actuar em Portugal. Trouxe alguns dos seus temas mais conhecidos e encheu a sala com o ambiente único da lendária ilha das Caraíbas, sem se desvirtuar da sua capacidade ecléctica de viajar pelas variantes da família musical do reggae. Foi um momento transcendental e há muito desejado por todos os fãs deste cantor lendário.


Movimentando-nos para territórios mais dub, foi a presença de Mad Professor com a participação especial de Nish Wadada. Mad Professor é uma das figuras mais importantes do Dub e fora da esfera do reggae, colaborou com bandas e músicos como Massive Attack, The Orb, Sade e Grace Jones. Os sons hipnotizantes de electrónica com as guitarras “gingonas” do reggae animaram madrugada dentro e encerraram um fim-de-semana que se quis livre, espiritual e que plantou a semente em cada um de nós, a das boas vibrações.


Texto: Cláudia Zafre
Fotos: Javier Pulpo
Local: Estúdio Time Out, Lisboa
Data: 9 de Fevereiro
Evento: festa de aniversário dos 74 anos de Bob Marley
Promotora: Taking Over

Bandas: GRAPESHOT, ALPACA, PAINTED BLACK, BASALTO Fotos: RUI MOTA PINTO Evento: Doomed Fest Data: 9 de Fevereiro ...























Bandas: GRAPESHOT, ALPACA, PAINTED BLACK, BASALTO
Fotos: RUI MOTA PINTO
Evento: Doomed Fest
Data: 9 de Fevereiro 2019
Local: Fora do Rebanho, Viseu

A fusão de comédia com terror é bastante complicada de conseguir com resultados mais ou menos satisfatórios. Este filme realizado p...



A fusão de comédia com terror é bastante complicada de conseguir com resultados mais ou menos satisfatórios. Este filme realizado por McG consegue fazê-lo com mestria. Se o género slasher se torna demasiado derivativo desde o boom dos anos 80, é com prazer que o vemos ser revitalizado com uma vilã credível, mortes muito imaginativas e uma quantidade generosa de sangue. Além disso, temos comic reliefs suficientes para tornar toda a carnificina bastante mais tolerável. Apesar do nome ser bastante genérico e não suscitar muito interesse, os primeiros minutos do filme mostram uma cinematografia cuidada, inovadora e um pouco pop. 


Podia ser uma história terna de amizade entre uma babysitter e o rapaz de quem toma conta, e no fundo até o é, no entanto, a loura esbelta babysitter revela-se a líder de uma seita satânica que não olha a meios para atingir os seus fins. Más notícias para todos os que se metem no seu caminho, inclusivamente o seu jovem amigo. 


É também de partir o coração quando somos mais novos e temos uma paixão platónica por alguém que se revela ser a nossa melhor amiga, mas que na realidade apenas nos quer usar para um ritual satânico de grande magnitude. Quem já passou por essa experiência, compreenderá perfeitamente estas minhas linhas. 


O filme consegue suster a sua premissa aparentemente simples – babysitter é psicopata e satânica – através de uma dose simpática de suspense, gore e twists. Para fãs de filmes cheesy de terror dos anos 80 e 90 é uma autêntica delícia e dá um novo sentido ao jogo popular americano do spin the bottle. Não é uma obra-prima, mas é um híbrido fantástico de terror/comédia. 


TEXTO: CLÁUDIA ZAFRE
SÉRIE: The Babysitter
Imagens: Frames do filme