As estações em Portugal contrastam bem entre si. Inverno é Inverno, Primavera é Primavera, Verão é Verão, Outono é Outono. Claro que ...

Música para os meus ouvidos: Sugestão Burning the Treshold, SIX ORGANS OF ADMITTANCE


As estações em Portugal contrastam bem entre si. Inverno é Inverno, Primavera é Primavera, Verão é Verão, Outono é Outono. Claro que às vezes esses padrões climáticos são contraditórios, uma vez que nem sempre chove no Inverno e nem sempre o céu está limpo no Verão. Há flores que desabrocham no Inverno e tempestades que arrastam campos no Verão. Mas, ainda assim, sentem-se as mudanças nessas quatro partes do ano.

Tal como os álbuns. Alguns calham melhor numa estação do que noutra. Tal como a nossa disposição, que também se molda à natureza.

No entanto, não me parece que Burning the Treshold fique estacionado em certo período do ano. É apetecível em qualquer fase. É um álbum que se abre à imaginação. Dirige-nos, sem expectarmos, a lugar desabitado pleno de introspecção. Reflection, que encerra o álbum, leva-nos a esse lugar.

As guitarras são fluidas, correm como rios de água viva. Dos diários íntimos de Chasney estão as palavras e as composições, transformadas em melodias poéticas e abstractas que não apontam para dimensões fechadas. A antítese de Things as they are evoca o equilíbrio necessário para que o ciclo corra como tem que correr. 

Burning the Treshold é bipolar: simples e profundo. Acima de tudo, abundante em espiritualidade: as composições, as letras, os arranjos, a colagem que configura a capa do álbum caminham para a simplicidade esteticamente bela de um trabalho que ficará na intemporalidade do universo musical. Não são só os dedilhados que circunscrevem este álbum, são também as palavras que saem da meditação. Quando a voz não canta há outra guitarra que toma esse lugar, como Around the Axis. Neste álbum preponderam os dedilhados folk que nos remetem a Fahey e às paisagens naturais. O clímax, tal como a tempestade no Verão, surpreende a naturalidade acústica. O tema homónimo ao álbum é preenchido por várias camadas e efeitos psicadélicos. São eles que nos lembram e devolvem a identidade de Chasney.

Ben Chasney exalta a mãe natureza porque é ela que nos faz reflectir nos maiores mistérios do universo. Ainda assim, não se esquece de mártires como St. Eustace, como se buscasse uma revelação do espírito.

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