Ele pedia encarecidamente aos deuses que lhe dessem um sinal. Os deuses, indignados, não percebiam ao certo o que ele pretendia ou qua...
Ele pedia encarecidamente aos deuses que lhe dessem um sinal. Os deuses, indignados, não percebiam ao certo o que ele pretendia ou qual o tipo de mensagem específica.
Como tal, na manhã seguinte ele acordou com um enorme sinal na face esquerda.
Texto: Emanuel R. Marques
Capa/Colagem: Emanuel R. Marques
Alguém batia suavemente à minha porta, e eu, ouvindo o doce toque e terminando de lavar os dentes, bochechava com água a pasta que me ...
Alguém batia suavemente à minha porta, e eu, ouvindo o doce toque e terminando de lavar os dentes, bochechava com água a pasta que me restava na boca. Apressava-me.
Nos segundos que me permitiram finalizar a higiene dentária e vestir uma fugaz camisa, o ruído deixou de se ouvir e desesperei-me até à porta. Olhei à volta. Não vi ninguém. Vi alguém. Uma velha mulher a quem perguntei se tinha visto quem batera à minha porta e se conseguia descrever a pessoa. Ela respondeu que era a sorte quem batia à minha porta, mas como tinha demorado demasiado tempo a vir atendê-la, ela fora bater à porta de outro.
Texto: Emanuel R. Marques
Capa/Colagem: Emanuel R. Marques
O comandante do avião discutia com o co-piloto a falta de comissários de bordo que se vinha a sentir nos últimos tempos. Era necessári...
O comandante do avião discutia com o co-piloto a falta de comissários de bordo que se vinha a sentir nos últimos tempos. Era necessário proceder a novas contratações.
Rafael caminhava distraidamente, enquanto sonhava com um emprego numa companhia aérea. Ele adorava viajar, mas todos lhe diziam, “se estás à espera que o emprego te caia do céu, podes esperar sentado”. Rafael sentou- se a descansar e a reflectir na sua vida.
Entretido com a conversa, o comandante perdeu o controlo do avião e este foi-se despenhar sobre o local onde Rafael estava. Moral da história: Cuidado com os empregos caídos do céu.
Texto: Emanuel R. Marques
Capa/Colagem: Emanuel R. Marques
Estranharam um pouco, quando viram um vendedor de gelados às cinco da manhã. No entanto, se eles também lá estavam àquela hora, talvez...
Estranharam um pouco, quando viram um vendedor de gelados às cinco da manhã. No entanto, se eles também lá estavam àquela hora, talvez houvesse afluência de outros transeuntes, habitualmente, àquela praia.
Os seus rostos empalideceram, quando ao passarem pelo vendedor de gelados ele lhes dirigiu uma sarcástica “boa-noite” e da arca que carregava puderam ver escorrer uma viscosa massa avermelhada.
Era chocante. Todo aquele rasto de geleia de morango ia ser pisado pelas pessoas que chegariam dentro de poucas horas.
Texto: Emanuel R. Marques
Capa/Colagem: Emanuel R. Marques
O príncipe perfeito vivia num palácio perfeito. Regava o seu frondoso jardim perfeito, enquanto se deixava embalar com o perfeito can...
O príncipe perfeito vivia num palácio perfeito. Regava o seu frondoso jardim perfeito, enquanto se deixava embalar com o perfeito cantar dos pássaros, e colhia flores perfeitas para oferecer à sua perfeita princesa.
Um dia, precisou de ser levado com urgência para o hospital, devido a uma intoxicação de perfeição. A ambulância não chegou a tempo de o salvar, pois o caminho não era perfeito.
Texto: Emanuel R. Marques
Capa/Colagem: Emanuel R. Marques
Encontrávamo-nos todos os dias à mesma hora. Eu sabia que era apenas mais um a quem ela ofuscava com as suas promessas e devaneios. T...
Encontrávamo-nos todos os dias à mesma hora. Eu sabia que era apenas mais um a quem ela ofuscava com as suas promessas e devaneios. Tantos sorrisos, lágrimas e sensações que lhe dediquei, como um servo fiel e incansável. Houve quem me prevenisse quanto ao seu poder hipnótico, mas eu não queria saber.
Hoje, já não perco tanto tempo em frente à televisão.
Texto: Emanuel R. Marques
Capa/Colagem: Emanuel R. Marques
Estava uma enorme fila de carros em ambos os sentidos. Os autocarros ladeavam-se numa cruzada cumplicidade, fornecendo assim, aos ...
Estava uma enorme fila de carros em ambos os sentidos. Os autocarros ladeavam-se numa cruzada cumplicidade, fornecendo assim, aos curiosos, uma excelente oportunidade para se fitarem em analíticas opinações.
Ele olhou-a fixamente do autocarro que seguia inversamente ao dela. A sua súbita e encaixilhada imagem fê-lo perceber que aquela poderia ser a mulher da sua vida. Ela olhou-o fixamente do autocarro que seguia inversamente ao seu e sentiu vaidade pela côrte que lhe estava a ser feita, encontrando mesmo algum interesse no seu cônjuge retinal.
Passaram 13 segundos. A lenta marcha dos carros reiniciou-se e o perfeito casal nunca mais se tornou a ver.
Texto: Emanuel R. Marques
Capa/Colagem: Emanuel R. Marques
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