Mostrar mensagens com a etiqueta viagens. Mostrar todas as mensagens

O imaginário que tenho do Vietname, centra-se em reminiscências literárias, como The Quiet American, de Graham Greene, e documentário...



O imaginário que tenho do Vietname, centra-se em reminiscências literárias, como The Quiet American, de Graham Greene, e documentários em que as ruas de Ho-Chi-Minh se enchem de motoretas e bicicletas mas que não é tão “rico” e completo como a confluência de noodles, massa vermicelli com legumes, tofu e amendoim que fazem da comida vietnamita um dos micro-universos mais complexos e interessantes do já de si diverso universo de comida asiática. 

Somos feitos de memórias e intuições. As minhas duas grandes amigas também. Partilhamos interesse e gosto por outras paragens, países, culturas, experiências gastronómicas e sabores aguerridos. Para uma das minhas amigas, comida vietnamita significa mais do que conforto, mas também um lugar de pertença, relembrando-a de uma vida em Paris onde os restaurantes de comida vietnamita são mais comuns do que em Portugal. 
Foi por acordo e mútuo entusiasmo que acordámos ir ao Viet View, situado na Rua de Cedofeita (Porto). Uma das minhas amigas “adivinhou “intuitivamente” que um dos rapazes que nos atendeu seria de Minas Gerais. A sua intuição estava correcta, o seu jeito sereno e ponderado remeteu-a para essa zona do Brasil, talvez por ter uma ampla ligação emocional com o país. O outro rapaz também era brasileiro e com muita simpatia e cuidado explicou-nos a essência dos pratos que constavam no cardápio, apesar do restaurante estar a ficar cada vez mais cheio. 

Uma refeição é um acto partilhado e íntimo quando entre amigos. Dividimos um rolinho de primavera de camarão, onde a massa delicada, suave e transparente de arroz tinha sido confeccionada ao ponto certo de forma a que não ficasse pegajosa e se colasse aos dedos. O recheio, fresco e leve, consistia em cenoura ralada, alface fresca e sadia, massa vermicelli, ananás finamente cortado e camarão refrescante. O momento fica completo quando se junta o molho agridoce à base de amendoim. 

O Viet View é um dos primeiros restaurantes de comida vietnamita na cidade do Porto e destaca-se por possuir uma fusão da alma e calma brasileira com a exuberância e frescura de sabores do oriente. Destacam-se as sobremesas de origem brasileira como a tapioca com lascas de coco e amêndoa e as de influência britânica como o banoffee. 

Viet View representa um mundo feito de diversidades, uniões, fusões e influências. Acolhedor e extremamente familiar e à noite, por baixo dos nón transformados em candeeiros, é um pedaço do sudeste asiático na baixa do Porto. 

O bem receber não diferencia nem faz separações. No final uma surpresa que nos motivou ainda mais a voltar. Um shot de aguardente de arroz para enfrentar o frio de mais uma noite no Porto em que estivemos por algumas horas na companhia de três amigas de adolescência e no caminho para o carro partilhámos o nosso imaginário sobre esse país tão distante, mas apelativo, seja pela voz de Robin Williams que nos diz “Good Morning, Vietnam” ou por outras referências literárias e fílmicas que alimentam e alimentaram o nosso imaginário. Mot, Hai, Ba, Yo!

Texto: Cláudia Zafre

Sair da bolha pode ser complicado porque exige esforço. Compreender o que se passa fora dela poderá ser o caminho a seguir para melhor e...

Sair da bolha pode ser complicado porque exige esforço. Compreender o que se passa fora dela poderá ser o caminho a seguir para melhor entender a cosmovisão das coisas. Tendemos a olhar o mundo segundo a nossa perspectiva, e esse olhar castra a possibilidade de o observarmos multidimensionalmente, com maior plenitude e espiritualidade.
Colocando a premissa de outra forma: ainda que haja momentos em que o carteiro tenha depositado uma série de cartas nas caixas de correio de cada apartamento, o vento não deixou de soprar do outro lado do Transcáucaso, onde as areias viajam de um lado para o outro, moldando rochas que, ao longo dos tempos, adquiriram múltiplas formas e texturas.

Arménia; Imagem: Priscilla Fontoura

Pouco (ou nada) se sabe sobre a cultura Arménia em Portugal. Hoje é um país independente, mas não se pode esquecer que ontem foi a nação vítima de uma série de guerras civis, conflitos separatistas e conflitos étnicos que ocorreram na região do Cáucaso, desde a União Soviética até ao término da Guerra Fria.

Ouve-se falar vagamente sobre o genocídio arménio, cujo reconhecimento do Parlamento português só se deu (vergonhosamente) este ano, no dia 26 de Abril. Uma atrocidade - a exterminação sistemática de um povo e de um grupo étnico -, que é motivo de indignação mundial, mas, ainda assim, a sua aceitação é ainda assunto de controvérsia e de algum conflito diplomático, uma vez que a Turquia atribui a responsabilidade de tais actos ao império Otomano, ocorridos durante as épocas 1915 e 1922. No entanto, ainda hoje, o genocídio continua a ser um factor de tensão para os turcos. A Arménia, a minoria curda e outras minorias sofreram o extermínio sistemático orquestrado pelo governo Otomano que se estima ter dizimado entre 800 e 1,5 milhão de pessoas. Como refere Desmond Tutu, ser neutro numa situação de injustiça é escolher o lado do opressor. 

Memorial e Museu do Genocídio Arménio, Erevan; Imagem: Priscilla Fontoura

Memorial e Museu do Genocídio Arménio, Erevan; Imagem: Priscilla Fontoura

A alegação, e a negação em contrapartida, de que essas mortes tenham configurado um crime de genocídio, depende principalmente da prova da intenção estatal de matar essas pessoas e é esse o principal ponto de choque entre os autores pró-arménios e pró-turcos. É facto que poucos documentos escritos e autenticados podem ser apresentados como prova da intenção genocida e esse fato é accionado, muitas vezes, como ferramenta para o negacionismo. Um pesquisador que procure manter-se imparcial diante deste momento histórico terá que evitar armadilhas de ambos os lados. É natural que, ao tentar defender a sua versão, cada lado apele para o exagero, é parte da natureza humana. Entretanto, esses exageros são utilizados pelo ‘adversário’ com muita eficiência (...)
Um dos melhores exemplos desta disputa entre “história” e “verdade histórica” é o caso dos famosos telegramas de Talaat Pasha.
- Arménios e Gregos Otomanos, A Polémica de um Genocídio -,
Ligia Cristina Sanchez de Almeida 

Ravished Armenia é uma das histórias mais emblemáticas sobre o genocídio arménio, cuja protagonista é Aurora Mardiganian, uma resistente e testemunha de horrores tal qual Anne Frank na Europa. Mardiganian (1901-1994) testemunhou o assassinato da sua família e o sofrimento do seu povo nas mãos do império Otomano. Forçada a caminhar mais de 2000 Km, Aurora Mardiganian foi obrigada a trabalho compulsório. Quando finalmente conseguiu escapar e fugir para os EUA, foi atraiçoada e explorada pelas próprias pessoas que acreditava que a poderiam ajudar. A sua biografia foi publicada num livro e, posteriormente, adaptada para uma longa-metragem intitulada Ravished Armenia, também conhecida como Auction of Souls de 1918, na qual a mesma protagonizou.

Aurora Mardiganian, Memorial e Museu do Genocídio Arménio, Erevan; Imagem: Priscilla Fontoura

 Memorial e Museu do Genocídio Arménio, Erevan; Imagem: Priscilla Fontoura

 Memorial e Museu do Genocídio Arménio, ErevanImagem: Priscilla Fontoura

Memorial e Museu do Genocídio Arménio, ErevanImagem: Priscilla Fontoura

Memorial e Museu do Genocídio Arménio, ErevanImagem: Priscilla Fontoura

No que respeita à presença e influência de cidadãos de origem arménia em Portugal, o nome mais sonante é o de Calouste Sarkis Gulbenkian, um mediador nas negociações internacionais para a exploração das reservas de petróleo no Iraque. Foi também um coleccionador de arte muito ecléctica. Adquiriu nacionalidade britânica em 1902. Faleceu em 1955, na cidade onde passou os últimos anos da sua vida, Lisboa, e onde construiu a sede de uma fundação internacional com o seu nome, em benefício de toda a humanidade. Hoje, a fundação Calouste Gulbenkian tem apoiado vários investigadores e artistas com bolsas para valorização pessoal no estrangeiro e tem, também, melhorado a qualidade de vida das pessoas através das artes, beneficência, ciência e educação desde 1956.

Arménia; Imagem: Priscilla Fontoura

ArméniaImagem: Priscilla Fontoura

Não faz muito tempo (1920) que a Arménia integrou uma das repúblicas anexadas à URSS. Hoje, já independente, as relações com a Rússia são diplomáticas. As marcas perpetradas sistematicamente durante os conflitos, ocorridos da agitação dos movimentos nacionalistas, perduram. Do lado da Arménia a independência existe, do lado russo a Arménia continua a ser parte do seu território. Depois do genocídio arménio, deu-se a diáspora que forçou a fuga de milhares de arménios para a França, Estados Unidos, Argentina, o Levante e outros países que os acolheram. Ainda que por motivos nefastos, a diáspora arménia permitiu que a identidade colectiva arménia se abrisse ao mundo, na medida em que o fluxo migratório, provocado pelo genocídio, introduzisse noutras sociedades a influência da identidade arménia. O contributo que alguns arménios deram aos seus países de acolhimento é relevante. Por exemplo, Arthur H. Bulbulian, descendente de arménios, foi pioneiro no campo das próteses faciais. O seu trabalho de investigação desenvolvido na Clínica Mayo, na União Aero-Médica, levou-o a ser creditado com o desenvolvimento da criação da máscara de oxigénio A-14, para a força aérea dos EUA em 1941. 

Museu de Manuscritos Antigos - Erevan; Imagem: Priscilla Fontoura


Museu de Manuscritos Antigos - Erevan; Imagem: Priscilla Fontoura

Hoje assiste-se a uma Arménia vulnerável, mas pronta a alterar um passado que foi lento na sua mudança. Das curiosidades deste país, ainda muito ligado às suas raízes e identidade, fazem parte o ensino do Xadrez, que é obrigatório nas escolas para desenvolver o pensamento estratégico como parte da educação fundamental e o alfabeto arménio, constituído por 43 caracteres e desenvolvido pelo monge, teólogo, hinógrafo e linguista arménio Mesrobes Mastósio. O primeiro texto a ser escrito no alfabeto arménio foi a Bíblia, transcrição feita pelo próprio Mastósio. A língua indo-europeia é também falada pelas comunidades arménias espalhados pelo mundo.

 Próximo da fronteira Arménia - Geórgia, CáucasoImagem: Priscilla Fontoura

 Próximo da fronteira Arménia - Geórgia, Cáucaso; Imagem: Priscilla Fontoura

Monte Ararate, ponto de vista da Arménia; Imagem: Priscilla Fontoura

Arménias em Garni; Imagem: Priscilla Fontoura

Posso dizer que das muitas viagens que fiz, poucas foram as vezes em que senti uma recepção tão calorosa e honesta de um povo que partilha traços em comum com os vizinhos persas. De Khor Virap avista-se o monte Ararate, onde segundo o livro de Génesis, a arca de Noé estaria localizada. O símbolo principal da Arménia é o monte Ararate que desde o Tratado de Kars (1921) mudou as suas fronteiras a favor da Turquia. Esta montanha desempenha um papel significativo no nacionalismo e irredentismo arménio. 

Khachkar; Imagem: Priscilla Fontoura

Etchmiadzin, Khachkar; Imagem: Priscilla Fontoura

Confecção de pão artesanal, Arménia; Imagem: Priscilla Fontoura


Mãe Arménia, Erevan, Arménia; Imagem: Priscilla Fontoura

Apesar da pequena área geográfica, este país é rico em identidade. Da sua cultura fazem parte o alfabeto (já referido), a gastronomia, os instrumentos musicais, as Khachkar, a religião, o Narek, e a mãe Arménia; a estátua que foi erigida, tomando o lugar da de Estaline, que outrora ocupava esse mesmo espaço e que foi criada como memorial de vitória da segunda guerra mundial. A mãe Arménia simboliza a paz que nasceu através da força. É também uma reminiscência das mulheres proeminentes da história arménia, tais como Sose Mayrig, que não temeram e pegaram nas armas para lutar ao lado dos seus maridos, aquando dos conflitos contra as tropas turcas e curdas. 

Mas de todo o conjunto atractivo que apela a fixar o olhar na Arménia são os mananciais que correm por todo o país, toda a paisagem natural (um lugar propenso para os animais migratórios, ao redor existem mais de 350 diferentes espécies de aves) que o circunda e os mosteiros incrustados nos rochedos que mudam de texturas conforme as alterações das estações do ano. Desses mosteiros ecoam cânticos que exaltam o divino e nos ligam a Ele. Sente-se paz e vontade de permanecer nestes lugares, que parecem inexistentes quando vivemos uma vida agitada e concentrada nos problemas do dia-a-dia. Por momentos, esta paz deixa-nos tão desassossegados, que há pensamentos que nos agitam e fazem questionar sobre qual caminho traçar, a de uma vida frenética sem sentido, ou a de uma menos agitada mas com sabor.

Arménia; Imagem: Priscilla Fontoura


 Arménia, Noravank; Imagem: Priscilla Fontoura

 Arménia, Mosteiro de Noravank; Imagem: Priscilla Fontoura

Arménia, Akhtamar; Imagem: Priscilla Fontoura

Templo cristão incrustado na rocha S. Geghard, do 12° século, Arménia. Canto litúrgico arménio (sharakan) no Gavit, no mosteiro Geghard;
por Priscilla Fontoura

Arménia; Templo cristão incrustado na rocha S. Geghard, do 12° século; Imagem: Priscilla Fontoura

O Mosteiro de Geghard (arménio) é uma construção peculiar e especial, por estar incrustada na montanha e rodeada por rochedos. A oeste do templo principal encontra-se o vestiário esculpido na rocha e ligado à parte este, construído entre 1215 e 1225. São quatro as colunas que suportam o telhado de pedra, cujo centro perfurado permite a passagem de luz para iluminar o espaço. A organização do espaço confere-lhe uma acústica impressionante que é explorada, na altura do Verão, por músicos que proporcionam ao ouvinte um momento espiritual de arrepiar.


Dos instrumentos tradicionais arménios, o Duduk é o mais conhecido e é comum ser tocado em funerais devido ao seu tom melancólico. É usado em toda a região dos balcãs, do Médio Oriente, do Cáucaso e da Ásia central.

Etchmiadzin, Arménia; Imagem: Priscilla Fontoura

Etchmiadzin, Arménia; Imagem: Priscilla Fontoura 

Narek, por Priscilla Fontoura

Selim Pass Karavansaray, Arménia

A Arménia foi a primeira nação a oficializar a religião com origem no Médio Oriente - o Cristianismo - como religião de Estado. No entanto, a Igreja Apostólica Arménia diferencia-se das demais Igrejas do mundo. Após o Concílio de Calcedónia, em 451, a Igreja fez o cisma separando-se tanto dos seus ramos católicos quando dos ortodoxos, uma vez que a igreja Ortodoxa aceita apenas a autoridade dos três primeiros Concílios Ecuménicos. Dos fundamentos da Igreja Arménia integram a monofisista, com origem na Escola Teológica de Alexandria e que determina e enfatiza a natureza de Jesus Cristo pela sua divindade. O santo padroeiro, e considerado o primeiro líder oficial da Igreja Apostólica Arménia, é Gregório, o Iluminador, o líder religioso a quem é creditada a conversão da Arménia do paganismo ao cristianismo. Gregório o Iluminador não foi mártir — morreu em retiro, perto do Monte Sebuh, com um pequeno grupo de monges. A sua história é a de um homem que sobreviveu treze anos de prisão às mãos do rei Tiridates III e acabou por o converter ao Cristianismo.

Também Gregório, mas o de Narek, é uma referência para a cultura arménia. Gregório de Narek foi um monge arménio do século X, poeta, filósofo, místico e teólogo. A importância dos seus escritos para a religião na Arménia é incomparável. O Livro das Lamentações (Narek), que ele chamou de “enciclopédia de oração para todas as nações”, é uma coesão única da alma que revigora as orações por possuírem poderes de cura e protecção. Assim, tornou-se uma tradição arménia colocar as orações de Narek perto de uma cabeceira ou debaixo de um travesseiro de um bebé recém-nascido. 

May this book of prayers
I have undertaken to compose
with the strength of the Holy Spirit
and with a view to the multitudinous needs of all
serve for some as heartfelt pleas of intercession and
for others as counsel toward virtue
that through this book they might constantly
appear before you, Great Mercy.
Oração 3 - Narek

Há mil anos, São Gregório de Narek partiu, com muita ansiedade, numa missão sublime para traduzir os suspiros puros do coração partido e contrito numa oferta de palavras agradáveis ​​a Deus, começando cada oração com encantamento, falando com Deus "das profundezas do coração". Gregório de Narek criou um livro vivo, como um compêndio de orações para todos os tempos e nações. Na Arménia o livro é intitulado Girk aghotits, traduzido literalmente para Livro de Orações. Um livro que ocupa a sua importância na Igreja Arménia e é comparado aos Salmos de David e às Confissões de Santo Agostinho

Embora muito ligados à tradição e orgulhosos do seu país, os arménios são também curiosos pela espiritualidade, presente nas paisagens do país, nos mosteiros, nas pessoas que nos olham com um sorriso nos olhos e com uma paz que se sente, sem ser necessário falar o mesmo dialecto. O nome do país deriva da palavra Haico, o grande patriarca da Arménia, tetraneto de Noé, descendente de Jafé, cuja história está presente no livro História da Arménia, de Moisés de Corene. Neste país, a liturgia ecoa além dos mosteiros, o som do espírito eleva-se e conduz-nos a uma outra dimensão, a uma paz plena. Muitas mais palavras podiam ser ditas sobre este magnífico lugar, onde se sente uma hospitalidade genuína e pura. O artesanato, a música, a liturgia, a agricultura, a arte, a arquitectura, o cinema de Parajanov, os poemas de Sayat Nova, as canções de Charles Aznavour fazem parte do património imaterial deste país que merece ser valorizado, por querer manter o que lhe é belo e por, ao mesmo tempo, desejar prosseguir, deixando para trás um passado que deixou marcas profundas. A diáspora ajudou-os a manter e preservar uma identidade tão forte: a de voltar a saborear o sumo da fruta que representa o país, a romã. Um lugar que deixo com o coração cheio e cujas memórias jamais serão apagadas.

The Color of Pomegranates, Sergei Parajanov

Texto: Priscilla Fontoura
Fontes: 
- Narek, São Gregório de Narek;
- Arménios e Gregos Otomanos, A Polémica de um Genocídio, Ligia Cristina Sanchez de Almeida

Imagens e Vídeos: © Priscilla Fontoura
Arménia, Outubro 2018, Agosto 2019
Um grande agradecimento: Viagens Shalom

África é um continente excelso pela beleza da sua natureza e diversidade dos povos e culturas. Moçambique, situado a sul de África, contin...

África é um continente excelso pela beleza da sua natureza e diversidade dos povos e culturas. Moçambique, situado a sul de África, continua a ser um país intrigante pela forma como nos surpreende a cada instante, seja através da simpatia e modo caloroso dos seus habitantes, como pela comida, música ou outras expressões artísticas.

Há também um lado mais duro no quotidiano do povo, mas que é necessário para a sua sobrevivência, a prática da pesca logo ao raiar do sol. A pesca tradicional de xávega que se faz nas praias de Vilanculos é feita com um grande esforço de equipa. A cooperação é essencial e em Maputo pode ver-se grupos de acrobatas, ou outros artistas que juntos demonstram as suas proezas.

Mais longe de Maputo e no Kruger National Park da África do sul, vemos os animais do nosso imaginário em liberdade, sem jaulas ou grades que os prendam. Vemo-los a tratar do seu quotidiano, indiferentes aos binóculos e máquinas fotográficas dos humanos que os observam com admiração.

Moçambique deixa a sua marca no viajante que logo após aterrar divisa maneiras e faz planos para lá regressar.


Trip to Moçambique 
texto & diários: Cláudia Zafre
imagem: Cláudia Zafre

Vilanculos é uma vila costeira que acolhe algumas das ilhas mais bonitas de África, tais como a Ilha de Santa Carolina (também conhecida c...

Vilanculos é uma vila costeira que acolhe algumas das ilhas mais bonitas de África, tais como a Ilha de Santa Carolina (também conhecida como Ilha do Paraíso), Bazaruto e Benguerra. Os seus mares azuis e transparentes povoados por Dhows (barcos tradicionais de vela), areais extensos e brancos pontuados por vegetação frondosa fazem com que alguns industriais e empresários (incluindo o governo de Moçambique) queiram fazer de Vilanculos um destino turístico essencial, chamando-lhe até “a pérola do Índico”.


Vilanculos, Moçambique



É frequente acordar bem cedo de manhã para ver a arte da pesca Xávega, um estilo de pesca tradicional feito com rede e depois assistir à venda do peixe na praia. As viagens para as ilhas são feitas em speed boats e na travessia até Santa Carolina podem ser avistados golfinhos e até tartarugas. 

Um Dhow em vilanculos


Vilanculos, Moçambique

Pescadores em Vilanculos

Pescadores (Xávega) em Vilanculos


Pescadores Vilanculos


Barco abandonado em Vilanculos

Em Santa Carolina, as águas são azuis marinho, verde-esmeralda e a pouca profundidade podem vislumbrar-se corais magníficos e cardumes de peixes de várias espécies. As areias são lindíssimas. A água é quente e convidativa. A ilha abriga um complexo hoteleiro em ruínas e no futuro está prevista a construção de um novo hotel. As ruínas imiscuem-se na zona mais florestal da ilha e de certa forma, conferem ainda mais carisma a esta ilha do Paraíso. Contam também uma história, a de Joaquim Alves, o português responsável pela construção dos edifícios motivado por razões sentimentais, fê-lo pelo amor que sentia por Dª Ana, uma Moçambicana por quem estava profundamente apaixonado.

Coqueiro em Vilanculos



Vilanculos, Moçambique


Dhow em Vilanculos


Ilha de Santa Carolina, Moçambique










Ilha de Santa Carolina, Moçambique


Baob Bab backpackers em Vilanculos

Vilanculos é uma vila tranquila com uma comunidade que vive essencialmente da pesca, mas havendo também uma área onde abundam os serviços e estabelecimentos comerciais. É também um local magnifico para experimentar a gastronomia nacional em locais como Zita’s food. Um restaurante humilde mas impecável que se aloja numa cabana e onde a comida é preparada por Zita, porque como ela mesmo nos disse, cozinha com o “coração” porque cozinhar não se trata apenas de juntar os ingredientes, mexer e já está. Não. Há que fazê-lo com a alma e coração e é esse carinho que se sente na comida preparada por Zita, até mesmo no espaço que prepara com esmero para os seus clientes. Matapa de camarão ou simples (um prato delicioso confecionado com folhas de mandioca pilada às quais é adicionado leite de cocô e amendoim) que pode ser servido com acompanhamento de arroz branco ou xima (farinha de milho cozida em água). Caril de frango com amendoim que fica a meio caminho entre o cremoso e o líquido e onde se pode sentir o verdadeiro sabor do amendoim (apesar de como Zita nos indicou se se vir pedaços de amendoim significa que foi mal cozido e que perdeu parte da sua fragância e sabor). Lulas, peixe e camarão grelhados e não há como não experimentar os piri-piris africanos caseiros. 

Piri Piri caseiro


Caril de frango com amendoim e Xima


Fruta da época


Prato moçambicano: Nhangana

O aproveitamento dos ingredientes é essencial neste continente, assim como se demonstra no prato chamado nhangana que é feito a partir das folhas de feijão piladas. São apenas alguns dos pratos deliciosos que podemos encontrar em Moçambique que podem ser bem acompanhados por uma cerveja moçambicana como a 2M ou a Manica. 

Vilanculos, Moçambique


Zita's Food Vilanculos

Se se quiser fazer uma pausa da cerveja, também pode encontrar-se perto da marginal em Maputo, a refrescante e deliciosa água de côco e o sumo de cana de açúcar. É na marginal que se pode também comer um excelente frango assado frente à praia com uma dose generosa de xima ou batatas fritas. Podemos também encontrar o mítico restaurante Costa do Sol. Um restaurante elegante com uma secção incrível ao ar livre e com vista para o mar. Incrível é também a comida que confecionam. Camarões suculentos com batatas fritas e um dos melhores caris de gambas da cidade.

Maputo é uma cidade calorosa, vibrante e surpreendente. Uma que nunca mais se esquece e que fica a fazer parte de nós, do nosso imaginário e da nossa realidade.

Texto e fotos: Cláudia Zafre, Moçambique, Abril 2019