Género: rock, alternativo, real pedráda, gipsy, punk Álbum: The Shape of Party to Come Data de lançamento: 26 de Abril, 2019 Editora: Exoti...

Género: rock, alternativo, real pedráda, gipsy, punk
Álbum: The Shape of Party to Come
Data de lançamento: 26 de Abril, 2019
Editora: Exotic Underground
https://pasdeprobleme.bandcamp.com


Os Pás de Problème, cedo nos habituaram ao seu som contagiante e festivo. The Shape of Party to Come é o sucessor de Silence is Gold, editado em 2017 e que caiu como uma bomba de confettis no cenário da música alternativa portuguesa.

The Shape of Party to Come é o segundo disco de originais que consegue, garantidamente, esboçar um sorriso genuíno no rosto que se encontrar mais sisudo.
A alegria, diversão e bom humor do disco são cativantes e podemos dizer que se trata já de uma das qualidades inatas dos Pás. A capacidade de colocar asas nos pés a quem sempre desgostou dar uns passinhos de dança.

O Acordes esteve presente num dos seus concertos em 2018 no Titanic (Lisboa – Cais do Sodré) e presenciou, com fascínio, a relação genuína e empática que se estabeleceu rapidamente entre os músicos e o público. Um feito que é reservado às bandas que além de se expressarem bem musicalmente, conseguem criar uma ligação emocional e sensitiva que torna músicos e público numa membrana única que vibra em cada acorde, nota e compasso.

Pás, neste segundo disco, conseguem um registo ainda mais sólido e dinâmico que o seu antecessor. Reunindo influências que vão desde a sonoridade boémia e exuberante da música das balcãs, rock alternativo e independente na linha de Primitive Reason, dinâmicas imprevisíveis e carismáticas de Mr. Bungle e algum eclectismo surpreendente reminiscente de Red Wings Mosquito Stings, os Pás criaram a sua própria sonoridade, que nos deixa rendidos à sua exuberância e originalidade.

The Shape of Party to Come é uma festa em 14 movimentos que se desenvolvem em ritmos espasmódicos e criam uma atmosfera folgazã desde o começo do primeiro tema, Navroska até ao último, Roxane.

Navroska é uma música cantada em português e desenvolve-se em dinâmicas expansivas e coloridas, piscando o olho subtilmente a texturas e melodias circenses que nos embalam, fazendo-nos sentir plenos da boémia aventureira e romanesca de piratas de papagaio no ombro e garrafa de rum na mão.

O Abuka caiu com 3 grades de cerveja nas escadas do Disgraça, é uma música que revela em toda a sua graça a versatilidade musical de Pás, distendendo-se em ritmos balcãs imiscuídos de guitarras despojadas reminiscentes de surf rock. Além do seu título sugestivo e bem-humorado, a música consegue criar uma banda-sonora para situações imaginárias ou reais de momentos quotidianos pautados pelo surrealismo.

Party Like Coltrane, como o título indica, espraia-se em ritmos que apelam à dança, aliados às vocalizações que incitam à dança e à folia. Há também momentos para solos electrizantes e “nervosos” de guitarra. A música separa-se em vários movimentos, uns mais activos e fulgurantes e outros um pouco mais contidos.

Estas são as três primeiras músicas do disco e que estabelecem a toada para os restantes temas que bem diversos entre si, fazem jus ao nome do disco, pois é a festa que precisamos nos dias bons ou menos bons. Pás exalam boa disposição, musicalidade e ritmos diversos de forma genuína e pouco convencional. Asinhas nos pés e sorrisos nos rostos.


A banda vai estar em digressão pelo país no próximo mês para apresentar o novo trabalho e podem verificar as datas e cidades no facebook da banda. O próximo concerto realizar-se-á no Sábado (21 Setembro) no Sabotage em Lisboa. 
Ouvir The Shape of Party to Come

Texto: Cláudia Zafre

Género: rock, alternativo, experimental, pop francês Álbum: Corpse Flower Data de lançamento: 13 de Setembro, 2019 Editora: Ipecap https://...

Género: rock, alternativo, experimental, pop francês
Álbum: Corpse Flower
Data de lançamento: 13 de Setembro, 2019
Editora: Ipecap
https://mikepatton.bandcamp.com/album/corpse-flower


Mike Patton é um nome indissociável do tipo de música que não cessa de surpreender e evoluir de formas inovadoras. Dotado de uma criatividade ímpar e talento para se envolver em projectos musicais arrojados e eclécticos, Patton começou uma das suas míticas bandas, Mr. Bungle em 1985 com os amigos e colegas músicos Trevor Dunn e Trey Spruance.

Foi a sua participação em Mr. Bungle que lhe valeu o convite para juntar-se a Faith No More, uma das bandas mais marcantes de metal alternativo que funde o funk ao metal, criando um som único que marcou e continua a marcar gerações de músicos.

Patton nunca foi um homem de uma só banda e o seu imaginário musical sempre necessitou de vários terrenos férteis para crescer, por isso, Patton envolveu-se em variados projectos musicais que obtiveram sucesso junto da crítica e do público.

Fântomas, uma banda formada por Patton, Buzz Osbourne, Trevor Dunn e Dave Lombardo e que desbravou caminho no metal mais vanguardista e experimental, lançando em 2001 o inesquecível The Director’s Cut, um disco conceptual que reúne várias interpretações de temas carismáticos de bandas-sonoras de filmes. Uma brilhante colagem de sinfonias caóticas, mas melódicas que fundem o metal ao jazz, ao experimental e ao rock.

Tomahawk, com uma abordagem mais directa e rockeira, mas que surpreendeu tudo e todos em 2001 com o seu disco homónimo. Uma contagiante mistura de rock tradicional com o mais alternativo e uma pontada certeira de metal.

Tanto Tomahawk como Fântomas obtiveram reconhecimento mundial e fizeram vários digressões.

Incapaz de limitar a sua criatividade, Patton também se juntou a Dan The Automator no projecto Lovage que editou em 2001, Music to Make Love to your Old Lady by, provando mais uma vez o seu eclectismo e vontade de explorar novas e diferentes sonoridades.

Para alguns fãs e Pattonmaníacos, o seu projecto mais acessível comercialmente talvez seja Peeping Tom que une o talento vocal de Patton com beats virados para o trip-hop e o hip-hop.

A sua lista de colaborações é também extensa e fascinante, tendo colaborado com John Zorn, Kaada, Masami Akita (Maldoror), Rahzel, Dälek, The Dillinger Escape Plan, Zu e Naked City.

Corpse Flower, capa por Kenro Izu

E é este ano que surge a sua mais recente colaboração que resultou num disco editado este mês pela Ipecap. Corpse Flower é fruto da colaboração de Patton e do compositor francês Jean-Claude Vannier.

Ambos os músicos se demarcam pelo seu interesse em variados géneros musicais e o seu eclectismo contagiante reflecte-se nas suas criações. 

Vannier trabalhou e colaborou com vários músicos, inclusive Serge Gainsbourg e foi em 1972 que lançou o seu primeiro disco a solo, L’enfant Assassin des Mouches. Uma obra desafiante, intensamente exploratória e que funde o jazz ao rock experimental e psicadélico, música de inspiração carnavalesca e a inclusão de vários elementos sonoros orgânicos como sinos de igreja, sons de respiração, batidas de relógio e tantos outros sons da nossa realidade. Um disco que vale bem a pena escutar e experienciar visto estar disponível em algumas plataformas de streaming.

Ao escutarmos o trabalho do compositor francês percebemos que a colaboração com Patton é a junção de duas peças essenciais na engrenagem da música intrépida e criativa. Os músicos que planearam durante vários anos uma colaboração, encontraram finalmente o seu ano em 2019 para lançar Corpse Flower.

Uma das qualidades deste disco, e que talvez levante imediatamente bastante curiosidade, relaciona-se com o seu método de produção, pois o disco foi gravado em dois locais diferentes. Em L.A (EUA), Patton tocou com os músicos Smokey Hormel, James Gadson e Justin Meldal-Johsen e em Paris (França), Vannier contou com a colaboração da Bécon Palace String Ensemble, Didier Malherbe e Bernard Paganotti.

Corpse Flower junta as identidades e imaginários musicais dos dois músicos numa harmonia singular em que se destacam os blues, música cinemática, lounge e até reminiscências de chanson francaise. Esta mistura poderia ser inusitada se não fosse feita por dois músicos apaixonados pela exploração musical.

Ballade C.3.3 é o primeiro tema do disco e onde Patton recita algumas estrofes do poema de Oscar Wilde, The ballad of Reading Gaol.

Yet each man kills the thing he loves
By each let this be heard,
Some do it with a bitter look,
Some with a flattering word,
The coward does it with a kiss,
The brave man with a sword!

Some kill their love when they are young,
And some when they are old;
Some strangle with the hands of Lust,
Some with the hands of Gold:
The kindest use a knife, because
The dead so soon grow cold.

As estrofes são recitadas numa entrega vocal típica de Patton, mas que podem fazer lembrar a ferocidade contida e contagiante de Henry Rollins. Esta entrega vocal é feita acompanhada por uma guitarra eléctrica que se desfia em ritmos blues, um piano Rhodes que oferece textura e dinâmica e floreados agradáveis de harmónicas. É a introdução e as bem-vindas para a entrada num mundo sónico que despoleta o nosso imaginário para cenários soturnos, enigmáticos e sedutores. Como se David Lynch transformasse em imagens O Paraíso Perdido de John Milton, mas passado em Paris dos anos 60 em cabarets underground de reputação duvidosa mas intrigante.

O tema seguinte, Camion, já não se trata tanto de uma balada, mas de uma viagem sónica pelos trilhos sonoros que podem ser reminiscentes de passagens mais soalheiras de músicas dos Mr. Bungle.

Chansons d’amour é um tema que inicia com um piano algo melancólico e uma atmosfera cinematográfica de um encontro de dois amantes numa ruela obscura num dia chuvoso e cinzento. Dois amantes enclausurados na dinâmica perigosa, mas atraente de um amor proibido. A voz de Patton torna-se, por vezes, um quase sussurro que se reveste das notas do piano de Vannier. É como uma chanson francaise, mas negra e exploratória.

Cold Sun Warm Beer arrasta-nos novamente para um imaginário “bungliano” com a composição musical cerebral, mas imprevisível e a voz de Patton a ser acompanhada por um coro de várias vozes alteradas pelo compositor francês. É um tema impressionista e surrealista que faz lembrar a inventividade de Captain Beefheart.

Browning é talvez o tema que melhor ilustra a relação de dois músicos de origens bem diferentes, europeia e americana que se juntam para criar música. Existe a volatilidade de Mr. Bungle de Los Angeles que se une ao rigor clássico e refinado europeu. A voz de Patton contrasta e harmoniza com as secções de acordeão que relembram uma Paris boémia e alegre.

Hungry Ghost remete-nos para um universo que como indica a canção, é pleno fantasmagoria com uma instrumentalização críptica e dinâmica vocal que remete para o que é misterioso. Um tema que apesar de curto é intensamente experimental e progressivo.

O tema que dá nome ao disco, apresenta-nos um Patton com um registo vocal sussurrado e cortante, como se tivesse acabado de sair de um castelo na Transilvânia. A letra é um discorrer de cortes diferentes de carne, como filet mignon e afins. O verdadeiro terror de um vegan ou vegetariano. No tema, há espaço para explorar passagens de rock psicadélico que se imiscuem em melodias com um cerne de feira carnavalesca do inferno.

Insolubles é um tema que finalmente, tem nuances muito subtis de influência do médio-oriente, misturadas com arremessos de acordeão melancólico que está em sintonia com a toada vocal de Patton, ora lenta, ora mais solene e apaixonada.

On top of the world, tem assobios e uma letra iconoclasta, mas profusamente divertida. When I get on top of the world, I’ll take a shit right down on this Earth. Este excerto de lírica faz relembrar a agressividade engraçada e exuberante de Boris Vian que num dos seus poemas, escreveu

Tudo foi dito cem vezes
E muito melhor que por mim
Portanto quando escrevo versos
É porque isso me diverte
É porque isso me diverte
É porque isso me diverte e cago-vos na trombra

É ao mesmo tempo, o tema talvez mais acessível em termos de melodia e também o mais convencional em termos de composição.

Yard Bull é mais uma reviravolta surpresa no disco, levando-nos para um cenário de pradarias e do faroeste. Harmónicas que harmonizam com uma orquestra intenta em reproduzir a essência de um qualquer western alternativo.

A Schoolgirl’s Day é um exercício lírico interessante, visto que narra o quotidiano de uma rapariga de liceu. Os seus gestos e acções são nos narrados por Patton num registo de voz confidencial, ao mesmo tempo que é acompanhado por guitarras serpenteantes e momentos de apoteose e desconcerto que duram meros segundos.

Pink and Blue é o tema que encerra o disco e é talvez o mais carregado de temáticas complicadas como amor não reciproco e a sua ligação directa mas tortuosa com o alcoolismo. Nem todos os amantes sofredores bebem, mas praticamente todos os que bebem são amantes sofredores. Pelo menos, é o que se sente nesta música que é uma homenagem a uma das figuras da chanson francaise, Jacques Brel. Uma bela balada orquestral que é uma ode e um bálsamo reconfortante para todos aqueles que amam sem ser amados.

Corpse Flower revela-se em todas as suas pétalas melancólicas, mas de beleza singular como um disco que não teve medo de explorar diferentes sonoridades e que as acolheu com suprema inteligência, sensibilidade e criatividade. Consegue ao mesmo tempo transmitir e exalar melancolia com exuberância e sentido de humor. É um disco que reúne duas almas gémeas musicais que estiveram afastadas durante muitos anos e que finalmente conseguiram juntar as suas afinidades para criar este disco. Uma flor exótica, perigosa e bela que se enraíza imponentemente no oásis da música alternativa.

Outros músicos que participam no álbum: Smokey Hormel (Beck, Johnny Cash), Justin Meldal-Johnsen (Beck, Air, Nine Inch Nails) e James Gadson (Beck, Jamie Lidell). Os músicos parisienses são: Denys Lable, Bernard Paganotti (Magma), Daniel Ciampolini, Didier Malherbe, Léonard Le Cloarec e Bécon Palace String Ensemble.

Texto: Cláudia Zafre

África é um continente fascinante na sua imensidade de culturas. Apesar da sua existência tumultuosa pontuada por ditaduras, coloniza...


África é um continente fascinante na sua imensidade de culturas. Apesar da sua existência tumultuosa pontuada por ditaduras, colonização e guerras civis, possui uma essência forte, vibrante e magnetizante. A música em vários países africanos é também digna de estudo pela sua diversidade de contextos, conteúdos e ritmos. Os músicos tradicionais de várias regiões por mais isoladas que sejam das grandes metrópoles, conseguem criar um micro-universo de pura sensibilidade e emoção, mesmo que apenas sejam usados instrumentos que podem ser classificados como rudimentares.

Conhecer e viver África será sempre fascinante pois é um processo infindável, onde descobrimos novos ritmos e formas de fazer música. Na África do Sul, um país marcado pela violência e racismos dos tempos do apartheid, houve um conjunto de músicos que espalharam a sua mensagem progressista através de acordes rápidos, melódicos que acentuavam as letras corajosas de cariz demarcadamente anti-racista.


Neste documentário realizado por Keith Jones e Deon Maas, exploramos a importância da música punk, ska e reggae na transmissão de uma mensagem de união entre humanos, independentemente da sua cor de pele. Uma revolução musical propagada por bandas da África do Sul como os National Wake (uma banda multirracial), Kalahari Surfers, Wild Youth e Koos.


Viajamos seguidamente para Moçambique para conhecer a banda 340ML, baseada na África do Sul e acabamos a viagem no Zimbabwe com as bandas The Rudimentals e Evicted que continuam a luta na revolução social contra regimes opressivos.


O documentário serve-se de footage de concertos e momentos políticos históricos, entrevistas a vários músicos e fotos de arquivo para ilustrar um movimento musical que serviu e sempre servirá para transmitir uma mensagem positiva de libertação e igualdade.

Texto: Cláudia Zafre 
Imagens: Frames do doc. Punk in Africa 

Kit Sebastian é o duo formado por Kit Martin e Merve Erdem . O seu álbum de estreia, Mantra Moderne , é uma fusão de várias sonoridad...


Kit Sebastian é o duo formado por Kit Martin e Merve Erdem. O seu álbum de estreia, Mantra Moderne, é uma fusão de várias sonoridades que entusiasmam e surpreendem em igual medida.

A junção do talento musical de Kit Martin, que tem por base UK e França, e Merve Erdem, uma artista e vocalista da Turquia, fazem de Mantra Moderne um disco apelativo para fãs de sonoridades brasileiras, tropicália e até surf-rock. O disco composto por 9 temas foi gravado na zona rural de França diretamente para Stereo 8 para obter um som analógico e retro.

O duo descreve o seu som como “Anatolian Lo-Fi Samba” e o uso de instrumentos como tablas, darbukas e balaikas fundem-se em harmonia com os synths e órgãos típicos de sonoridades eletrónicas e jazz. Um disco de estreia que apresenta diversidade, criatividade e o dom de encantar. O disco foi lançado a 19 de Julho deste ano pela editora Mr. Bongo.

Perguntámos a este duo talentoso as suas preferências para 5 livros, 5 discos, 5 filmes/séries e aqui ficam:

KIT 
Livros:
- State and Revolution, Lenin
- Persepolis, Marjane Satrapi
- Nadja, André Breton
- Satyricon, Petronius
- Art of Cinema, Jean Cocteau

Discos:
- ChanteClaude Lombard,
-  أغنية, Ferkat Al Ard
Garra, Marcos Valle
- ElectrodesMartial Solal Joue Michel Magne
- Sevil Vagif Mustafazadeh

Filmes: 
- Bariera, Skolimowski
- La Notte, Antonioni
- Les Idoles, Marc'O
- La Chinoise, Jean-Luc Godard
- La Guerre est Finie, Alain Resnais

MERVE 
Livros:
- Inner Experience, Georges Bataille)
- Crime and Punishment, Fyodor Dostoevsky)
- The Disconnected, Oguz Atay)
- The Time Regulation Institute, Ahmet Hamdi Tanpinar)
- The Arcades Project, Walter Benjamin)

Discos:
- Comme à la radio, Brigitte Fontaine
- Fasle Tazeh, Googoosh
- Studio Uno 66, Mina
- Abu Ali, Ziad Rahbani
- Aglamak Guzeldir, Sezen Aksu

Filmes:
- Scenes from a MarriageIngmar Bergman
- Pierrot le FouJean Luc Godard
- Mamma Roma, Pier Paolo Pasolini
- Berlin Alexanderplatz, Rainer Werner Fassbinder
- Ascenseur Pour L'échafaud, Louis Malle

                                                      - TRANSLATION - 


Kit Sebastian is a duo formed by Kit Martin and Merve Erdem. Their debut album, Mantra Moderne, is a fusion of several genres that surprise and amaze in equal measure.

The joining musical talents of Kit Martin, that lives between the UK and France and Merve Erdem, a vocalist from Turkey, make Mantra Modern an appealing record for fans of Brazilian music, tropicalia and even surf-rock. The record is composed of 9 songs and was recorded in a rural zone of France directly to a 8-way tape in order to obtain a retro sound.

The duo describes their sound as “Anatolian Lo-Fi Samba” and the use of instruments such as tablas, darboukas and balaikas mix with harmony with the synths and organs typical of electronica and jazz. A debut record that is diverse, creative and has the gift to enchant.

The record was released on the 19th July by the label Mr. Bongo.

We asked this talented duo their preferences for 5 books, 5 records, 5 films and here they are:

KIT 
Books:
- State and Revolution, Lenin
- Persepolis, Marjane Satrapi
- Nadja, André Breton
- Satyricon, Petronius
- Art of Cinema, Jean Cocteau

Records:
- ChanteClaude Lombard,
-  أغنية, Ferkat Al Ard
Garra, Marcos Valle
ElectrodesMartial Solal Joue Michel Magne
- Sevil Vagif Mustafazadeh

Films: 
- Bariera, Skolimowski
- La Notte, Antonioni
- Les Idoles, Marc'O
- La Chinoise, Jean-Luc Godard
- La Guerre est Finie, Alain Resnais

MERVE 
Books:
- Inner Experience, Georges Bataille)
- Crime and Punishment, Fyodor Dostoevsky)
- The Disconnected, Oguz Atay)
- The Time Regulation Institute, Ahmet Hamdi Tanpinar)
- The Arcades Project, Walter Benjamin)

Records:
- Comme à la radio, Brigitte Fontaine
- Fasle Tazeh, Googoosh
- Studio Uno 66, Mina
- Abu Ali, Ziad Rahbani
- Aglamak Guzeldir, Sezen Aksu

Films:
- Scenes from a MarriageIngmar Bergman
- Pierrot le FouJean Luc Godard
- Mamma Roma, Pier Paolo Pasolini
- Berlin Alexanderplatz, Rainer Werner Fassbinder
- Ascenseur Pour L'échafaud, Louis Malle


Texto | Text: Cláudia Zafre
Escolhas | Choices: Kit Martin and Merve Erdem(Kit Sebastian)

Ele pedia encarecidamente aos deuses que lhe dessem um sinal. Os deuses, indignados, não percebiam ao certo o que ele pretendia ou qua...


Ele pedia encarecidamente aos deuses que lhe dessem um sinal. Os deuses, indignados, não percebiam ao certo o que ele pretendia ou qual o tipo de mensagem específica.

Como tal, na manhã seguinte ele acordou com um enorme sinal na face esquerda.

Texto: Emanuel R. Marques
Capa/Colagem: Emanuel R. Marques

voz, bonecos | voice, hand-made cartoons: Emanuel R. Marques material: papel, post-it, molas para papel | paper, post-it, binder clip...



voz, bonecos | voice, hand-made cartoons: Emanuel R. Marques
material: papel, post-it, molas para papel | paper, post-it, binder clips
vídeo | video: Priscilla Fontoura
tradução | translation: Cláudia Zafre
som genérico | opening title soundtrack: Emanuel R. Marques, Priscilla Fontoura
tema| song: Niccolò Paganini, "La Risa del Diablo", interpretado por Juan Llinares

© Acordes de Quinta

Existe muita riqueza no planeta Terra, muita dela não observável e outra visível ao olho humano. O ouro faz parte dessa riqueza, e ...


Existe muita riqueza no planeta Terra, muita dela não observável e outra visível ao olho humano. O ouro faz parte dessa riqueza, e é produzido a partir da colisão de duas estrelas de nêutrons. Desde as civilizações milenares que o ouro é utilizado para adoração de deuses, para ornamentar templos e palácios, para embelezar imperatrizes e até as vestes do clero. O ouro foi sempre, simbolicamente falando, a ponte para o divino e para o sagrado. É, também, por causa da exploração do ouro (e do seu saqueamento) que grandes impérios se fortaleceram e que outros se arruinaram. 

O ouro, como qualquer outra relíquia, pode ser o caminho para o bem ou para o mal. Tudo depende de como é utilizado e para que finalidade. Quanto à música, os Gold têm a chave de ouro que abre a porta para uma outra realidade, que é depressiva, carregada de traumas em busca de catarses. Milena Eva é quem canta passiva e encantadoramente, a sua voz segue ou confronta melodias pesadas, negras e atmosféricas. O último disco Why Aren't You Laughing? despertou a atenção do público e foi bem recebido pela comunidade de fãs. O tema He is Not foi um dos mais virais:

I put one foot in front of the other

Aqui a frase comunica o automatismo de um corpo entorpecido, encerrado dentro do que poderia ser uma declaração de resistência e vontade de continuar. Linhas como:

I allow myself to follow my body
I find it hard to sit still I find it hard to move

exprimem outras facetas da resposta física a tempestades psíquicas. 
O álbum é uma declaração poderosa, tanto pessoal quanto oportuna, e lida com domínios complexos e de vulnerabilidade, dificuldade, prestação de contas, respostas e responsabilidades; tudo isto não é so incluído no drama arrebatador e sombrio, mas também no forte impacto presente em Why Aren't You Laughing?. Gold tem os ouvidos dos fãs em alerta já a partir de 2017 com Optimist. Os temas White NoiseYou Too must Die foram dos mais virais do disco porque jogam com a voz suspense que se arrasta de forma estranha, ao género de filme de terror, viajando em direcção à cadência rítmica da bateria e dos riffs atmosféricos das guitarras. Lançaram o primeiro disco em 2012 e em 2015 foram editados pela Ván na Europa e pela Profound Lore nos EUA. De álbum para álbum o som da banda holandesa tem ficado cada vez mais refinado, as guitarras melódicas e pesadas entram na maior parte das vezes em crescendo e em contramão com a voz passiva, catatónica e grave de Milena Eva.
A banda é formada pelos guitarristas Thomas Sciarone, Kamiel Top e Jaka Bolič, Tim Meijer no baixo, Igor Wouters na bateria e Milena Eva na voz.

Os Gold remetem para o experimentalismo de Godspeed You! Black Emperor, para a beleza sombria e doce de Kristin Hersh e Throwing Muses; são enraizados numa vibração poderosa e artística do rock. O equilíbrio delicado da banda chamou a atenção de artistas como Converge, com quem eles fizeram uma digressão em 2016 e 2017, e New Model Army, com quem realizaram uma digressão em 2018. Os Gold vêm a Portugal para apresentar o disco mais recente, nos dias 2526 de Setembro, em Lisboa (RCA) e no Porto (Maus Hábitos), respectivamente. 

Todos os membros da banda quiseram responder à Bagagem, por isso cada um lista um livro, um disco, um filme/série

Livros:
- A.M. Homes "Things You Should Know" (Milena)
- Ali Smith "Free Love And Other Stories" (
Kamiel)
- Brett Easton Ellis "Glamorama" (
Thomas)
- Haruki Murakami "After Dark" (
Igor)
- Henri Charrière "Papillon" (
Jaka)
- Paul Biegel "The Gardens of Dorr" (
Leyla)


Discos:
- Black Sabbath "Black Sabbath" (
Leyla)
- The Beatles "Abbey Road" (
Jaka)
- Faith No More "Angel Dust" (
Igor)
- John Frusciante "To Record Only Water For Ten Days" (
Kamiel)
- Gil Scott-Heron "A New Black Poet - Small Talk at 125th and Lenox" (
Thomas)
- Portishead "Third" (
Milena)

Filmes/Séries:
- Fargo (Series, season 1, 2014 -
Igor)
- Incendies (Movie, 2010 -
Milena)
- Moonrise Kingdom (Movie, 2012 -
Leyla)
- Night On Earth (Movie, 1991 -
Kamiel)
- Suspiria (Movie, 1977 -
Jaka)
- Twin Peaks: The Return (Series, 2017 -
Thomas)

- TRANSLATION - 


There is a lot of richness on Planet Earth. Some of it visible and other invisible to the human eye. Gold is part of that richness and is generated through the collision of two neutron stars. Since ancient civilizations that gold is used to worship gods, decorate temples and palaces and to embellish empress's and clergy clothes. Gold has always been a symbolic bridge to the divine and sacred. It's also because of gold's exploration and looting that big empires have become stronger and others ruined.

Gold, like any other relic can be a path to good or evil. It all depends on how it is used. In music, the dutch band Gold hold the golden key that opens the door to a depressive reality that is filled with traumas that need their catharses. Milena Eva is the vocalist that sings either passively or delightfully, following or confronting the heavy melodies of the dark and atmospheric guitars. Their latest record Why Aren't You Laughing? captured the attention of the public and was well received by the music community. The song He is Not became quite popular:

I put one foot in front of the other

that verse communicates the automatism of a numb body closed inside on what can be a declaration of independence and the will to go forward. Verses like:

I allow myself to follow my body
I find it hard to sit still I find it hard to move

express other facets of physical responses when faced with psychic conflicts. 
The record is a powerful declaration, as much personal as timely and deals with complex issues such as vulnerability, hardships, accountability, answers and responsibilities; all of this is present in the somber and entrancing Why Aren't You Laughing?. However, in 2017 with the release of Optimist that the band has already toured all over the world. The songs White Noise and You too Must Die became quite well known, they are songs that dabble with a suspenseful vocals in the style of a strange horror movie, with the drums rhythmic' s cadence and the guitar's atmospheric riffs. 

Gold released their debut in 2012 and in 2015 were signed by Ván in Europe and Profound Lore in the USA. From record to record the band's sound has become even more refined, the melodic and heavy guitars start off with a crescendo and in opposition to the passive, solemn and poetic vocals of Milena Eva.

The band is formed by the guitar players Thomas Sciarone, Kamiel Top and Jaka Bolic, Tim Meijer on bass, Igor Wouters on drums and Milena Eva on vocals. 
Gold refer to the experimentalism of Godspeed you! Black Emperor, to the somber yet sweet beauty of Kristin Hersh and Throwing Muses, and are rooted on a powerful and artistic vibration of rock. The delicate balance of the band called the attention of bands like Converge, and they toured together in 2016 and 2017 and with New Model Army that toured with the band in 2018. They perform in Portugal in the 25th of September in Lisbon (RCA) and 26th of September in Oporto (Maus Hábitos) to promote their latest album.

Every member wanted to contribute to the Bag, so each one of them lists a book, a record, a movie/TV series.

Books:
- A.M. Homes "Things You Should Know" (Milena's choice)
- Ali Smith "Free Love And Other Stories" (
Kamiel's choice)
- Brett Easton Ellis "Glamorama" (
Thomas' choice)
- Haruki Murakami "After Dark" (
Igor's choice)
- Henri Charrière "Papillon" (
Jaka's choice)
- Paul Biegel "The Gardens of Dorr" (
Leyla's choice)


Records:
- Black Sabbath "Black Sabbath" (
Leyla's choice)
- The Beatles "Abbey Road" (J
aka's choice)
- Faith No More "Angel Dust" (
Igor's choice)
- John Frusciante "To Record Only Water For Ten Days" (
Kamiel's choice)
- Gil Scott-Heron "A New Black Poet - Small Talk at 125th and Lenox" (
Thomas' choice)
- Portishead "Third" (
Milena's choice)

Movies/Series:
- Fargo (Series, season 1, 2014 -
Igor's choice)
- Incendies (Movie, 2010 -
Milena's choice)
- Moonrise Kingdom (Movie, 2012 -
Leyla's choice)
- Night On Earth (Movie, 1991 -
Kamiel's choice)
- Suspiria (Movie, 1977 -
Jaka's choice)
- Twin Peaks: The Return (Series, 2017 -
Thomas' choice)



Texto | Text: Priscilla Fontoura
Tradução | Translation: Cláudia Zafre
Bagagem | Bag: Gold
Imagem | Image: Gold (promoção do álbum Why aren't You Laughing?)
https://thebandgold.bandcamp.com